"A industrialização no Brasil se deu de forma tardia, dependente das multinacionais e dos processos de substituição por importações. Hoje, ainda inovamos por importação"
Angelo Legat é diretor da Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná.
"Proteger o conhecimento e não negociar é crime"
As universidades públicas são as maiores responsáveis pela produção patentária brasileira, como conseqüência natural dos resultados de suas pesquisas ou por força da inexistência ou da pouca interação entre as políticas públicas educacionais e industriais de C&T&I nos últimos 50 anos e até mesmo por omissão ou miopia do setor empresarial.
A industrialização no Brasil se deu de forma tardia, dependente das multinacionais e dos processos de substituição por importações. Hoje, ainda inovamos por importação e não é pouco.
As políticas educacionais seguiram um procedimento linear baseado na linha de pensamento e da repressão militar - do tipo um, dois, um dois, ... - e não na sua disciplina, o que seria bem mais salutar para o processo de aprendizagem. Hoje, fala-se em interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e até transdisciplinaridade, mas o índice de analfabetismo ainda é assustador.
Políticas de C&T&I são coisas do final da última década do século XX e que ingressaram no presente milênio um tanto quanto capengas e carentes de benfeitorias estruturais.
Pode-se dizer sim que estamos evoluindo e aprendendo a cada dia, mas poderíamos estar bem melhor e menos dependentes dos ditames emanados dos organismos internacionais, se olhássemos e agíssemos de maneira mais integrada e sistêmica.
Logicamente que conciliar interesses que a princípio são complementares e que por questões temporais e burocráticas podem se tornar conflitantes, que respeitar a diversidade de culturas organizacionais demanda sensibilidade e percepção aguçada e que negociar poderes e vaidades das mais diferentes formas e intensidades, não é uma tarefa fácil.
Contudo, cabe aqui alguns encaminhamentos: se os marcos regulatórios carecem de aprimoramentos, que se façam e isso já está acontecendo (MCT, MF e Receita Federal) e esperamos que até o ano que vem estejam à nossa disposição para que a interação ICT-Empresa-Governo se torne mais efetiva e segura para todas as partes; se as empresas precisam ser mais inovadoras, que assim seja, invistam mais em P&D, importem menos e contratem mais mestres e doutores; se os pesquisadores preferem publicar ao patentear, que a Capes e o CNPq estimulem e premiem mais esta atividade; se o percentual de recursos para P&D em relação ao PIB são poucos, que o governo priorize mais recursos.
O que não se pode é considerar que a onda da inovação chegou para salvar o mundo dos negócios e que sem ela estaremos fadados ao fracasso e à miséria."
A íntegra do artigo "As patentes nas universidades públicas brasileiras", Benedito Adeodato em:
As universidades públicas são as maiores responsáveis pela produção patentária brasileira, como conseqüência natural dos resultados de suas pesquisas ou por força da inexistência ou da pouca interação entre as políticas públicas educacionais e industriais de C&T&I nos últimos 50 anos e até mesmo por omissão ou miopia do setor empresarial.
A industrialização no Brasil se deu de forma tardia, dependente das multinacionais e dos processos de substituição por importações. Hoje, ainda inovamos por importação e não é pouco.
As políticas educacionais seguiram um procedimento linear baseado na linha de pensamento e da repressão militar - do tipo um, dois, um dois, ... - e não na sua disciplina, o que seria bem mais salutar para o processo de aprendizagem. Hoje, fala-se em interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e até transdisciplinaridade, mas o índice de analfabetismo ainda é assustador.
Políticas de C&T&I são coisas do final da última década do século XX e que ingressaram no presente milênio um tanto quanto capengas e carentes de benfeitorias estruturais.
Pode-se dizer sim que estamos evoluindo e aprendendo a cada dia, mas poderíamos estar bem melhor e menos dependentes dos ditames emanados dos organismos internacionais, se olhássemos e agíssemos de maneira mais integrada e sistêmica.
Logicamente que conciliar interesses que a princípio são complementares e que por questões temporais e burocráticas podem se tornar conflitantes, que respeitar a diversidade de culturas organizacionais demanda sensibilidade e percepção aguçada e que negociar poderes e vaidades das mais diferentes formas e intensidades, não é uma tarefa fácil.
Contudo, cabe aqui alguns encaminhamentos: se os marcos regulatórios carecem de aprimoramentos, que se façam e isso já está acontecendo (MCT, MF e Receita Federal) e esperamos que até o ano que vem estejam à nossa disposição para que a interação ICT-Empresa-Governo se torne mais efetiva e segura para todas as partes; se as empresas precisam ser mais inovadoras, que assim seja, invistam mais em P&D, importem menos e contratem mais mestres e doutores; se os pesquisadores preferem publicar ao patentear, que a Capes e o CNPq estimulem e premiem mais esta atividade; se o percentual de recursos para P&D em relação ao PIB são poucos, que o governo priorize mais recursos.
O que não se pode é considerar que a onda da inovação chegou para salvar o mundo dos negócios e que sem ela estaremos fadados ao fracasso e à miséria."
A íntegra do artigo "As patentes nas universidades públicas brasileiras", Benedito Adeodato em: