segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Filósofo cria língua universal para web e prevê nova revolução do conhecimento.



Para Pierre Lévy, web semântica vai transformar maneira de fazer ciência.
Em breve, aposta francês, computadores saberão como 'traduzir' conceitos.
Leopoldo Godoy Do G1, em São Paulo

A internet permitiu que, pela primeira vez na história, se tornasse possível manter um arquivo universal do conhecimento e da produção cultural de nossa espécie. Mas para o filósofo francês Pierre Lévy, esse poder já começa a mostrar limitações, e é hora de promover uma “recauchutagem” na estrutura da rede. Mas para transformar a web em uma máquina capaz de identificar a verdadeira inteligência coletiva, no entanto, Lévy prevê dois grandes desafios: a ausência de profissionais habilitados para trabalharem na organização das informações, e a necessidade da adoção de um padrão para a chamada “web semântica” – que permitirá que todo o conhecimento seja coordenado automaticamente por conceitos, e não mais simplesmente pelos links entre documentos.
A evolução proposta por Lévy - dono de uma bibliografia extensa sobre cibercultura e sobre a relação entre o virtual e o real - passa pela criação de regras para a organização das informações. Para isso, o filósofo desenvolveu uma linguagem universal capaz de compreender as ideias expressas em qualquer idioma e que, ao mesmo tempo, pode ser processada por computadores. “Isso significaria o fim da fragmentação da informação, atualmente dividida por conta de barreiras de linguagem e escolhas diversas de sistemas de organização”, afirma Lévy, em entrevista ao G1. O projeto coordenado pelo francês é desenvolvido por um grupo de pesquisadores na Universidade de Ottawa, no Canadá.

Leia a íntegra da entrevista com Pierre Lévy
A IEML (sigla em inglês para “metalinguagem da economia da informação”) é completamente artificial, e segue, nas palavras de Lévy, “regras bastante estritas”. Conceitos universais são codificados utilizando sequências de seis símbolos com significados primitivos: o código *E:**, por exemplo, significa “vazio”. Os símbolos são organizados em grupos de três, e cada “camada” de informação reúne três grupos anteriores. Termos utilizados constantemente ganham abreviações, o que facilita a criação de frases.


“Você está lendo um documento e identifica que ele trata sobre os conceitos ‘x’, ‘y’ e ‘z’. O computador será capaz de identificar que este documento está ligado a outros, e ajudará a filtrar, navegar e expandir seu acesso a conhecimentos correlatos”, afirma Lévy.
Ciências como psicologia, economia e sociologia seriam as maiores beneficiadas com a adoção deste código universal. Lévy acredita que as ciências humanas viverão, na próxima geração, uma revolução semelhante à que impulsionou os estudos naturais com a invenção da prensa rotativa por Johannes Gutenberg, no século XV.
“Hoje em dia, todos os dados sobre o comportamento humano podem ser reunidos no ciberespaço, o único problema é que ainda não temos a capacidade de explorar essas informações”, explica o francês. “Se alguém escreve um blog em chinês, eu não consigo ler, você não consegue ler e os programas de tradução automática, como do Google, não são muito bons. Portanto, não há comunicação”. Mas há barreiras – reconhecidas pelo próprio criador – para transformar esse “Esperanto eletrônico” em realidade. Há outros projetos que pretendem ocupar essa “quarta camada” da internet (ver infográfico abaixo), alguns deles inclusive apoiados pelo próprio inventor da web, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee. “Talvez não seja a língua que eu criei que será a base dessa revolução científica, mas haverá (na web do futuro) algo nesses moldes”, diz Lévy.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Governo planeja disseminar internet rápida

Versão preliminar de projeto para a área será apresentada ao presidente Lula em outubro
Em diversas frentes, o governo federal estuda um plano para disseminar a internet em banda larga no Brasil. Vários países têm adotado esse tipo de política como parte de um conjunto de medidas para enfrentar a crise econômica. No caso brasileiro, onde a turbulência não foi das mais fortes, a ideia não tem esse viés de medida anticíclica. Porém, há uma percepção crescente de que o acesso às redes de alta velocidade pode ser um indutor de desenvolvimento.
Uma versão preliminar do chamado Plano Nacional de Banda Larga deverá ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Caberá ao ministro a coordenadoria geral do programa. A Casa Civil ficará com a secretaria executiva, explicou Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República.
A pasta das Comunicações vem conduzindo estudos sobre o tema, junto com outros ministérios. Porém, outras instâncias do governo também estão debruçadas sobre o tema.
A Secretaria de Assuntos Estatratégicos (SAE) da Presidência da República, a cargo do ministro interino Daniel Vargas, também trabalha num projeto de incentivo à banda larga em todas as regiões brasileiras. "Temos que iniciar o debate sobre a perspectiva de mudar a regulamentação do setor (de telecomunicações)", destacou Vargas.
Segundo Vargas, essa rede estatal poderia utilizar a infraestrutura de outras empresas, como as de saneamento e de energia elétrica. "Outra opção seria criar uma empresa pública para o transporte de dados", ponderou, sem mencionar abertamente o projeto de reativar a Telebrás.
A ampliação da infraestrutura de banda larga também é objeto do programa que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, como parte dos preparativos para o Brasil abrigar a Copa do Mundo de 2014. Segundo Eduardo Costa, diretor da Finep, a questão foi apresentada ao presidente Lula na semana passada.
Em todas essas discussões, ainda não está claro se o governo pretende investir recursos públicos e se vai encontrar formas de usar os quase R$ 8 bilhões presos no Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).
A abertura desses debates vai ao encontro dos interesses das operadoras de telecomunicações, que há anos tentam emplacar um projeto para o setor com apoio do governo - até agora, sem sucesso.
Dia 27/08 durante evento que reuniu as principais empresas do setor, representantes das teles e de fornecedores de equipamentos redigiram a "Carta do Guarujá" - documento em que sugerem uma união de forças com o poder público para disseminar a banda larga. Hoje, há pouco mais de 11 milhões de conexões de internet rápida no país.
Uma das sugestões do empresariado é a criação de um fórum do Estado Digital, instância que reuniria representantes do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil para debater temas relacionados à inclusão digital. Outra proposta defendida é a formação da Confederação Nacional de Informação e Comunicações Multimídia. A ideia é reunir federações de empresas que atuam diretamente na oferta de banda larga e de serviços associados.
Executivos das operadoras comemoraram o interesse do governo de começar a discutir a expansão da banda larga no país. "O fato de haver cogerência sobre um tema prioritário já é muito importante", afirmou o presidente da Vivo, Roberto Lima. No entanto, ele observou que ainda é preciso alinhar as diversas visões dentro do governo. "Há algumas mais estatizantes e outras menos estatizantes", disse o executivo da Vivo. Na avaliação de Lima, a colaboração com a iniciativa privada pode ser "a melhor forma de trabalhar".
Fonte: JC e-mail 3837
Data: 28/08/2009
Matéria completa:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65702

Capes divulga notícias pelo twitter

As notícias veiculadas no site da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) agora serão divulgadas no twitter. Desde o dia 20 de agosto, as informações do portal também poderão ser acessadas no novo espaço criado pela Capes.

Além das atualizações de conteúdo envolvendo notas e matérias, os usuários terão acesso a respostas de dúvidas frequentes sobre a educação superior, especialmente a respeito da pós-graduação stricto sensu e da formação de professores da educação básica, e a eventos da Capes.

As notícias e informações podem ser acessadas no twitter da Capes. Confira!

Fonte: Assessoria de Imprensa da Capes
Data: 20/08/2009
Link: http://www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/3051-capes-divulga-noticias-pelo-twitter

No ar o v.2, n.1 da revista Museologia e Patrimônia

A Revista Museologia e Patrimônio, periódico semestral do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, desenvolvido em associação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) apresenta, nesta edição do v.2, n.1 de 2009, seis Artigos que tratam de temas relevantes para o campo da museologia e do patrimônio, confira:
Artigos

Da manchete à notinha de canto: os furtos do patrimônio público, a privatização dos acervos do cidadão
Beatriz Kushnir
PDF


Patrimônio industrial: lugares de trabalho, lugares de memória
Maria Leticia Mazzucchi Ferreira

Para uma pedagogia do museu: algumas reflexões
Maria Amelia de Souza Reis, Maria do Rosário Pinheiro
PDF

O patrimônio da ciência: importância para a pesquisa
Marta C. Lourenço
PDF

Políticas públicas, políticas culturais e museu no Brasil
Nilson Alves de Moraes

Ecomuseums in Italy. Concepts and practices / Ecomuseus na Itália. Conceitos e práticas
Maurizio Maggi

Disponível novo número da revista PontodeAcesso

Confira os artigos do v.3, n.2, 2009 da Revista PontodeAcesso.

Editorial

UMA TRILOGIA E DUAS ABORDAGENS DIFERENCIADAS
Othon Jambeiro
PDF

Artigos

O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO E O SISTEMA DAS PROFISSÕES: UM OLHAR SOBRE COMPETÊNCIAS
Miriam Vieira da Cunha
PDF

DE BACON À INTERNET: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E A CONSTITUIÇÃO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Marco Antonio de Almeida, Giulia Crippa
PDF

A CONTRIBUIÇÃO DE F. W. LANCASTER PARA A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
Carlos Alberto Ávila Araújo, Jéssica Cristiane Pereira Silva, Lívia Ferreira Coutinho, Priscila Bueno Souza
PDF

O GOVERNO ELETRÔNICO COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA DE INFORMAÇÃO
Rafael Simone Nharreluga
PDF

O INDIGENISMO NA ERA DA INFORMAÇÃO
Alejandra Aguilar
PDF

Resenha
INTERNET, FONTES E BUSCA DE INFORMAÇÃO
Joana Coeli Ribeiro Garcia
PDF

O lançamento de um livro:Editora francesa tem uma estratégia simples e lógica.


Minha irmã acaba de escrever um livro (muito lindo) para a maior editora da França. Jabá orgulhoso feito, ela contou-me como se dá o lançamento.

Que a internet já mudou toda a cadeia produtiva e de divulgação de muitos setores, todo mundo sabe. Mas é de se alegrar quando uma indústria tão empoeirada, que tira seu sustento precisamente daquilo que está moribundo – a coisa publicada em papel – desperta, do alto de suas sábias rugas.

Quando o livro ainda está manuscrito, a editora envia uma copia, digitalmente é claro, para cerca de 200 leitores que se interessam pelo tipo de literatura em questão. Até aí, nada de novo: as editoras sempre fizeram esse tipo de teste.

Mas o que é diferente é que esses leitores estão devidamente conectados com seus próprios blogs e redes. A turma do sem-blog não serve, assim como não interessa quem só escreva em veículos especializados dead tree society.
A segunda novidade é que essas pessoas estão autorizados a divulgar criticas e o que quiserem do livro para seus leitores, mesmo que seja para destruir a obra ou xupinhá-la. Já sacaram que censura, jabá cozinhado e controle de pirataria é feitiço contra o feiticeiro.

Tudo isso acontece muitos meses antes do lançamento. Depois de um tempo, a editora analisa as repercussões, dos blogueiros e da audiência. Isso irá pautar o tipo de lançamento, o investimento na divulgação, e, claro, a tiragem do livro.

Simpática fórmula de lançamento.

Mas perguntei-me o que seria da imprensa tradicional.

Pois bem, a imprensa tradicional corre atrás. Ela corre atrás dos blogs, lê os trechos divulgados, acompanha os comentários e depois de solicitar o livro para a editora, planeja sua cobertura. Simples assim: atrasadinha que só. E, eventualmente, para recuperar o tempo perdido, ela resolve patrocinar o lançamento se associando na empreitada. Faz publicidade no livro e nos blogs que já “lançaram” o livro. Como se a Rede Globo resolvesse anunciar no livro do Paulo Coelho lançado pela Planeta (chamando por exemplo para um seriado sobre o autor na TV).
A estratégia é tão cristalina e lógica, que assim contada, parece óbvia. E é.

Só assusta um pouco perceber que, com marginais exceções de nicho, o Brasil ainda valoriza conceitos tão antigos como exclusividade, jabás pagos, reverência aos veículos tradicionais, peneiradores de conteúdo e controle de direito autoral.

Sei não, mas no mercado editorial, na imprensa tradicional, nas agências de propaganda e além, “I see dead people”. [Webinsider]

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Yahoo e Microsoft se unem contra biblioteca virtual do Google.

Amazon também estaria prestes a integrar aliança que se opõe à iniciativa.


Do Vale do Silício para a BBC News -
Amazon, Microsoft e Yahoo estariam prestes a unir forças para se opor a um acordo que pode transformar o Google na principal fonte online para muitos trabalhos literários, criando a maior biblioteca virtual do mundo.
As três gigantes do setor de tecnologia devem se unir à coalizão Open Book Alliance, liderada pela organização sem fins lucrativos Internet Archive.
A Internet Archive tem se oposto publicamente ao acordo firmado em 2008 entre o Google e editoras e autores e já digitalizou mais de 1,5 milhão de livros, tornando todos disponíveis de graça.
"O Google está tentando monopolizar o sistema de bibliotecas. Se o acordo for fechado, eles realmente serão 'a' biblioteca e a única biblioteca", afirmou Brewster Kahle, fundador da Internet Archive.
Microsoft e Yahoo já confirmaram a participação na Open Book Alliance. A Amazon até o momento não fez comentários, pois a aliança ainda não foi formalmente lançada.
Acordo
O acordo assinado no ano passado foi para encerrar dois processos contra o Google por desrespeito aos direitos autorais, abertos após a empresa ter escaneado livros sem autorização.
O Google concordou em pagar US$ 125 milhões (cerca de R$ 230 milhões) para a criação do Registro de Direitos de Livros, no qual autores e editores poderiam registrar trabalhos online e receber remuneração. Autores e editores receberiam 70% da venda destes livros e o Google ficaria com os 30% restantes.
O Google também ganharia o direito de digitalizar trabalhos cujos donos dos direitos autorais são desconhecidos. Acredita-se que estes trabalhos compreendam até 70% dos livros publicados depois de 1923.
Os comentários a respeito deste acordo deverão ser registrados na Justiça americana até o dia 4 de setembro. No começo de outubro, um juiz de Nova York vai analisar se aprova a abertura de uma ação coletiva contra o acordo.
Paralelamente, o governo americano está investigando o impacto do acordo no mercado.
Enquanto o prazo de 4 de setembro se aproxima, o número de grupos e organizações que são contra o acordo aumenta. Mas, com os três gigantes do setor de tecnologia se juntando ao grupo, a Open Book Alliance poderá ganhar destaque mundial.
Os que criticam o acordo do Google afirmam que ele irá transformar o futuro da indústria de livros e o acesso público ao patrimônio cultural da humanidade que está concentrado em livros.
"Acreditamos que, se (o acordo) for aprovado, o Google conseguirá um monopólio sancionado pela Justiça e a exploração de uma coleção ampla de livros do século 20", afirmou Peter Brantley, diretor de acesso da Internet Archive.
Privacidade
Além do temor de monopólio, o acordo do Google também levanta a questão da privacidade.
A Fundação Electronic Frontier e a organização americana de defesa dos direitos do consumidor Consumer Watchdog, entre outros, enviaram uma carta ao Google para pedir que a companhia garanta aos americanos que "vai manter a segurança e liberdade que frequentadores de biblioteca tem há tempos: para ler e aprender sobre qualquer coisa (...) sem se preocupar se há alguém observando ou se seus passos poderão ser seguidos".
O Google se defende e afirma que o acordo traz muitos benefícios aos autores e vai disponibilizar milhões de livros não impressos na internet e em bibliotecas.
"O acordo do Google Books está injetando mais competição no espaço dos livros digitais, então é compreensível que nossos competidores lutem para evitar mais competição", afirmou a companhia em uma declaração. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia,yahoo-e-microsoft-se-unem-contra-biblioteca-virtual-do-google,422602,0.htm

Governo estuda novo imposto sobre livros.

O Ministério da Fazenda discute internamente a possibilidade de criar um novo tributo a ser cobrado das editoras de livros para viabilizar a implementação do Fundo Pró-Leitura, instrumento para incentivar a leitura no País. A proposta, que tem origem no Ministério da Cultura, conta com o apoio de integrantes do gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas não tem a simpatia da área técnica, principalmente Receita Federal e Secretaria de Política Econômica.

Os técnicos contrários à tributação avaliam que o momento de crise econômica não é propício para aumentar a carga tributária, ainda que de um setor específico. Além disso, um novo tributo tornaria ainda mais complexo o já complicado sistema tributário brasileiro. A avaliação desses técnicos é que, se não houver alternativa e for definida a tributação, o melhor seria elevar PIS/Cofins do setor.

Os defensores dentro do governo da nova tributação argumentam que esse foi um compromisso assumido pelos livreiros em 2004, quando, no Plano Nacional do Livro e Leitura, houve a desoneração de PIS/Cofins das editoras. A contrapartida assumida à época pelos editores foi a de as empresas contribuírem com 1% do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura, que financiaria atividades como montagem de bibliotecas e formação de professores e bibliotecários. Pelos cálculos preliminares do Ministério da Fazenda, a contribuição para o fundo representaria um custo de R$ 60 milhões por ano ao setor.

A eliminação do PIS/Cofins representou uma renúncia fiscal da ordem de R$ 300 milhões. O governo esperava que a desoneração resultasse na redução dos preços dos livros, o que, segundo uma fonte, não ocorreu. “As empresas usaram a desoneração e não contribuíram para o fundo”, afirmou. “Os preços de livros só caíram recentemente por causa da crise.

O diretor de livro, leitura e literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, defendeu a contribuição do setor para o fundo, destacando que representaria “um compromisso social do setor para a constituição de um país leitor”. Piúba ressaltou que o fundo vai fomentar a criação e modernização de bibliotecas, bem como a ampliação de seus acervos, formação de professores, bibliotecários, contadores de histórias e campanhas de leitura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Agência Estado
Publicado em 22.08.2009, às 12h32

SciELO chega à África.


Em editorial na revista Science, membro da academia de ciências sul-africana conta por que o país escolheu a plataforma de publicação da Bireme/FAPESP para aumentar a visibilidade internacional de suas revistas científicas.

A fim de otimizar o alcance global e o impacto potencial da pesquisa feita no país, a Academia de Ciências da África do Sul (Assaf) adotou a modalidade de acesso aberto por meio da plataforma SciELO (Scientific Eletronic Library Online) para a publicação de seus periódicos acadêmicos.

Em editorial publicado na edição desta sexta-feira (21/8) da revista Science, Wieland Gevers, chefe do Comitê de Publicações Acadêmica e ex-presidente da Assaf, explica por que o modelo foi escolhido para tornar mais visível - em sistemas de busca e ferramentas bibliométricas - o trabalho publicado em periódicos científicos locais.

O programa SciELO, criado em 1997 por meio de uma parceria entre a Fapesp e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), foi implantado até agora em outros sete países - Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Venezuela, Espanha e Portugal.

O modelo conta também com duas coleções temáticas nas áreas de saúde pública e ciências sociais. Além da África do Sul, estão atualmente em fase de desenvolvimento bases de dados para coleções de Costa Rica, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

No editorial da Science, Gevers, que é professor emérito de bioquímica médica da Universidade de Cidade do Cabo, afirma que a visibilidade internacional da pesquisa sul-africana deverá ter um salto com a adoção da plataforma. O projeto está em fase piloto de desenvolvimento com a cooperação da Bireme.

Gevers destaca dois objetivos principais da plataforma SciELO: indexar periódicos de alta qualidade, ampliando os títulos indexados na base do Instituto para a Informação Científica (ISI, na sigla em inglês) - por meio de uma seleção com base em avaliações transparentes -, e oferecer acesso livre global ao conteúdo dessas revistas.

"Esse sistema já revelou a existência de periódicos locais e artigos altamente citados nas revistas indexadas na base ISI e também revelou periódicos e artigos que tiveram alto impacto no próprio sistema SciELO", afirmou Gevers.

Segundo ele, com apoio de governos locais e da comunidade internacional, será plenamente possível estender o modelo também para outros países africanos. "Poucas iniciativas poderiam ter mais chance de oferecer tanto rendimento como esse, ao facilitar um sistema nacional e regional interconectado, com livre acesso e qualidade garantida", acrescentou.

Gevers conta que, dos 225 periódicos científicos sul-africanos, mais de 100 nunca tiveram seus artigos citados. "A África do Sul ocupa uma posição paradoxal no contexto da publicação científica: o de ser, ao mesmo tempo, um gigante dentro do contexto africano e um anão na arena internacional", disse. A África do Sul já produziu nove prêmios Nobel, sendo quatro em áreas científicas.

"O objetivo do Programa SciELO é aumentar a visibilidade de publicações científicas em revistas brasileiras e os resultados tem sido exemplares e reconhecidos por observadores independentes de entidades estrangeiras", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

"As revistas que fazem parte do SCIELO tiveram seus artigos mais citados internacionalmente, gerando com isso benefícios para o desenvolvimento científico em São Paulo e no Brasil. Uma estratégia efetiva dos líderes do projeto tem sido a de abranger publicações de outros países, inicialmente ibero-americanos e, em seguida, da África. Tal estratégia aumentou ainda mais o valor de toda a coleção, beneficiando todas as publicações envolvidas", destacou.

Pioneirismo reconhecido

De acordo com Abel Packer, diretor da Bireme e um dos idealizadores do SciELO, a adoção do sistema por mais um país e o editorial na Science demonstram o quanto foi acertada a decisão de criar o programa, há 12 anos.

"A extensão do programa à África do Sul é um reconhecimento do pioneirismo e da visão estratégica do grupo que criou o SciELO e da Fapesp, que nunca deixou de nos apoiar. E o editorial sinaliza o reconhecimento da Science de que a produção científica dos países em desenvolvimento é importante e precisa ganhar visibilidade", disse à Agência Fapesp.

Todos os países que participam do SciELO são nações em desenvolvimento, com exceção da Espanha e de Portugal. "O programa é especialmente importante para países em desenvolvimento - ao aumentar a acessibilidade e tornar mais citados os periódicos dessas regiões -, mas representa uma solução também para os dois países europeus que, como todos os ibero-americanos, também enfrentam a barreira da língua", destacou.

A proposta de adoção da SciELO na África do Sul partiu de um estudo iniciado pela Assaf em 2007. Uma comissão da academia avaliou os periódicos do país e considerou as principais soluções existentes de publicação em acesso aberto. Em julho de 2008, o comitê visitou a Bireme para conhecer o desenvolvimento do programa brasileiro.

"Em dezembro, o modelo foi adotado e a fase piloto do projeto sul-africano teve início com quatro publicações do país, com o objetivo de testar as funcionalidades da plataforma. Na próxima fase, a coleção deverá contar com 35 periódicos", explicou.

Sucesso no Chile

A expectativa, segundo Packer, é que a adoção do programa pela África do Sul aumente efetivamente a visibilidade da produção científica local e o impacto global da pesquisa realizada no país, alcançando o sucesso obtido, por exemplo, no Chile, primeiro país, além do Brasil, a adotar a plataforma, em 1998.

Para a coordenadora do SciELO Chile, Marcela Aguirre, da Comissão Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (Conicyt, na sigla em espanhol), a opção pelo modelo criado no Brasil trouxe um grande aporte ao programa chileno para o fortalecimento de suas revistas científicas.

"Trata-se de uma metodologia que provocou grande impacto na comunidade científica chilena e nas diferentes instituições que editam periódicos científicos. O fato de proporcionar acesso aberto é uma excelente vantagem para as revistas, que ganharam grande visibilidade, divulgando a produção científica nacional em diferentes áreas do conhecimento", disse à Agência Fapesp.

Em 1998 o Chile iniciou a participação piloto no SciELO com quatro veículos científicos. A coleção atual já tem 80 periódicos e outros 25 estão sendo avaliados. "Acredito que a adoção dessa metodologia foi boa para ambas as partes, já que trouxe benefícios para as revistas chilenas - que ganharam qualidade ao seguir os critérios rigorosos exigidos para fazer parte da coleção SciELO - e também enriqueceu a própria coleção", disse.

Segundo Marcela, ao ganhar um sistema de difusão massivo, com acesso completo na internet, as revistas científicas chilenas foram beneficiadas de forma marcante. "Com essa visibilidade, as revistas passaram a receber mais artigos para publicação. Isso exerceu grande impacto nas publicações nacionais. O SciELO também foi importante para padronizar normas de difusão e políticas editoriais, elevando a qualidade dos artigos", disse.

Marcela conta que a plataforma também trouxe uma grande contribuição em relação à acessibilidade. "Em 2008, tivemos cerca de 78 milhões de acessos à coleção do SciELO Chile. É um número importante de artigos chilenos sendo consultados em todo o mundo."

O programa trouxe também, segundo ela, um estímulo à internacionalização das revistas chilenas. "Agora temos um grande número de periódicos reconhecidos e indexados em índices internacionais e bases de dados. Tivemos cerca de 30 títulos indexados, por exemplo, na base da ISI. Houve também aumento da presença chilena em bases como Scopus. Essa visibilidade internacional é muito importante", disse Marcela.

O artigo "Globalizing Science Publishing", de Wieland Gevers, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org

SciELO: www.scielo.org
(Fábio de Castro, da Agência Fapesp, 21/8)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O impacto global do SciELO.

Editorial da revista Science aponta a biblioteca eletrônica online como exemplo de difusão da produção científica de países em desenvolvimento.

Trecho do editorial da Science que faz elogios ao SciELO.

Em editorial intitulado "Globalizando a Publicação da Ciência", a edição da revista científica norte-americana Science que circula com a data de amanhã (21/08) elogia a atuação da biblioteca eletrônica SciELO (Scientific Electronic Library Online), criada no Brasil em 1998 pela FAPESP em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), e a aponta como um modelo de difusão da produção científica feita em países em desenvolvimento.

De acordo com o texto, assinado por Wieland Gever, professor emérito de bioquímica médica da Universidade do Cabo, na África do Sul e ex-presidente da Academia de Ciências da África do Sul, "esse sistema (SciELO) já revelou a existência de revistas e artigos científicos produzidos localmente que são altamente citados em revistas indexadas pela base de dados ISI (Institute for Scientific Information)", além de terem igualmente um grande impacto dentro da própria base de revistas do SciELO. O artigo na Science defende a ideia de que mais países não desenvolvidos, sobretudo os da África, deveriam optar por publicar suas revistas científicas no SciELO ou num sistema semelhante, escolha que provavelmente aumentaria a penetração mundial de seus periódicos científicos. "O editorial é um marco, um reconhecimento ao bom trabalho do SciELO", diz Abel Packer, coordenador operacional da biblioteca eletrônica.

Historicamente, a FAPESP tem contribuído, há mais de uma década, com cerca de 75% do investimento dedicado ao programa SciELO Brasil. Em 2009, a Fundação entrará com R$ 3,3 milhões dos R$ 4 milhões que serão gastos na iniciativa. A Bireme arcará com R$ 450 mil e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com R$ 250 mil. "O SciELO nasceu dentro da FAPESP, com apoio entusiasmado da direção", afirma Rogério Meneghini, coordenador científico da biblioteca eletrônica no Brasil. "Ele foi uma das primeiras iniciativas a implantar o modelo de acesso aberto a artigos científicos."

Para o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, os resultados do SciELO "têm sido exemplares e reconhecidos por observadores independentes de várias entidades estrangeiras". Brito Cruz afirma também que "as revistas que fazem parte do SciELO tiveram seus artigos mais citados internacionalmente, gerando com isso benefícios para o desenvolvimento científico em São Paulo e no Brasil".

Há 11 anos, quando entrou no ar, o SciELO iniciou sua história com 10 revistas científicas, todas brasileiras. Atualmente o sistema conta com 637 periódicos, em sua maioria ibero-americanos e dos quais 197 são do Brasil. O segundo país com mais títulos é o Chile (81 revistas) e o terceiro, a Argentina (54). Revistas de outras partes do mundo, como da Jamaica e da África, começam a entrar no sistema. "Hoje há 5 periódicos da África do Sul no SciELO, mas devemos ter 100 revistas deles nos próximos trés anos e também teremos um periódico da Itália em breve e outro do Oriente Médio na coleção temática de saúde pública" diz Packer. Essa estratégia de expansão geográfica dos títulos da biblioteca eletrônica "aumentou ainda mais o valor de toda a coleção, beneficiando todas as publicações envolvidas", comenta Brito.

O SciELO só indexa e publica revistas científicas que tenham periodicidade regular, trabalhem com o modelo de peer review (para serem aceitos, os artigos são submetidos ao processo de revisão por pares) e concordem em manter seu conteúdo totalmente aberto e de acesso gratuito. A coleção cobre revistas de todas as áreas científicas, embora algumas coleções nacionais, como a de Cuba e a da Espanha, tenham começado sua participação na projeto com títulos das ciências da saúde. Ainda hoje boa parte das revistas do sistema é da área médica, mas há publicações também das humanas e exatas.

Segundo Packer, a penetração global das revistas científicas brasileiras que entraram no SciELO é evidente. Em 2009, a média mensal de downloads de artigos da biblioteca eletrônica está em 9 milhões, com 100 países tendo apresentado mais de 2.500 acessos. "O fator de impacto das revistas brasileiras que estão indexadas na base de dados Web of Science (da empresa Thomson Reuters) e no SciELO desde o início teve aumento médio de mais 200% no período 1997-2008", afirma o coordenador operacional da biblioteca eletrônica.
Pesquisa FAPESP - Edição Online - 20/08/2009 © Reprodução

Sensação e percepção na relação informação e conhecimento.

Para instrumentar e delimitar o pensamento subsequente o conceito de informação é definido como sendo:

Conjuntos simbolicamente significantes com a competência e a intenção de gerar conhecimento no indivíduo em seu grupo e na sociedade.

Assim, definida a informação fica qualificada como um instrumento modificador da consciência do homem e de seu grupo social. Deixa de se qualificar como uma medida de organização por reduzir incerteza, para ser a própria qualidade em si.
Fica ainda, estabelecida a existência de uma relação entre informação e conhecimento, que só se realiza se esta for percebida e aceita como tal colocando o indivíduo sensível em um estágio de vida melhor, subjetivamente consciente no mundo objetivo onde realiza a sua odisséia individual.
Passa a existir na minha reflexão a função estética do fenômeno do conhecimento que é a sensibilidade para apreender os registros da informação e se adiciona a emoção a qual tenuemente precede a percepção e representa um sentimento da momentaneidade do Eu que avalia o mundo.
Os sentidos têm a função de nos fazer conhecer o percebido. Dá-nos uma concepção dos objetos e uma confiança em sua existência, uma sensação que acompanha a percepção. Ao cheirar uma rosa o seu odor esta inscrito na flor que é a base para a percepção, neste caso, é a qualidade da rosa que percebo pelo olfato. Há nesta intervenção tanto de sensação quanto percepção. A sensação que tenho do odor de uma flor ou o admirar a obra de arte direciona a singularidade subjetiva que proclama a individualidade da percepção e leva a apropriações individualmente diferenciadas. Aqui se encontra uma linguagem e sua escrita.
A linguagem é um código que permeia a condição humana; é muito difícil encontrar uma agregação humana que não esteja relacionada a um idioma. Já a escrita como sistema e interface é uma tecnologia relativamente moderna. Se existem hoje 10 mil idiomas, só existem 400 escritas e destas poucas usadas por mais que um milhão de pessoas.
Compreendo a linguagem como um sistema de signos convencionados que pretendem representar a realidade objetiva para possibilitar a comunicação humana e entendo a escrita como a manifestação gráfica de uma língua, de forma permanente ou em evolução, mas inscrita em um suporte. A escrita se flexiona no tempo.
Nesta relação só a informação inscrita, de maneira linear ou digital, pode ter lugar no continuum do perceber ao conhecer. O registro pode estar em papel ou papiro em pedras de um sítio arqueológico, na múmia museificada ou em um arquivo domiciliado. A inscrição se revela na plasticidade de qualquer obra de arte insculpida em alguma forma de linguagem e só ela permite a conexão do artista com os receptores. Só acontece se intermediada por uma escrita em uma linguagem que os dois participem.
Nossas mentes forjadas em uma existência oral ainda não lidam bem com os registros da escrita e domar a assimilação pela tradução do código implica redesenhar as cadeias de pensamento integrando novas conexões neuronais, conexões virtuais estruturas do idioma e qualidades cognitivas.

A percepção de uma escrita é complexa, pois envolve decodificação, recognição e interpretação. Envolve uma configuração mental com a participação de atributos específicos de avaliação, memória, signos, significantes e significados. A sucessão de eventos que se ajustam, para interiorização do significado de uma estrutura escrita exige uma condição de solidão fundamental do receptor. Esta é uma condição de isolamento da consciência para articular o pensamento e nada tem a ver com a solidão por não estar junto com outros.
A apreensão pela escrita se dá em um momento do presente em confluência com o passado e na perspectiva do futuro. Mas na realidade não objetiva, na realidade virtual, a percepção está em um tempo online com uma velocidade sem distância ou superfície delimitadas e a interiorização acontece em um presente imponderável, pois a ligeireza da coisa toda faz com que passado e o futuro desabem neste presente da interiorização dos significados. Uma vivencia que se dá sem a necessidade de uma presença física e em um presente que é a soma de todos os tempos.
A assimilação da informação é, assim, a finalização de um processo de aceitação do saber como uma passagem, um fluxo de percepções que são amoldadas pela mente e este é um processo que se realiza no espaço de uma subjetividade. É um caminho pessoal e distinguido e revela um ritual de interação entre um sujeito e uma determinada estrutura de informação, gerando uma alteração em seu conhecimento acumulado.
Esta apropriação representa um conjunto de atos voluntários, pelo qual o indivíduo reelabora o seu mundo modificando seu universo de conteúdos simbólicos. É uma criação em convivência com cognições prévias e com sua percepção do mundo. É o inicio do algo que nunca iniciou antes, mas que encadeará sempre uma conseqüência, ainda que, o continuum iniciado não finalize na realização. O conhecimento é que uma onda formada e acabada em milissegundos espalhando no cérebro partículas inscritas. Tem por isso a evanescência dos fantasmas, algo que se extingue no momento de sua criação.
Para que o conhecimento opere é necessária uma transferência dos significados simbólicos para a realidade dos receptores em uma conjuntura favorável de comunicação. Nesse momento nada é menos total que a interação com a informação inscrita, pois nada é mais subjetivo, privado e individual que a sensação que precede a assimilação. O processo é diferenciado e oculto, para cada receptor e a apropriação é dele, de ninguém mais. É este então, o lugar do conhecimento, a consciência individualizada que apreende um significado que lhe é destinado.

Confira a edição de agosto da revista DataGramaZero

Artigos:
por Aldo de Albuquerque Barreto

Resumo: A informação quando referencia o homem ao seu destino participa do seu caminho ao estabelecer suas configurações no percorrer a sua odisséia individual no espaço e no tempo. A essência do fenômeno da informação se efetiva entre o emissor e o receptor, quando acontece uma transferência e apropriação de um conhecimento. Assim, adequadamente assimilada, a informação, modifica o estoque mental de saber do indivíduo e traz benefícios para o seu desenvolvimento pessoal e da sociedade em que ele vive. Como serão as pessoas do amanhã em um mundo em que a escrita se torna cada vez mais posicionada em estruturas digitais? A principal indagação, discutida no texto, é como acontecerá à apropriação da informação e geração do conhecimento em um cenário onde a consciência humana já tenha e os sentidos condicionados pelo formato digital dos textos. Há indicações que textos digitais com links de saída permitem uma assimilação mais abrangente e mais individualizada. Contudo, fica claro que, o acesso e a apropriação da informação digital têm a necessidade de uma extensão de competência digital adequada.

Palavras-chave: Apropriação da informação; Informação digital; Estrutura de informação e conhecimento; Fluxos da informação; Fluência digital.

por Luciana Ferreira da Costa e Alan Curcino Pedreira da Silva e Francisca Arruda Ramalho

Resumo: Partindo da compreensão polissêmica da definição de informação, aporta para o processo cognitivo informacional através do reconhecimento das necessidades informacionais, desencadeadoras das ações de busca e uso da própria informação. Desse modo, usar informação é trabalhar com a matéria informação para obter um efeito que satisfaça a uma necessidade de informação do usuário. Nesse contexto, define usuários da informação e estudos de usuário, demonstrando as abordagens conceptivas, tradicional e alternativa, enfocando as principais abordagens do paradigma centrado no usuário com base na literatura revisada. Conclui que os estudos de usuários devem se configurar como pesquisas que objetivam, sobretudo, desvendar quem são os usuários da informação, quais suas reais necessidades e como se dão suas buscas e usos da informação e, também, como pesquisas que ressaltam aspectos da interação entre usuários e unidades de informação que, por sua vez, devem colocar o conteúdo e a tecnologia a serviço dos seus usuários.
Palavras-chave: Informação; Necessidade de informação; Usuário da informação; Estudo de usuários; Busca e uso de informação; Abordagens dos estudos de usuários.

Uso estratégico da informação gerada pelo serviço de atendimento ao consumidor
por Raquel Andrade de Almeida Cunha e Monica Erichsen Nassif

Resumo: Este artigo analisou o serviço de atendimento ao consumidor da indústria de alimentos, sob o ponto de vista da ciência da informação. Parte do pressuposto que a área de atendimento ao consumidor por estabelecer contato direto com o público alvo da empresa , tem condições de reunir informações a cerca do ambiente externo à instituição e portanto contribuir para o estabelecimento de decisões estratégicas e da tomada de decisão. O propósito do estudo relatado é investigar se os setores de atendimento ao consumidor são reconhecidos nas empresas como provedores de informação de valor estratégico. Para tanto, utilizou-se a técnica de estudo de múltiplos casos, onde foram avaliados o serviço de atendimento de cinco empresas, localizadas na Grande Belo Horizonte, Minas Gerais . O estudo apontou que o serviço de atendimento ao consumidor nas instituições avaliadas desempenha um papel preponderantemente operacional.. Concluiu-se que uma vez que o serviço de atendimento ao consumidor tem pouco destaque nas organizações pesquisadas, o mesmo não consegue se posicionar como uma unidade informacional capaz de prover a empresa com informação de valor estratégico.
Palavras Chaves: Serviço de atendimento ao consumidor; Informação; estratégia; Gerenciamento da informação; Unidade informacional; Consumidor.
por Silvia Maria do Espírito Santo
Resumo: Este artigo foi baseado nos conceitos das teorias e das práticas desenvolvidas em instituições culturais coletoras e processadoras do conhecimento. As instituições, ao concentrarem os ideais formais da administração pública, justificam os poderes vigentes e foram necessárias para que elas, principalmente as instituições culturais, fossem vinculadas ao poder político. Ainda foram justificadas pelas próprias, ou originárias da ideologia do nacionalismo. Tais pontuações, aqui referendadas são relativas à produção do conhecimento instituído em museus, arquivos, bibliotecas e, mais na atualidade, nos centros de documentação, permanecendo no século XXI. Para buscar superar a distância entre documentos e o seu uso nas instituições públicas, ou até mesmo para realizar o manejo documental desses acervos. Propõe-se, nesta pesquisa, a criação da metáfora “corredor do café” – um recurso linguístico que poderá auxiliar na delimitação de espaços geográficos físicos ou virtuais e exercer a função de mediador entre o público dos produtos organizados, a partir dos procedimentos usuais nas teorias e práticas da Ciência da Informação do período que atravessa o século XX até o XXI.
Palavras-chave: Organização da informação; Ciências da informação; Instituições; Café; Corredor do café; Metáfora.
As referências nos estudos de citação: algumas questões para discussão
por Murilo Artur Araújo da Silveira e Rogério Eduardo Rodrigues Bazi

Resumo: Discute os estudos de citação segundo o tipo de abordagem e as indicações das referências em textos científicos. Apresenta exemplos de indicações de referências através de dissertação de mestrado, registrando as repercussões dessas indicações nos resultados de um estudo de citação. Traz sugestões quanto às indicações de autoria, título de periódico, ano de publicação e natureza da fonte de informação nas indicações das referências.

Palavras-chave: Estudos de citação; Referências; Indicações de referências; Estudos métricos da informação.
Confira as demais seções da revista em: http://www.datagramazero.org.br/ago09/F_I_art.htm

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cai preço médio de livros no país, revela pesquisa da CBL

Deflação foi verificada entre 2004 e 2008
O preço médio do livro caiu nos últimos anos no Brasil, que, com isso, aumentou o volume de exemplares vendidos. Segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira, dia 11, pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe), de 2004 a 2008, o preço médio do livro caiu tanto em termos reais (descontada a inflação) quanto nominais.
Excluindo as compras de livros didáticos pelo governo, cujos preços variam conforme o tipo de publicação e a idade dos alunos, a Fipe constatou queda no preço médio do livro nos últimos quatro anos. Em valores deflacionados, a queda foi de 24,5% no livro didático, 22,4% no segmento de obras gerais, 38% em livros religiosos e 23,3% nas publicações científicas, técnicas e profissionais.
Na comparação entre os anos de 2008 e de 2007, o estudo mostra, entretanto, alta de 3,8% no preço médio do livro em termos reais, atribuída às compras governamentais. Isso se explica porque os livros comprados pelo governo para o ensino médio tiveram preço mais alto que os adquiridos para o ensino fundamental em 2007.
Sem considerar as compras de livros didáticos pelo governo, o aumento do preço médio em 2008 sobre o ano anterior foi de apenas 0,88%, disse o diretor executivo da CBL, Eduardo Mendes. Em entrevista à Agência Brasil, ele ressaltou que a pesquisa não registrou efeitos da crise financeira em 2008: "O mercado começou a sentir mais a crise este ano, quando ocorreu nova compra de livros didáticos."
A preços constantes, isto é, em termos reais, o mercado editorial brasileiro, incluindo o segmento governo, cresceu 0,88% nos últimos quatro anos. Segundo Mendes, esse dado mostra que as editoras tiveram ganhos de eficiência. "Elas estão faturando a mesma coisa nos últimos quatro anos, mas a venda de livros tem aumentado. Por isso, o preço do livro caiu."
O faturamento do mercado editorial brasileiro cresceu 6,56% em 2008 ante 2007, com aumento de 5,64% no número de exemplares vendidos. Foram obtidos R$ 2,43 bilhões com a venda de 211,5 milhões de exemplares. Em 2008, somando as vendas do mercado e do governo, o aumento do faturamento foi de 9,71%. Descontada a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expansão do faturamento no ano passado atingiu 4,9%.
Ao apontar os fatores que contribuíram para essa expansão, Mendes destacou o investimento das editoras em livros mais acessíveis, de bolso e mais bem produzidos, e a visão estratégica de longo prazo do governo federal para a formação de novos leitores. Mendes citou ainda a desoneração de impostos sobre o livro, oficializada em 2004, que permitiu a queda dos preços. Com isso, a base de leitores no Brasil cresceu.
De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2007 pelo Instituto Pró-Livro para a CBL, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Associação Brasileira de Livros, 95,6 milhões de brasileiros (cerca de 55% do total) declararam ter lido um livro nos últimos três meses.
A pesquisa mostrou crescimento no número de leitores no Brasil. A média, que era de de 1,8 livro lido por ano por habitante em 2001, passou para 3,7 livros por habitante/ano. "O preço caiu, as editoras estão atentas à missão de formar mais leitores", destacou Mendes. "Mas ainda há muito o que avançar", disse ele, ao lembrar que, nos países desenvolvidos, a média mínima é de sete livros lidos por habitante por ano.
(Alana Gandra, da Agência Brasil)

Fonte: Lornal da Ciência
Data: 12/08/2009
Link:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65330

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Doutorandos da UFRGS realizam treinamento do Portal de Periódicos.


Bolsistas de doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) participaram, no final de julho, do Programa de Formação de Multiplicadores do Portal de Periódicos (Pró-Multiplicar). O evento aconteceu na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante três dias, os alunos receberam treinamento sobre o uso do Portal. Esse conhecimento deverá ser repassado a outros estudantes da UFRGS, por meio de atividades de multiplicação.

O Pró-Multiplicar foi criado com o objetivo de suprir as demandas por treinamentos no uso do Portal de Periódicos pelas instituições usuárias, além de qualificar e estimular estudantes de pós-graduação a utilizarem a ferramenta nas suas pesquisas. Cada participante recebe formação sobre as diversas bases de dados assinadas pela Capes e se compromete a ensinar pelo menos mais dois colegas que, por sua vez, também atuarão como multiplicadores.

"O importante do Pró-Multiplicar não é apenas o treinamento do estudante de pós-graduação, mas o comprometimento de que ele vai posteriormente transmitir aquelas informações para os seus colegas, multiplicando", explica o pró-reitor de Pós-Graduação da UFRGS, Aldo Bolten Lucion. Para ele, o Portal de Periódicos deve ser visto como um instrumento fundamental para a pesquisa científica de alto nível, "tão importante quanto outros equipamentos de peso que se compra numa universidade como, por exemplo, um microscópio eletrônico ou um espectrofotômetro".
O Pró-Multiplicar permitiu que os participantes conhecessem mais sobre as aplicações do Portal de Periódicos no ensino e na produção acadêmica, que é feita nas instituições de ensino superior. Fabrício Campos, doutorando em Ciências Veterinárias pela UFRGS e participante do Programa, explica que conhecia muito pouco sobre o Portal antes de realizar o treinamento. Para ele a ferramenta vai facilitar no desenvolvimento dos projetos de pesquisa nos quais ele está inserido.
Essa é também a opinião de outra participante do Pró-Multiplicar, a farmacêutica e aluna de doutorado em epidemologia da Faculdade de Medicina da UFRGS, Edyane Cardoso Lopes. Segundo a bolsista, com o treinamento ela descobriu que o Portal de Periódicos também disponibiliza um conjunto relevante de bases de dados contendo informações sobre evidências médicas, que são fundamentais para a sua área de pesquisa. "Eu já conhecia e utilizava o Portal há muito tempo. No entanto, o subutilizava, me restringia à busca de artigos. Após o treinamento, um leque de possibilidade se abriu", afirma.

Já Maitê de Moraes Vieira, que faz doutorado em Zootecnia na UFRGS, explica que o ingresso no Pró-Multiplicar ajudou a mudar a concepção que ela tinha sobre as diferentes interfaces de buscas do Portal. "Navegava com certa dificuldade, pois me parecia uma plataforma pouco amigável. Após a participação no treinamento, consegui entender melhor a proposta do Portal". Ela explica ainda que também foi modificada a sua visão sobre a importância do Portal e o seu potencial como ferramenta de pesquisa. "Tinha uma visão limitada à busca de artigos dentro das revistas presentes no Portal. Depois desse treinamento vejo que estamos literalmente inseridos no mundo científico e, para o nosso país, esse é um investimento tanto na pesquisa quanto no potencial dos pesquisadores".
Multiplicação do conhecimento Maitê conta que, após a realização do Pró-Multiplicar, se sente responsável por repassar a outros pesquisadores o aprendizado adquirido nos treinamentos. Ela pretende multiplicar esse conhecimento no grupo de pesquisa no qual ela está inserida e também nos demais grupos de pós-graduação, respeitando os interesses dos membros e de seus respectivos coordenadores.

Edyane e Fabrício também estão envolvidos em atividades de multiplicação. Edyane está qualificando para o uso do Portal de Periódicos os demais bolsistas que participam do seu projeto de pesquisa sobre o uso de medicamentos entre obesos mórbidos. Ela e Fabrício pretendem ainda planejar, junto com o coordenador do Pró-Multiplicar na UFRGS, José Carlos Germani, e com a equipe de bibliotecárias da instituição, formas de repassar o conhecimento adquirido no treinamento aos demais alunos de graduação e pós-graduação.

Maria Cristina Bürger, bibliotecária da UFRGS, explica que o envolvimento de alunos, professores e biblioteca nas atividades de multiplicação será fundamental para o sucesso do programa. Segundo ela, isso vai permitir que as bibliotecárias identifiquem as maiores dificuldades dos participantes e elaborem ações de capacitação de usuário com enfoque específico nas fragilidades percebidas. "Com a divulgação e capacitação, entre os usuários finais, dos recursos do Portal, os alunos terão a possibilidade de incrementar cada vez mais seus trabalhos. O reflexo de todo esse investimento se dará no resultado de suas pesquisas que serão mais qualificadas, promovendo a projeção da instituição, gerando benefícios à sociedade e contribuindo para o progresso do país".
Publicada por Assessoria de Imprensa da Capes Terça, 11 de Agosto de 2009 11:03

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Polêmica e biblioteconomia espelham obra de Edson Nery da Fonseca.


TERESA CHAVES
Colaboração para a Folha Online

Um pernambucano biblioteconomista, que quase foi militar, monge, e que hoje é considerado um dos maiores especialistas do Brasil na obra do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), o autor de "Casa Grande & Senzala", um dos livros mais importantes da historiografia brasileira. Edson Nery da Fonseca, 88, é tudo isso e um pouco mais.

Ele é formado em Biblioteconomia e apaixonado pela profissão. Uma crônica do escritor Mário de Andrade e um artigo do poeta Carlos Drummond de Andrade o influenciaram a perseguir a carreira e a demonstrar que, contrariamente a todas as piadas ignorantes, um biblioteconomista não é um organizador de estantes. Os dois modernistas descreviam a profissão como um ato de amor, e é assim que ela sempre foi encarada pelo pernambucano.
Hoje, ele é descrito como o mais polêmico autor da biblioteconomia nacional, capaz de criticar com precisão e pertinência até mesmo a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Mas ele fala com propriedade. É graças ao seu trabalho e à sua insistência que Recife ganhou, em 1950, seu primeiro curso de biblioteconomia. Chamado para organizar as bibliotecas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ele convenceu o reitor de que seu trabalho só seria válido se pudesse ser perpetuado depois que ele fosse embora. Uma vez conseguida a autorização, faltava apenas a verba --que continuou em falta. O pernambucano não desistiu.

Ciente dos hábitos de sua terra, escolhia os candidatos a professor e lá se ia, para a casa de cada um, na hora da ceia. Era inescapável. Montou o curso com professores dispostos a ensinar gratuitamente. Foi também um dos fundadores e o primeiro presidente da Comissão de Documentação da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e fundador da Biblioteca Nacional Central da UnB (Universidade de Brasília), na qual é professor emérito desde 1955. Não fez pouco pelos livros e, ativo até hoje, ainda escreve e fala com paixão aos jovens que compartilham o seu prazer por esse objeto.

Ele vive numa casa em Olinda, cidade próxima à Recife, com muitos gatos e 12 mil volumes de livros. É em torno deles que gira a residência e a vida do morador. Dois de seus conterrâneos mais ilustres, Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, foram amigos de Fonseca. O biblioteconomista escreveu livros sobre ambos, além de organizar edições com suas obras; mas especializou-se mesmo no estudo da vida e obra de Freyre, escrevendo biografia e ensaios que são considerados fundamentais em qualquer bibliografia sobre o sociólogo pernambucano.
"Eu não tenho sequer pós-graduação, não tenho mestrado, doutorado, tenho apenas um bacharelado em uma ciência que ninguém leva a sério chamada biblioteconomia. De modo que o que eu tive foi uma grande paixão intelectual por Gilberto Freyre, foi um encantamento pelas originalidades das ideias dele", disse em uma entrevista ao programa da Rádio Universitária em Recife, "Café Colombo".

O homem alto (Tio Gigante, como o chamava o filho de Freyre, Fernando) e de voz grave dedicou sua vida a sistematizar e pensar a produção cultural brasileira, incentivando outros a seguir seu caminho. Escreveu o livro que é considerado hoje a obra mais importante nos estudos de biblioteconomia, e que merece ser lido por qualquer amante de livros: "Introdução à Biblioteconomia" (Briquet de Lemos, 2007). Um de seus textos mais emocionantes está no livro "Ser ou Não Ser Bibliotecário e Outros Manifestos Contra a Rotina" (ABDF, 1988).

Convidado a ser paraninfo de uma turma de conclusão da Escola de Biblioteconomia de Minas Gerais, ele fez de seu discurso uma incitação política à crítica e à insatisfação. Sob o título de "Panorama Crítico da Biblioteconomia Brasileira", o discurso não coloca panos quentes em nenhuma ferida e aponta de forma seca e direta os problemas mais graves das bibliotecas de um país que acha que não tem problemas.

É bela a paixão transmitida nessa crítica, que representa também a ferida do próprio Edson Nery da Fonseca ao ver o descaso que pode representar a destruição de uma cultura pela qual ele tem tanto apreço. "A Biblioteconomia brasileira vai bem? Vai muito bem, dirão os bovaristas e os basbaques. Só que a Biblioteca Nacional --isto é, a mais importante biblioteca de uma nação e, no caso da nossa, graças às coleções trazidas por D. João 6º, a mais rica da América Latina-- está instalada num edifício quase em ruínas, que não comporta mais o seu acervo: fora disso tudo vai bem, porque o Governo construirá outra Biblioteca Nacional em Brasília. (...) Que tal o Plano Piloto? Ah, uma beleza, tudo vai bem. O genial Lúcio Costa tudo previu. Há supermercados, hospitais, igrejas, colégios, quartéis. Há até um ambiente de meia-luz, nas superquadras, para favorecer os namoros. Nem as bancas de revista e jornal foram esquecidas. Mas o genial Lúcio Costa confessou-me que esqueceu por completo as bibliotecas."

Mas não fica nisso, pois o biblioteconomista não hesita em apontar as falhas tremendas da própria formação dos bibliotecários que trabalhavam naqueles ambientes tidos como templos de estudo. "Telefonei para a biblioteca do D.A.S.P. (Departamento Administrativo do Serviço Público), em Brasília, e perguntei se havia alguma edição de "Política", de Aristóteles. "Só o senhor dizendo o sobrenome do autor, respondeu a bibliotecária, 'porque no nosso catálogo os autores aparecem pelos sobrenomes'." É triste, inegavelmente. Mas nada disso impediu Fonseca de se manter ativo na defesa de sua profissão e da construção cultural brasileira.

Ele escolheu dois templos para a sua vida: as bibliotecas e os mosteiros. Pouco afeito ao isolamento monástico, acabou ficando apenas entre as estantes. Ex-oblato do Mosteiro de São Bento de Olinda, falou em um livro sobre a vida nos monastérios. "Sub Specie Aeternitatis" (Arx, 2003), título que veio do livro "Ética" de Bento de Espinosa (1632-1677) e que significa "Sob Um Aspecto da Eternidade", fala sobre claustros do Brasil e sobre a vida que neles se leva. Um oblato é o monge que vive a vida mundana, que permanece fora dos mosteiros. E o livro traz as lembranças de Fonseca sobre seu período entre os monges, salpicadas de histórias, explicações e referências acerca do papel dos monastérios na construção e preservação do conhecimento desde a Idade Média.

Uma obra de um erudito, sem dúvida. Mas é também uma obra de alguém que tem carinho pelo seu passado e respeito por aqueles que o construíram. Uma obra de um pernambucano que, apaixonado por seu país, traçou seu mapa: "Estou limitado ao Norte pela literatura / Ao Sul pela saudade da vida militar / A Leste por Gilberto Freyre / E a Oeste pelo Mosteiro de São Bento." (in 'Interpretação de Edson Nery da Fonseca', Bagaço, 2001). Um homem que construiu, palavra a palavra, seu amor pelos livros e a luta por sua permanência no futuro.

Portal de Periódicos disponibiliza novo conteúdo para avaliação.


Professores, alunos, funcionários e pesquisadores vinculados a instituições participantes do Portal de Periódicos podem consultar conteúdo do Journal of Bone and Joint Surgery.

O periódico está disponível para avaliação na modalidade de Trial.

O Journal of Bone and Joint Surgery é destinado aos usuários da área de medicina, com foco em cirurgia e ortopedia. Podem ser acessadas as versões inglesa British Edition e norte-americana American Edition da revista.

O conteúdo está disponível até o dia 31 de agosto. Comentários e sugestões podem ser enviados para os seguintes e-mails: periodicos@capes.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e adiene@pcgplus.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Se bem avaliado, o conteúdo do Journal of Bone and Joint Surgery pode ser assinado pela Capes.
(Assessoria de Imprensa da Capes)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Já encontra-se disponível o novo número da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação.


Confira o novo número da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, editada pela Unicamp.
Editorial - v.7 - n.1 - jul./dez. 2009 - PDF
Gildenir Carolino Santos e Danielle Thiago Ferreira
artigos

1. O público e a compreensão da informação nos rótulos de alimentos: o caso dos transgênicos
Ariadne Chloe Furnival e Sonia Maria Pinheiro
Resumo

2. Disseminação seletiva da informação: uma abordagem
Thiago Gomes Eirão
Resumo

3. Da filosofia da classificação à classificação bibliográfica
Leiva Nunes e Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo
Resumo

4. Inteligência competitiva: uma proposta de consultoria em biblioteca universitária
Andrea Aparecida Silva
Resumo

5. A utilização da biblioterapia no ensino superior como apoio para a auto-ajuda: implementação de projeto junto aos educandos em fase de processo monográfico
Neiva Dulce Suzart Alves Bahiana
Resumo

6. Uma discussão acerca do conceito de biblioteca comunitária
Elisa Campos Machado
Resumo

7. Software livre e projetos sociais - opções utilizadas como instrumento democratizador na sociedade da informação
Márcia Gorett Ribeiro Grossi, Marlene de Oliveira e Welber Amaro Santos de Souza
Resumo

8. A revolução das tecnologias de informação e comunicação: conseqüências sociais, econômicas e culturais
Lívia Bergo Coelho Ferreira
Resumo

9. O estereótipo e o cientista da informação: quebras ou fortalecimentos
Marcus Vinícius Machado dos Santos e Cleiton José Mannes
Resumo

10. A gestão da informação na educação a distância: descrição de uma experiência de estágio
Fabio Scorsolini-Comin, Felipe José Gameiro, Gabriella Peixoto Monarin e David Forli Inocente
Resumo

11. Classificação em cores: uma metodologia inovadora na organização das bibliotecas escolares do município de Rondonópolis-MT
Mariza Inês da Silva Pinheiro
Resumo

12. Fundación Ludwig de Cuba: pautas de diseño para su sistema de información documental
Yanai Valdés López
Resumo
relatos de experiencias
1. Pesquisadores de Informação em saúde e competência informacional: relato de experiência
Valdinéa Sonia Petinari, Vanda de Fátima Fulgêncio de Oliveira, Rosana Evangelista e Sandra Lúcia Pereira
Resumo

2. Representação descritiva e temática de recursos de informação no sistema agência Embrapa: uso do padrão dublin core
Marcia Izabel Fugisawa Souza e Maria das Dores Rosa Alves

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Estudo Internacional sobre sites de pesquisa científica mostra que Ibict tem o 5º portal mais acessado no Brasil...

Estudo Internacional sobre sites de pesquisa científica mostra que Ibict tem o 5º portal mais acessado no Brasil e o 148º portal mais acessado no mundo.
O Cybermetrics Lab, um grupo de pesquisa pertencente ao Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), o maior organismo público de investigação da Espanha, acaba de divulgar o ranking das 2 mil instituições de pesquisa científica mais acessadas na internet em todo o mundo. O levantamento considerou parâmetros como Size, que significa o número de páginas web recuperadas dos buscadores Google, Yahoo, Live Search e Exalead, a Visibility, que compreende o número total de links de sites externos recebidos (inlinks), os Rich Files, que representa a quantidade de formatos Adobe Acrobat (.pdf), Adobe PostScript (.ps), Microsoft Word (.doc) and Microsoft Powerpoint (.ppt), recuperados pelos buscadores no site considerado, e o Scholar, que considera o número de citações do domínio acadêmico recuperadas pelo Google Scholar.

Entre as 2 mil instituições mais acessadas, o Cybermetrics Lab constatou que 49 instituições ou centros de pesquisa e difusão de ciência e tecnologia brasileiras integram o ranking, ocupando posições de destaque. As dez melhores organizações brasileiras elencadas no ranking do estudo em webmetrics, foram: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (1º no Brasil e 44º no mundo); a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (2º no Brasil e 88º no mundo); a Fundação Oswaldo Cruz (3º no Brasil e 112º no mundo); o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (4º no Brasil e 140º no mundo); o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) (5º no Brasil e 148º no mundo); o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (6º no Brasil e 171º no mundo); o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC) (7º no Brasil e 178º no mundo); o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) (8º no Brasil e 230º no mundo); o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) (9º no Brasil e 233º no mundo) e o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) (10º no Brasil e 235º no mundo).

A liderança do ranking coube aos Estados Unidos. Na verdade, das dez primeiras posições, os centros de pesquisa norte-americanos ocupam sete lugares. Em primeiro lugar, está o National Institutes of Health (EUA), seguido pela NASA (EUA), pelo World Wide Web Consortium (EUA) e pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (EUA). Em quinto lugar, está o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França, seguido pelo US Geological Survey (EUA) e pelo NASA Goddard Space Flight Center (EUA). Em oitavo lugar está o European Organization for Nuclear Research (CERN), um consórcio europeu, seguido pelo Centers for Disease Control and Prevention (EUA), e pelo Max Planck Gesellschaft, da Alemanha.

Cybermetrics Lab

O Cybermetrics Lab é dedicado à análise quantitativa do conteúdo da Web Internet e especialmente àquelas relacionadas com os processos de geração e comunicação de conhecimentos científicos acadêmicos. Esta é uma nova disciplina emergente que tem sido chamado Cybermetrics ou Webometrics.

Usando métodos quantitativos, Cybermetrics Lab aplica indicadores que permitem medir a atividade científica na web. O cybermetric indicadores são úteis para avaliar a ciência e tecnologia, e são o complemento perfeito para os resultados obtidos com métodos bibliométricos em estudos cienciométricos.

Por meio deste ranking, Cybermetrics Lab pretende motivar acadêmicos e instituições que têm presença na web. Se o site de uma instituição tem desempenho abaixo do esperado, de acordo com a sua posição de excelência acadêmica, autoridades deveriam reconsiderar a sua política na web, promovendo um aumento substancial do volume e qualidade das suas publicações eletrônicas.

Mais informações sobre os resultados do ranking você pode encontrar no site http://research.webometrics.info/rank_by_country.asp?country=br

Assessoria de Comunicação Social do Ibict(61) 3217-6369/649103.08.09

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Portal de Periódicos ultrapassa marca dos 15 mil títulos

Ampliação é resultado das novas assinaturas feitas em 2009
O acervo do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) ultrapassou na última semana a marca de 15 mil revistas científicas com artigos em texto completo. O Portal de Periódicos passa a disponibilizar aos usuários 15.475 títulos.
O aumento já havia sido anunciado pelo presidente da Capes, Jorge Guimarães, durante conferência realizada na 61ª Reunião Anual da SBPC, em Manaus, no último dia 15. A ampliação é resultado das novas assinaturas feitas pela Coordenação em 2009.
Uma das novidades foi o acordo realizado entre a Capes e a Wiley-Blackwell (antiga Blackwell), que permitiu aumentar em mais de 400 periódicos a coleção assinada junto à editora norte-americana, passando para 1.243 títulos em todas as áreas do conhecimento. Além disso, a Capes assinou duas novas bases de dados: a Academic Search Premier e a Dentistry & Oral Sciences Source.
A Academic Search Premier é uma base de dados multidisciplinar que conta com mais de 2.500 periódicos em texto completo. Também está disponível referências e resumos de artigos publicados em mais de 8.450 títulos indexados. A coleção inclui as edições retrospectivas (backfiles) em formato PDF de mais de cem periódicos publicados a partir de 1975.
Sérgio Bonecker, professor e pesquisador vinculado o Laboratório Integrado de Zooplâncton e Ictioplâncton da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a abrangência dos periódicos disponibilizados na Academic Search Premier certamente terá impactos positivos no ensino na produção científica das instituições usuárias do Portal.
No caso das pesquisas feitas na sua área de atuação - biologia marinha e a oceanografia - Sérgio citou alguns títulos da nova coleção considerados importantes, como Marine & Freshwater Behaviour & Physiology, Marine Biology Research e Marine Biology Research.
Já a Dentistry & Oral Sciences é destinada a profissionais e pesquisadores da área de Odontologia. A base cobre referências e abstracts de 160 periódicos e de diversos livros eletrônicos, além dos textos completos de 134 revistas científicas direcionadas à pesquisa odontológica.
A Capes tomou a decisão de adquirir as duas novas coleções após avaliações feitas pela comunidade acadêmica, por meio de consultas a pesquisadores e os comentários enviados à Coordenação durante a disponibilização de Trials. Narcisa Amboni, Diretora da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), considera extremamente positiva a política da Capes de trabalhar em conjunto com as instituições usuárias no desenvolvimento do acervo do Portal de Periódicos.
"Quando há o envolvimento da comunidade universitária nessas decisões, há também um comprometimento dessas instituições e, automaticamente, a responsabilidade no uso e divulgação das novas coleções".
O Portal de Periódicos da Capes é uma biblioteca virtual que disponibiliza informações científicas de alta qualidade para mais de 250 instituições de ensino e pesquisa no Brasil. Além de revistas, científicas, o acervo do Portal conta com bases referenciais, patentes, livros, normas, estatísticas e material audiovisual.
(Assessoria de Imprensa da Capes)
Fonte: Jornal da Ciência
Data:03/8/2009
Link:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65114

Biblioteca Apostólica Vaticana reabrirá suas portas em 2010.


Um congresso e uma publicação acompanharão o evento.
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 29 de julho de 2009 (ZENIT.org).-
A Biblioteca Apostólica Vaticana, fechada desde 14 de julho de 2007 para obras de restauração, reabrirá suas portas em 2010, segundo anunciou seu prefeito, Dom Cesare Pasini.

“Passaram-se dois anos, ou seja, dois terços do período de fechamento”, explicou aRádio Vaticano em 26 de julho passado. Por ocasião da reabertura em 2010, “será publicado um primeiro volume da História da Biblioteca Apostólica Vaticana”, anunciou, “acessível a todos os curiosos interessados por uma história como a da biblioteca”.
Também será organizado um congresso “estruturado em dois polos”: em primeiro lugar será apresentada “a biblioteca como lugar de pesquisa”, através de pesquisadores que “explicarão o que fizeram nos últimos 50 ou 60 anos”.

A segunda parte do congresso apresentará “o que é essa biblioteca, de que vive e o que faz”, explicou o prefeito da biblioteca.

Dois anos depois do início das obras de restauração, a biblioteca vaticana desenvolveu vários serviços apesar de seu fechamento: o catálogo online e a reprodução fotográfica dos manuscritos.
A Biblioteca Apostólica Vaticana é uma das mais antigas do mundo. É conhecida sobretudo por suas coleções de manuscritos de todas as épocas. Conserva mais de 1.600.000 livros antigos e modernos, 8.300 incunábulos, mais de 150.000 manuscritos e documentos de arquivos, sem contar 100 mil documentos impressos e fragmentos, 300 mil moedas e medalhas e 20 mil objetos de arte.
A biblioteca conserva preciosos tesouros como o Codex vaticanus, um manuscrito autógrafo de São Tomás de Aquino e as cartas originais de Martinho Lutero.

Em 25 de junho de 2007, pouco antes de seu fechamento, Bento XVI visitou a biblioteca vaticana e a qualificou como uma “casa acolhedora de ciência, de cultura e de humanidade” aberta a todos, onde se conserva precisamente a “síntese entre cultura e fé”.

A biblioteca vaticana recebeu o nome de “apostólica” porque é uma instituição que desde sua fundação é considerada como a “biblioteca do Papa”, já que lhe pertence diretamente.

A era das bibliotecas online.

Projeto reúne acervo global num único site, disponível nas seis línguas oficiais da ONU e em português.
Bruna Tiussu escreve para “O Estado de SP”:
Até o Google deve ter ficado com inveja. Pela primeira vez na história, um projeto pretende reunir num só portal livros, manuscritos, mapas, filmes, fotos e músicas do mundo todo. Como uma Biblioteca de Alexandria – a comparação é inescapável – dos tempos da web, a Biblioteca Digital Mundial (BDM) foi inaugurada em abril, com 5 mil itens. Entre eles estão, por exemplo, raridades como manuscritos científicos árabes, a “Bíblia do Diabo” sueca, do século 13, e a coleção de fotos de d. Pedro II. Tudo original e gratuito. Coordenada pela Biblioteca do Congresso Americano em parceria com a Unesco e a Federação Internacional das Bibliotecas, a BDM está disponível nas seis línguas oficiais da ONU (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo), mais o português. O Brasil participou por meio da Fundação Biblioteca Nacional, que forneceu 1.500 mapas e 1.200 imagens. “Recebemos o convite porque já tínhamos feito projetos com a Unesco e a Biblioteca do Congresso”, diz Liana Amadeo, diretora de Processos Técnicos da fundação.
Segundo Abdelaziz Abid, coordenador da BDM, o portal teve mais de 7 milhões de page views e 600 mil visitantes só no dia da inauguração. “Acervo digital é um fenômeno global. As pessoas querem informações diferentes, disponíveis de forma ágil.
”Para Liana, a época das pesquisas nas enciclopédias já passou. “Esta geração começa a utilizar as bibliotecas digitais. A próxima não vai saber como era possível viver sem.
”Leandro Trindade, de 24 anos, aluno do último semestre de Ciências da Computação da UnB, nunca pisou em uma biblioteca para as pesquisas de sua monografia. “Trabalho principalmente com as bibliotecas digitais internacionais, que na minha área são muitas. Poderia ficar o dia todo falando das vantagens do acervo digital, mas as principais são: ele é portátil, acho o que quero rapidamente e não gasto papel em impressão. A informação tem de ser livre.
”Outro defensor da informação livre, Rafael Silva, de 26, mestrando em Educação na USP, faz download de cinco a dez obras por semana, principalmente do site Domínio Público, criado pelo Ministério da Educação. Ele diz que os sites são vitais, porque a distribuição de livros no País é precária. “Precisei de um livro que estava esgotado desde 1981, tive que ir até Campinas para consultá-lo. E se o exemplar estivesse em Manaus?”
O Domínio Público cadastra cerca de 3 mil obras completas por mês. Segundo José Guilherme Ribeiro, responsável pelo portal, o trabalho é feito em parceria com 12 universidades. “A maioria do material vem digitalizado. A gente faz o trabalho de coletânea e montamos um banco de dados.”
Os projetos de digitalização começaram a surgir no Brasil no início da década, para democratizar o acesso à informação. O acervo digital da Biblioteca do Senado, da Biblioteca Nacional e iniciativas de universidades inspiraram projetos como o da Biblioteca Brasiliana, lançada em junho. Parte do acervo – doado pelo bibliófilo José Mindlin – já está disponível na web. Mas a Brasiliana não se restringe ao virtual. Terá uma sede física na USP, com entrega prevista para 2010.
(Colaborou Ana Bizzotto) (O Estado de SP, 28/7)
Fonte: JC e-mail 3814, de 28 de Julho de 2009

Concorrência beneficia usuários de internet.


Já que o nome do Google virou sinônimo de serviço de busca, poderia parecer uma ousadia tola, ou até mesmo uma futilidade, que um rival tente superá-lo -ainda que esse rival seja a Microsoft. Mesmo assim, é exatamente isso que a maior produtora mundial de software está tentando fazer com o Bing, seu novo serviço de busca.
O Bing foi projetado de maneira a superar as limitações de seu predecessor, o Live Search, e apresentar resultados de busca superiores aos dos concorrentes da Microsoft, entre os quais o Google. A maneira pela qual tenta realizar essa missão é a introdução de uma nova e elegante interface e de uma série de recursos, como o Explorer Pane, que ajudam a definir o Bing e a distingui-lo dos rivais. O Explorer Pane se baseia em tecnologia sensível a contexto.
Por exemplo, se eu escrevo "Canon Digital Rebel" no campo de busca, o Bing tenta prever a informação que estou realmente procurando e abre tabs separadas para compras, reparos e um manual do usuário. Como na mais recente versão do buscador Yahoo!, os criadores do Bing também tentaram se afastar da lista de links que caracteriza a busca do Google e pode não incluir a informação procurada. O Bing tenta melhorar esse aspecto do processo ao incluir um recurso de destaque que revela parte do texto do site localizado quando o usuário passa o cursor por sobre o link.
Ao longo de todo o projeto de busca, os criadores do Bing também tentaram colocar em destaque a informação pela qual o usuário mais provavelmente está procurando. Por exemplo, se a busca foi por "Fedex", o primeiro resultado incluirá um link para o serviço de rastreamento on-line de pacotes da FedEx. Um dos meus recursos favoritos é o sistema reforçado de buscas de vídeo e imagens. O modelo do Bing permite que os usuários procurem por conteúdo em vídeo de provedores específicos. Além disso, os resultados de buscas por vídeos exibem pequenas imagens de tela que se movimentam quando o cursor passa sobre elas.
O outro grande avanço do Bing, e talvez o mais atraente deles, é a introdução de categorias especializadas de buscas para compras e viagens, que podem ser utilizadas diretamente de sua home page. Se o usuário procura por um determinado produto eletrônico, por exemplo, os resultados incluirão comparações de preço, resenhas de usuários recolhidas de diversas fontes na web e outras informações úteis.
O recurso de buscas para viagens é especialmente impressionante, e inclui uma das melhores ferramentas on-line que já vi para comparar preços de passagens aéreas. Em termos gerais, considero que o Bing seja um considerável passo à frente com relação ao Live Search da Microsoft e aos produtos concorrentes do Google e Yahoo!. O Bing talvez ainda não seja capaz de concorrer de igual para igual com o poderio do Google, mas adota uma abordagem nova que pode atrair os usuários gerais, que talvez não tenham experiência em buscas e encontrem dificuldades para procurar entre inúmeros links. Mesmo que o Bing não seja capaz de reduzir a imensa participação de mercado do Google -que no mês passado detinha 82% do mercado mundial e 65% do mercado norte-americano de buscas-, os usuários da internet devem sair beneficiados dessa batalha.
Fonte: New York Times. Data: 30/07/2009.
Autor: Paul Taylor
Tradução: Folha de S. Paulo.