quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mulheres estacionam melhor que homens, indica estudo

Pesquisa realizada em toda a Grã-Bretanha mostra que, apesar de mais lentas, mulheres conseguem centralizar carro na vaga Uma pesquisa encomendada por uma empresa britânica sugere que as mulheres são melhores que os homens na hora de estacionar os carros. A pesquisa, encomendada pela rede de estacionamentos NCP observou 2,5 mil motoristas em 700 estacionamentos espalhados pela Grã-Bretanha durante um mês. O estudo mostrou que as mulheres podem até precisar de mais tempo para estacionar, mas têm mais probabilidade de deixar o carro centralizado na vaga. O estudo também descobriu que as mulheres são melhores na hora de encontrar espaços e mais precisas na hora de alinhar o carro antes de iniciar cada manobra. Por outro lado, os homens mostraram mais habilidade em dirigir para frente nos espaços das vagas e demonstraram mais confiança. Menos homens optaram por reposicionar o carro depois de entrar na vaga. Pontuação e impaciência A pesquisa levou em conta sete fatores, entre eles a velocidade na hora de encontrar um espaço apropriado para estacionar, velocidade nas manobras, a habilidade de entrar no espaço com o carro em marcha a ré ou de frente, entre outros. Em uma pontuação que poderia chegar a 20 pontos, as mulheres conseguiram alcançar, em média, 13,4 pontos e os homens chegaram aos 12,3 em média. A primeira categoria analisada pela empresa foi a habilidade de encontrar uma boa vaga e os homens ficaram atrás das mulheres. Os pesquisadores afirmam que a impaciência dos homens faz com que, com frequência, eles não percebam as melhores vagas ao passar muito rápido pelos estacionamentos. Mas, a velocidade das manobras na hora de estacionar foi um quesito que deixou as mulheres para trás. Em média, homens precisaram de 16 segundos para estacionar, enquanto que as mulheres precisaram de 21 segundos. E, no quesito de maior importância para a avaliação geral, a centralização do carro na vaga, os homens marcaram menos pontos. Apenas 25% deles conseguiram centralizar o carro na vaga, contra 53% das mulheres. O teste foi criado pelo professor de autoescola Neil Beeson, que também tem um programa sobre o assunto em um canal de televisão britânico, ITV. "Fiquei surpreso com os resultados, pois, de acordo com minha experiência, homens sempre aprenderam melhor e geralmente tinham uma performance melhor nas lições. No entanto, é possível que as mulheres tenham guardado melhor as informações", disse. "Os resultados também parecem acabar com o mito de que os homens têm uma noção espacial melhor do que as mulheres", acrescentou. Em entrevistas com motoristas, os pesquisadores descobriram que homens e mulheres acreditam que acertar o ângulo logo na primeira vez, na hora de estacionar, é o mais difícil -- 50% dos entrevistados acham que este é o grande problema. Em segundo lugar ficou colocar o carro no centro da vaga, algo considerado difícil por 30% dos pesquisados, que empatou com saber quando parar no fundo da vaga (30% dos entrevistados) e, por fim, 7% acham difícil saber quando entrar na vaga de frente ou usando a marcha a ré. Autor: Da BBC Fonte: G1 Data: 31/02/2012

Novidade na escola

Neste início de ano letivo, uma controvérsia agita o ambiente escolar: o uso de tablets em sala de aula. As instituições de ensino brasileiras, notadamente as particulares, reproduziram uma tendência nos países desenvolvidos e incluíram os equipamentos eletrônicos na lista de material didático. Há uma extensa lista de argumentos favoráveis ao uso dos aparelhos: os estudantes estariam dispensados de carregar pesadas mochilas com livros; haveria uma economia de papel na produção dos livros didáticos; as aulas se tornariam mais dinâmicas, com ampliação das possibilidades na aprendizagem. Uma questão, entretanto, permanece em aberto: os alunos aprenderão melhor com a novidade tecnológica?   Um dos impactos mais impressionantes proporcionados pelo avanço da tecnologia reside no acesso à informação. Qualquer internauta hoje tem ao alcance dos olhos uma quantidade incomparável de dados em relação a um cidadão comum de 150 anos atrás. A armadilha do mundo digital se revela, porém, no momento em que se analisa os supostos benefícios sociais trazidos pela nova realidade. É antiga a discussão sobre os riscos da internet, refúgio de toda ordem de criminosos e prática de delitos, da pirataria à pedofilia.   A popularização dos telefones celulares não necessariamente significa que a humanidade se expresse melhor. A humanidade tampouco aprendeu a fotografar melhor graças às máquinas digitais. É legítimo perguntar, pois, se um aparelho que utilize simultaneamente textos, sons e imagens representará o passaporte para a aquisição de conhecimento mais qualificado.   No universo infinito da rede mundial de computadores, constitui tarefa fácil acompanhar o debate sobre as características da geração digital. Vários autores acreditam que ela é mais antenada, faz conexões em diferentes níveis sobre determinado assunto, adquire conhecimento de forma multimídia. Outra corrente, no entanto, alerta para a superficialidade típica da geração que conhece tudo de computadores, mas estranha o hábito milenar de se concentrar na leitura. Especialistas alertam até mesmo para o fim do pensamento abstrato e da habilidade de atenção, características fundamentais a quem pretende evoluir nos estudos formais.   Outro aspecto merece reflexão: o uso de tablets nas escolas está disseminado em países com altos índices de leitura e investimentos maciços no ensino tradicional. Ainda é uma incógnita o impacto desse instrumento em realidades como a brasileira, com históricos problemas de acesso à educação e enormes desigualdades no ensino. Os tablets, no fim das contas, poderão apenas aprofundar os contrastes nos bancos escolares nacionais. Fonte: Correio Braziliense Data: 31/02/2012

Governo autoriza contratação temporária de mais de 3 mil professores universitários

Decisão foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (30). O Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 3.059 professores para atuarem no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior.   O processo seletivo se dará por meio de concurso simplificado e o prazo de duração dos contratos será de seis meses, com possibilidade de prorrogação por igual período. De março a agosto deste ano, serão contratados 900 professores com carga horária de 20 horas semanais e mais 900 para jornada de 40 horas. No período de abril a setembro, serão 630 professores para jornada de 20 horas semanais e 629 para 40 horas.   O salário ainda não foi definido. O Ministério da Educação (MEC) vai publicar, ainda nesta semana, a portaria com a distribuição das vagas por universidade federal. Assim, elas poderão publicar seus editais com as regras de cada concurso.   O Ministério da Educação argumenta que os postos temporários visam a atender às demandas das instituições - em expansão -, enquanto não são criadas vagas efetivas. Um projeto de lei para criar 19 mil postos efetivos foi enviado em 2011 ao Congresso e aguarda votação. Há 67 mil professores nas federais. Essa é a segunda contratação de professores temporários para o Reuni. A anterior, no primeiro semestre de 2011, envolveu 3.591 docentes.   (JC com Agências de Notícias)  Fonte: JC email 4427 Data: 31/01/2012

Capes disponibiliza acesso remoto ao Portal de Periódicos para bolsistas no exterior

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), disponibilizou o acesso remoto ao Portal de Periódicos para os 6.700 bolsistas da Capes ativos no exterior. Alunos de mestrado e doutorado já podem utilizar o Portal para realizar suas pesquisas e consultar todo o conteúdo disponível. Essa conquista é importante para os bolsistas, uma vez que terão acesso de forma ampla e irrestrita à informação científica de alto nível, produzida por pesquisadores de diversos países. Além disso, o Portal de Periódicos oferece conteúdo que abrange várias áreas do conhecimento, como lingüística, engenharias, ciências agrárias, ciências da saúde, dentre outras. Para o diretor de Programas e Bolsas no País da Capes, Emídio Cantídio de Oliveira Filho, ter o acesso remoto ao Portal é fundamental por se tratar do maior instrumento de informação da ciência. Segundo o diretor, o Portal é uma ferramenta importante para o aperfeiçoamento do conhecimento e deve estar disponível da melhor maneira possível. "Muitos conteúdos, como Science e Nature, são importantes para manter a atualização das pessoas e estamos trabalhando duramente para fornecer a informação do jeito que o usuário quer usar", afirmou. Os interessados em utilizar o serviço deverão realizar primeiro o seu cadastro no Portal, no campo "Meu Espaço" localizado no canto superior direito da página inicial. Depois, para ter acesso remoto à página, basta efetuar os seguintes passos: 1. Entrar na página do Portal pelo endereço www.periodicos.capes.gov.br; 2. Clicar no link "Meu Espaço"; 3. Escolher a opção "Usar identificação da minha instituição via federação CAFe - RNP"; 4. Selecionar a Capes na lista de instituições cadastradas; 5. Clicar em "Enviar"; 6. Informar login e senha, que será gerada pela Capes e enviada por e-mail. Em caso de dúvida, o bolsista deverá entrar em contato com a Central de Atendimento ao Usuário (CAU), no telefone (61) 2022-6830 ou pelo Fale Conosco da Capes. Sobre a CAFe O acesso remoto ao Portal de Periódicos é feito por meio da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), uma federação de gestão da identidade gerida pela RNP e composta por instituições brasileiras de ensino e pesquisa. A CAFe estabelece uma relação de confiança, por isso, participar da federação é uma garantia de autenticidade e credibilidade para seus membros. Fonte: Portal da Capes Data de acesso: 01/02/2012

  Andifes defende mais recursos para a educação

  Às vésperas da retomada dos trabalhos no Congresso Nacional, as discussões sobre a destinação de mais recursos para os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) começam a ganhar força. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) definiu o tema como um dos mais importantes para a gestão de Aloizio Mercadante no MEC. Nos últimos seis anos, os recursos quadruplicaram. "Haddad cumpriu seu papel, mas ainda há muito pelo que lutar como a defesa de 10% do PIB para a Educação e o investimento dos royalties do petróleo na área", avaliou o presidente da Andifes, o reitor João Luiz Martins.   O reitor considera como positiva a chegada de Mercadante ao MEC e completa que o bom relacionamento do ministro com os reitores será o diferencial da gestão dele. Enquanto ocupou o cargo de ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante fez diversas consultas às universidades e à sociedade.   No MEC, ressalta Martins, Mercadante precisa consolidar a expansão das instituições federais de ensino superior. "A grande luta é a retomada da votação do Projeto de Lei dos Cargos para as universidades federais que passaram pelo processo de expansão e estruturação", finalizou. (Boletim Abpiti com informações da Andifes)    Data: 01/02/2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rede social para cientistas tem mais de 1 milhão de usuários

Plataforma na internet criada para facilitar a troca de experiências entre pesquisadores tem cerca de 35 mil brasileiros. Mais de 1,3 milhão de pesquisadores de diversos países – 35 mil só do Brasil – já se inscreveram na plataforma ResearchGate, uma espécie de Facebook dos cientistas. A proposta da rede social é facilitar a comunicação e a troca de experiências entre pessoas que atuam na mesma área de investigação. Como outras redes, o ResearchGate conta com diversos grupos de discussão, nos quais os membros podem fazer e responder perguntas. Mas, diferentemente de outros sites do gênero, os perfis dos participantes são estruturados como se fossem um currículo científico, o que facilita a busca de usuários por área de atuação. Além disso, os pesquisadores podem incluir um índice com suas publicações e um blog pessoal. Um calendário informa os participantes sobre eventos científicos em todo o mundo e uma bolsa de empregos oferece mais de 13 mil vagas nas diversas áreas da ciência. A plataforma é gratuita e foi criada em 2008 pelo médico alemão Ijad Madisch, graduado em Hannover e pós-graduado em Harvard. Ele conta que teve a ideia quando fazia a pós nos Estados Unidos e deparou com um problema para o qual não achava resposta. Madisch conheceu um colega que pesquisava o mesmo assunto e tentou manter contato com ele pela internet, mas sentiu que faltava uma ferramenta adequada para isso. “Grande parte dos recursos gastos em uma pesquisa acaba cobrindo experiências malsucedidas, que não ganham espaço nas publicações”, disse. Com o ResearchGate, segundo Madisch, os cientistas podem receber informações sobre os trabalhos de colegas do mundo inteiro, inclusive sobre as experiências que não deram certo. Isso evitaria repetir o que já se mostrou falho. De acordo com os administradores do site, 30 brasileiros, em média, se registram diariamente. Mais informações: www.researchgate.net Fonte:Agencia FAPESP Data: 13/01/2012  

Site Memória da Imprensa é reformulado

Para melhor divulgar seu acervo de jornais e revistas dos séculos 19 e 20, o Arquivo Público do Estado de São Paulo reformulou o site "Memória da Imprensa". A página mostra a evolução da imprensa, especialmente a paulista, em pouco mais de um século. Para isso, os periódicos digitalizados foram divididos em diversas seções, como Cultura, Nacional, Gastronomia, Moda e Esportes. A cada três meses será lançada uma nova edição que abordará notícias de uma época específica. Nesta primeira, o site mostra a cobertura sobre a Revolta da Chibata, a construção do Teatro Municipal de São Paulo e informações sobre a produção cafeeira paulista no início do século XX. Traz ainda postais escritos à mão pelo poeta Olavo Bilac e publicados na revista A Lua, em 1910, e contos do escritor Eça de Queiroz publicados na revista Vida Moderna (1898). Ao clicar na notícia que lhe interessa, o internauta abre um arquivo com o periódico escolhido e busca a página em que a notícia foi publicada. Outra novidade do site é a seção Colaborações, na qual serão publicados artigos sobre a História da Imprensa no Brasil, escritos por convidados. Esta primeira edição divulga o artigo “A Imprensa Oficial no Período Imperial na Província de São Paulo”, escrito por Julio Couto Filho, pesquisador e funcionário do Arquivo Público. Entre os títulos digitalizados estão exemplares dos jornais Farol Paulistano (1829), Correio Paulistano (1867) e Jornal das Senhoras (1952) e das revistas Vida Paulista (1903), Moderna (1898), O Pharol (1908), Palco Ilustrado (1908) e Capital Paulista (1900). A Hemeroteca do Arquivo Público é uma das maiores do Estado de São Paulo e possui atualmente 1.195 títulos de revistas e 1.369 títulos de jornais disponíveis para consulta. Além disso, o Arquivo Público é responsável, desde 2008, pela coleção de periódicos do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br/memoriaimprensa. Fonte: Agencia FAPESP Data:27/01/2012

Errologia

Errar é humano, bem se sabe. O que o senso comum em geral ignora é que errar, além de humano, pode também ser científico. Persiste, para muitas pessoas, a imagem da ciência como um método infalível para atingir verdades definitivas - derivando daí a ideia de que a crença na ciência pode ser da mesma ordem da que embasa um dogma religioso. Ao contrário, é característico de toda conclusão científica o seu caráter provisório; novas evidências se agregam, cotidianamente, ao corpo dos conhecimentos estabelecidos, de modo a comprová-los, negá-los ou corrigi-los.
 
Seja como for, a prática usual entre os pesquisadores consiste em só levar ao conhecimento público os resultados de experimentos bem-sucedidos. Ou seja, os que confirmam hipóteses apresentadas, ou que indicam, com dados verificáveis e novas explicações, a necessidade de reformular as anteriores. Uma ideia ao mesmo tempo simples, útil e simpática promete mudar esse estado de coisas.
 
Uma nova publicação científica, o "Journal of Errorology", ou "Revista de Errologia", acaba de surgir na internet. Pretende divulgar os resultados negativos, vale dizer, experimentos que, por alguma razão, não "deram certo".
 
Hipóteses interessantes, mas que o teste da realidade não comprovou, deixariam assim de ser repetidas inutilmente por outros pesquisadores. Ao mesmo tempo, experiências que, por alguma falha, não tenham comprovado saberes consolidados podem ser preciosas, por exemplo, para o aperfeiçoamento das técnicas laboratoriais.
 
O brasileiro Eduardo Fox, editor do novo periódico, dá um exemplo de sua própria prática. Queria investigar se, suprimindo a função de determinado gene, uma abelha operária poderia transformar-se em abelha rainha. O esperado não aconteceu - abrindo campo para novas hipóteses e, mais do que isso, tornando dispensável que se investissem tempo e recursos em experiências correlatas.
 
Como na colmeia onde a abelha-rainha e as operárias coexistem, também a ciência, ao lado dos lances individuais de gênio, vive e se aperfeiçoa pelo trabalho de milhares de pesquisadores que se debatem na rotina anônima da tentativa e do erro. Dos erros, melhor dizendo - cuja "contribuição milionária", no dizer do poeta Oswald de Andrade, passa a ser levada em conta inteligentemente. 

Fonte: JC e-mail 4426
Data: 30 de Janeiro de 2012.

Pós-Graduação: Educação estendida

Governo quer aumentar oferta de cursos stricto sensu em mais de 15% até 2013. Falta de especialistas no País motiva criação de programas.

O Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG 2011-2020) divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no ano passado estabelece como objetivo para a década um crescimento de pouco mais de 15% a cada três anos no número de cursos de pós-graduação registrados no país. Se a expectativa se cumprir, em 2013 serão 6.029 cursos formando mais de 60 mil mestres e doutores.
 
A projeção favorece quem procura cursos nos campos de tecnologias, ciências agrárias e da terra, engenharia e saúde, considerados prioritários para esses dez anos. "O cenário da formação superior é positivo para todas as áreas, mas o Brasil carece de mão de obra especializada sobretudo nesses setores", explica Lívio Amaral, diretor de avaliação da Capes.
 
Pelos dados de 2009, a maior parte dos cursos são de ciências da saúde e ciências humanas, com respectivamente 725 e 588 registros. De 2004 a 2009, o número total de cursos passou de 2.970 para 4.101 - alta de 38,1%-, chegando, em 2010, a 4.757.
 
Distribuição desigual - Ana Lúcia Almeida Gazzola, relatora do PNPG e docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz concordar que o quadro atual é positivo, mas ressalva que ele só será eficaz quando o crescimento for redimensionado, considerando-se a capacidade instalada do parque universitário brasileiro. A especialista diz acreditar que a formação de centros de referência espalhados pelo território nacional possa direcionar as metas repassadas às instituições de ensino. A maioria dos cursos de pós se concentra no Sudeste e no Sul.
 
"Em 24,1% das mesorregiões brasileiras [subdivisões dos Estados que agrupam cidades pelo perfil econômico e social], há apenas um ou nenhum doutor, e essa ausência é maior no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste", situa Danilo Giroldo, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Furg (Universidade Federal do Rio Grande). "É grave se pensarmos no destaque que essas regiões terão com a Copa de 2014."
 
Programas como a Rede Centro-Oeste, do governo federal, e a Renorbio (Rede Nordeste de Biotecnologia) buscam suprir a falta de pós-graduandos e de pesquisa científica em regiões como a do cerrado e o Pantanal. "Criar cursos que tenham no corpo docente professores de diferentes faculdades é alternativa para se instituir um campo de pesquisa forte nessas regiões", frisa Giroldo.
 
Massa crítica - Para 2013, as agências de fomento Capes e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) estimam a distribuição de 105 mil bolsas para mestrado e doutorado. "Teremos o resultado apenas daqui a quatro ou cinco anos, quando essa massa crítica estará formada e produzindo", destaca Amaral.
Perfil dominante é o de mulher de 34 anos
 
Perfil - A busca por pós-graduação no Brasil, lato e stricto sensu, parte de um grupo majoritariamente feminino, com idade média de 34 anos e renda acima da média nacional. É o que apontam os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, de 2009. As mulheres representam 58% dos estudantes nesse nível de ensino. Apenas no mestrado profissional o número de homens é maior.
 
Segundo a Capes, 4.167 mulheres se matricularam nos cursos da modalidade, contra 5.937 registros masculinos. Estudantes de ambos os sexos têm renda familiar média de R$ 7.227,76. Para Fabio Gallo Garcia, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro "Como Planejar a Educação", trata-se de uma parcela da população que tem acesso à formação superior.
 
A Pnad, que considerou alunos inscritos em instituições de ensino privadas, contabilizou 330.351 matrículas em cursos de pós no País. "O alto número de alunos se deve ao fato de que parte deles faz cursos de especialização lato sensu, não computados nas pesquisas encomendadas pelo governo federal", explica Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e especialista em pesquisas sobre ensino superior.
 
Na pesquisa da Capes sobre pós stricto sensu com dados do mesmo ano, as matrículas somam 161.117, um pouco acima do contabilizado pela Pnad só no setor público, que oferece a maioria dos cursos desse tipo no Brasil.
 
Formação tardia - A idade com que os brasileiros têm concluído a pós-graduação preocupa os especialistas. "Caracteriza a formação tardia, causada principalmente por alguns doutorados ainda requererem o mestrado como etapa intermediária, prolongando o tempo para a qualificação", observa Schwartzman.
 
Para quem entra diretamente no doutorado após a graduação, é possível se formar antes dos 30 anos. Para o pesquisador, essa é a maneira mais rápida de alcançar melhores salários e impulsionar a carreira antes daqueles que entram na pós com idade superior. "A maioria das pessoas com essa formação no país é mais velha que em países mais desenvolvidos e trabalha sobretudo na docência", especifica.
 
Setor espacial - Logo que se formou em física, Flávio Damico, 43, encontrou na área de astronomia a possibilidade de fugir da docência e de trabalhar com pesquisa espacial. A escolha pelo mestrado, seguido do doutorado em astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi a base da formação para que ele prestasse concurso na própria instituição, em que hoje é pesquisador.
 
O setor espacial é um dos que têm destaque no PNPG 2011-2020 da Capes. Himilcon de Castro Carvalho, diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB) e um dos redatores do PNPG, frisa que, na atividade espacial, há carência imediata de 2.000 cientistas, técnicos e engenheiros, tanto em órgãos públicos quanto em privados.
 
Doutores em falta - As áreas de ciências agrárias e da terra, engenharias, tecnologias, ciências biomédicas, biologia e saúde também são citadas no plano. No campo de ciências agrárias, que teve aumento de 40% no número de cursos entre 2004 e 2009, estima-se que seja necessário formar 17 mil doutores para universidades e institutos de pesquisa, principalmente nas regiões Norte e Centro-oeste.
 
"Não significa que as demais áreas não terão novos cursos", afirma Lívio Amaral, diretor da Capes. "Mas devemos direcionar mais vagas e bolsas para esses setores, que são considerados estratégicos para a economia."
Humanas - Os cursos nas grandes áreas de ciências humanas e de linguística, letras e artes se multiplicaram nos últimos anos adotando uma política de interiorização e de expansão nas regiões Norte e Nordeste. "Hoje temos cursos em todos os estados brasileiros, exceto Maranhão, que terá em breve. Houve uma política de criação de novos cursos em centros que já possuíam a graduação", explica o coordenador de letras e linguística da Capes, Demerval da Hora Oliveira.
 
De 2004 a 2009, o número de programas na área passou de 168 para 225, em grande parte pelo incentivo da instituição em qualificar professores da educação básica através de mestrados profissionais, mais práticos. "A linguística hoje está voltada para a questão social, não é mais concebida como puramente teórica e desvinculada das questões da sociedade", afirma Oliveira. "O ensino e a qualificação de professores são o foco das atenções nos próximos anos." A tendência é que a área dê lugar também a linhas de pesquisa mais pragmáticas.
 
Já na área de ciências humanas, o número de programas passou de 421 para 588 entre 2004 e 2009, amparado num forte crescimento no Norte e no Nordeste. O próximo passo é elevar a qualidade desses programas - 85% dos cursos dessas regiões tiveram notas 3 ou 4 no sistema de avaliação da Capes.
 
Na busca da ampliação de cursos com nível de excelência, têm sido criados programas voltados a demandas regionais vinculadas a políticas públicas. Estudo de questões indígenas, estudos estratégicos e de segurança e história da cultura regional são exemplos.
 
Ciências Biológicas - Uma pós não é o único caminho para o profissional de ciências da saúde e biológicas melhorar sua formação. Ele pode aprofundar conhecimentos em residências e na prática da profissão, destaca a professora Regina Célia Mingroni Netto, coordenadora do programa de pós-graduação em ciências biológicas da USP.
 
Para a especialista, isso explica a desaceleração no crescimento do número de cursos de mestrado e doutorado entre 2004 e 2009 não só em ciências biológicas (de 11,2% para 9,2%) e ciências da saúde (de 19,6% para 17,7%) mas também em ciências exatas e da terra (de 10,8% para 10,2%).
 
Os valores de bolsas também são desestimulantes, acrescenta o professor Edmilson Dias de Freitas, do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo).
 
Segundo Regina Netto, a lentidão para aprovar projetos em comissões de ética, a demora ao importar produtos e peças de equipamentos e a burocracia em universidades e institutos também contribuem para o quadro. "No tempo em que um americano faz dez pesquisas, eu faço uma", compara.
 
Engenheiros - O ritmo de crescimento de cursos de pós-graduação stricto sensu no Brasil caiu entre 2004 e 2009, segundo relatório da Capes, e uma das maiores responsáveis pela puxada no freio de mão foi a área de engenharia. Pelo relatório, em 2004 a oferta de cursos de especialização, mestrado e doutorado para engenheiros era de 11,5% do total de cursos. Em 2009, caiu para 10,9%. De 800 mil concluintes de pós em diversas áreas naquele ano, só 5,9% foram de engenharia, produção e construção.
 
O fenômeno pode ser explicado pela falta de engenheiros no País, que acarreta contratação em massa logo após a graduação, fazendo com que os profissionais nem sequer tenham tempo (ou interesse) para uma pós. Apenas com diploma de graduação, eles recebem propostas atrativas em multinacionais e grandes empresas.
 
De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, Marcelo Trindade, a situação pode ficar preocupante. "O País precisará de mais engenheiros especializados e focados em pesquisa para sustentar o desenvolvimento da indústria nacional", frisa.
 
Para o professor Gherhardt Ribatski, membro da Comissão de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da USP, o decréscimo se relaciona ao reduzido valor das bolsas de estudo em comparação aos salários na iniciativa privada. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, paga a mestrandos bolsas de R$ 1.477 a R$ 1.568. Doutorandos recebem de R$ 2.177 a R$ 2.695. Um trainee da área pode começar em uma empresa com R$ 4.000.
 
Prioridades - A carreira de um engenheiro deverá passar por áreas que a Capes priorizará nos próximos dez anos - caso de geração e distribuição de energia e desenvolvimento de transporte eficiente. Para ampliar a visão sobre esses temas, a interdisciplinaridade é tendência, cita Estevam Barbosa de Las Casas, coordenador da área de avaliação Engenharias 1 da Capes. "Em engenharia de materiais, há profissionais de saúde e físicos; na engenharia de estruturas, fisioterapeutas e cientistas da computação."
(Folha de São Paulo - Caderno Especial - 29/1) 
 
Fonte: JC e-mail 4426
Data: 30 de Janeiro de 2012.

Mudanças Didáticas e Pedagógicas Construção Social do Conhecimento: a autonomia do aluno no novo milênio

Para melhor divulgar seu acervo de jornais e revistas dos séculos 19 e 20, o Arquivo Público do Estado de São Paulo reformulou o site "Memória da Imprensa". A página mostra a evolução da imprensa, especialmente a paulista, em pouco mais de um século. Para isso, os periódicos digitalizados foram divididos em diversas seções, como Cultura, Nacional, Gastronomia, Moda e Esportes. A cada três meses será lançada uma nova edição que abordará notícias de uma época específica. Nesta primeira, o site mostra a cobertura sobre a Revolta da Chibata, a construção do Teatro Municipal de São Paulo e informações sobre a produção cafeeira paulista no início do século XX. Traz ainda postais escritos à mão pelo poeta Olavo Bilac e publicados na revista A Lua, em 1910, e contos do escritor Eça de Queiroz publicados na revista Vida Moderna (1898). Ao clicar na notícia que lhe interessa, o internauta abre um arquivo com o periódico escolhido e busca a página em que a notícia foi publicada. Outra novidade do site é a seção Colaborações, na qual serão publicados artigos sobre a História da Imprensa no Brasil, escritos por convidados. Esta primeira edição divulga o artigo “A Imprensa Oficial no Período Imperial na Província de São Paulo”, escrito por Julio Couto Filho, pesquisador e funcionário do Arquivo Público. Entre os títulos digitalizados estão exemplares dos jornais Farol Paulistano (1829), Correio Paulistano (1867) e Jornal das Senhoras (1952) e das revistas Vida Paulista (1903), Moderna (1898), O Pharol (1908), Palco Ilustrado (1908) e Capital Paulista (1900). A Hemeroteca do Arquivo Público é uma das maiores do Estado de São Paulo e possui atualmente 1.195 títulos de revistas e 1.369 títulos de jornais disponíveis para consulta. Além disso, o Arquivo Público é responsável, desde 2008, pela coleção de periódicos do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br/memoriaimprensa. Fonte: Agencia FAPESP Data:27/01/2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sensor detecta deterioração de obras de arte

Por Elton Alisson
As condições climáticas e ambientais de museus e outros espaços fechados dedicados à exposição de arte podem causar impactos na conservação das obras que integram seus acervos.
Com o objetivo de avaliar possíveis danos que as características ambientais desses espaços podem provocar nos bens do patrimônio cultural que abrigam, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sensor que indica o grau de degradação sofrida por materiais que compõem obras de arte em diferentes ambientes.

O dispositivo, que já passou por várias etapas de aprimoramento, é resultado de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.
Durante o estudo, pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, campus Leste, pretendiam desenvolver uma ferramenta que possibilitasse medir simultaneamente a temperatura, umidade, iluminação e os níveis de poluição interna apresentados por museus situados em áreas urbanas e o grau de deterioração sofrido ao longo do tempo por resinas orgânicas usadas em obras de arte. Para isso, eles se associaram a um grupo de pesquisa do Instituto de Química da USP, liderado pela professora Dalva Lúcia Araújo de Faria.

Reunindo conhecimentos de química analítica com habilidades em eletrônica e microprocessamento de um pós-doutorando que integrou o grupo – Carlos Antonio Neves –, os pesquisadores conseguiram criar um aparelho miniaturizado que funciona automaticamente e mede as alterações físico-químicas causadas pelas condições ambientais de museus em alguns materiais orgânicos que compõem obras de arte.
“O equipamento fornece um conjunto de efeitos provocados pela temperatura, umidade, iluminação e presença de poluentes em um ambiente sobre materiais orgânicos que compõem algumas obras de arte”, disse Andrea Cavicchioli, professor da USP e coordenador do projeto à Agência FAPESP.

O sensor é baseado em uma microbalança de quartzo, constituída por pequenos cristais do mineral com aproximadamente 1 centímetro de diâmetro que vibram a frequências muito elevadas, de 10 MHz.
Para analisar as possíveis alterações físico-químicas sofridas por um determinado material em um ambiente, é depositada uma fina camada dele sobre os cristais de quartzo e colocado o aparelho no ambiente onde se pretende monitorar.

Cristais de quartzo captam as transformações do material no ambiente, como variações de frequência, que são registradas e gravadas em uma memória incorporada ao sistema eletrônico do aparelho.
“Quanto mais rapidamente variar a frequência, mais rapidamente o material estará se degradando, indicando que o ambiente é muito agressivo”, explicou Cavicchioli.
Os pesquisadores utilizaram um tipo de verniz muito usado em obras de arte para testar o aparelho em alguns ambientes de dois museus em São Paulo: o Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP) – mais conhecido como Museu do Ipiranga – e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, em parceria com as equipes das conservadoras Teresa Cristina Toledo de Paula e Valéria Mendonça.

Após deixar o aparelho contendo a amostra do verniz por um determinado período de tempo nos dois lugares, o grupo constatou que, em comparação com a Pinacoteca, o Museu Paulista apresenta condições menos favoráveis para conservação de materiais associados às pinturas.

A diferença, segundo Cavicchioli, se deve à dificuldade de o Museu Paulista implementar condições mais adequadas para a conservação dos bens culturais que abriga, uma vez que a edificação é tombada.
“O Museu Paulista, apesar de ter plena consciência da necessidade de controle ambiental para a proteção dos bens culturais, ainda tem ambientes pouco adaptados devido à própria edificação ser um objeto cultural. Já a Pinacoteca é um ambiente mais transformado e passou por um processo de readequação que possibilitou a implementação de algumas medidas mitigatórias, como a instalação de aparelhos de ar condicionado, filtros de ar para que poluentes externos não penetrem no interior do museu e dispositivos para controlar a luminosidade”, comparou.

Atualmente o Museu Paulista também está passando por um processo de adaptação de seus ambientes, apoiado pela FAPESP por meio do Programa Infra-Estrutura – Museus, com o objetivo de melhorar as condições de conservação das obras que possui. De acordo com Cavicchioli, ao fim desse processo será possível fazer nova avaliação utilizando o sensor e constatar se a reforma possibilitou a melhora das condições microambientais da instituição.

Igrejas barrocas
Os pesquisadores também avaliaram as condições microambientais de duas igrejas barrocas em Minas Gerais – a Catedral da Sé de Mariana e a Igreja Matriz de Tiradentes, em colaboração com a organista Elisa Freixo. As igrejas mineiras possuem dois dos mais importantes órgãos de tubos restaurados do período Barroco no Brasil em funcionamento.

Feitos de chumbo, os tubos do órgão corroem facilmente na presença de determinados gases emitidos pela madeira do próprio instrumento musical e do ambiente ou quando o chumbo é misturado com outros metais.

Por meio da análise das emissões das madeiras e da composição dos tubos, os pesquisadores constataram que tanto a madeira do órgão como a da igreja não representa um grande risco para a conservação dos tubos dos órgãos por ser envelhecida e liberar menos substâncias do que uma madeira mais nova. Outro ponto é que, além de chumbo, os tubos dos órgãos apresentam certa quantidade de estanho, que protege o metal da corrosão.

“Avaliamos que não existem condições de perigo imediato para esses órgãos com relação a emissão de gases pela madeira ou pela composição do chumbo. Em um país tropical como o Brasil, há riscos muito maiores para a conservação desses instrumentos musicais, como o ataque por cupim”, avaliou Cavicchioli.

Por meio de uma pesquisa de doutorado, que está sendo realizada com apoio de uma Bolsa da FAPESP, o grupo pretende ampliar a avaliação e comparar as condições microambientais para conservação de objetos eclesiásticos em igrejas construídas nos séculos 18 e 19 em regiões urbanas, semiurbanas e litorâneas.

Em outro projeto de pesquisa, também apoiado pela FAPESP por meio de um acordo de cooperação com o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o grupo pretende avaliar as vulnerabilidades às mudanças climáticas dos bens culturais do Vale Histórico Paulista.
A região, situada no extremo leste do Estado de São Paulo, nas divisas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, chegou a ser a mais rica do país durante o Ciclo do Café e possui casarios e palacetes da época colonial.

“Queremos analisar como as mudanças climáticas afetarão os bens culturais e que tipo de políticas preventivas podem ser implementadas para proteger esse patrimônio histórico e cultural, que é algo que está sendo muito discutido em outros países, como os da Europa”, afirmou Cavicchioli.

Fonte: Agência FAPESP
Data: 03/01/2012

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ONU lança Retrospectiva 2011

Em 2011 o mundo chegou a sete bilhões de habitantes, o que lhe impõe uma série de desafios. Embora produza alimento suficiente, milhares de pessoas ainda passam fome. Mudanças climáticas afetaram todo o planeta, que sofreu com severas secas e implacáveis tempestades, desencadeando doenças.


A insegurança alimentar deu provas de ser um risco para a paz mundial, também dependente do desenvolvimento sustentável, alcançável apenas com a participação de todos. A união é possível. Foi assim que assistimos à queda de governos ditatoriais no Oriente Médio e na África. O povo clamou por liberdade e democracia. Vimos não só as ruas tomadas por manifestantes em diversos países, como também testemunhamos os que compareceram às urnas para fazer valer suas vontades após anos de conflito.

A ONU esteve presente em todos os momentos, socorrendo os mais vulneráveis, apoiando processos eleitorais, prevenindo violações de direitos humanos e agindo onde elas ocorreram. Trabalhadores humanitários arriscaram suas vidas para garantir acesso aos direitos mais básicos. Dezenas deles morreram, mas deixaram plantadas as sementes da esperança, que não morrerá.

O apoio técnico também foi levado por nossos especialistas para ajudar governos nas respostas a crises, como no Japão, evitando uma catástrofe nuclear depois do terremoto e do tsunami. A comunidade internacional deu boas-vindas a um novo país, o Sudão do Sul, e neste caminho da democracia, do direito à igualdade, também progride para receber a Palestina, hoje Estado-Membro da Unesco.

Estes e outros momentos memoráveis estão na "Retrospectiva das Nações Unidas 2011", que você pode assistir acessando http://youtu.be/D2pV7QzCg-4.
(Informações da UNIC Rio)

Fonte: JC e-mail 4411
Data: 22/12/2011

Luta unificada pela melhoria da qualidade da educação do Brasil

Intelectuais e sociedade civil precisam se envolver na luta pela conquista da qualidade da educação para que essa se torne uma política de Estado e não se altere conforme o partido político no governo. A opinião é de Isaac Roitman, autor do livro 'A Urgência da Educação', lançado este ano em parceria com Mozart Neves Ramos, fruto de seus artigos publicados no Correio Braziliense.


Em uma alusão ao título de sua obra, Roitman vê necessidade de, pelo menos, começar a melhorar a qualidade da educação, principalmente a do ensino básico, considerado precário e onde reside o gargalo educacional do Brasil. "Se não começarmos, é possível chegarmos a uma situação irreversível", declara o autor, também coordenador do Grupo de Trabalho da Educação da SBPC, criado em 2008, com o objetivo de estimular a instituição de uma política contínua e de aprimoramento da educação.

Com longa experiência na área acadêmica, Roitman diz notar deficiência de estudantes do ensino médio que entram nas universidades "tolhidos" das suas principais vocações intelectuais. "Toda vontade criativa que tem em uma criança é bloqueada no ensino básico", disse o professor aposentado que lecionou nas universidades federais do Rio de Janeiro e de Brasília, em entrevista ao Programa Tirando de Letra da UnBTV. Dentre outras ocupações, Roitman foi reitor da Universidade de Mogi das Cruzes e diretor de avaliação de cursos da Capes.

Efeitos automáticos nas universidades - Conforme entende Roitman, se começar a melhorar o ensino base certamente haverá efeitos positivos no ensino superior. "Não haverá bons pesquisadores sem uma formação excelente básica e uma excelente formação do ensino superior", avalia.

Para Roitman, essa é uma necessidade que precisa ser colocada na pauta de prioridades do Brasil. "Se não fizermos isso, o nosso futuro será comprometido", declara ele.

Problemas crônicos - Segundo ele recorda, o problema da baixa qualidade da educação brasileira é histórico, embora planos de educação a cada ano são criados, recriados e reelaborados.

Nesse caso, Roitman disse que na década de 1930 já havia um grupo de 21 intelectuais preocupados com a qualidade da educação brasileira, dentre os quais Cecília Meireles (1901-1964) e Fernando Azevedo (1894-1974), que fundaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. O mesmo ocorreu três décadas depois, quando em 1959 um universo de 200 intelectuais, dentre eles Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, e Anísio Spínola Teixeira (1900-1971), foram à luta pela melhoria da educação nacional.  Em nenhum dos casos, ele lamenta, houve sucesso.

"Se lermos o primeiro manifesto de 1932 e o de 1959, parece que foram escritos na semana passada. Todos os problemas estão colocados, os diagnósticos são muito bem feitos e (igualmente) as soluções. Ai vem a pergunta. Por que nada acontece?", questiona.

"Vou falar algo que, talvez, intelectuais não gostem: nada aconteceu porque intelectual não faz revolução; intelectuais pensam, fazem diagnósticos e preposições que vão ficar nas prateleiras. É preciso que os intelectuais, juntamente com outros setores da sociedade, pressionem para que a educação seja uma política de Estado", destaca.

Participação da sociedade civil - Roitman destaca a necessidade da participação da sociedade civil nessa luta. "Não adianta os intelectuais e acadêmicos discutirem as coisas com eles mesmos, pois nada vai mudar", diz.

Segundo recomenda Roitman, o Brasil precisa implementar uma meta de qualidade da educação de forma permanente. Ou seja, invariavelmente às mudanças do partido político que assume o governo. "A educação não deve ser um tema partidário. Só assim conseguiremos atingir uma meta de ter uma boa educação, uma base para um povo feliz. Creio que isso é possível, se não acreditasse nisso iria me recolher aos meus próprios pensamentos", filosofa o autor.

Na entrevista à UnBTV, Roitman destaca, ainda, o papel da SBPC na luta pela educação e pela defesa de investimentos em ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil em curto e longo prazos.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)

Para ouvir a entrevista na íntegra acesse os links:
http://www.youtube.com/watch?v=ENOWWIjuZEE
http://www.youtube.com/watch?v=tQCPwPIjmUU
http://www.youtube.com/watch?v=7cxiQ18YYew

Fonte:  JC e-mail 4411
Data: 22 de Dezembro de 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

“Biciclotecário”, o homem que montou uma biblioteca sobre rodas

Conheça a história do ex-agropecuarista Robson Mendonça, que já emprestou mais de 4 mil livros a moradores de rua do Centro de São Paulo. "Carrego até 200 quilos de livros"

Robson Mendonça,“biciclotecário”,
60 anos, seis meses de atividade



Eu era agropecuarista em Alegrete (RS) e há dez anos decidi vender tudo e vir para São Paulo. Logo que cheguei, fui assaltado. Sem dinheiro ou documentos, virei morador de rua. Minha mulher e filhos vieram pouco depois, mas morreram num acidente de carro. Por causa da emergência, pedi para dar um telefonema num prédio público e fui proibido de entrar. Fiquei revoltado, juntei um pessoal de albergues e formamos um grupo para lutar pelos nossos direitos. Surgiu o Movimento Estadual da População em Situação de Rua, que ajuda a encaminhar os sem-teto a cursos e empregos. Só em 2011 tiramos 242 pessoas da rua.
Descobri que não conseguiria nada sem estudo. Tentava pegar livros em bibliotecas, mas não podia, porque não tinha comprovante de residência. Decidi que um dia criaria uma biblioteca itinerante que não exigisse nenhum cadastro. Quando conheci o Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde, enviei o projeto e eles viabilizaram a “bicicloteca”. Levo até 200 quilos de livros pelo Centro todos os dias, quase 300 obras! Temos cerca de 18 mil livros para ser emprestados e 90% dos leitores são moradores de rua.

Há dois meses a bicicloteca foi roubada durante uma reportagem. Descobri quem a levou e a polícia foi comigo buscar o triciclo, que precisou ser reformado. Vamos conseguir mais dez biciclotecas até o fim de 2012. Já conseguimos até um modelo elétrico que disponibiliza Wi-Fi e uma webcam, para cadastrar fotos dos moradores e ajudar as famílias a encontrá-los.

Hoje moro em uma pensão e leio bastante. Meu autor preferido é Mario de Andrade e o livro que mais marcou minha vida foi A revolução dos bichos, de George Orwell. Tenho lido muitos textos na área de Direito para aprender sobre jurisprudência e entender os casos da população de rua. Não acreditam que eu faço isso de graça. Um dia um rapaz da Praça da Sé disse que antes da bicicloteca ele e os colegas viviam bebendo cachaça e agora estão estudando. Quer pagamento maior que ver alguém aprender?

Fonte:  Epoca São Paulo
Data: 20/12/2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Número de mulheres aumenta, mas ciência ainda é feudo masculino

Elas são maioria na graduação, mas eles comandam posições de destaque.


A primeira mulher a integrar os quadros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi ninguém menos que a polonesa naturalizada francesa Marie Curie - a primeira cientista da História a ganhar dois prêmios Nobel, de física e química. Isso foi em 1926, dez anos após fundada a instituição, numa homenagem à passagem de Curie pelo Brasil. Quase um século depois, o número de mulheres aumentou muito, lógico. Mas, apesar da estreia em grande estilo, ainda é bem inferior ao de homens, mesmo entre as novas gerações.

De acordo com levantamento feito pelo jornal O Globo, dos 112 jovens cientistas (até 42 anos) eleitos membros afiliados da Academia Brasileira de Ciências (ABC) apenas 29 são mulheres. O desequilíbrio nas posições de destaque na ciência reflete a situação geral do país: o número de mulheres já supera ligeiramente o de homens na graduação e na pós, mas os cargos mais elevados permanecem nas mãos deles.

"A novidade é que há mulheres na ciência; então temos que saudar o fato de elas estarem aparecendo mais", afirma a economista Hildete Pereira de Melo, professora associada da Universidade Federal Fluminense (UFF), responsável por numerosos estudos sobre a participação feminina no mercado de trabalho em geral e na ciência em particular. "Sim, ainda há uma grande discrepância. As mudanças culturais são muito lentas mesmo, há ainda uma longa estrada na construção da igualdade, mas tudo indica que as próximas gerações terão uma participação cada vez maior."

Estudo feito pela economista com base em números do Censo de 2000 revela que, já naquele ano, as mulheres superavam os homens (56,5% a 43,5%) nos cursos de graduação. Na pós (mestrado e doutorado), a diferença era um pouco menor, mas se repetia: 52% a 48%. Mas a supremacia parece desaparecer quando se chega a posições de destaque e cargos mais elevados. Para onde foram todas essas mulheres?

Conciliar família e trabalho - Para Camila Indiani de Oliveira, de 38 anos, especialista em ciências biológicas da Fiocruz-BA e integrante da ABC, trata-se de uma preocupação global para quem faz ciência. "Na graduação e na pós tem muita mulher mesmo. E mesmo entre os professores. Mas, depois, elas começam a sumir", afirma a bióloga. "Não acho que haja um preconceito direto, mas acho que há uma falta de tolerância com o fato de que, numa determinada fase da vida, quando tiver filhos, vai haver um período em que ela vai produzir menos, publicar menos, orientar menos."

Na análise de Camila, enquanto nos EUA há políticas afirmativas e ações que apoiam as mulheres, aqui o assunto nem é debatido. "Falta o apoio formal das instituições, como creches, por exemplo. Políticas afirmativas nas escolas, nas faculdades", afirma.

Também integrante da ABC, Flávia Carvalho Alcântara Gomes, de 42 anos, concorda com a colega. Chefe do Laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, primeira professora titular da instituição e coordenadora da pós-graduação em ciências morfológicas, ela também vê poucas mulheres em cargos de chefia. E também não acredita que o preconceito direto seja a explicação.

"Em geral, há mais mulheres do que homens na ciência hoje, mas, de fato, os quadros de liderança, de tomada de decisão, ainda são mais masculinos", afirma Flávia. "A ciência hoje é voltada para o mérito, mas tudo leva um tempo para ser incorporado, para refletir nos quadros mais altos."

Flávia destaca também a necessidade de maior apoio institucional, lembrando, por exemplo, que bolsistas da pós-graduação não têm direito à licença maternidade. "Acho que a reversão desse quadro só vai acontecer quando houver uma forma melhor de conciliar família e trabalho. Para muitas mulheres, em carreiras que exigem muita dedicação, fica difícil conciliar as duas coisas", acredita Hildete.
(O Globo - 15/12)

Fonte:  JC e-mail 4408
Data: 19/12/2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Periódico internacional Journal of Materials Research and Technology recebe artigos

A academia agora conta com mais um importante periódico especializado para a publicação de artigos originais - totalmente em inglês: o Journal of Materials Research and Technology (jmr&t). A iniciativa é da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) e vai ao encontro da crescente demanda por veiculações técnico-científicas relacionadas ao setor.


Essa oportunidade também foi reconhecida nos congressos e seminários nacionais e internacionais promovidos pela Associação, que recebeu um número maior de contribuições qualificadas. Na edição especial distribuída à comunidade técnico-científica, em 29 de novembro, constam tipos de artigos que serão aceitos, forma de apresentação e fluxo de seleção e aprovação dos trabalhos, que devem ser originais nas áreas de Pesquisas, Tecnologia e Inovação de Materiais, Metalurgia e Mineração.

É necessário que as 'Artigos Originais' documentem resultados significantes que contribuem com a extensão do conhecimento e que os 'de Revisão' sejam extensões de pesquisas sobre um assunto específico, nas quais a informação já publicada é compilada, analisada e discutida.

Além disso, é possível inscrever estudos como 'Comunicações Breves e Cartas'. Eles podem ser: artigo sobre uma nova descoberta ou um aspecto interessante de um estudo em andamento; prévia para apresentação de novas pesquisas e técnicas; tópicos, opiniões, ou propostas que podem ser de interesse dos leitores; críticas ou provas adicionais e interpretações referentes a artigos previamente publicados na jmr&t.

A edição especial da publicação, com as orientações para submissão de contribuições e apresentação do Conselho Editorial, pode ser obtida por download: http://www.senderdirect.com/iqdirect/controle2/?link_id=922507&tipo=C&ev=zdXZu9lM3YTO3IjM. Já a primeira edição do periódico será lançada em junho, com a publicação de 12 artigos. Por enquanto, as submissões de trabalho para a nova revista devem ser enviadas para o e-mail: jmrt@abmbrasil.com.br. Em breve, isso também poderá ser feito diretamente no Portal ABM, que já está com layout mais leve e sendo adaptado ao conceito Web 2.0, priorizando a interatividade e o compartilhamento de informações.

Mais detalhes sobre a jmr&t e submissões de trabalhos no site www.abmbrasil.com.br.
(Ascom da ABM)

Fonte:  JC e-mail 4404
Data: 13/12/2011