quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ambientes aprendizes e informados para a transferência de conhecimento.

O acesso equitativo à informação e ao conhecimento científico é amplamente reconhecido como uma condição essencial para avançar o desenvolvimento econômico e social, particularmente o da saúde nos domínios da pesquisa, educação, promoção e atenção à saúde. Dotar estes domínios e seus sistemas com capacidade de publicação, de acesso equitativo à informação e de participação proativa de processos de transferência e intercâmbio de conhecimento científico representa um dos principais desafios que a sociedade contemporânea enfrenta.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), em sua estratégia de gestão de conhecimento, expressa a importância e urgência que reveste a superação deste desafio ao destacar que um dos seus problemas críticos da saúde pública global é a superação do chamado know-do gap ou brecha entre o que se conhece e o que se pratica. A persistência sistêmica deste hiato e até a sua ampliação, principalmente nos sistemas de saúde dos países e populações mais pobres, é considerada também como uma das causas principais da iniquidade em saúde. Nesse sentido, o acesso à informação e ao conhecimento científico atualizado constitui um determinante social da saúde.
Leia o artigo na íntegra em:

Instituto do MCT desenvolverá projeto de reestruturação de bibliotecas.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) escolheu o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), órgão vinculado ao MCT, para desenvolver um projeto de fortalecimento das bibliotecas públicas de todo o país.
A Fundação Bill & Melinda Gates repassará ao instituto brasileiro, por meio da Unesco, cerca de US$ 2,5 milhões. A proposta prevê o desenvolvimento de uma metodologia de acesso à informação e, ainda, a formação de profissionais que trabalham em bibliotecas.Para que o acordo fosse concretizado, a Unesco aguardava apenas o aval do ministro da C&T, Sergio Rezende, que aprovou o acordo e elogiou o trabalho de disseminação do Ibitc em promover a competência, o desenvolvimento de recursos e a infra-estrutura de informação em ciência e tecnologia para a produção, socialização e integração do conhecimento científico-tecnológico.
“As cooperações internacionais, neste sentido, fortalecem a disseminação do conhecimento, além de ser de extrema relevância para estudantes e profissionais de um modo em geral”, destacou.
No encontro o ministro também apresentou aos representantes da Unesco dados que mostram os avanços no Brasil na formação de pesquisadores. Rezende ressaltou que o número total de doutores no país com alguma atividade é da ordem de 70 mil. “Envolvidos em atividades científica no CNPq temos 41 mil mestres, 118 mil pesquisadores, 50 mil doutorandos e 92 mil mestrandos", informou o ministro.
O ministro destacou também o avanço do Brasil em termos de publicações científicas. O Brasil subiu duas posições no ranking de número de artigos científicos publicados em 2008 e já ocupa a 13ª posição. Em 2007, o país estava no 15º lugar, atrás da Holanda e da Rússia, países que foram ultrapassados este ano.
Ibict
O diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Emir Suaiden, citou um dos trabalhos do Ibict na difusão do conhecimento, que desenvolveu um software para deficientes visuais, utilizado atualmente pela Biblioteca de Brasília. Ele agradeceu ainda o apoio do ministro Sergio Rezende e sua posição diante do acordo com a Unesco.Suaiden explicou que após a reunião com o ministro será formulado o projeto de reestruturação das bibliotecas. “Ainda não temos um projeto definido. Antes de desenvolvê-lo esperávamos a aprovação do ministro. Vamos partir agora para delinear a metodologia de trabalho”, disse.
(Assessoria de Comunicação do MCT)

“A ciência brasileira ganhando mais visibilidade: viva os periódicos nacionais!”.


por Jacqueline Leta

“Se quisermos dar mais visibilidade à ciência brasileira, um bom caminho – fora todas as iniciativas já consolidadas pelas agencias – é fortalecer cada vez mais periódicos nacionais” Jacqueline Leta é pesquisadora da UFRJ e especialista em cienciomentria.
Artigo enviado pela autora ao “JC e-mail”:
Recentemente, temos visto muitas comemorações em torno do expressivo aumento da participação brasileira na base de dados Thomson Reuters-ISI. Entre as autoridades, prevalece o argumento de que este recente crescimento deve-se às iniciativas e aos investimentos não só dos ministérios envolvidos, mas também das agências federais e estaduais de fomento ao setor de C&T.
Acredito que é consenso – até mesmo entre “os céticos e críticos perscrutadores” [Veja artigo Ciência brasileira em novo patamar, do ministro Sergio Rezende - http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63636] – que a ciência brasileira só chegou ao patamar que chegou graças a todo o esforço destas instituições; esforço que vem num movimento contínuo e ascendente há pelo menos uma década.
Todos estes esforços foram fundamentais para formar massa crítica de cientistas e expertise nas mais diversas áreas do conhecimento. Fato é que toda esta competência brasileira tem sido convertida em mais reconhecimento e prestígio não só pelos pares internos, mas também pelos externos, especialmente nas áreas de temáticas internacionais. No entanto, justificar – tal como tem sido recorrente nas falas das autoridades – que este recente e extraordinário desempenho brasileiro nesta base internacional é fruto de décadas de esforço destas instituições me remete para a história “A Verdade e a Parábola”, que tem como ensinamento o fato de que o “os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada”.
Por outro lado, os chamados “céticos e críticos perscrutadores” devem ser os mesmos que com dados objetivos – bem ao estilo positivista de fazer ciência – têm mostrado que este fabuloso aumento brasileiro tem como explicação outra causa: o também fabuloso aumento de periódicos na base Thomson Reuters-ISI.
Sem me ater ao mérito deste jogo político e “marqueteiro” da Thompson, o fato é que nestes dois últimos anos o número de periódicos nacionais indexados nesta base de dados passou de 20 e tantos em 2006 para 103 em 2008. Mas, então, contra-argumentação aos céticos, os mais otimistas dizem que é importante considerar que a “Reuters também aumentou a base das revistas indexadas de todos os países, principalmente daqueles fora do núcleo de longa tradição científica”, como diz o ministro em seu artigo. Em outras palavras, o crescimento do Brasil nesta base é real e superior ao destes outros países que também tiveram muitos títulos indexados.
E a história da Verdade e da Parábola se repete! Acreditar que a dinâmica de indexação de periódicos desta caixa-preta que é a base da Thompson é algo lógico é preferir a verdade disfarçada. Vejamos por que: supondo que um desses países “fora do núcleo de longa tradição científica” conte agora com 103 periódicos, tal como o Brasil, isso significa que ambos – Brasil e este outro país – terão o mesmo número de artigos? Obviamente não! Os periódicos – sejam de áreas diferentes ou dentro da mesma área – têm periodicidade diferente, têm volume e número de artigos também diferentes.
Assim, isso não é uma conta simples, uma regra de três. Se outros países não tiveram o mesmo desempenho que o Brasil, muito provavelmente isso se deve à soma de, pelo menos, dois fatores bem objetivos: a contribuição destes países no total da base, antes da inclusão dos novos títulos, e o total de artigos publicados nestes novos títulos.
É com preocupação que percebo nos discursos oficiais a prevalência de uma verdade disfarçada. Por que será? A verdade verdadeira acerca deste fabuloso crescimento tem como principal ator (ou atriz!) as revistas brasileiras, que para muitos divulgam um conhecimento novo de 2a categoria.
Essas revistas sempre se destinaram a publicar o conhecimento gerado dentro de nosso país; um conhecimento gerado e fruto do esforço de milhares de pós-graduandos e pesquisadores, que seguramente tiveram direta ou indiretamente muito apoio das agências federais e estaduais. Mas, até dois anos atrás, este mesmo conhecimento era prioritariamente olhado por nós, via SciELO; agora também ganha o público internacional. Que ótimo! Vamos comemorar o papel estratégico destas revistas, que apesar de relegadas a um segundo plano, se fortaleceram e estão levando o nome do Brasil ao exterior e possibilitando uma enorme visibilidade à pesquisa brasileira no meio acadêmico e científico dos quatro cantos do mundo.
Se quisermos dar mais visibilidade à ciência brasileira, um bom caminho – fora todas as iniciativas já consolidadas pelas agencias – é fortalecer cada vez mais estes periódicos.
A verdade verdadeira não deve ser temida; temos que reconhecer que a verdade disfarçada não basta para explicar tecnicamente este crescimento recente da produção científica brasileira. Não tenho dúvidas de que em breve veremos uma tremenda transformação: se hoje estes periódicos ainda guardam o estigma de 2ª categoria, dentro de três a cinco anos serão importantes meios de divulgação dos trabalhos de pesquisadores de renome, aqueles mesmos que ainda olham esquisito para estes veículos. Fato impossível de imaginar, se não houvesse a indexação.
Mas, como por traz de toda hipótese há de se ter um trabalho de pesquisa que a valide ou não, convido a todos para entender mais este desafio sobre a Verdade da ciência brasileira: qual será o impacto na composição dos autores dos periódicos que passaram a ser indexados na base Thompson?

Desafios da ciência e da tecnologia no Brasil.

por Marco Antonio Raupp

“Importante desafio a ser enfrentado reside na necessidade de aproximação entre o sistema universitário e as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas” Marco Antonio Raupp, matemático, é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Artigo publicado em “O Estado de SP”:
Nos últimos 50-60 anos, a atividade organizada de produção de conhecimento científico estabeleceu-se no País. No centro desse processo estiveram a reforma universitária, institucionalizando a pós-graduação, e a estruturação de um sistema de apoio e financiamento à pesquisa e aos pesquisadores nas universidades e nos centros de pesquisa governamentais.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e as fundações de amparo à pesquisa (FAPs) foram e são agentes executores dinâmicos do processo.
Como indicador sinalizando efetivos resultados desse sistema, temos hoje que o Brasil participa com 2% da produção científica mundial - resultado bastante significativo, pois mostra que o nosso sistema básico de produção de ciência está do "tamanho econômico do País", já que esse índice é basicamente o mesmo da participação do produto interno bruto (PIB) brasileiro no (PIB) mundial.
Estabelecida uma plataforma básica importante para ciência e tecnologia (C&T), a responsabilidade de ampliação com qualidade e atenção às demandas e necessidades da sociedade e do desenvolvimento do País, pelo seu bom e pleno funcionamento, é grande. Implica o enfrentamento de desafios que merecerão dedicação e esforços iguais ou maiores do que os já empregados na construção do sistema básico.
Apresento aqui cinco desses desafios, cuja superação é crucial para a saúde e o bom funcionamento do próprio sistema de C&T, para o reconhecimento de sua utilidade pela sociedade e para que as atividades dos cientistas contribuam também para o equilíbrio social e regional no País.
O primeiro deles é a deficiente educação básica e média. A superação desse desafio requer o engajamento da comunidade científica. Não nos podemos furtar à participação, especialmente na questão do ensino das Ciências e das Matemáticas. As nossas melhores universidades devem dar prioridade à formação de bons professores, e em boa quantidade. Isso não vem ocorrendo. Ao contrário, a formação de professores está cada vez mais sendo relegada às mais destituídas de condições e qualidades. Educação de qualidade é o mais importante requisito para a inclusão social.
A ampliação de vagas nas universidades públicas, sem perder a qualidade, é outro grande desafio. A vaga em instituição pública é a que, de fato, está aberta para os filhos da nova classe média - e o atendimento da demanda por profissionais de ensino superior e técnico é condição sine qua non para o desenvolvimento do País. Os 10 mil doutores que o nosso sistema de pós-graduação forma anualmente certamente nos darão condições de garantir essa expansão, especialmente na esfera das universidades tecnológicas e escolas técnicas, tão necessárias.
A ciência brasileira está cerca de 70% localizada na Região Sudeste. Por razões estratégicas e de justiça federativa, é uma situação que não pode perdurar, constituindo um desafio para o planejamento estratégico e para as políticas de C&T. Temos de redirecionar investimentos federais e estimular as FAPs locais, como já vem ocorrendo em alguns Estados.Em regiões como a Amazônia, o semiárido e a plataforma continental marinha, o conhecimento científico é absolutamente necessário para uma intervenção econômica sustentável. É imperativa a atuação do sistema de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) nessas áreas. Da mesma forma, a expansão desse sistema, contemplando sua atuação nessas regiões, é vital, até para justificar os investimentos da sociedade nas nossas atividades. O aspecto estratégico impõe o desafio de melhor distribuirmos as atividades de C,T&I no País, contribuindo para a superação das desigualdades regionais.
Outro importante desafio a ser enfrentado reside na necessidade de aproximação entre o sistema universitário e as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas. O Brasil já aprendeu a transformar recursos financeiros em conhecimento; agora, precisamos aprender a transformar conhecimento em riqueza. Além do estímulo à participação de pesquisadores em projetos de interesse da empresa, mecanismos como incubadoras de empresas nascentes nas universidades, parques tecnológicos congregando universidades, centros de pesquisas e empresas com interesse em tecnologia e inovação podem ser estimulados por políticas públicas para criar pontes de cooperação, em benefício da economia do País.
Finalmente, menciono o desafio de superar um gargalo que decorre do fato de a C&T ser atividade recente em nosso país, e que é transversal a todas as outras, sua superação sendo importante para a boa fluência de todas as outras superações. Tal é a questão no marco legal para o exercício dessas atividades. Legislações desenvolvidas em outras épocas e situações, voltadas para outros propósitos, são confrontadas e/ou questionadas sistematicamente pelas atividades demandadas pelo desenvolvimento científico e tecnológico do País. São exemplos a coleta de material biológico de nossa biodiversidade, o uso de animais em experimentos científicos, a coleta e o uso de células-tronco embrionárias, as impropriedades legais na cooperação entre entidades científicas públicas e empresas privadas, o regime "ultrarrápido" nas importações de insumos científicos e muitos outros.
Alguns avanços estão ocorrendo, como a nova lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre células-tronco, a Lei de Inovação e a Lei do Bem. Mas entendemos que uma revisão geral para identificação de gargalos - incluindo aí um estudo sobre o status institucional das organizações de pesquisa e o regime de contratação de pessoal, entre outros - torna-se necessária.
(O Estado de SP, 26/5)

Usuários do Portal de Periódicos da Capes têm acesso aos dados dos Journal Citation Reports.


JCR, publicado pela Thomson Reuters por meio da plataforma ISI, analisa o número de citações atribuídas pela comunidade acadêmica aos artigos dos periódicos indexados.
Os usuários do Portal de Periódicos da Capes já podem acessar os dados do Journal Citation Reports (JCR), publicados pela Thomson Reuters por meio da plataforma ISI Web of Knowledge. Poderão ser consultadas as informações do JCR Science Edition e do JCR Social Sciences Edition.
O JCR analisa o número de citações atribuídas pela comunidade acadêmica aos artigos dos periódicos indexados na base de dados Web of Science. Levando em conta a periodicidade da revista, a quantidade de artigos publicados e o número de citações, é atribuído o fator de impacto de um periódico. "O JCR é uma demanda muito antiga dos usuários do Portal, tanto dos bibliotecários como dos professores e pesquisadores porque a informação que ele oferece subsidia a decisão dessas pessoas sobre onde publicar os seus papers, procurando sempre um periódico que tenha maior visibilidade e consulta no mundo", explica Rejane Klaes, bibliotecária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e help desk do Portal de Periódicos na Região Sul.
O JCR Science Edition possui informações sobre cerca de 5.900 periódicos de ciência e tecnologia. Já o JCR Social Sciences Edition reúne dados de aproximadamente 1.700 títulos na área das ciências sociais. O fator de impacto de parte desses títulos já estava disponível no Portal de Periódicos, que disponibiliza informações detalhadas sobre as revistas assinadas pela Capes. Segundo Rejane Klaes, o acesso pelos usuários das informações do conjunto completo de títulos indexados nos JCR vai facilitar a tomada de decisões pelo pesquisador sobre onde publicar.
O JCR pode ser acessado por meio da Web of Knowledge, na aba Select a Database.
(Com informações da Assessoria de Imprensa da Capes)

Ciência brasileira em novo patamar, artigo de Sergio Machado Rezende.

“O aumento do número de artigos publicados do Brasil, proporcionalmente maior que o do resto do mundo, consolida uma tendência”
Sergio Machado Rezende é físico, doutor em física pelo MIT (EUA), professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e ministro da Ciência e Tecnologia.
Artigo publicado na “Folha de SP”:
Como noticiou esta Folha no último dia 6, a produção científica do Brasil, medida pelo número de artigos indexados na base internacional de dados Thomson Reuters-ISI, cresceu 56% em 2008, se comparada com 2007. O país passou da 15ª para a 13ª colocação no ranking mundial de artigos publicados, ultrapassando países com longa tradição científica, como a Rússia e a Holanda.
A notícia foi comemorada pela comunidade científica brasileira, que conta atualmente com 200 mil membros, entre mestres e doutores.
Mas a formação, como é feita hoje, com exigências de cursar disciplinas e fazer pesquisa para elaborar dissertações e teses, só foi iniciada em 1963, quando o professor Alberto Luiz Coimbra criou "na marra" a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) na então Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Somente cinco anos depois o Ministério da Educação regulamentou a pós-graduação, "legalizando" os diplomas concedidos pela Coppe e por outros cursos. E apenas em 1969, com a criação do regime de tempo integral para docentes pesquisadores, os grupos de pesquisa e os cursos de pós-graduação se disseminaram em todo o país e o sistema nacional de ciência e tecnologia (C&T) começou a ganhar dimensão e consistência.
O fato de a nossa ciência ser tão recente é a principal razão para a surpresa da notícia de que o Brasil ultrapassou Rússia e Holanda no ranking de publicações científicas. Mas esse fato não teve comemoração unânime. Logo surgiram os céticos e críticos perscrutadores.
A primeira crítica é que a ciência brasileira não tem o impacto medido pelas citações na mesma proporção dos artigos publicados. Isso é verdade e decorre, dentre outras razões, da pouca tradição de nossa ciência.
Outra crítica, mais forte, foi a descoberta de que o grande aumento da produção de um ano para outro decorreu da ampliação da base da Reuters. O número de revistas brasileiras indexadas passou de 63, em 2007, para 103, em 2008.
No entanto, a Reuters também aumentou a base das revistas indexadas de todos os países, principalmente daqueles fora do núcleo de longa tradição científica. Em todo o mundo, a base passou de 9.000 para mais de 10 mil, e o número total de artigos indexados cresceu de 960 mil, em 2007, para 1,4 milhão, em 2008 -um salto de 49%.
O aumento do número de artigos do Brasil, proporcionalmente maior que o do restante do mundo, vem consolidar uma tendência das três últimas décadas. A contribuição do país na produção mundial, que em 1981 era de 0,44%, hoje é de 2,12%.
O aumento na formação de pesquisadores e no número de artigos científicos publicados é resultado de um esforço continuado de toda a sociedade. Mas o governo federal teve papel essencial nesse processo, principalmente por meio de suas agências de fomento, CNPq, Finep e Capes.
Assim, compartilho da opinião do ministro da Educação, Fernando Haddad, que creditou essa evolução ao governo federal, mas também ao papel das fundações estaduais de amparo à pesquisa, em especial da Fapesp, e ao trabalho dos cientistas.
A significativa evolução dos últimos anos é decorrente, em grande parte, da prioridade hoje atribuída à ciência e à tecnologia. O orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia passou de R$ 2,835 bilhões, em 2002, para R$ 6,632 bilhões, em 2008. Nesse mesmo período, o número de bolsas de pós-graduação do CNPq passou de 11.347 para 18.500, e as de pesquisa passaram de 7.765, em 2002, para 12.015. No caso da Capes, as bolsas de pós-graduação passaram de 23.334, em 2002, para 39.892.
Pela primeira vez na história, o país tem um Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação, com prioridades claras e programas com objetivos, metas e orçamentos, os quais totalizam R$ 41 bilhões para projetos em universidades, centros de pesquisa e empresas.
O financiamento à pesquisa científica e tecnológica e à inovação tem estimulado pesquisadores e empresários empreendedores. Um exemplo do aperfeiçoamento dos instrumentos de apoio e da política de C&T está na criação dos 123 institutos nacionais de C&T, que receberam recursos da ordem de R$ 605 milhões.
O caminho para tornar esse setor um dos pilares do desenvolvimento nacional ainda é longo, mas está sendo percorrido com consistência, determinação e velocidade crescentes.
(Folha de SP, 25/5)

Pesquisador da UFRGS é premiado em Cuba.

A Academia de Ciências de Cuba premiou o projeto de pesquisa “Cimentos de fosfato de cálcio para regeneração óssea” realizado pela UFRGS, Universidade de Havana e Universidade de Catalunha.
O trabalho trata da utilização de cimentos ósseos de fosfato de cálcio (COFC) para substituir partes danificadas nos tecidos ósseos humanos de forma eficaz e pouco invasiva.
Luís Alberto dos Santos, coordenador do Laboratório de Biomateriais da Engenharia de Materiais está entre os pesquisadores participantes do projeto premiado. O prêmio da Academia de Ciências de Cuba tem entre seus objetivos os de prestigiar a investigação científica em Cuba e estreitar os vínculos entre cientistas, suas organizações, a sociedade e outros países.
(Informações da Assessoria de Comunicação da UFRGS)

Publicar em inglês: desafios para os editores e índices bibliográficos.

A comunicação científica, por seu caráter universal, privilegia o idioma que mais facilita o fluxo das ideias e a visibilidade dos resultados das pesquisas científicas. O idioma adotado preferencialmente pela comunicação científica mudou ao longo da história. Na atual era de globalização econômica e cultural, o inglês, que passou a ser reconhecido como o idioma de referência universal, foi também adotado na ciência como sua “língua franca”.
Leia o artigo na íntegra em:

Cresce a adoção do Sistema SciELO de Publicação na coleção brasileira.

A coleção SciELO Brasil já tem cerca de 20% de seus periódicos utilizando o Sistema SciELO de Publicação que permite a submissão, revisão, edição e publicação de periódicos científicos online.
Em consonância com o estado da arte em gestão editorial, o sistema permite que todos os participantes do processo de publicação sejam envolvidos no mesmo fluxo editorial, desde a submissão do manuscrito até a publicação nos periódicos das coleções SciELO.
O sistema é um dos componentes da metodologia SciELO que tem como um dos principais objetivos o aprimoramento e fortalecimento dos periódicos nacionais e regionais de qualidade contribuindo para o aumento da sua visibilidade, acessibilidade qualidade e impacto.
Baseado no Open Journal Systems do Public Knowledge Project (OJS/PKP), reconhecida solução de código fonte aberto e flexível, o Sistema SciELO de Publicação Online organiza o processo de editoração e reduz o tempo dedicado às tarefas relacionadas à administração, edição e manutenção dos processos editoriais.
“Uma de suas características principais é racionalizar a gestão e operação do processo de publicação de periódicos científicos, reduzindo os custos operacionais e de infraestrutura por meio da operação de serviços públicos de publicação eletrônica”, afirma Adriana Luccisano, bibliotecária supervisora do colegiado SciELO.
A primeira fase de implantação do sistema iniciou-se em 2006 por meio de um projeto piloto. Após ajustes para atender as demandas e necessidades dos editores, em 2007 o sistema passou a ser implementado a partir de reuniões e capacitações com os editores e suas equipes promovidas pela BIREME/OPAS/OMS (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde). “Sempre com vistas no uso coletivo do sistema”, completa Marcio Galvão, analista responsável pelo desenvolvimento e manutenção do sistema.
Desde então a aplicação da ferramenta na coleção SciELO Brasil tem sido crescente. Em 2007, 24% dos 25 periódicos capacitados passaram a utilizar o sistema de forma definitiva. Em 2008, os números foram mais expressivos, sendo que 31% dos 66 periódicos capacitados fizeram a adoção. Até maio de 2009, foram realizadas capacitações para 106 periódicos com 35% de adoção efetiva.
Desta forma, 37 periódicos ou cerca de 20% da coleção SciELO Brasil adotam o sistema em maio de 2009 (veja lista).
Outro avanço significativo apresentado pelo sistema é o aumento dos seus usuários: atualmente há mais de 27 mil registros, divididos entre autores, revisores e editores. Com relação às transações editoriais, durante o período de maio de 2008 a maio de 2009, o sistema recebeu um total de 9.720 submissões.
O sistema recebe, em média, cerca de mil acessos por dia. Nos meses de abril e maio, o total de visitas ultrapassou 43 mil, das quais 45% representam acessos de usuários distintos. Nesse mesmo período, mais de 500 mil páginas foram acessadas no total, a partir de pelo menos 100 países diferentes.
Expansão para rede SciELO e BVS
Além de ampliar progressivamente a adoção da ferramenta pelos editores da Coleção SciELO Brasil e prover suporte técnico para aqueles que já utilizam o sistema, o próximo passo é disponibilizá-lo para a rede SciELO. De fato as coleções SciELO do Chile, Cuba e Venezuela estão avaliando a adoção do sistema.
O sistema está disponível também para as instituições e redes que adotam a metodologia SciELO. É o caso da coleção PePSIC (Periódicos Eletrônicos em Psicologia) do Brasil, que é a primeira instância da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) a adotar o Sistema SciELO de Publicação para os periódicos da sua coleção, desde março de 2009. Desta forma, com o nome de Sistema PePSIC de Publicação, a solução SciELO está disponível no Portal de Periódicos PePSIC, que faz parte da BVS Psicologia (BVS Psi) e segue realizando capacitações para ampliar a adoção da ferramenta pelos periódicos de sua coleção.
Capacitações mensais e reuniões individuais facilitam a adesão
As reuniões periódicas de capacitação das equipes editoriais são organizadas pela Unidade SciELO da BIREME, sob a coordenação de Adriana Luccisano, realizadas com o apoio técnico de Marcio Galvão e Alex Mendonça, técnico em informática.
A equipe segue um cronograma de atividades que consta de uma reunião inicial de apresentação do sistema realizada mensalmente, com um grupo de até 10 editores que conhecem o fluxo de trabalho editorial. Os editores recebem uma identificação no sistema em uma instância dedicada a testes, definindo assim as configurações de políticas, administração e layout seguidas por seus periódicos.
Posteriormente, os editores interessados em adotar o sistema realizam reuniões entre suas equipes e a Unidade SciELO para ampliar o entendimento das capacidades da ferramenta, solucionar dúvidas e equacionar as necessidades específicas. O processo de adoção do sistema prossegue com a assistência online por e-mail e telefone ou presencialmente.
A expectativa da coordenação do Programa SciELO é que o sistema seja adotado por mais de 50% dos periódicos brasileiros até o final de 2009 e por cerca de 30% de todos os periódicos da rede SciELO.

Imprensa americana busca salvação no "livro eletrônico".


WASHINGTON - Os editores de jornais americanos, que lutam contra a forte redução de leitores e o fim de várias publicações, esperam garantir o futuro com a ajuda do livro eletrônico.

Alguns pensam na ideia de cobrar pelo acesso às informações em seus sites, enquanto outros se unem para tentar obter dinheiro dos sites gerais de notícias, como o Google News, que reenviam ao internauta suas notícias. A publicidade na internet é considerada por alguns um salva-vidas, mas representa atualmente menos de 15% do faturamento para a maioria dos jornais americanos.

Uma das propostas que ganha popularidade consiste em vender assinaturas que permitam baixar os jornais em um suporte eletrônico, como o Kindle,o livro eletrônico da Amazon. Magnatas da empresa, como Rupert Murdoch,proprietário da News Corp, buscam a criação de aparelhos eletrônicos do tipo.

A gigante japonesa Sony também estaria adaptando seu livro eletrônico para a leitura de jornais, assim como a Apple estaria trabalhando no próprio instrumento de leitura, em cores.

"As empresas de notícias poderiam usar os novos aparelhos de leitura móveis para voltar a seu ofício básico de outra forma: vender assinaturas e sustentar os artigos com publicidade", destacou recentemente o New York Times. Uma solução deste tipo permitiria ainda aos editores de jornais economizar milhões de dólares com os custos de impressão e distribuição.

Um novo modelo apresentado na quarta-feira pela Amazon, o Kindle DX,oferece uma tela maior na comparação com os antecessores, mais adaptadaà leitura de jornais. Mas a imagem continua em preto e branco e nãooferece um fac-símile da versão em papel, já que não existe publicidade.
Washington Post, New York Times e Boston Globe - que escapou por pouco do fechamento graças a importantes concessões por parte dos sindicatos -manifestaram esperança no novo produto. As publicações anunciaram uma oferta promocional para o verão: um Kindle DX a preço reduzido em troca de uma assinatura a longo prazo.

Mas em um momento com acesso livre a tanta informação na internet, a ideia de que os aparelhos de leitura eletrônica constituem uma tábua de salvação para a imprensa gera ceticismo. "A ideia de que um Kindle de tela grande, ou qualquer aparelho similar, possa salvar os jornais é uma piada", afirmou o blog de tecnologia TechCrunch, que debate as novidades do Vale do Silício. "A ideia de que as pessoas correrão para estes novos Kindle gigantes apenas para ter o privilégio de pagar pelo conteúdo dos jornais é absurda", acrescentou.

Ainda mais levando em consideração que o Kindle DX será vendido por salgados US$ 489,00, 150 a mais que as versões anteriores.

A Amazon já propõe a leitura de dezenas de jornais aos usuários do Kindle, mas a quantidade de assinantes representa um percentual ínfimo em relação à distribuição das edições em papel.
FONTE:

Biblioteca de José Mindlin poderá ser acessada pela internet.

Colecionador doou seus livros raros à USP. Um robô "devorador de livros" está escaneando os exemplares.

A paixão de um brasileiro por seus livros em breve vai ser compartilhada com todos nós. A Universidade de São Paulo se prepara para receber parte da biblioteca Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin.

Poderá ser acessado de qualquer parte do mundo, pela internet, e também fisicamente, em um prédio que está sendo construído para receber a Brasiliana. Um tesouro, de um homem sonhador, que vai se tornar público pelo esforço de gente que acredita que um grande país só se faz com cultura e educação.

Assista ao vídeo com a reportagem completa em:

http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1160623-16020,00-BIBLIOTECA+DE+JOSE+MINDLIN+PODERA+SER+ACESSADA+PELA+INTERNET.html.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Questão de qualidade.


Agência FAPESP
A ciência brasileira ganhou mais visibilidade global: o número de revistas científicas nacionais indexadas na base de dados internacional Web of Science-ISI (WoS) aumentou 205% entre 2002 e 2008.

A razão do aumento, de acordo com especialistas em cientometria e com a empresa Thomson Reuters, responsável pela WoS, é o crescimento do interesse mundial pela pesquisa científica brasileira, considerada de alta qualidade.

Esse aumento da presença brasileira na base WoS não significa que a produção científica nacional tenha crescido no mesmo percentual. Segundo pesquisadores da área de cientometria, ouvidos pela Agência FAPESP, a declaração do ministro da Educação Fernando Haddad de que teria ocorrido no Brasil um aumento de mais de 50% no número de artigos publicados em apenas um ano (de 2007 a 2008), o que seria inédito no país e no mundo, não se justifica.
Segundo José Claudio Santos, gerente regional da Thomson Scientific para a América do Sul, desde 2006 a empresa tem procurado agregar à base de dados uma maior quantidade de conteúdos da região. Com a inclusão de novos periódicos, a presença brasileira na base aumentou 56% de 2007 para 2008.

"A comunidade internacional estava cobrando isso, porque estão sendo divulgadas continuamente notícias sobre a excelente qualidade da produção científica brasileira, especialmente nas áreas de energias alternativas, agricultura e ciências sociais. Havia demanda por um conjunto de dados que não tínhamos na base e começamos a indexar informação", disse Santos à Agência FAPESP.

"O que aumentou foi a presença latino-americana na base de dados e o Brasil liderou esse processo de crescimento, o que é excelente. Mas isso não ocorreu devido aos investimentos do governo em ciência, como foi dito. Os investimentos continuam baixos. A razão maior foi que nos dois últimos anos foram indexadas novas revistas", disse Rogerio Meneghini, coordenador
científico do programa Scientific Electronic Library Online (SciELO), criado em 1997 por meio de uma parceria entre a FAPESP e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

Segundo Meneghini, além da nova orientação da Thomson para englobar países em desenvolvimento, a empresa tem concentrado o foco em áreas temáticas como mudanças climáticas, biodiversidade, saúde pública e algumas disciplinas das ciências sociais. "O Brasil estava bem em todas essas áreas e, por conta disso, acabou se destacando entre os outros países do continente que ganharam mais espaço na WoS", explicou.
Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo de 12 de maio, Meneghini desmentiu a versão que atribuía aos investimentos federais um suposto aumento na produção científica. Para ele, é possível que o governo tenha se equivocado ao deparar com os dados da WoS.
"Os dados sobre o aumento da indexação de periódicos brasileiros na WoS não estão disponíveis na internet. Eu os obtive à parte. Quando o governo alardeou os números como se fossem fruto de seus investimentos, logo percebi o equívoco. Acredito, supondo boa fé, que eles tenham se empolgado com os ótimos números e assim chegaram a conclusões erradas", afirmou um dos
principais especialistas brasileiros em cientometria.
Meneghini destaca que mais investimentos públicos nas revistas científicas brasileiras poderiam aumentar ainda mais a visibilidade da ciência nacional. "Seria preciso criar certas políticas. Não basta investir dezenas de milhões de dólares anualmente para manter um portal que dá aos cursos de pós-graduação acesso às revistas nacionais - embora esse seja um produto importante. É preciso também investir nas revistas nacionais, o que não é feito", afirmou.
De acordo com Santos, os critérios da Thomson para a indexação de revistas impressas e eletrônicas permanecem os mesmos. "Só são indexadas na base as revistas que obedecem a cinco critérios básicos: habilidade de publicar e distribuir a tempo; uso de convenções internacionais para a parte editorial; publicação preferencial em inglês; conteúdo editorial - como resumos e
palavras-chave - também em inglês; e diversidade internacional", explicou o responsável pela área comercial, editorial e de estudos bibliométricos da Thomson no continente.
O aumento da participação latino-americana na base WoS, segundo Santos, foi de 154% entre 2002 e 2008. "Em 2002, tínhamos 63 revistas do continente indexadas. Fechamos 2008 com 160, sendo 64 delas revistas brasileiras. De todos os países - Brasil, México, Chile, Argentina e Colômbia -, o Brasil foi o que mais teve aumento no número de indexações: 205%."

Conclusões distorcidas

Para Leandro Innocentini Lopes de Faria, professor do Departamento de Ciência da Informação do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), independentemente da maneira como foi divulgado, o aumento da presença brasileira na WoS é animador - com a nova situação, o país passa da 15ª para a 13ª posição entre os países com mais artigos publicados na base de dados.

"A maneira de divulgar é que foi um tanto estranha, já que o suposto crescimento da produção científica era artificial, provocado pelo aumento do número de periódicos. Mas a boa notícia é que a ciência brasileira ganhou mais espaço", afirmou o professor.
Lopes de Faria é autor de estudo com base na WoS e no Portal Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que será publicado na próxima edição dos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo, da FAPESP.
"Nos indicadores que criamos, analisamos a produção científica considerando que a base de dados utilizada tem uma coleção constante. Se o universo de revistas é o mesmo, podemos calcular o crescimento da produção científica a partir dali. Entretanto, a partir do momento em que a WoS aumenta o número de revistas indexadas, não se pode mais comparar com o ano anterior, ou as conclusões ficariam obviamente distorcidas", afirmou.
Segundo Lopes de Faria, o banco de dados da WoS vinha sendo frequentemente utilizado para a produção de indicadores justamente por manter uma coleção constante de revistas. Em contrapartida, o ponto negativo da base era o fato de que esse conjunto, embora estável, tinha pouca representação de revistas brasileiras.
"A falta de periódicos brasileiros era muito criticada e agora está havendo um ajuste, deixando o conjunto mais representativo. Mas se trata de um momento de mudança, o que inviabiliza análises conclusivas neste momento. A base só poderá ser usada agora para avaliar o crescimento da produção científica dentro de alguns anos, a não ser que a WoS faça uma inclusão
retroativa das edições das novas revistas indexadas que foram publicadas nos últimos anos", explicou.

Importância do SciELO

Segundo Abel Packer, diretor da Bireme e um dos idealizadores do SciELO, ao lado de Meneghini, a melhora na qualidade dos periódicos nacionais foi decisiva para o aumento de sua presença na WoS.

"Embora tenham ampliado os critérios, eles não os relaxaram. O fato é que há uma grande melhora nos periódicos, que vem sendo explicitada pelo SciELO.

Com isso, ficou impossível para os organismos internacionais ignorar a ciência que vem sendo feita no Brasil", afirmou.

Para Packer, o programa apoiado pela FAPESP teve um papel proativo no registro de um aumento das publicações científicas latino-americanas. "O SciELO demonstrou que temos um conjunto significativo de periódicos de qualidade que merece indexação internacional. Temos contribuído para dar às revistas brasileiras maior visibilidade nacional e internacional, o que se reflete em um número grande e crescente de downloads de artigos nas coleções SciELO, além do aumento do número de citações, que reflete o impacto dessa produção científica", disse.

Ao longo do desenvolvimento da coleção SciELO, uma série de periódicos atingiu um número de fator de impacto maior que 1, algo então inédito no país. Isso se deveu, segundo Packer, à constante avaliação crítica feita pelo programa em sua seleção de artigos, cuja consequência é uma melhora de qualidade gradual dos periódicos.

"Gostaria de fazer uma crítica aos índices internacionais como a WoS, que sempre olharam nossos periódicos como produtos de segunda categoria.

Chamávamos há muito tempo a atenção para que nossas revistas tivessem uma cobertura mais ampla devido à sua qualidade. Finalmente obtivemos sucesso, mas essa mudança chegou bem tarde", destacou.

Mais qualidade

Para a cientometrista Jacqueline Leta, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a notícia de que o Brasil agora passa a ser o 13º país do mundo com mais artigos publicados na WoS deve ser comemorada.

"É uma excelente notícia. O que é ruim é a forma como foram apresentadas as causas desse crescimento - ele foi causado muito mais pela inserção de mais periódicos na base WoS do que por um aumento das publicações. A Capes tem grandes méritos, mas não fez nada sozinha", disse.

Essa indexação de novos periódicos brasileiros, segundo ela, foi resultado de uma grande negociação e muitas articulações feitas entre a Thomson e a comunidade científica brasileira. "Houve todo um processo editorial que levou à melhora em todos os quesitos das revistas, desde a submissão até a publicação. Tudo isso garantiu a esse periódicos uma avaliação melhor. Se não tivessem qualidade, também não entrariam na base", apontou.

Segundo Jacqueline, é preciso ressaltar que as bases como a WoS têm limites de catalogação de periódicos. Por isso seus organizadores restringem a indexação às revistas com maior reconhecimento mundial. "As bases fazem um recorte na literatura científica mundial. Não haveria capacidade técnica ou econômica para incluir todos os periódicos do mundo", explicou.

Os periódicos dos Estados Unidos, segundo Jacqueline, tradicionalmente dominam as bases de dados da WoS. "Se pensarmos em termos demográficos, talvez a China tenha o maior número de periódicos do mundo, mas não está representada de forma tão concentrada como outros países de grande tradição científica. Por isso, a produção científica de um país não é necessariamente
proporcional ao número de artigos publicados na base. Os números precisam sempre ser entendidos levando-se em conta a dimensão da base", disse.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Programa de Capacitação para os Novos Bibliotecários 2009: Módulo 4

Seguem abaixo fotos do Programa de Capacitação para os Novos Bibliotecários 2009: Módulo 4 : BiblioGrad : metodologia para avaliação do acervo de graduação, que realizou-se dia 12 de maio de 2009, no Plenarinho do CEPE-UFRGS. Cliquem nas fotos para ampliar.









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SBU UFRGS : evento 20090512 : fotos / Eugenio Hansen, OFS estão licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Zebras e cavalos.


“O que explica o aumento súbito da produção de ciência no país?” Artigo publicado na “Folha de SP” por Marcelo Leite:
Atul Gawande, médico e ensaísta americano que brilha nas páginas da revista "The New Yorker", conta em seu livro "Complicações" -já elogiado aqui- que professores de escolas médicas de seu país repetem com frequência um dito sobre quadrúpedes. Algo assim: "Se você ouvir um tropel, pense primeiro em cavalos, não em zebras".
O sábio conselho se aplica em geral à arte do diagnóstico. Diante de certa configuração de sintomas, o médico em formação deve cogitar primeiro as doenças e condições mais comuns que possam explicá-la. Mais ou menos o contrário do que faz o Dr. House, da imperdível série de TV.
Quando li que o Brasil tinha saltado da 15ª para a 13ª posição no ranking de produção científica mundial, logo pensei: deu zebra. Mesmo respondendo por meros 2,12% dos artigos publicados em periódicos científicos indexados (de primeira linha), é um avanço tão sensacional quanto os diagnósticos improváveis de House.
Na divulgação dos dados, o ministro da Educação, Fernando Haddad, se empolgou. Disse que em pouco tempo, se mantiver o ritmo, o Brasil poderá chegar entre os dez primeiros produtores de conhecimento científico do planeta.

"O indicador mostra o esforço nacional e o vigor das universidades federais", afirmou, puxando a sardinha para a sua brasa. Citou a contratação, por concurso, de 10 mil jovens doutores para dar aulas nessas instituições, em todos os cantos do Brasil. E prometeu 17 mil contratações até o final do mandato do presidente Lula.
Tomara. Não dá para não torcer pelo país nesse campo em que só tomamos lavadas. Não, pelo menos, diante do placar espantoso: 30.451 artigos publicados em 2008, contra 19.436 no ano anterior. Um crescimento de 56%. Fantástico.
No fundo da mente, porém, ainda ressoavam alguns cascos. Talvez fossem cavalos. Ou quem sabe outro tipo de equino?
Aumento de 56% num único ano é muita coisa. Ainda mais numa atividade de transformação tão lenta quanto a pesquisa científica. O tipo do dado que aciona o detector de asneiras ("bullshit detector", como dizem os americanos) de qualquer estatístico, até de colunistas ignorantes dos meandros dessa disciplina cruel.
Uma hipótese plausível para ajudar a explicar o desempenho que entusiasmou o ministro é a de que tenha mudado a base utilizada para medir a produtividade científica, da Web of Science. Uma consulta a sua página na internet revela que a empresa proprietária (Thomson Reuters) investe numa política de ampliar a abrangência dos periódicos indexados, com a incorporação de mais de 1.200 títulos de relevância regional.
Nesse processo, o Brasil foi um dos países que mais aumentaram sua representação na Web of Science. De três dezenas de periódicos há dois anos, contava no ano passado com 103 na base de dados. Mais revistas científicas brasileiras acompanhadas, mais artigos nacionais. Aumentou a rede, não necessariamente o cardume.
A mudança da base, por outro lado, pode não explicar todo o avanço da produção científica brasileira, o que só seria verificável com um exame mais minucioso. Não invalida, tampouco, toda a excitação ministerial. A simples inclusão de mais revistas brasileiras no radar bibliográfico internacional por si própria já constitui uma boa notícia.
A tentação de torcer por uma zebra é quase irresistível, não há dúvida. Mas existem muito mais cavalos sobre a Terra do que pode sonhar a nossa vã cienciometria.

Marcelo Leite é autor de "Folha Explica Darwin" (Publifolha, 2009) e do livro de ficção infantojuvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009), sobre biocombustíveis e florestas. Blog: Ciência em Dia (cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br). E-mail: cienciaemdia.folha@uol.com.br
(Folha de SP, 10/5)

Novo buscador pode organizar informações na internet.


Um novo sistema de buscas e respostas, exibido na última semana na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, promete provocar uma revolução na internet. A criação será apresentada neste mês com o lançamento do software de busca batizado de Wolfram Alfa. As informações são do site The Independent.
Veja a reportagem na íntegra em:
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3743439-EI4802,00-Novo+buscador+pode+organizar+informacoes+na+internet.html

terça-feira, 5 de maio de 2009

Memórias do Instituto Oswaldo Cruz: Ciências biomédicas e medicina experimental numa das mais tradicionais revistas científicas da América Latina.


Em abril, a Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - comemora o centenário da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, primeiro periódico científico criado na América Latina. Publicado seis vezes ao ano e com frequentes edições de suplementos, oferece acesso gratuito ao seu conteúdo integral publicado desde 1909 e está indexada pelo Scopus, a maior base de resumos e referências biliográficas disponível na atualidade. A disponibilização on line de todo o material foi uma das primeiras ações do pesquisador do IOC Ricardo Lourenço, quando assumiu o cargo de editor da revista, em janeiro de 2007. Também vice-diretor de Políticas de Ciência e Tecnologia do instituto e editor associado da revista desde 2002, Lourenço é médico veterinário (UFF) com mestrado em Biologia Parasitária (Fiocruz), doutorado em Parasitologia Veterinária (UFRJ) e pós-doutorado em Dengue (Instituto Pasteur, Paris). Integra, ainda, o Comitê Nacional do Controle da Malária e da Dengue.

Num breve bate-papo com a Elsevier News, ele contou detalhes da trajetória da revista e analisou os fatores que influenciam sua projeção:

“Desde sua criação, a Memórias quis ser internacional. No expediente do seu primeiro número, Oswaldo Cruz, o editor, dizia que o espaço destinava-se às novidades do instituto, mas que também estava aberto a trabalhos de pesquisadores de fora. Tanto que os textos eram apresentados em duas colunas - se fossem enviados em inglês, português, francês ou espanhol, saíam também em alemão. Nos anos 90, passou-se a publicar praticamente só em inglês, até porque, sabendo que o trabalho vai ser mais lido, as pessoas já mandavam (e continuam mandando) neste idioma. Aliás, desde o início de 2008, todos os trabalhos em inglês são revisados por especialistas do American Journal Experts.

A submissão on line, que começou em 2007, favoreceu bastante o envio de artigos de pesquisadores internacionais – principalmente oriundos da Ásia e África, alunos de doutorado desses continentes orientados por alemães, franceses... Passamos a receber também mais trabalhos dos Estados Unidos, só não notamos aumento da América Latina. Certamente, o novo sistema de submissão também contribuiu para a elevação do nível de citação - por mais que ele seja um pouco prejudicado pelo fato de a revista ter uma linha variável, que cobre da epidemiologia de uma doença até a microscopia eletrônica específica de um assunto. Ao mesmo tempo, nós nos destacamos entre os periódicos da área, entre outros razões, por termos uma recorrência de temas como Doença de Chagas, Esquistossomose, Dengue, Aids, Hepatite, Leishmaniose e seus vetores e parasitas. Os bons autores desses assuntos acabam preferindo publicar aqui. O fato de estarmos indexados em bases de dados como Scopus e Scielo também aumenta muito a nossa visibilidade. Só o fato de encontrar um periódico latino-americano como o Memórias entre os mais citados é sinal de que está indo bem.

O desafio é justamente o de fazer com que mais pessoas do mundo inteiro leiam e citem a revista. Um dos movimentos nessa direção foram as modificações feitas no conselho editorial. Convidei pessoas mais novas, desconvidei algumas menos atuantes e incluí, principalmente, gente de fora da instituição e de fora do Brasil. É nossa intenção, ainda, investir em mais revisores estrangeiros - este foi um dos conselhos dados pelo diretor de Desenvolvimento de Publicações Internacionais da Elsevier, Carl Schwarz, que nos visitou recentemente. Também estamos em contato com a editora para a realização de um treinamento para o uso do Scopus, com foco nos bibliotecários e pesquisadores que se interessam por bibliometria. No âmbito interno, as dificuldades que temos, hoje, são de infra-estrutura. Ainda não tenho uma equipe totalmente formada para todas as fases: recepção, editoração, fase final de formatação, revisão. O quadro funcional é pequeno e há restrições para terceirização. Para trabalhar numa revista como essa é preciso uma equipe devotada e capacitada. É uma lida, uma linguagem diferente, é ciência, precisa, exata.

SciTopics: serviço gratuito reúne ostemas mais recentes e mais pesquisadosno Scirus em novo endereço.


Cuidadoso controle editorial que permite manter o alto padrão de qualidade dos textos, resumos assinados e referências completas dos autores, com a disponibilização de suas páginas próprias. Esses são os grandes diferenciais do SciTopics (www.scitopics.com), serviço gratuito de tecnologia wiki que reúne os temas mais recentes e mais pesquisados pela comunidade acadêmica no Scirus (www.scirus.com) – ferramenta de busca para pesquisas científicas com acesso livre mais abrangente do mundo. Cada “página-tópico” traz um assunto resumido por especialistas qualificados que incluem as referências utilizadas, links relacionados de periódicos científicos e páginas da web indexadas no Scirus e os leitores paodem postar seus comentários sobre os temas apresentados de forma pública ou em particular para o autor.