Hoje é possível aproveitar o ciberespaço para visitar e conhecer obras de arte. Galerias virtuais concebidas por museus e outras instituições, já podem ser encontradas na internet.
Criado para contar a vida do pintor o museu Van Gogh tem sua versão 2.0. Isso quer dizer que ele possui facebook, twitter e blog, no caso, adaptado às cartas que Van Gogh trocou em vida com seu irmão Theo, entre outras personalidades.
No Brasil, a Biblioteca Nacional criou uma versão online que possibilita o usuário navegar por manuscritos e impressos, tendo também acesso a obras raras.
No site existe uma rede de memória virtual, que tem como objetivo preservar e disseminar a cultura brasileira.
Confira, abaixo, alguns museus que oferecem passeio virtual
Museu de Arte Moderna de São Paulo
O MAM oferece uma visita virtual completa de fotos, como as de Eder Chiodetto a vídeos como o de Tadeu Jungle. E, é claro, obras de artistas como Cândido Portinari.
Museu Nacional de Arqueologia de Portugal
O site do museu nos permite conhecer todo seu interior, salas e laboratórios, a biblioteca e as coleções do acervo. Um panorama em 306 graus pode ser feito e torna a visita ainda mais interessante.
MUVA, El País- Museo Virtual de Artes
Esse museu é especializado em arte contemporânea uruguaia. Nele é possível fazer um passeio virtual por todas as salas, ampliar as obras e ao mesmo tempo ler biografia do artista e ano que em as obras foram realizadas.
National Gallery of Art
No site oficial da galeria nacional de arte de Washington é possível fazer um tour virtual explorando suas coleções de pintura, escultura, trabalhos em papel, fotografias e arte decorativa. Os guias estão em arquivos de PDF e podem ser baixados em inglês, francês, alemão, italiano e espanhol.
No site, é possível também detalhar o trabalho de um artista específico listado na própria galeria.
The Guggenheim Museum
O site oficial promove sua versão presencial na internet, o Guggenheim Virtual Museum. Com versões em cidades como Nova York, Berlim, Bilbao e Veneza, Abu Dhabi. O museu também oferece visita virtual às exibições temporárias.
Louvre
É possível fazer uma visita através do plano interativo do museu. No site, é possível passear por todas as galerias: antiguidades orientais e antiguidades egípcias, galeria de esculturas, e galeria de pintura e arte medieval.
Museu D´Orsay
Conhecido por suas obras impressionistas, na versão online ele oferece seu acervo comentado e história sobre a instituição. É uma pena que o museu não consiga reproduzir o seu espaço na internet. Uma antiga estação de trem.
Museu de Arte Moderna, MOMA
Na sua versão online é possível ter acesso a coleção da instituição. Na sessão multimídia são apresentados vídeos, estilo making-off, da montagem das exposições. O MOMA também destina para o espaço virtual projetos online, onde é possível interagir com obras famosas e ter aulas com professores especializados no assunto.
Fonte: Catraca Livre
Data: 30/11/2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Disputa entre Microsoft e Google ameaça livre fluxo de informações na Web
Por enquanto ainda é rumor, mas crescem os indícios de que há mesmo uma conversa em curso entre a Microsoft e o império jornalístico News Corporation, controlado pelo magnata Rupert Murdoch, para tentar obrigar o mecanismo de buscas Google a pagar pela indexação de notícias publicadas na imprensa.
Ao que tudo indica a Microsoft e a NewsCorp decidiram que é hora de encurralar a Google numa jogada de alto risco, cujas conseqüências para a internet vão muito além de uma mera guerra entre três das maiores empresas do mundo digital contemporâneo.
Para tentar defender posições estratégicas ameaçadas pelo crescimento constante da Google e pela queda do seu faturamento global, a Microsoft e a News parecem dispostas a criar muros virtuais e sacrificar o principio do livre fluxo de dados, informações e conhecimentos, mantido desde o surgimento da Web, há mais de uma década.
Murdoch, que controla um império jornalístico onde se destacam jornais como o The Wall Street Journal, New York Post (ambos norte-americanos), The Times e The Sun (ingleses), há muito vem insistindo na tese de que o acesso a jornais e revistas online deve ser pago. Ele acusa a Google de “roubar” conteúdos jornalísticos ao indexar notícias que depois são publicadas no site Google News.
Murdoch tem se mostrado cada vez mais irritado e agressivo na defesa de sua tese, ao mesmo tempo em que a Microsoft vê seus lucros caírem por conta do crescimento da Google e da perda de espaço de softwares residentes em computadores para programas disponíveis na Web, a chamada “computação em nuvem”.
As perspectivas sombrias tanto para a News como para a Microsoft criaram o ambiente adequado para uma aproximação onde a empresa criada por Bill Gates oferece à de Murdoch um pagamento para ter a exclusividade na indexação de todos os conteúdos online produzidos pelo império criado pelo milionário australiano naturalizado norte-americano. Hoje a Microsoft é dirigida por Steve Ballmer, depois da aposentadoria de Gates.
A exclusividade de acesso é considerada um pecado mortal pelos criadores da Web que a conceberam como um espaço sem muros para a troca de informações. A Google é no momento uma espécie de paradigma de modelo empresarial bem sucedido financeiramente num ambiente digital, onde os sistemas convencionais de negócios estão mostrando uma série de debilidades.
A possível guerra de gigantes na internet é por dinheiro, mas as conseqüências serão sentidas no âmbito dos princípios e valores. Por isto não é uma disputa qualquer. Dependendo do desenlace, o sonho da livre circulação de informações pela rede pode ser adiado por alguns anos.
Apesar do cacife financeiro da Microsoft e da News ser muito grande, a Google também tem um arsenal respeitável em matéria a conta bancária e de posição no mercado. O mecanismo de buscas controla 65% do mercado enquanto o Bing, da Microsoft tem modestos 9%. Nada menos que 100 mil acessos por minuto são desviados de buscas no Google para os sites de jornais, revistas, rádios e TVs em todo mundo.
Números como este levaram alguns especialistas em buscas, como Danny Sullivan, do site especializado Search Engine Land, a afirmar que o risco de tentar isolar a Google é grande demais e que possivelmente a dupla Mudorch/Ballmer esteja apenas tentando assustá-la. Mas outros estão convencidos de que a perspectiva de lucros declinantes na Microsoft e na News é forte demais para eles estarem blefando.
Murdoch e Ballmer estão desafiando um processo deflagrado pela internet e que está alimentando o crescimento da nova economia digital, baseada na informação como matéria prima mais valorizada. Sem a livre circulação da informação, o ritmo das inovações tende a cair para uma velocidade típica da era industrial e mecânica, o que inviabiliza todo o sistema de produção baseado na automação e computação.
É o chamado conservadorismo digital, que tenta frear o avanço das inovações para manter privilégios. É mais ou menos como se a Olivetti tentasse proibir a fabricação de computadores para manter a sua hegemonia na venda de máquinas de escrever.
Fonte: Observatório da Imprensa
Data: 26/11/2009
Ao que tudo indica a Microsoft e a NewsCorp decidiram que é hora de encurralar a Google numa jogada de alto risco, cujas conseqüências para a internet vão muito além de uma mera guerra entre três das maiores empresas do mundo digital contemporâneo.
Para tentar defender posições estratégicas ameaçadas pelo crescimento constante da Google e pela queda do seu faturamento global, a Microsoft e a News parecem dispostas a criar muros virtuais e sacrificar o principio do livre fluxo de dados, informações e conhecimentos, mantido desde o surgimento da Web, há mais de uma década.
Murdoch, que controla um império jornalístico onde se destacam jornais como o The Wall Street Journal, New York Post (ambos norte-americanos), The Times e The Sun (ingleses), há muito vem insistindo na tese de que o acesso a jornais e revistas online deve ser pago. Ele acusa a Google de “roubar” conteúdos jornalísticos ao indexar notícias que depois são publicadas no site Google News.
Murdoch tem se mostrado cada vez mais irritado e agressivo na defesa de sua tese, ao mesmo tempo em que a Microsoft vê seus lucros caírem por conta do crescimento da Google e da perda de espaço de softwares residentes em computadores para programas disponíveis na Web, a chamada “computação em nuvem”.
As perspectivas sombrias tanto para a News como para a Microsoft criaram o ambiente adequado para uma aproximação onde a empresa criada por Bill Gates oferece à de Murdoch um pagamento para ter a exclusividade na indexação de todos os conteúdos online produzidos pelo império criado pelo milionário australiano naturalizado norte-americano. Hoje a Microsoft é dirigida por Steve Ballmer, depois da aposentadoria de Gates.
A exclusividade de acesso é considerada um pecado mortal pelos criadores da Web que a conceberam como um espaço sem muros para a troca de informações. A Google é no momento uma espécie de paradigma de modelo empresarial bem sucedido financeiramente num ambiente digital, onde os sistemas convencionais de negócios estão mostrando uma série de debilidades.
A possível guerra de gigantes na internet é por dinheiro, mas as conseqüências serão sentidas no âmbito dos princípios e valores. Por isto não é uma disputa qualquer. Dependendo do desenlace, o sonho da livre circulação de informações pela rede pode ser adiado por alguns anos.
Apesar do cacife financeiro da Microsoft e da News ser muito grande, a Google também tem um arsenal respeitável em matéria a conta bancária e de posição no mercado. O mecanismo de buscas controla 65% do mercado enquanto o Bing, da Microsoft tem modestos 9%. Nada menos que 100 mil acessos por minuto são desviados de buscas no Google para os sites de jornais, revistas, rádios e TVs em todo mundo.
Números como este levaram alguns especialistas em buscas, como Danny Sullivan, do site especializado Search Engine Land, a afirmar que o risco de tentar isolar a Google é grande demais e que possivelmente a dupla Mudorch/Ballmer esteja apenas tentando assustá-la. Mas outros estão convencidos de que a perspectiva de lucros declinantes na Microsoft e na News é forte demais para eles estarem blefando.
Murdoch e Ballmer estão desafiando um processo deflagrado pela internet e que está alimentando o crescimento da nova economia digital, baseada na informação como matéria prima mais valorizada. Sem a livre circulação da informação, o ritmo das inovações tende a cair para uma velocidade típica da era industrial e mecânica, o que inviabiliza todo o sistema de produção baseado na automação e computação.
É o chamado conservadorismo digital, que tenta frear o avanço das inovações para manter privilégios. É mais ou menos como se a Olivetti tentasse proibir a fabricação de computadores para manter a sua hegemonia na venda de máquinas de escrever.
Fonte: Observatório da Imprensa
Data: 26/11/2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
''A construção do conhecimento é um processo colaborativo''. Entrevista especial com Ladislau Dowbor
Segundo o economista, a reação de tentar travar o acesso ao conhecimento, principalmente com as oportunidades que a Internet disponibilizou para tal ação, é compreensível. “Quando surgiu o cinema, diziam que ia matar o teatro; quando surgiu a televisão, disseram que ia matar o cinema, e assim por diante”. Ladislau Dowdor, que concedeu à IHU On-Line, por telefone, a entrevista a seguir, falou sobre a economia do conhecimento e as transformações que ela traz para as relações, para a política e, claro, para a própria economia. “Na realidade, acho que não há prejuízo necessário. A densidade do conhecimento está aumentando no planeta, e a venda de livros continua aumentando”, opinou. “O que é absurdo em termos econômicos é as pessoas registrarem uma ideia e ficar vivendo de um pedágio sobre ela, quando o que interessa para o resto da humanidade é que o máximo de gente possível tenha acesso”, continuou.
Ladislau Dowdor é graduado em Economia Política pela Université de Lausanne (Suíça), com especialização em Planificação Nacional pela Escola Superior de Estatística e Planejamento, onde fez o mestrado em Economia Social e doutorado em Ciências Econômicas. Atualmente, é professor na PUC-SP.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que marca essa passagem da Propriedade Intelectual para a Economia do Conhecimento?
Ladislau Dowbor – O debate da propriedade intelectual é, em grande parte, um debate jurídico em torno dos produtos criativos a quem pertencem e como devem ser remunerados. O que proponho é ver isso de maneira bem mais ampla no quadro da sociedade do conhecimento. Hoje, quando se compra um produto por cem reais, por exemplo, como ordem de grandeza, 75% do que se paga não é o bem físico em si, mas o conhecimento incorporado. Ou seja, a criação de valor hoje está centrada dominantemente no conhecimento incorporado aos bens. Isto muda profundamente todo o conceito de produção econômica, pois, no século XX, os bens eram essencialmente físicos, e se eu passasse um produto físico para alguém, eu deixaria de tê-lo, portanto é um bem rival, a propriedade é essencial. Quando eu passo um conhecimento para uma pessoa, eu não o perco. A economia se chama “bem não rival”. É um bem cujo consumo não reduz o estoque, pelo contrário, quanto mais o conhecimento circula, mais toda a sociedade enriquece. Isto leva a uma necessidade de se repensar o próprio conceito de propriedade intelectual, porque os bens criativos se regem por leis diferentes do que os bens físicos.
IHU On-Line – Que tipo de prejuízos o copyright nos traz hoje?
Ladislau Dowbor – Os prejuízos são de diversos tipos. Pense no seguinte: no mundo da educação, "No mundo da educação, somando alunos, professores e administradores, são 60 milhões de pessoas no Brasil, é quase um terço da população do país. Estamos dedicando imensos esforços para formar uma geração com capacidade de “navegar” na sociedade do conhecimento."
somando alunos, professores e administradores, são 60 milhões de pessoas no Brasil, é quase um terço da população do país. Estamos dedicando imensos esforços para formar uma geração com capacidade de “navegar” na sociedade do conhecimento. Na universidade onde trabalho, e em outras também, o acesso aos livros é extremamente complicado, tanto pelo preço como pelas dificuldades das bibliotecas. O que acabamos fazendo é autorizar a cópia de um capítulo de um livro. Isso é pré-história. O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), principal centro de pesquisa norte-americano, elaborou o que se chama Open Courseware, onde todo o material científico dos professores é disponibilizado gratuitamente on-line para todos os alunos. É profundamente contraditório ter gigantescos investimentos no mundo da educação e, ao mesmo tempo, dificultar o acesso aos textos científicos, aumentando a necessidade de um aluno comprar os livros. O GPOPAI, um núcleo de pesquisa da USP leste, com Pablo Ortellado e outros, calculou que, por ciclo letivo, os alunos teriam que gastar R$ 3.800,00 em livros, mas 80% dos alunos são de famílias com menos de cinco salários mínimos. Isto não vai acontecer.
De certa maneira, temos que pensar o seguinte: quem produz os conteúdos, ou seja, quem é autor com direito autoral, recebe muito pouco neste processo. Quem, efetivamente, recebe o dinheiro são empresas que controlam a intermediação ao fornecer a base material desse conhecimento, que pode ser um livro, um DVD, um disco, entre outros. Agora, com as novas tecnologias, isso não é mais necessário, porque o acesso on-line ao conhecimento é perfeitamente possível. É normal que essas editoras cobrem por seus livros, mas não devem proibir as outras formas de acesso. Quando muita gente gosta de um livro, o compra, mas a proibição em torno do copyright, pirataria, e coisas do gênero, trava imensamente a liberdade de acesso e de criação do mundo da educação. Digamos que para assegurar um volume relativamente limitado de lucros de intermediários, gera-se um prejuízo imenso em termos de acesso ao conhecimento por parte da população.
Outro eixo que está sendo muito discutido hoje, inclusive para a Conferência de Copenhage, é que não podemos enfrentar o aquecimento global e os dramas da mudança do paradigma energético produtivo do planeta, sem generalizar o acesso às tecnologias limpas. 97% das patentes são propriedade de países desenvolvidos, e elas nem sempre criaram seus conhecimentos, mas têm poderosos grupos que trabalham com o registro de todo e qualquer conhecimento no planeta. O resultado disso é uma dependência de todo o planeta sobre os países desenvolvidos e seu controle de patentes. As Nações Unidas, em seu último relatório da situação social e econômica do planeta, chamado World Economic and Social Survey 2009, propõem a flexibilização radical de patentes copyright, royalties etc. para generalizar o uso das tecnologias limpas. Outro eixo onde há um desequilíbrio radical é entre os que colocam pedágios e querem ganhar sobre estes conhecimentos, muito frequentemente desenvolvidos por terceiros.
Um exemplo muito importante é na área farmacêutica. Temos um travamento do acesso à produção dos chamados coquetéis para enfrentar a AIDS. Temos 25 milhões de pessoas que morreram da doença, 36 milhões de pessoas infectadas e um grupo limitadíssimo de pessoas que têm acesso aos medicamentos, pois os grandes grupos farmacêuticos, a chamada big farma, travam essa produção nos países de terceiro "hoje é fácil generalizar conhecimentos, e isso se torna uma imensa oportunidade de desenvolvimento do planeta e de redução das desigualdades"
mundo, alegando que estariam infringindo os seus direitos de propriedade intelectual. Isto tem uma dimensão ética, e é óbvio que se trata de uma tragédia planetária. É também uma tragédia econômica, pois, para assegurar os lucros de alguns grandes grupos multinacionais, e essencialmente de investidores financeiros, estamos reduzindo dramaticamente a produtividade de grande parte das populações afetadas pela AIDS. O que está havendo é que a tecnologia evoluiu muito, hoje é fácil generalizar conhecimentos, e isso se torna uma imensa oportunidade de desenvolvimento do planeta e de redução das desigualdades. Isso está sendo travado por grupos que se reapropriam do conhecimento e utilizam leis do século passado, na linha da propriedade, como se fossem bens físicos, e não é. Para o conhecimento as ideias, tem que se circular no planeta de maneira livre.
IHU On-Line – O compartilhamento de informações que antes não tínhamos acesso é algo mais natural hoje. No entanto, há batalhas empresariais em torno do título de donos do conhecimento. De que forma a economia do conhecimento muda nossa relação com o processo econômico?
Ladislau Dowbor – A reação de tentar travar o acesso é compreensível, porque sempre houve essa atitude. Quando surgiu o cinema, diziam que ia matar o teatro; quando surgiu a televisão, disseram que ia matar o cinema, e assim por diante. Agora que acham que as pessoas têm acesso ao conhecimento on-line, o que vão fazer os proprietários de empresas que asseguram a antiga base material que era necessária? Na realidade, acho que não há prejuízo necessário. A densidade do conhecimento está aumentando no planeta, e a venda de livros continua aumentando, apesar de o estoque de livros disponíveis on-line estar aumentando radicalmente. Eu, quando gosto de um livro, o compro. O próprio Paulo Coelho decidiu que é honesto uma pessoa poder ler o seu livro on-line, e ver se gosta mesmo, para comprá-lo. Há um processo de adaptação que é necessário. O que é absurdo em termos econômicos é as pessoas registrarem uma ideia e ficar vivendo de um pedágio sobre ela, quando o que interessa para o resto da humanidade é que o máximo de gente possível tenha acesso.
É natural se assegurar a remuneração de uma pessoa que cria um determinado conhecimento, isso é um elemento importante, mas não deve se tornar uma apropriação indefinida e, sobretudo, não de intermediários que criam muito pouco. A quase totalidade dos copyrights e patentes é de pessoas que compram empresas, ou de editoras que se apropriam do copyright da editora, e não do autor. Se olharmos o quanto se remunera os artistas pelos grandes selos, é lamentável. É só perguntar para o Lobão, Gilberto Gil e outros, para ver como isso se dá. Não se trata de propriedade de autores, mas da propriedade de grupos de advogados que aconselham a apropriação desses direitos. Na realidade, algumas coisas são óbvias. O uso não comercial individual do conhecimento e dos bens culturais devem ser simplesmente liberados, pois isso pode circular em todo o planeta pela Internet, e pode enriquecer a todos. Outro ponto que devemos entender é que os pontos onde se faz dinheiro estão se deslocando.
Por exemplo, eu disponibilizo on-line toda a minha produção científica, e isso não estará reduzindo a renda dos meus livros, pelo contrário. Mas se uma pessoa lê um livro on-line e não comprou na livraria, que seja de bom proveito para ela que está aumentando sua cultura. E mais: meus livros ficam sendo mais conhecidos, com isso, recebo convites para palestras. Não preciso ganhar dinheiro com tudo o que eu faço. De certa maneira, desloca-se o ponto onde você assegura sua remuneração. Eu posso ganhar dinheiro com palestras, e já tenho meu salário de professor da PUC. E professor de pós-graduação não significa só dar aula, é também produção científica, ou seja, eu já estou sendo pago por isso. Assim, é também questão de bom senso que deve imperar.
IHU On-Line – O senhor pode nos explicar como a economia do conhecimento pode gerar uma nova divisão do trabalho?
Ladislau Dowbor – A construção do conhecimento é um processo colaborativo. As pessoas imaginam que "No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos."
uma grande corporação chega, faz grandes investimentos, laboratórios etc. Na realidade, o planeta está numa fase de explosão tecnológica impressionante, e todos aproveitam os avanços dos outros. Todo mundo aproveita o WWW para comunicar, para facilitar o trabalho cooperativo entre centros de pesquisa. A web é um consórcio não governamental e sem fins lucrativos, todo mundo navega em cima disso. Agora, uma empresa se apropriar disso e afirmar que controla o produto final que aproveitou todos esses processos colaborativos, obtendo lucro sobre isso, é lamentável. A reorientação geral que está se dando é que mesmo as empresas estão descobrindo que o que elas chamam de colaboração em massa é mais produtivo do que a forma tradicional de trancar seus conhecimentos e protegê-los com advogados e coisas do gênero. No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos.
IHU On-Line – Depois dessa crise financeira mundial, que lições podemos tirar da economia da colaboração?
Ladislau Dowbor – Uma coisa é bastante evidente, cada núcleo de especulação, como os grandes bancos – Citybank, o Lehman Brothers e outros –, fazia seus cálculos de risco e trancava essas informações. Nem o banco central estadunidense ou europeu tinha acesso à visão de conjunto, cada um fecha as suas informações. Resultado: cada banco calculava na situação atual e, assim, todos ficavam com a alavancagem superior à sustentável. Então, quando um quebra, todos quebram de repente, porque todos estavam no limite, todos pensando que o sistema estava bem. Na área financeira, não termos uma visão sistêmica de como anda a alocação de recursos é mortal e nos leva a essa série de crises e desorganização econômico-financeira. Agora, eles conseguiram sair do buraco porque se transferiu uma fabula de recursos públicos para o bolso dos especuladores. Isso se transforma num déficit pelo qual pagamos juros com impostos para os mesmos bolsos. A realidade básica é o seguinte: tanto a dimensão do conhecimento de toda a produção e o fato de serem bens não rivais quanto às novas tecnologias de comunicação que permitem que todo mundo se conecte uns aos outros estão gerando um novo ambiente de negócios que precisa de novas regras.
Fonte: IHU
Data: 27/11/2009
Ladislau Dowdor é graduado em Economia Política pela Université de Lausanne (Suíça), com especialização em Planificação Nacional pela Escola Superior de Estatística e Planejamento, onde fez o mestrado em Economia Social e doutorado em Ciências Econômicas. Atualmente, é professor na PUC-SP.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que marca essa passagem da Propriedade Intelectual para a Economia do Conhecimento?
Ladislau Dowbor – O debate da propriedade intelectual é, em grande parte, um debate jurídico em torno dos produtos criativos a quem pertencem e como devem ser remunerados. O que proponho é ver isso de maneira bem mais ampla no quadro da sociedade do conhecimento. Hoje, quando se compra um produto por cem reais, por exemplo, como ordem de grandeza, 75% do que se paga não é o bem físico em si, mas o conhecimento incorporado. Ou seja, a criação de valor hoje está centrada dominantemente no conhecimento incorporado aos bens. Isto muda profundamente todo o conceito de produção econômica, pois, no século XX, os bens eram essencialmente físicos, e se eu passasse um produto físico para alguém, eu deixaria de tê-lo, portanto é um bem rival, a propriedade é essencial. Quando eu passo um conhecimento para uma pessoa, eu não o perco. A economia se chama “bem não rival”. É um bem cujo consumo não reduz o estoque, pelo contrário, quanto mais o conhecimento circula, mais toda a sociedade enriquece. Isto leva a uma necessidade de se repensar o próprio conceito de propriedade intelectual, porque os bens criativos se regem por leis diferentes do que os bens físicos.
IHU On-Line – Que tipo de prejuízos o copyright nos traz hoje?
Ladislau Dowbor – Os prejuízos são de diversos tipos. Pense no seguinte: no mundo da educação, "No mundo da educação, somando alunos, professores e administradores, são 60 milhões de pessoas no Brasil, é quase um terço da população do país. Estamos dedicando imensos esforços para formar uma geração com capacidade de “navegar” na sociedade do conhecimento."
somando alunos, professores e administradores, são 60 milhões de pessoas no Brasil, é quase um terço da população do país. Estamos dedicando imensos esforços para formar uma geração com capacidade de “navegar” na sociedade do conhecimento. Na universidade onde trabalho, e em outras também, o acesso aos livros é extremamente complicado, tanto pelo preço como pelas dificuldades das bibliotecas. O que acabamos fazendo é autorizar a cópia de um capítulo de um livro. Isso é pré-história. O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), principal centro de pesquisa norte-americano, elaborou o que se chama Open Courseware, onde todo o material científico dos professores é disponibilizado gratuitamente on-line para todos os alunos. É profundamente contraditório ter gigantescos investimentos no mundo da educação e, ao mesmo tempo, dificultar o acesso aos textos científicos, aumentando a necessidade de um aluno comprar os livros. O GPOPAI, um núcleo de pesquisa da USP leste, com Pablo Ortellado e outros, calculou que, por ciclo letivo, os alunos teriam que gastar R$ 3.800,00 em livros, mas 80% dos alunos são de famílias com menos de cinco salários mínimos. Isto não vai acontecer.
De certa maneira, temos que pensar o seguinte: quem produz os conteúdos, ou seja, quem é autor com direito autoral, recebe muito pouco neste processo. Quem, efetivamente, recebe o dinheiro são empresas que controlam a intermediação ao fornecer a base material desse conhecimento, que pode ser um livro, um DVD, um disco, entre outros. Agora, com as novas tecnologias, isso não é mais necessário, porque o acesso on-line ao conhecimento é perfeitamente possível. É normal que essas editoras cobrem por seus livros, mas não devem proibir as outras formas de acesso. Quando muita gente gosta de um livro, o compra, mas a proibição em torno do copyright, pirataria, e coisas do gênero, trava imensamente a liberdade de acesso e de criação do mundo da educação. Digamos que para assegurar um volume relativamente limitado de lucros de intermediários, gera-se um prejuízo imenso em termos de acesso ao conhecimento por parte da população.
Outro eixo que está sendo muito discutido hoje, inclusive para a Conferência de Copenhage, é que não podemos enfrentar o aquecimento global e os dramas da mudança do paradigma energético produtivo do planeta, sem generalizar o acesso às tecnologias limpas. 97% das patentes são propriedade de países desenvolvidos, e elas nem sempre criaram seus conhecimentos, mas têm poderosos grupos que trabalham com o registro de todo e qualquer conhecimento no planeta. O resultado disso é uma dependência de todo o planeta sobre os países desenvolvidos e seu controle de patentes. As Nações Unidas, em seu último relatório da situação social e econômica do planeta, chamado World Economic and Social Survey 2009, propõem a flexibilização radical de patentes copyright, royalties etc. para generalizar o uso das tecnologias limpas. Outro eixo onde há um desequilíbrio radical é entre os que colocam pedágios e querem ganhar sobre estes conhecimentos, muito frequentemente desenvolvidos por terceiros.
Um exemplo muito importante é na área farmacêutica. Temos um travamento do acesso à produção dos chamados coquetéis para enfrentar a AIDS. Temos 25 milhões de pessoas que morreram da doença, 36 milhões de pessoas infectadas e um grupo limitadíssimo de pessoas que têm acesso aos medicamentos, pois os grandes grupos farmacêuticos, a chamada big farma, travam essa produção nos países de terceiro "hoje é fácil generalizar conhecimentos, e isso se torna uma imensa oportunidade de desenvolvimento do planeta e de redução das desigualdades"
mundo, alegando que estariam infringindo os seus direitos de propriedade intelectual. Isto tem uma dimensão ética, e é óbvio que se trata de uma tragédia planetária. É também uma tragédia econômica, pois, para assegurar os lucros de alguns grandes grupos multinacionais, e essencialmente de investidores financeiros, estamos reduzindo dramaticamente a produtividade de grande parte das populações afetadas pela AIDS. O que está havendo é que a tecnologia evoluiu muito, hoje é fácil generalizar conhecimentos, e isso se torna uma imensa oportunidade de desenvolvimento do planeta e de redução das desigualdades. Isso está sendo travado por grupos que se reapropriam do conhecimento e utilizam leis do século passado, na linha da propriedade, como se fossem bens físicos, e não é. Para o conhecimento as ideias, tem que se circular no planeta de maneira livre.
IHU On-Line – O compartilhamento de informações que antes não tínhamos acesso é algo mais natural hoje. No entanto, há batalhas empresariais em torno do título de donos do conhecimento. De que forma a economia do conhecimento muda nossa relação com o processo econômico?
Ladislau Dowbor – A reação de tentar travar o acesso é compreensível, porque sempre houve essa atitude. Quando surgiu o cinema, diziam que ia matar o teatro; quando surgiu a televisão, disseram que ia matar o cinema, e assim por diante. Agora que acham que as pessoas têm acesso ao conhecimento on-line, o que vão fazer os proprietários de empresas que asseguram a antiga base material que era necessária? Na realidade, acho que não há prejuízo necessário. A densidade do conhecimento está aumentando no planeta, e a venda de livros continua aumentando, apesar de o estoque de livros disponíveis on-line estar aumentando radicalmente. Eu, quando gosto de um livro, o compro. O próprio Paulo Coelho decidiu que é honesto uma pessoa poder ler o seu livro on-line, e ver se gosta mesmo, para comprá-lo. Há um processo de adaptação que é necessário. O que é absurdo em termos econômicos é as pessoas registrarem uma ideia e ficar vivendo de um pedágio sobre ela, quando o que interessa para o resto da humanidade é que o máximo de gente possível tenha acesso.
É natural se assegurar a remuneração de uma pessoa que cria um determinado conhecimento, isso é um elemento importante, mas não deve se tornar uma apropriação indefinida e, sobretudo, não de intermediários que criam muito pouco. A quase totalidade dos copyrights e patentes é de pessoas que compram empresas, ou de editoras que se apropriam do copyright da editora, e não do autor. Se olharmos o quanto se remunera os artistas pelos grandes selos, é lamentável. É só perguntar para o Lobão, Gilberto Gil e outros, para ver como isso se dá. Não se trata de propriedade de autores, mas da propriedade de grupos de advogados que aconselham a apropriação desses direitos. Na realidade, algumas coisas são óbvias. O uso não comercial individual do conhecimento e dos bens culturais devem ser simplesmente liberados, pois isso pode circular em todo o planeta pela Internet, e pode enriquecer a todos. Outro ponto que devemos entender é que os pontos onde se faz dinheiro estão se deslocando.
Por exemplo, eu disponibilizo on-line toda a minha produção científica, e isso não estará reduzindo a renda dos meus livros, pelo contrário. Mas se uma pessoa lê um livro on-line e não comprou na livraria, que seja de bom proveito para ela que está aumentando sua cultura. E mais: meus livros ficam sendo mais conhecidos, com isso, recebo convites para palestras. Não preciso ganhar dinheiro com tudo o que eu faço. De certa maneira, desloca-se o ponto onde você assegura sua remuneração. Eu posso ganhar dinheiro com palestras, e já tenho meu salário de professor da PUC. E professor de pós-graduação não significa só dar aula, é também produção científica, ou seja, eu já estou sendo pago por isso. Assim, é também questão de bom senso que deve imperar.
IHU On-Line – O senhor pode nos explicar como a economia do conhecimento pode gerar uma nova divisão do trabalho?
Ladislau Dowbor – A construção do conhecimento é um processo colaborativo. As pessoas imaginam que "No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos."
uma grande corporação chega, faz grandes investimentos, laboratórios etc. Na realidade, o planeta está numa fase de explosão tecnológica impressionante, e todos aproveitam os avanços dos outros. Todo mundo aproveita o WWW para comunicar, para facilitar o trabalho cooperativo entre centros de pesquisa. A web é um consórcio não governamental e sem fins lucrativos, todo mundo navega em cima disso. Agora, uma empresa se apropriar disso e afirmar que controla o produto final que aproveitou todos esses processos colaborativos, obtendo lucro sobre isso, é lamentável. A reorientação geral que está se dando é que mesmo as empresas estão descobrindo que o que elas chamam de colaboração em massa é mais produtivo do que a forma tradicional de trancar seus conhecimentos e protegê-los com advogados e coisas do gênero. No quadro de bens não rivais, como o conhecimento, quanto mais ele circula, mas todos podem avançar com conhecimentos novos.
IHU On-Line – Depois dessa crise financeira mundial, que lições podemos tirar da economia da colaboração?
Ladislau Dowbor – Uma coisa é bastante evidente, cada núcleo de especulação, como os grandes bancos – Citybank, o Lehman Brothers e outros –, fazia seus cálculos de risco e trancava essas informações. Nem o banco central estadunidense ou europeu tinha acesso à visão de conjunto, cada um fecha as suas informações. Resultado: cada banco calculava na situação atual e, assim, todos ficavam com a alavancagem superior à sustentável. Então, quando um quebra, todos quebram de repente, porque todos estavam no limite, todos pensando que o sistema estava bem. Na área financeira, não termos uma visão sistêmica de como anda a alocação de recursos é mortal e nos leva a essa série de crises e desorganização econômico-financeira. Agora, eles conseguiram sair do buraco porque se transferiu uma fabula de recursos públicos para o bolso dos especuladores. Isso se transforma num déficit pelo qual pagamos juros com impostos para os mesmos bolsos. A realidade básica é o seguinte: tanto a dimensão do conhecimento de toda a produção e o fato de serem bens não rivais quanto às novas tecnologias de comunicação que permitem que todo mundo se conecte uns aos outros estão gerando um novo ambiente de negócios que precisa de novas regras.
Fonte: IHU
Data: 27/11/2009
Entrevista com o cientista Jefferson Simões: o homem do gelo
O cientista e explorador polar, Jefferson Simões, liderou a primeira expedição brasileira ao interior do continente antártico. Além de professor no Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, é coordenador-geral do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera
Dante Grecco
Revista National Geographic – 12/2009
Para Jefferson Cardia Simões, este Natal será bem diferente do de 2008. Ele poderá estar no aconchego de sua casa em Porto Alegre, ao lado da mulher, Ingrid, e dos filhos Felipe, de 22 anos, e Carolina, de 20. “No ano passado, eu estava ao lado de outros sete pesquisadores, ao redor de um pequeno fogão, no interior de uma barraca, à temperatura de 8 graus negativos, a mil quilômetros do polo Sul geográfico. Sorte que havia um bom vinho chileno para esquentar”, lembra-se ele.
Desde 1990, Simões já esteve na Antártica 17 vezes. Essa última investida, porém, foi especial: entre 1o de dezembro de 2008 e 13 de janeiro deste ano, liderou a expedição Deserto de Cristal, a primeira incursão nacional ao interior do continente antártico. Cientista com doutorado no Instituto de Pesquisa Polar Scott da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Simões, de 51 anos, é o primeiro brasileiro a especializar-se em glaciologia, a ciência do gelo em todas as suas formas e seu papel no sistema ambiental.
Qual foi o principal objetivo da expedição Deserto de Cristal?
Fomos à Antártica para, entre outros objetivos, obter o que chamamos de testemunho de gelo. Trata-se de cilindros que têm entre 5 e 10 centímetros de diâmetro retirados do manto de gelo antártico. Conseguimos extrair um testemunho de 95 metros de profundidade que revela a história da precipitação química da atmosfera dos últimos 250 anos. Com isso, podemos entender melhor os processos de mudanças globais no clima.
O que esses indícios de gelo antigo revelam?
Muita coisa. Eles nos contam o que aconteceu na atmosfera terrestre ao longo das últimas centenas ou milhares de anos. Os testemunhos são retirados de geleiras e mantos de gelo formados pela neve que se acumulou em camadas horizontais. Ao cair, a neve carrega consigo inúmeras impurezas presentes na atmosfera. Em seguida, devido à pressão das camadas depositadas posteriormente, a neve se transforma em gelo.
Assim, a composição química da atmosfera daquele período fica preservada. Ao se perfurar os poços no gelo, podemos analisar as impurezas e os gases ali contidos e obter inúmeros relatos ambientais ocorridos ao longo do tempo. Entre outros dados, conseguimos olhar para trás e verificar as atividades vulcânicas da Terra, descobrir fontes terrestres de poeira, comprovar a extensão de mares congelados, investigar atividades biológicas terrestres e marinhas e determinar as variações da temperatura da atmosfera. Por meio desses estudos, por exemplo, os cientistas determinaram, desde o início da Revolução Industrial, um aumento de 36% na concentração de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. As atuais concentrações desse gás são as maiores ao longo dos últimos 800 mil anos.
Qual o testemunho mais antigo?
Franceses e italianos extraíram um na Antártica que tem cerca de 800 mil anos. Nos próximos dez anos, o grande desafio é atingir um gelo de 1,5 milhão de anos. No total, foram 44 dias no continente antártico, 16 deles no acampamento avançado, um lugar remoto, a 80 graus de latitude sul.
O que se sente num local tão isolado e frio?
A temperatura mais baixa foi de 28 graus negativos. Mas, devido às fortes rajadas de vento, a sensação térmica era de 40 graus negativos.
Extraído de
Revista National Geographic – 12/2009
Fonte: Portal do CNPQ
Data:26/11/2009
Dante Grecco
Revista National Geographic – 12/2009
Para Jefferson Cardia Simões, este Natal será bem diferente do de 2008. Ele poderá estar no aconchego de sua casa em Porto Alegre, ao lado da mulher, Ingrid, e dos filhos Felipe, de 22 anos, e Carolina, de 20. “No ano passado, eu estava ao lado de outros sete pesquisadores, ao redor de um pequeno fogão, no interior de uma barraca, à temperatura de 8 graus negativos, a mil quilômetros do polo Sul geográfico. Sorte que havia um bom vinho chileno para esquentar”, lembra-se ele.
Desde 1990, Simões já esteve na Antártica 17 vezes. Essa última investida, porém, foi especial: entre 1o de dezembro de 2008 e 13 de janeiro deste ano, liderou a expedição Deserto de Cristal, a primeira incursão nacional ao interior do continente antártico. Cientista com doutorado no Instituto de Pesquisa Polar Scott da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Simões, de 51 anos, é o primeiro brasileiro a especializar-se em glaciologia, a ciência do gelo em todas as suas formas e seu papel no sistema ambiental.
Qual foi o principal objetivo da expedição Deserto de Cristal?
Fomos à Antártica para, entre outros objetivos, obter o que chamamos de testemunho de gelo. Trata-se de cilindros que têm entre 5 e 10 centímetros de diâmetro retirados do manto de gelo antártico. Conseguimos extrair um testemunho de 95 metros de profundidade que revela a história da precipitação química da atmosfera dos últimos 250 anos. Com isso, podemos entender melhor os processos de mudanças globais no clima.
O que esses indícios de gelo antigo revelam?
Muita coisa. Eles nos contam o que aconteceu na atmosfera terrestre ao longo das últimas centenas ou milhares de anos. Os testemunhos são retirados de geleiras e mantos de gelo formados pela neve que se acumulou em camadas horizontais. Ao cair, a neve carrega consigo inúmeras impurezas presentes na atmosfera. Em seguida, devido à pressão das camadas depositadas posteriormente, a neve se transforma em gelo.
Assim, a composição química da atmosfera daquele período fica preservada. Ao se perfurar os poços no gelo, podemos analisar as impurezas e os gases ali contidos e obter inúmeros relatos ambientais ocorridos ao longo do tempo. Entre outros dados, conseguimos olhar para trás e verificar as atividades vulcânicas da Terra, descobrir fontes terrestres de poeira, comprovar a extensão de mares congelados, investigar atividades biológicas terrestres e marinhas e determinar as variações da temperatura da atmosfera. Por meio desses estudos, por exemplo, os cientistas determinaram, desde o início da Revolução Industrial, um aumento de 36% na concentração de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. As atuais concentrações desse gás são as maiores ao longo dos últimos 800 mil anos.
Qual o testemunho mais antigo?
Franceses e italianos extraíram um na Antártica que tem cerca de 800 mil anos. Nos próximos dez anos, o grande desafio é atingir um gelo de 1,5 milhão de anos. No total, foram 44 dias no continente antártico, 16 deles no acampamento avançado, um lugar remoto, a 80 graus de latitude sul.
O que se sente num local tão isolado e frio?
A temperatura mais baixa foi de 28 graus negativos. Mas, devido às fortes rajadas de vento, a sensação térmica era de 40 graus negativos.
Extraído de
Revista National Geographic – 12/2009
Fonte: Portal do CNPQ
Data:26/11/2009
Palestras sobre segurança na internet têm transmissão ao vivo
Com o objetivo de conscientizar os usuários de computadores sobre segurança na internet, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCT) e o Observatório Nacional (ON/MCT) transmitem via internet uma série de palestras sobre segurança nas redes sociais, no próximo dia 2 de dezembro.
O evento, Segurança nas Redes Sociais, é realizado pelo Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (Cais/RNP), aproveitando as comemorações do Dia Internacional de Segurança em Informática (Disi).
As palestras serão na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde advogados, engenheiros em computação, psicólogos e especialistas em sistema da informação falarão sobre Crimes Digitais e Redes Sociais - Reflexos da inclusão digital sem conscientização; Tudo o que você precisa saber sobre segurança em redes sociais; Desafios na promoção do uso ético e responsável da Internet no Brasil e Redes sociais nas empresas. Mundo virtual, perigo real.
No Rio de Janeiro, os interessados em acompanhar as discussões podem ir ao campus do Mast e do ON. As palestras serão de 8h às 12h e promoverão um debate com os participantes às 14h, quando haverá distribuição de material informativo sobre segurança nas redes sociais. É preciso fazer inscrição gratuitamente pelo email disi2009@mast.br, informando nome e telefone.
Para outras informações sobre o Disi acesse: http://www.rnp.br/eventos/disi/2009/.
Fonte: Portal do MCT
Data:27/11/2009
O evento, Segurança nas Redes Sociais, é realizado pelo Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (Cais/RNP), aproveitando as comemorações do Dia Internacional de Segurança em Informática (Disi).
As palestras serão na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde advogados, engenheiros em computação, psicólogos e especialistas em sistema da informação falarão sobre Crimes Digitais e Redes Sociais - Reflexos da inclusão digital sem conscientização; Tudo o que você precisa saber sobre segurança em redes sociais; Desafios na promoção do uso ético e responsável da Internet no Brasil e Redes sociais nas empresas. Mundo virtual, perigo real.
No Rio de Janeiro, os interessados em acompanhar as discussões podem ir ao campus do Mast e do ON. As palestras serão de 8h às 12h e promoverão um debate com os participantes às 14h, quando haverá distribuição de material informativo sobre segurança nas redes sociais. É preciso fazer inscrição gratuitamente pelo email disi2009@mast.br, informando nome e telefone.
Para outras informações sobre o Disi acesse: http://www.rnp.br/eventos/disi/2009/.
Fonte: Portal do MCT
Data:27/11/2009
Acesse uma seleção de periódicos especializados na área de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas
Project MUSE
Disponível no Portal de Periódicos desde 21.10.09
Project MUSE é uma colaboração entre as bibliotecas e as editoras. Iniciou em 1993 como um projeto conjunto entre a Johns Hopkins University Press e a Milton S. Eisenhower Library (MSEL). Revistas de outras editoras foram incorporadas a partir de 2000. Sem fins lucrativos o objetivo é divulgar estudos de qualidade por meio de um modelo sustentável que atenda às necessidades das bibliotecas e das editoras. A Base de dados reúne uma seleção de periódicos especializados na área de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas, proporcionando o acesso ao texto completo, peer-reviewed, em periódicos nas áreas de: Economia, Educação, Lingüística, Ética, Ciência e Teoria Política, Sociologia, Filosofia, Artes, entre outras. MUSE é também a única fonte de informação completa de títulos de muitas editoras universitárias e sociedades acadêmicas.
http://muse.jhu.edu/about/muse/index.html
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 27/11/2009
Disponível no Portal de Periódicos desde 21.10.09
Project MUSE é uma colaboração entre as bibliotecas e as editoras. Iniciou em 1993 como um projeto conjunto entre a Johns Hopkins University Press e a Milton S. Eisenhower Library (MSEL). Revistas de outras editoras foram incorporadas a partir de 2000. Sem fins lucrativos o objetivo é divulgar estudos de qualidade por meio de um modelo sustentável que atenda às necessidades das bibliotecas e das editoras. A Base de dados reúne uma seleção de periódicos especializados na área de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas, proporcionando o acesso ao texto completo, peer-reviewed, em periódicos nas áreas de: Economia, Educação, Lingüística, Ética, Ciência e Teoria Política, Sociologia, Filosofia, Artes, entre outras. MUSE é também a única fonte de informação completa de títulos de muitas editoras universitárias e sociedades acadêmicas.
http://muse.jhu.edu/about/muse/index.html
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 27/11/2009
Assinado decreto que regulamenta a Lei de Inovação do RS
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, assinou, no dia 23, em Porto Alegre (RS), os decretos que regulamentam a Lei de Inovação do Estado (nº 13.196 de 2009) e o Programa Pró-Inovação.
De acordo com informações da Secretaria de Ciência e Tecnologia, a princípio foram regulamentados os capítulos referentes ao estímulo à inovação e aos incentivos financeiros e fiscais para as empresas.
Durante a solenidade de assinatura, Crusius destacou o trabalho de todas as secretarias envolvidas e o caráter de gestão e incentivo às inovações, mostrados desde o primeiro dia de governo. Ela citou ações como a criação de condições fiscais, de crédito e estrutural para que isso ocorresse. "É uma conquista coletiva. A lei dará continuidade à transformação do nosso Estado para que ele se torne o maior e mais qualificado celeiro de modernização tecnológica do país", afirmou.
Lei de Inovação
A legislação estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, além de definir mecanismos de gestão aplicáveis às instituições científicas e tecnológicas do Estado do Rio Grande do Sul.
De acordo com a lei, as ICTs poderão promover parcerias e desenvolver pesquisa científica, projetos de inovação tecnológica e de formação de recursos humanos em conjunto com entidades públicas ou privadas e empresas dos diversos segmentos do setor produtivo, visando à inovação que viabilize a geração, o aprimoramento, o desenvolvimento e a fabricação de produtos, sistemas, serviços e processos inovadores.
A criação resultante dessas parcerias e projetos conjuntos será objeto de cotitularidade e copropriedade, em percentual a ser definido no instrumento jurídico que as formalizar, com observância da legislação federal aplicável.
Programa
O Programa Pró-Inovação reúne requisitos para o incentivo à inovação em produtos, processos e serviços, com a concessão de incentivos fiscais. A exemplo do Fundopen/RS, que garante apoio fiscal para a ampliação de parques industriais, as empresas gaúchas inovadoras terão incentivos para pesquisas científicas e tecnológicas que resultem em novos produtos. O programa será constituído por comitês - técnicos, para análise e aprovação de projetos; e permanente, para definir políticas e diretrizes, entre outras prioridades.
A Lei de Inovação do Rio Grande do Sul está disponível neste link.
Fonte:Gestão C&T nº833
Data: 27/11/2009
De acordo com informações da Secretaria de Ciência e Tecnologia, a princípio foram regulamentados os capítulos referentes ao estímulo à inovação e aos incentivos financeiros e fiscais para as empresas.
Durante a solenidade de assinatura, Crusius destacou o trabalho de todas as secretarias envolvidas e o caráter de gestão e incentivo às inovações, mostrados desde o primeiro dia de governo. Ela citou ações como a criação de condições fiscais, de crédito e estrutural para que isso ocorresse. "É uma conquista coletiva. A lei dará continuidade à transformação do nosso Estado para que ele se torne o maior e mais qualificado celeiro de modernização tecnológica do país", afirmou.
Lei de Inovação
A legislação estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica, além de definir mecanismos de gestão aplicáveis às instituições científicas e tecnológicas do Estado do Rio Grande do Sul.
De acordo com a lei, as ICTs poderão promover parcerias e desenvolver pesquisa científica, projetos de inovação tecnológica e de formação de recursos humanos em conjunto com entidades públicas ou privadas e empresas dos diversos segmentos do setor produtivo, visando à inovação que viabilize a geração, o aprimoramento, o desenvolvimento e a fabricação de produtos, sistemas, serviços e processos inovadores.
A criação resultante dessas parcerias e projetos conjuntos será objeto de cotitularidade e copropriedade, em percentual a ser definido no instrumento jurídico que as formalizar, com observância da legislação federal aplicável.
Programa
O Programa Pró-Inovação reúne requisitos para o incentivo à inovação em produtos, processos e serviços, com a concessão de incentivos fiscais. A exemplo do Fundopen/RS, que garante apoio fiscal para a ampliação de parques industriais, as empresas gaúchas inovadoras terão incentivos para pesquisas científicas e tecnológicas que resultem em novos produtos. O programa será constituído por comitês - técnicos, para análise e aprovação de projetos; e permanente, para definir políticas e diretrizes, entre outras prioridades.
A Lei de Inovação do Rio Grande do Sul está disponível neste link.
Fonte:Gestão C&T nº833
Data: 27/11/2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Os bibliotecários estão completamente obsoletos?
33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes
Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.
Ele pode estar certo.
Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato. Nós as listamos aqui:
1. Nem tudo está disponível na Internet
2. Bibliotecas digitais não são a Internet
3. A internet não é livre
4. A internet complementa as bibliotecas, mas não as substitui
5. Bibliotecas escolares e bibliotecários melhoram as pontuações médias dos estudantes em testes
6. Digitalização não significa destruição
7. Na verdade, digitalização significa sobrevivência
8. A digitalização levará algum tempo. Um bom tempo.
9. Bibliotecas não são só livros
10. Dispositivos móveis não são o fim dos livros ou das bibliotecas
11. O hype de repente é só hype
12. O atendimento das bibliotecas não está fracassando – é apenas mais virtual agora
13. Como as empresas, as bibliotecas digitais ainda precisam de recursos humanos
14. Nós simplesmente não podemos contar com bibliotecas físicas desaparecendo
15. O Google Book Search “não funciona”
16. Bibliotecas físicas podem se adaptar às mudanças culturais
17. As bibliotecas físicas estão se adaptando à mudança cultural
18. Eliminar bibliotecas representaria um corte no processo de evolução cultural
19. A internet não é “faça você mesmo”
20. A sabedoria das multidões não é confiável, por causa do ponto de desequilíbrio
21. Bibliotecários são as contrapartes insubstituíveis dos moderadores da web
22. Ao contrário dos moderadores, os bibliotecários devem delimitar a linha entre bibliotecas e a Internet
23. A internet é uma bagunça
24. A internet está sujeita à manipulação
25. As coleções de bibliotecas empregam um sistema bem formulado de citações
26. Pode ser difícil isolar informações concisas na internet
27. As bibliotecas podem preservar a experiência do livro
28. Bibliotecas são estáveis, enquanto a Web é transitória
29. As bibliotecas podem ser surpreendentemente úteis para as coleções e arquivos de notícias
30. Nem todo mundo tem acesso à internet
31. Nem todos podem pagar pelos livros
32. As bibliotecas são um substituto para o anti-intelectualismo
33. Livros antigos são valiosos
Conclusão
A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.
Leia a matéria completa
Versão original (inglês)
versão para impressão – download pdf
Fonte: ExtraLibris
Data: !8/10/2009
Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.
Ele pode estar certo.
Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato. Nós as listamos aqui:
1. Nem tudo está disponível na Internet
2. Bibliotecas digitais não são a Internet
3. A internet não é livre
4. A internet complementa as bibliotecas, mas não as substitui
5. Bibliotecas escolares e bibliotecários melhoram as pontuações médias dos estudantes em testes
6. Digitalização não significa destruição
7. Na verdade, digitalização significa sobrevivência
8. A digitalização levará algum tempo. Um bom tempo.
9. Bibliotecas não são só livros
10. Dispositivos móveis não são o fim dos livros ou das bibliotecas
11. O hype de repente é só hype
12. O atendimento das bibliotecas não está fracassando – é apenas mais virtual agora
13. Como as empresas, as bibliotecas digitais ainda precisam de recursos humanos
14. Nós simplesmente não podemos contar com bibliotecas físicas desaparecendo
15. O Google Book Search “não funciona”
16. Bibliotecas físicas podem se adaptar às mudanças culturais
17. As bibliotecas físicas estão se adaptando à mudança cultural
18. Eliminar bibliotecas representaria um corte no processo de evolução cultural
19. A internet não é “faça você mesmo”
20. A sabedoria das multidões não é confiável, por causa do ponto de desequilíbrio
21. Bibliotecários são as contrapartes insubstituíveis dos moderadores da web
22. Ao contrário dos moderadores, os bibliotecários devem delimitar a linha entre bibliotecas e a Internet
23. A internet é uma bagunça
24. A internet está sujeita à manipulação
25. As coleções de bibliotecas empregam um sistema bem formulado de citações
26. Pode ser difícil isolar informações concisas na internet
27. As bibliotecas podem preservar a experiência do livro
28. Bibliotecas são estáveis, enquanto a Web é transitória
29. As bibliotecas podem ser surpreendentemente úteis para as coleções e arquivos de notícias
30. Nem todo mundo tem acesso à internet
31. Nem todos podem pagar pelos livros
32. As bibliotecas são um substituto para o anti-intelectualismo
33. Livros antigos são valiosos
Conclusão
A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.
Leia a matéria completa
Versão original (inglês)
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Fonte: ExtraLibris
Data: !8/10/2009
Robôs substituirão bibliotecários britânicos
Reuters
Quarta-feira, 25 de novembro de 2009 - 09h24
Reuters
LONDRES - A Biblioteca Nacional do Reino Unido vai remanejar parte de seu acervo em um novo prédio, onde a responsabilidade pelo armazenamento e coleta de sete milhões de itens passará de um bibliotecário a uma grua robotizada.
Livros serão armazenados em contêineres, que serão empilhados seguindo um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos.
O centro climatizado de 30 milhões de libras na cidade de Boston Spa, no norte da Inglaterra, vai abrigar o equivalente a 262 quilômetros de estantes, em um tipo de armazenamento de alta-densidade que normalmente é usado mais por varejistas do que por livrarias.
O diretor de finanças e serviços corporativos da biblioteca, Steve Morris, afirmou que os livros serão armazenados em contêineres, que serão empilhados seguindo um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos.
"As gruas, na verdade, são a única parte da organização agora que saberão onde está o material", disse Morris.
"Ao longo do tempo, com o material sendo acessado, o sistema irá lembrar quais livros são mais pesquisados e irá guardar esses livros na frente no prédio, para que sejam acessados mais facilmente", explicou.
Já livros que são raramente procurados eventualmente ficarão no fundo do prédio.
A nova tecnologia significa que apenas oito pessoas serão necessárias para acessar o acervo que será mantido no centro.
"Antigamente, andávamos pelos andares e buscávamos os livros nós mesmos, mas com isso, quando estiver tudo lá, tudo o que precisamos fazer é apertar um botão e ele vem até nós", disse a bibliotecária Alison Stephenson.
Stephenson e seus colegas estão checando os livros que chegam de Londres antes de serem colocados nos contêineres e levados para dentro do prédio pelos robôs.
"Se você colocar um livro na caixa errada nesse prédio, então, com efeito, você nunca mais irá encontrá-lo", disse Morris.
A construção do centro deve ser concluída até meados de 2011, complementando sua sede no bairro de St. Pacras, em Londres, onde os livros estarão disponíveis 48 horas após serem solicitados de Boston Spa.
Fonte: Info Plantão
Data: 25/11/2009
Quarta-feira, 25 de novembro de 2009 - 09h24
Reuters
LONDRES - A Biblioteca Nacional do Reino Unido vai remanejar parte de seu acervo em um novo prédio, onde a responsabilidade pelo armazenamento e coleta de sete milhões de itens passará de um bibliotecário a uma grua robotizada.
Livros serão armazenados em contêineres, que serão empilhados seguindo um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos.
O centro climatizado de 30 milhões de libras na cidade de Boston Spa, no norte da Inglaterra, vai abrigar o equivalente a 262 quilômetros de estantes, em um tipo de armazenamento de alta-densidade que normalmente é usado mais por varejistas do que por livrarias.
O diretor de finanças e serviços corporativos da biblioteca, Steve Morris, afirmou que os livros serão armazenados em contêineres, que serão empilhados seguindo um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos.
"As gruas, na verdade, são a única parte da organização agora que saberão onde está o material", disse Morris.
"Ao longo do tempo, com o material sendo acessado, o sistema irá lembrar quais livros são mais pesquisados e irá guardar esses livros na frente no prédio, para que sejam acessados mais facilmente", explicou.
Já livros que são raramente procurados eventualmente ficarão no fundo do prédio.
A nova tecnologia significa que apenas oito pessoas serão necessárias para acessar o acervo que será mantido no centro.
"Antigamente, andávamos pelos andares e buscávamos os livros nós mesmos, mas com isso, quando estiver tudo lá, tudo o que precisamos fazer é apertar um botão e ele vem até nós", disse a bibliotecária Alison Stephenson.
Stephenson e seus colegas estão checando os livros que chegam de Londres antes de serem colocados nos contêineres e levados para dentro do prédio pelos robôs.
"Se você colocar um livro na caixa errada nesse prédio, então, com efeito, você nunca mais irá encontrá-lo", disse Morris.
A construção do centro deve ser concluída até meados de 2011, complementando sua sede no bairro de St. Pacras, em Londres, onde os livros estarão disponíveis 48 horas após serem solicitados de Boston Spa.
Fonte: Info Plantão
Data: 25/11/2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Ex-aluno devolve livros para biblioteca da escola após 51 anos
Quem espera, sempre alcança.
Antes tarde do que nunca.
Antes tarde do que mais tarde ainda.
Dê tempo ao tempo.
Apressado come cru.
Parece que um antigo aluno de uma escola no Arizona (EUA) levou todos esses ditados a sério, afinal, ele devolveu dois livros à biblioteca de seu velho colégio 51 anos depois ter pego emprestado.
Com rara honestidade, ele incluiu junto aos livros US$ 1.000 (cerca de R$ 1.800) para cobrir as multas por atraso na devolução (e que atraso!).
Georgette Bordine, a bibliotecária da escola, disse que ambos os livros foram retirados em 1959 e devolvidos agora por alguém que quis manter o anonimato. (O Editor do UOL Tabloide pergunta: será vergonha?)
Ela diz que a carta que acompanha os livros explica que a família do "devedor" mudou-se para outro Estado e os livros foram empacotados por engano.
A carta diz que o dinheiro é para cobrir a multa de US$ 0,02 ao dia para cada livro, o que somariam US$ 745 (cerca de R$ 1.340), a quantia a mais seria no caso de o valor das taxas terem mudado.
Bordine disse que o dinheiro será usado para comprar mais livros para a biblioteca e que os livros devolvidos serão colocados em suas antigas prateleiras.
*Com informações do Metro.co.uk
Fonte:UOL Tablóide
Data: 16/11/2009
Antes tarde do que nunca.
Antes tarde do que mais tarde ainda.
Dê tempo ao tempo.
Apressado come cru.
Parece que um antigo aluno de uma escola no Arizona (EUA) levou todos esses ditados a sério, afinal, ele devolveu dois livros à biblioteca de seu velho colégio 51 anos depois ter pego emprestado.
Com rara honestidade, ele incluiu junto aos livros US$ 1.000 (cerca de R$ 1.800) para cobrir as multas por atraso na devolução (e que atraso!).
Georgette Bordine, a bibliotecária da escola, disse que ambos os livros foram retirados em 1959 e devolvidos agora por alguém que quis manter o anonimato. (O Editor do UOL Tabloide pergunta: será vergonha?)
Ela diz que a carta que acompanha os livros explica que a família do "devedor" mudou-se para outro Estado e os livros foram empacotados por engano.
A carta diz que o dinheiro é para cobrir a multa de US$ 0,02 ao dia para cada livro, o que somariam US$ 745 (cerca de R$ 1.340), a quantia a mais seria no caso de o valor das taxas terem mudado.
Bordine disse que o dinheiro será usado para comprar mais livros para a biblioteca e que os livros devolvidos serão colocados em suas antigas prateleiras.
*Com informações do Metro.co.uk
Fonte:UOL Tablóide
Data: 16/11/2009
Marco civil da internet brasileira recolhe sugestões
Marco civil da internet brasileira recolhe sugestõesQuem tiver alguma sugestão ou proposta que gostaria de ver incluída no projeto de lei que vai definir o marco civil da internet brasileira tem até 17 de dezembro para opiniar na consulta pública aberta pela Ministério da Justiça (culturadigital.br/marcocivil). O marco civil pretende ser o primeiro balizador das questões digitais na esfera legislativa, já que a internet é um território ainda sem uma lei específica que a regule.
Até a semana passada, mais de 500 pessoas haviam opinado sobre o tema. O projeto deve ser votado pelo Congresso em 2010.
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
Até a semana passada, mais de 500 pessoas haviam opinado sobre o tema. O projeto deve ser votado pelo Congresso em 2010.
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
Office renovado e rumo à web
A VERSÃO DE TESTES DO NOVO PACOTE DE ESCRITÓRIO DA MICROSOFT ESTÁ DISPONÍVEL GRATUITAMENTE PARA DOWNLOAD
Pode até não ser mais necessário ter um aplicativo instalado no seu computador para criar documentos de texto, planilhas ou slides – isso pode ser feito de graça pelo navegador de internet, em serviços com o Google Docs. Mas quando você pensa nessas tarefas, possivelmente se lembre dos populares Word, Excel e PowerPoint, programas do pacote de escritórios Office, da Microsoft.
Com a nova versão, que será lançada até a metade de 2010, o Office também irá para a “nuvem”, como é chamada a tendência em que os dados e serviços podem ser acessados pela internet. O Office Web Apps – já disponível em testes para usuários dos Estados Unidos – oferece uma versão mais simplificada online dos seus similares para instalação no PC. A vantagem é que o usuário pode editar seus arquivos a partir de qualquer micro com banda larga.
– A experiência na nuvem ainda é muito limitada. É difícil imaginar que as pessoas vão trabalhar na nuvem 100% do tempo. Enquanto nossos concorrentes falam só em nuvem, acreditamos na combinação de software mais serviço – afirma o gerente-geral de produtividade e colaboração da Microsoft Brasil, Eduardo Campos.
Ou seja, se o usuário tem uma demanda pesada, como apresentações no PowerPoint com vídeos, ainda prefere trabalhar direto no computador. E, para quem deseja o software rodando no HD da máquina, a Microsoft também tem novidades.
Desde a última semana, é possível fazer o download gratuito da versão de testes do Office 2010. Uma das principais melhorias é no Outlook (ferramenta de correio eletrônico), que incorporou funcionalidades de rede social, como notificações de atualizações de status. No PowerPoint, será possível fazer edições básicas de fotos e vídeos (como cortes e inserção de efeitos) sem precisar sair da apresentação. Ao lado, veja como conseguir os novos programas, ainda em desenvolvimento pela Microsoft.
Quais as principais diferenças entre as versões online dos aplicativos de escritório da Microsoft (Office Web Apps) e do Google (Docs)?
Office 2010
Com lançamento previsto para até a metade do ano que vem (e preços ainda não definidos), o Office 2010 é a nova versão do popular pacote de escritório da Microsoft (inclui Word, PowerPoint, Excel, Outlook, entre outros). Os programas precisam ser baixados no computador.
Já é possível fazer o download gratuito da versão beta (de testes) a partir do endereço http://tinyurl.com/downloadoffice (o arquivo de download tem 685 MB). Há compatibilidade com Windows XP, Vista e 7. Ainda não há opção com interface em português.
Office Web Apps
Permitirá a criação e a edição gratuita pelo browser de internet de arquivos do Word, do Excel, do PowerPoint e do OneNote. Não será preciso ter o pacote Office instalado na máquina. Bastará ter um Windows ID (gratuito).
A versão de teste da ferramenta ainda não está disponível oficialmente para internautas brasileiros, mas há um truque para acessá-la a partir do SkyDrive em inglês (em www.zerohora.com/blogdavanessa, confira um passo a passo de como fazer).
Office Live Workspace
Disponível desde outubro de 2008 no Brasil, é um espaço virtual para armazenar e compartilhar documentos do Office, mas não permite editá-los pela web. Em razão da similaridade com o Office Web Apps, a Microsoft deverá promover futuramente a integração entre eles.
É preciso ter um Windows ID (gratuito) e acessar workspace.officelive.com/pt-BR.
Fonte: Zero Hora Online
Data:25/11/2009
Pode até não ser mais necessário ter um aplicativo instalado no seu computador para criar documentos de texto, planilhas ou slides – isso pode ser feito de graça pelo navegador de internet, em serviços com o Google Docs. Mas quando você pensa nessas tarefas, possivelmente se lembre dos populares Word, Excel e PowerPoint, programas do pacote de escritórios Office, da Microsoft.
Com a nova versão, que será lançada até a metade de 2010, o Office também irá para a “nuvem”, como é chamada a tendência em que os dados e serviços podem ser acessados pela internet. O Office Web Apps – já disponível em testes para usuários dos Estados Unidos – oferece uma versão mais simplificada online dos seus similares para instalação no PC. A vantagem é que o usuário pode editar seus arquivos a partir de qualquer micro com banda larga.
– A experiência na nuvem ainda é muito limitada. É difícil imaginar que as pessoas vão trabalhar na nuvem 100% do tempo. Enquanto nossos concorrentes falam só em nuvem, acreditamos na combinação de software mais serviço – afirma o gerente-geral de produtividade e colaboração da Microsoft Brasil, Eduardo Campos.
Ou seja, se o usuário tem uma demanda pesada, como apresentações no PowerPoint com vídeos, ainda prefere trabalhar direto no computador. E, para quem deseja o software rodando no HD da máquina, a Microsoft também tem novidades.
Desde a última semana, é possível fazer o download gratuito da versão de testes do Office 2010. Uma das principais melhorias é no Outlook (ferramenta de correio eletrônico), que incorporou funcionalidades de rede social, como notificações de atualizações de status. No PowerPoint, será possível fazer edições básicas de fotos e vídeos (como cortes e inserção de efeitos) sem precisar sair da apresentação. Ao lado, veja como conseguir os novos programas, ainda em desenvolvimento pela Microsoft.
Quais as principais diferenças entre as versões online dos aplicativos de escritório da Microsoft (Office Web Apps) e do Google (Docs)?
Office 2010
Com lançamento previsto para até a metade do ano que vem (e preços ainda não definidos), o Office 2010 é a nova versão do popular pacote de escritório da Microsoft (inclui Word, PowerPoint, Excel, Outlook, entre outros). Os programas precisam ser baixados no computador.
Já é possível fazer o download gratuito da versão beta (de testes) a partir do endereço http://tinyurl.com/downloadoffice (o arquivo de download tem 685 MB). Há compatibilidade com Windows XP, Vista e 7. Ainda não há opção com interface em português.
Office Web Apps
Permitirá a criação e a edição gratuita pelo browser de internet de arquivos do Word, do Excel, do PowerPoint e do OneNote. Não será preciso ter o pacote Office instalado na máquina. Bastará ter um Windows ID (gratuito).
A versão de teste da ferramenta ainda não está disponível oficialmente para internautas brasileiros, mas há um truque para acessá-la a partir do SkyDrive em inglês (em www.zerohora.com/blogdavanessa, confira um passo a passo de como fazer).
Office Live Workspace
Disponível desde outubro de 2008 no Brasil, é um espaço virtual para armazenar e compartilhar documentos do Office, mas não permite editá-los pela web. Em razão da similaridade com o Office Web Apps, a Microsoft deverá promover futuramente a integração entre eles.
É preciso ter um Windows ID (gratuito) e acessar workspace.officelive.com/pt-BR.
Fonte: Zero Hora Online
Data:25/11/2009
YouTube para surdo-mudos (e também para quem não entende inglês)
O YouTube também será acessível a surdos e mudos. O Google apresentou na última semana novas tecnologias que mostrarão automaticamente legendas em muitos dos vídeos do site, a chamada closed caption. Embora permita a inserção de textos apenas em inglês, o sistema os traduzirá automaticamente para 51 idiomas. A ferramenta também será útil para quem não fala inglês ler as legendas em sua língua nativa.
A tecnologia de reconhecimento da fala é a mesma utilizada para traduzir mensagens de voz do Google Voice, mas até hoje não foi utilizada em larga escala. O engenheiro Ken Harrenstien, que é surdo e ajudou no desenvolvimento da tecnologia, disse que inicialmente ela será aplicada em alguns poucos canais, a maioria especializada em conteúdos educativos, incluindo os das universidades Stanford, Yale, Duke, Columbia, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a National Geographic.
Atualmente, alguns outros serviços online como o Hulu e a AOL também têm vídeos com closed caption.O próprio YouTube já exibe milhares de vídeos com “closed captions”, mas esses geralmente são extraídos de emissoras de TV que incluem a ferramenta em seus programas.
– É maravilhoso, algo com o qual sonhei muitos anos e agora vejo se tornar realidade – disse Harrenstien, na apresentação da ferramenta.
O Google também vai introduzir um serviço relacionado que permitirá fazer o upload de um vídeo no YouTube com a opção de inserir o texto do que é dito. A ferramenta transformará o arquivo de texto em legendas, combinando automaticamente as palavras faladas com as legendas. A tecnologia, chamada “auto timing”, será especialmente útil para videografistas que gravam a partir de um script.
THE NEW YORK TIMES
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
A tecnologia de reconhecimento da fala é a mesma utilizada para traduzir mensagens de voz do Google Voice, mas até hoje não foi utilizada em larga escala. O engenheiro Ken Harrenstien, que é surdo e ajudou no desenvolvimento da tecnologia, disse que inicialmente ela será aplicada em alguns poucos canais, a maioria especializada em conteúdos educativos, incluindo os das universidades Stanford, Yale, Duke, Columbia, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a National Geographic.
Atualmente, alguns outros serviços online como o Hulu e a AOL também têm vídeos com closed caption.O próprio YouTube já exibe milhares de vídeos com “closed captions”, mas esses geralmente são extraídos de emissoras de TV que incluem a ferramenta em seus programas.
– É maravilhoso, algo com o qual sonhei muitos anos e agora vejo se tornar realidade – disse Harrenstien, na apresentação da ferramenta.
O Google também vai introduzir um serviço relacionado que permitirá fazer o upload de um vídeo no YouTube com a opção de inserir o texto do que é dito. A ferramenta transformará o arquivo de texto em legendas, combinando automaticamente as palavras faladas com as legendas. A tecnologia, chamada “auto timing”, será especialmente útil para videografistas que gravam a partir de um script.
THE NEW YORK TIMES
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
Universidade e sociedade, por Carlos Alexandre Netto
A universidade é instituição do conhecimento. Em todos os seus espaços, se difunde o saber e a cultura acumulados desde o início da humanidade. A universidade é a casa da ciência. O maravilhoso desafio intelectual de leitura das atividades humanas e da natureza gera novo conhecimento e, ao avançar no entendimento, transforma e constrói o mundo. Mais do que uma gigantesca torre de saberes, a universidade pulsa e encontra sentido em sua íntima relação com a sociedade, através da qual se reinventa constantemente.
O fazer acadêmico confere à universidade características de transcendência. Patrimônios da humanidade, o conhecimento e a cultura são esteios da esperança e da confiança no futuro; são valores perenes, ainda que sejam repletos de contradições, sujeitos a críticas e geradores de antagonismos. Essa transcendência é um dos elementos marcantes da vivência de toda a sua comunidade e dos setores da sociedade contemplados em seus projetos sociais, de extensão, de pesquisa e de inovação, bem como em suas inúmeras atividades formativas. E, ao integrar as redes de pesquisa e de comunicação que permitem o acesso quase imediato às grandes bibliotecas digitais, ao conhecimento universal e a seus artífices, a universidade vê, cada vez mais, diluírem-se suas fronteiras.
A universidade pública tem o dever da educação pública e gratuita. Com a missão de democratizar o acesso ao conhecimento e de levá-lo à comunidade, torna-se espaço de inclusão e de cidadania. Centro de irradiação do novo e do pluralismo das ideias, a universidade contribui para a formação de profissionais e de cidadãos que assumem compromisso social baseados nos valores nela cultivados e motivados pela gratidão para com esta singular instituição que se eterniza na constante renovação das pessoas.
É reafirmando esses valores e convicções que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul celebra, neste mês de novembro, os 75 anos de sua fundação. Conquista da sociedade gaúcha, a pioneira entre as universidades públicas do Estado vem forjando sua história, obra coletiva dos milhares de pessoas que dedicaram a ela o melhor de suas vidas. Uma instituição profundamente enraizada nesta terra e na realidade de nossa gente, instância de desenvolvimento social, econômico, cultural e científico do Estado e do país.
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
O fazer acadêmico confere à universidade características de transcendência. Patrimônios da humanidade, o conhecimento e a cultura são esteios da esperança e da confiança no futuro; são valores perenes, ainda que sejam repletos de contradições, sujeitos a críticas e geradores de antagonismos. Essa transcendência é um dos elementos marcantes da vivência de toda a sua comunidade e dos setores da sociedade contemplados em seus projetos sociais, de extensão, de pesquisa e de inovação, bem como em suas inúmeras atividades formativas. E, ao integrar as redes de pesquisa e de comunicação que permitem o acesso quase imediato às grandes bibliotecas digitais, ao conhecimento universal e a seus artífices, a universidade vê, cada vez mais, diluírem-se suas fronteiras.
A universidade pública tem o dever da educação pública e gratuita. Com a missão de democratizar o acesso ao conhecimento e de levá-lo à comunidade, torna-se espaço de inclusão e de cidadania. Centro de irradiação do novo e do pluralismo das ideias, a universidade contribui para a formação de profissionais e de cidadãos que assumem compromisso social baseados nos valores nela cultivados e motivados pela gratidão para com esta singular instituição que se eterniza na constante renovação das pessoas.
É reafirmando esses valores e convicções que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul celebra, neste mês de novembro, os 75 anos de sua fundação. Conquista da sociedade gaúcha, a pioneira entre as universidades públicas do Estado vem forjando sua história, obra coletiva dos milhares de pessoas que dedicaram a ela o melhor de suas vidas. Uma instituição profundamente enraizada nesta terra e na realidade de nossa gente, instância de desenvolvimento social, econômico, cultural e científico do Estado e do país.
Fonte: Zero Hora Online
Data: 25/11/2009
Repositório científico na Internet
O Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP), que reúne, num único ponto de acesso, pesquisa e localização de documentos de carácter científico e académico, já pode ser consultado online. O projecto destina-se a investigadores, docentes e dirigentes de instituições de ensino superior.
Este repositório tem como objectivos, segundo a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), «aumentar a visibilidade, o acesso e a difusão dos resultados da actividade científica desenvolvida em Portugal» ao mesmo tempo que deverá «facilitar a gestão da informação relacionada com esta actividade, agregando conteúdos científicos existentes nos repositórios institucionais das entidades nacionais de ensino superior e de outras organizações de I&D».
O portal RCAAP constitui-se como um ponto único de pesquisa, descoberta, localização e acesso a milhares de documentos de carácter científico e académico, nomeadamente, artigos de revistas científicas, comunicações a conferências, teses e dissertações, distribuídos por inúmeros repositórios portugueses.Esta é uma iniciativa da Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), concretizada pela FCCN e disponibilizando mais um serviço avançado sobre a Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade
Acesse: http://www.rcaap.pt/
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 24/11/2009
Este repositório tem como objectivos, segundo a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), «aumentar a visibilidade, o acesso e a difusão dos resultados da actividade científica desenvolvida em Portugal» ao mesmo tempo que deverá «facilitar a gestão da informação relacionada com esta actividade, agregando conteúdos científicos existentes nos repositórios institucionais das entidades nacionais de ensino superior e de outras organizações de I&D».
O portal RCAAP constitui-se como um ponto único de pesquisa, descoberta, localização e acesso a milhares de documentos de carácter científico e académico, nomeadamente, artigos de revistas científicas, comunicações a conferências, teses e dissertações, distribuídos por inúmeros repositórios portugueses.Esta é uma iniciativa da Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), concretizada pela FCCN e disponibilizando mais um serviço avançado sobre a Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade
Acesse: http://www.rcaap.pt/
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 24/11/2009
Arqueologia: Mapa Online da Terra Santa
Arqueólogos da Universidade do Sul da Califórnia (USC), da Universidade da Califórnia (UCLA) desenvolveram um mapa detalhado de 7.000 sitíos arqueológicos na Terra Santa.
Há anos que o mapa vem sendo desenvolvido, pesquisadores informaram que o site oferece mapas interativos via satélite mostrando a localização de cerca dos sítios arqueológicos na Cisjordânia e em Jerusalém.
O projeto está hospedado na Biblioteca Digital da USC e utiliza o sistem de busca do Google Maps.
Acesse a coleção, clicando no endereço: http://digitallibrary.usc.edu/wbarc
Fonte: Pesquisa Mundi
Data:24/11/2009
Há anos que o mapa vem sendo desenvolvido, pesquisadores informaram que o site oferece mapas interativos via satélite mostrando a localização de cerca dos sítios arqueológicos na Cisjordânia e em Jerusalém.
O projeto está hospedado na Biblioteca Digital da USC e utiliza o sistem de busca do Google Maps.
Acesse a coleção, clicando no endereço: http://digitallibrary.usc.edu/wbarc
Fonte: Pesquisa Mundi
Data:24/11/2009
Site lista obras livres de direitos
RIO - Não sabe se aquela obra com que você está lidando ainda está sob direito autoral? Uma boa ideia é dar uma busca no Public Domain Works ( www.publicdomainworks.net ), banco de dados online que lista 125.318 autores, 12.840 itens e 299.141 obras que estão em domínio público. Só do escritor americano Edgar Allan Poe descobrem-se 17 edições totalmente livres de copyright, por exemplo.
Também se pode consultar as listas de autores e obras, mas há milhares de páginas a examinar neste caso. O site é gerenciado pelo Open Knowledge Foundation's Public Domain Working Group e permite a colaboração de internautas.
Leia também: Lei americana permitirá a artistas e escritores retomar direitos autorais em 2013
Fonte: O Globo
Data: 23/11/2009
Também se pode consultar as listas de autores e obras, mas há milhares de páginas a examinar neste caso. O site é gerenciado pelo Open Knowledge Foundation's Public Domain Working Group e permite a colaboração de internautas.
Leia também: Lei americana permitirá a artistas e escritores retomar direitos autorais em 2013
Fonte: O Globo
Data: 23/11/2009
Google vai digitalizar museu de Bagdá
Anúncio foi feito hoje (24/11) no Iraque por Eric Schmidt; imagens serão publicadas no início de 2010.
O Google anunciou hoje (24/11) que vai criar uma "cópia virtual" do Museu Nacional de Bagdá na internet, informa o The New York Times.
O anúncio foi feito dentro do museu, no Iraque, pelo executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, que explicou que os custos serão totalmente por conta do Google.
Segundo a empresa, imagens das peças arqueológicas do museu estarão disponiveis online já no começo de 2010.
Desde 2003, ano em que as tropas americanas ocuparam o Iraque, o Museu Nacional já foi reaberto três vezes. Atualmente, no entanto, está fechado ao público.
Fonte: IDGNow
Data: 24/11/2009
O Google anunciou hoje (24/11) que vai criar uma "cópia virtual" do Museu Nacional de Bagdá na internet, informa o The New York Times.
O anúncio foi feito dentro do museu, no Iraque, pelo executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, que explicou que os custos serão totalmente por conta do Google.
Segundo a empresa, imagens das peças arqueológicas do museu estarão disponiveis online já no começo de 2010.
Desde 2003, ano em que as tropas americanas ocuparam o Iraque, o Museu Nacional já foi reaberto três vezes. Atualmente, no entanto, está fechado ao público.
Fonte: IDGNow
Data: 24/11/2009
Prorrogado o prazo para avaliação do conteúdo da Primal Pictures
Foi prorrogado até o dia 30 de novembro o prazo para avaliação da Primal Pictures. Trata-se de uma base referencial sobre anatomia humana, baseada em módulos dinâmicos e interativos. Estão disponíveis pela Primal Pictures mais de 6.500 modelos anatômicos tridimensionais, focados em órgãos individuais, regiões do corpo humano ou em sistemas anatômicos.
As avaliações sobre a base podem ser enviadas ao e-mail avaliacao.periodicos@capes.gov.br.Se for bem avaliado o conteúdo da Primal Pictures pode ser assinado pela Capes.
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 05/11/2009
As avaliações sobre a base podem ser enviadas ao e-mail avaliacao.periodicos@capes.gov.br.Se for bem avaliado o conteúdo da Primal Pictures pode ser assinado pela Capes.
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 05/11/2009
Prorrogado o prazo de avaliação do conteúdo da ProQuest Hospital Collection
Foi prorrogado o prazo de avaliação do conteúdo da ProQuest Hospital Collection. O Trial estará disponível aos usuários do Portal de Periódicos até o de 30 de novembro. A base reúne documentos sobre medicina, enfermagem e áreas afins. São 2.683 periódicos (2.246 com texto completo), sendo que 894 ainda não foram assinados pela Capes.
Também podem ser acessadas 12 mil teses e dissertações, 300 vídeos com procedimentos de enfermagem, 40 relatórios culturais, 12 obras de referência em enfermagem, além de livros, vídeos e evidências.
Comentários e sugestões podem ser enviados aos e-mails avaliacao.periodicos@capes.gov.br e comercial@latin.proquest.com. Se bem avaliada, a base pode ser assinada pela Capes.
Para mais informações sobre a base clique aqui.
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 19/11/2009
Também podem ser acessadas 12 mil teses e dissertações, 300 vídeos com procedimentos de enfermagem, 40 relatórios culturais, 12 obras de referência em enfermagem, além de livros, vídeos e evidências.
Comentários e sugestões podem ser enviados aos e-mails avaliacao.periodicos@capes.gov.br e comercial@latin.proquest.com. Se bem avaliada, a base pode ser assinada pela Capes.
Para mais informações sobre a base clique aqui.
Fonte: Novo Portal de Periódicos
Data: 19/11/2009
Nova versão do Currículo Lattes impede fraudes na base
No último dia 19, o CNPq lançou uma nova versão do Currículo Lattes. Uma das novidades é um acordo com a Receita Federal que permite a certificação dos dados da pessoa que se registra na base Lattes, impedindo a introdução de currículos fantasmas. Para Antonio Martins Figueiredo Neto, membro da Comissão de Acompanhamento do Sistema de Currículos da Plataforma Lattes, as fraudes serão praticamente impossíveis com o novo sistema.
A versão inclui ainda a possibilidade de consulta às citações dos artigos publicados em revistas indexadas no Web of Science e que estejam registradas nos currículos com o DOI (Digital Object Identifier- um identificador digital único) correspondente. Outra novidade é que o sistema permitirá a recuperação das citações dos artigos registrados no Lattes.
Para Roberto Passetto Falcão, presidente da comissão, a qualidade de um trabalho científico é avaliada indiretamente pelo periódico onde é publicado e pelo número de citações do artigo por outros cientistas que atuam na área do conhecimento do trabalho publicado. “O acordo com o Instituto para a Informação Científica permitirá que estes aspectos estejam disponíveis quando se analisa o CV Lattes”, disse.
Para conhecer acesse o site http://lattes.cnpq.br/.
Fonte: Gestão C&T, nº82
Data: 25/11/2009
A versão inclui ainda a possibilidade de consulta às citações dos artigos publicados em revistas indexadas no Web of Science e que estejam registradas nos currículos com o DOI (Digital Object Identifier- um identificador digital único) correspondente. Outra novidade é que o sistema permitirá a recuperação das citações dos artigos registrados no Lattes.
Para Roberto Passetto Falcão, presidente da comissão, a qualidade de um trabalho científico é avaliada indiretamente pelo periódico onde é publicado e pelo número de citações do artigo por outros cientistas que atuam na área do conhecimento do trabalho publicado. “O acordo com o Instituto para a Informação Científica permitirá que estes aspectos estejam disponíveis quando se analisa o CV Lattes”, disse.
Para conhecer acesse o site http://lattes.cnpq.br/.
Fonte: Gestão C&T, nº82
Data: 25/11/2009
Divulgação científica e responsabilidade
Por Fábio Reynol, de Campinas
A informação científica não deve servir para ameaçar ou para agradar o cidadão, antes de tudo deve torná-lo responsável pela ciência que seu país produz. A afirmação, de Miguel Angel Quintanilla, diretor do Instituto de Estudos da Ciência e da Tecnologia (Ecyt, na sigla em espanhol) da Universidade de Salamanca, Espanha, foi feita no 1º Foro Iberoamericano de Divulgação e Comunicação Científica, realizado de 23 a 25 de novembro na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Quintanilla apresentou os dois principais modelos teóricos utilizados para estudar a divulgação científica, “Déficit Cognitivo” e “Contextual”, e por fim mostrou a sua proposta batizada de “Perspectiva Cívica” por se basear nos princípios de cidadania.
O modelo de Déficit Cognitivo pressupõe uma sociedade dividida entre especialistas e leigos. Os primeiros detêm o conhecimento científico e os demais necessitam dessa informação especial. Segundo Quintanilla, trata-se de um modelo pragmático que preconiza que a sociedade deve conhecer a ciência a fim de apoiá-la.
Para o pesquisador, o modelo de Déficit é o responsável por distorções na comunicação da ciência. “Perguntas como: ‘o acelerador de partículas LHC pode gerar um buraco negro e engolir o planeta?’ não tem a ver com ciência e são fruto da divulgação científica que tem sido feita”, disse.
Segundo ele, o uso de metáforas inadequadas por publicações jornalísticas são causas desses desvios. Como exemplo, citou a expressão “a partícula de Deus”, que um periódico espanhol utilizou ao se referir ao LHC.
Já o modelo Contextual, pelo qual a informação sobre ciência deve apresentar os contextos social, econômico e político no qual a atividade científica está inserida, também traz problemas, de acordo com o professor espanhol. Ao apontar possíveis redes de interesses por trás de cada pesquisa, o modelo estimula um ceticismo exacerbado e propicia visões conspiratórias da ciência.
Como exemplo, citou o tema “alimentos transgênicos”, que suscitaria reações contrárias de pessoas que associam qualquer discurso favorável a técnicas de manipulação genética aos interesses de grandes corporações internacionais.
A proposta de Quintanilla é o modelo de Perspectiva Cívica, o qual tem por finalidade fortalecer a prática da cidadania ao suscitar no indivíduo a responsabilidade pela ciência que é produzida em seu país. Para tanto, é necessário que se conheçam as características intrínsecas da atividade científica e se saiba como esse tipo de conhecimento é produzido.
Como as outras duas teorias, essa proposição também tem problemas, como o efeito chamado “ciência na vitrine”, no qual ela é tratada como mercadoria de luxo a ser vendida pelas regras do mercado. Para Quintanilla, o conhecimento científico é um luxo, mas que deve ser colocado ao alcance de todos. “Devemos difundir, não vender esse conhecimento aos moldes do marketing”, afirmou.
Diferentemente do modelo de Déficit, que apresenta a informação científica como uma cascata que vem dos pontos mais altos (os cientistas) para atingir os vales (os leigos), a Perspectiva Cívica ensina a divulgação horizontal da ciência por meio da difusão por publicações jornalísticas, clubes de ciência, museus e escolas, entre outros. Para isso, a ciência tem que ser passada como uma ilustração da realidade que não deve ser deformada, mas representá-la de modo fiel.
“A ciência não contém todos os elementos da realidade, mas, assim como um mapa de uma cidade, reproduz com fidelidade alguns aspectos dessa realidade. Nós, divulgadores da ciência, devemos ser capazes de fazer bons mapas do conhecimento científico”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
Data: 25/11/2009
A informação científica não deve servir para ameaçar ou para agradar o cidadão, antes de tudo deve torná-lo responsável pela ciência que seu país produz. A afirmação, de Miguel Angel Quintanilla, diretor do Instituto de Estudos da Ciência e da Tecnologia (Ecyt, na sigla em espanhol) da Universidade de Salamanca, Espanha, foi feita no 1º Foro Iberoamericano de Divulgação e Comunicação Científica, realizado de 23 a 25 de novembro na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Quintanilla apresentou os dois principais modelos teóricos utilizados para estudar a divulgação científica, “Déficit Cognitivo” e “Contextual”, e por fim mostrou a sua proposta batizada de “Perspectiva Cívica” por se basear nos princípios de cidadania.
O modelo de Déficit Cognitivo pressupõe uma sociedade dividida entre especialistas e leigos. Os primeiros detêm o conhecimento científico e os demais necessitam dessa informação especial. Segundo Quintanilla, trata-se de um modelo pragmático que preconiza que a sociedade deve conhecer a ciência a fim de apoiá-la.
Para o pesquisador, o modelo de Déficit é o responsável por distorções na comunicação da ciência. “Perguntas como: ‘o acelerador de partículas LHC pode gerar um buraco negro e engolir o planeta?’ não tem a ver com ciência e são fruto da divulgação científica que tem sido feita”, disse.
Segundo ele, o uso de metáforas inadequadas por publicações jornalísticas são causas desses desvios. Como exemplo, citou a expressão “a partícula de Deus”, que um periódico espanhol utilizou ao se referir ao LHC.
Já o modelo Contextual, pelo qual a informação sobre ciência deve apresentar os contextos social, econômico e político no qual a atividade científica está inserida, também traz problemas, de acordo com o professor espanhol. Ao apontar possíveis redes de interesses por trás de cada pesquisa, o modelo estimula um ceticismo exacerbado e propicia visões conspiratórias da ciência.
Como exemplo, citou o tema “alimentos transgênicos”, que suscitaria reações contrárias de pessoas que associam qualquer discurso favorável a técnicas de manipulação genética aos interesses de grandes corporações internacionais.
A proposta de Quintanilla é o modelo de Perspectiva Cívica, o qual tem por finalidade fortalecer a prática da cidadania ao suscitar no indivíduo a responsabilidade pela ciência que é produzida em seu país. Para tanto, é necessário que se conheçam as características intrínsecas da atividade científica e se saiba como esse tipo de conhecimento é produzido.
Como as outras duas teorias, essa proposição também tem problemas, como o efeito chamado “ciência na vitrine”, no qual ela é tratada como mercadoria de luxo a ser vendida pelas regras do mercado. Para Quintanilla, o conhecimento científico é um luxo, mas que deve ser colocado ao alcance de todos. “Devemos difundir, não vender esse conhecimento aos moldes do marketing”, afirmou.
Diferentemente do modelo de Déficit, que apresenta a informação científica como uma cascata que vem dos pontos mais altos (os cientistas) para atingir os vales (os leigos), a Perspectiva Cívica ensina a divulgação horizontal da ciência por meio da difusão por publicações jornalísticas, clubes de ciência, museus e escolas, entre outros. Para isso, a ciência tem que ser passada como uma ilustração da realidade que não deve ser deformada, mas representá-la de modo fiel.
“A ciência não contém todos os elementos da realidade, mas, assim como um mapa de uma cidade, reproduz com fidelidade alguns aspectos dessa realidade. Nós, divulgadores da ciência, devemos ser capazes de fazer bons mapas do conhecimento científico”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
Data: 25/11/2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O que tem o ACTA a ver com a internet? E com o Brasil?
No início de novembro, representantes de sete países mais a União Europeia se reuniram na Coreia do Sul para negociar os termos do Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA), ou Acordo Comercial Anti-Contrafação (contrafação é um termo controverso que designa cópias não autorizadas).
Os termos das negociações e do próprio acordo não foram divulgados pelos governos desses países. Mas informações vazadas das negociações e publicadas na internet mostraram que um dos pontos centrais do ACTA é a repressão à troca de arquivos em redes P2P (de compartilhamento de informações na internet), com o uso de dispositivos semelhantes aos da Lei Hadopi, recentemente aprovada na França, e do Digital Millennium Copyright Act (DMCA, na sigla em inglês, ou Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital), a lei de direitos de autor dos Estados Unidos.
“Há uma tentativa crescente e global da indústria fonográfica (e audiovisual) de implementar um sistema chamado 'three strikes and you are out ' ou 'resposta gradual'”, explica Pedro Paranaguá, mestre (Universidade de Londres) e doutorando (Universidade de Duke) em Direito da Propriedade Intelectual e professor da FGV-Rio.
Flexibilidade e restrições
Paranaguá não acredita que o Brasil vá aderir ao ACTA, ao menos a médio prazo. Tanto o Ministério da Cultura quanto o Itamaraty são totalmente contra o acordo e a política nacional e internacional do presidente Lula é contrária à falta de flexibilidades e equilíbrios entre os interesses em jogo. No caso, entre os interesses dos artistas, dos usuários de internet e os da indústria de entretenimento e de tecnologia.
Além disso, o acordo está sendo negociado como uma reação à Agenda do Desenvolvimento da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), órgão da ONU responsável por discutir propriedade intelectual. A Agenda do Desenvolvimento, liderada por Brasil e Argentina e co-patrocinada por outros 13 países, visa trazer um maior equilíbrio para a discussão.
Um acordo tão restritivo, no entanto, pode influenciar negativamente, sob forma de lobby e pressão política de grupos privados, debates em curso no país, como o da revisão da Lei de Direito Autoral. Nossa atual lei de direitos autorais é muito mais restritiva do que manda o TRIPS (Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights), ou, em português, Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio.
O TRIPS é um anexo do tratado que constituiu a Organização Mundial do Comércio (OMC) e trata de propriedade intelectual (marcas, direitos autorais, indicações geográficas, patentes etc). Um dos objetivos do governo brasileiro é flexibilizar esta lei, para equilibrar o interesse público do acesso à cultura com o da proteção do direito de autor. Veja abaixo a entrevista completa de Pedro Paranaguá sobre o ACTA e sua relação com o compartilhamento de arquivos na internet e com o Brasil.
ARede - O que é o ACTA?
Paranaguá - O Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) ou Acordo Comercial Anti-Contrafação é um acordo que está sendo discutido secretamente, sem qualquer transparência, entre EUA, União Européia, Japão, Austrália, Canadá, Suíça, Coréia do Sul e México. Países em desenvolvimento (com a exceção do México, que guarda relações relativamente próximas com os EUA) não foram convidados para discutir o assunto.
Basicamente, o ACTA busca espandir as obrigações relativas a propriedade intelectual, mas não as flexibilidades, como direitos dos consumidores, dos provedores de internet etc. Além disso, o ACTA é uma clara tentativa de se esvaziar as negociações sobre a Agenda do Desenvolvimento na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), órgão da ONU responsável por discutir propriedade intelectual junto com a OMC. A Agenda do Desenvolvimento, liderada por Brasil e Argentina, e co-patrocinada por outros 13 países, visa a trazer um maior equilíbrio para a discussão.
Além disso, o ACTA é o que alguns chamam de "policy-laundering", ou seja, alguns países, normalmente ricos, vão negociar na esfera internacional, onde eventualmente têm mais terreno e poder de decisão, para depois voltar internamente e tornar lei nacional as medidas dos tratados internacionais -- já que não conseguiriam aprovar tais leis com a forte pressão política da sociedade civil presente em tais países. Em 2004 houve o primeiro Congresso Global sobre Contrafação. Em 2006 os EUA convidaram alguns países para discutir o ACTA. Desde então houve seis reuniões sobre o acordo.
ARede - Qual a relação do ACTA com outros tratados internacionais, como o TRIPS (Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights), ou, em português, Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio?
Paranaguá - O Brasil é signatário da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, por consequência, do TRIPs, um anexo do tratado que constituiu a OMC. Não há relação alguma entre o TRIPs/OMC e o ACTA. É o chamado "forum-shifting" ou "forum-shopping", ou seja, a tentativa de se avançar em algum campo, mas em outro foro, outro lugar. Já que países ricos acham que na OMPI -- ou até mesmo na OMC -- eles não estão conseguindo muita coisa, porque os países em desenvolvimento estão pressionando contra a maximização irracional e insustentável dos direitos de propriedade intelectual, eles decidiram abrir um novo foro de discussão, somente entre eles: o ACTA.
ARede - Como e por que o ACTA se transformou, de um tratado anticontrafação, em um instrumento para criminalizar o compartilhamento de arquivos na internet?
Paranaguá - Esta é uma questão importantíssima. O ACTA, de acordo com as informações que vazaram (a princípio as negociações estão sendo feitas em sigilo), enrijece, ainda mais, as normas de propriedade intelectual. Há uma tentativa crescente e global da indústria fonográfica (e audiovisual) de implementar um sistema chamado "three strikes and you are out" ou "resposta gradual". Tal sistema é uma parceria da indústria de conteúdo (direitos autorais) com os provedores de internet. Depois de o usuário de internet receber duas notificações sobre alegadas infrações a direitos autorais, na terceira ele teria sua internet desconectada e/ou sua velocidade de conexão diminuída.
Isso é uma afronta aos direitos humanos, ao direito de exercer sua cidadania (pagar contas, obter documentos do governo, declarar imposto de renda etc.), uma afronta à privacidade (se não houver ordem judicial autorizando o provedor de internet a identificar o conteúdo que está sendo baixado ou compartilhado por seu usuário), à liberdade de expressão, bem como uma medida desproporcional. Além disso, um número IP pode ser usado por vários membros da mesma família, ou seja, uma família inteira pode ficar sem acesso à internet, caso eventualmente uma única pessoa tenha exercido atos ilícitos. Se é que tenham sido ilícitos, já que em alguns casos a indústria de conteúdo tem tentado que a decisão não passe pelos tribunais, mas que seja decidida administrativa e privadamente, entre ela e o provedor de internet. Sem se levar em conta a possibilidade de "roubo" de sinal sem fio, tampouco sobre o desincentivo de redes sem fio compartilhadas e abertas.
ARede - O sistema de resposta gradual já foi adotado por alguns países, como a França, não é?
Paranaguá - Depois de muita rejeição da sociedade civil, e inicialmente do Comissão Européia, foi recentemente aprovado, com algumas modificações, na França. Há tentativas de se expandir para o Reino Unido. Há informações de que foi aprovado na Coréia do Sul, bem como que está em negociações avançadas na Nova Zelândia, bem como em dezenas de outros países, inclisive no Brasil.
Tal tentativa de criminalizar e punir o compartilhamento de arquivos (P2P) pela internet vai na contramão i) da prática feita por uma nova geração inteira; ii) na contramão do avanço tecnológico, que facilita a troca de informação, a distribuição de conteúdo digital e que elimina intermediários (aí o grande problema -- para a indústria de conteúdo); iii) na contramão da realidade social (poder aquisitivo) da imensa maioria da população global; iv) bem como na contramão da maximização do bem-estar, conforme indicado por estudo empírico feito por economistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, que demonstram que a tecnologia P2P não deve ser combatida, sob pena de diminuição do bem-estar global, leia-se, alguns bilhões de dólares.
ARede - Existe uma consulta pública do Ministério da Cultura (Minc) para fazer a revisão da Lei de Direitos Autorais e o Ministério da Justiça está fazendo outra para propor um Marco Civil para a internet no Brasil. Como o ACTA pode influenciar esses debates?
Paranaguá - Dificilmente o Brasil irá aderir ao ACTA, ao menos no futuro próximo. Tanto o MinC como o Itamaraty são totalmente contra o ACTA. A política nacional e internacional do presidente Lula é totalmente contra a falta de flexibilidades e equilíbrios entre os interesses em jogo, daí termos rejeitado a ALCA, bem como o próprio Lula ter apoiado, recentemente, a construção do marco civil regulatório da internet.
Mas nada garante que as mudanças no futuro, bem como outros governos, não mudem a política tão bem equilibrada até o momento, ao menos nesta área que versa sobre propriedade intelectual e internet -- vide programa de acesso universal para pacientes com HIV, tido como modelo mundial, bem como o novo ante-projeto de lei autoral que está prestes a ir a discussão pública, e a atual consulta pública sobre o marco civil da internet.
Caso o ACTA seja um dia assinado pelo Brasil, todos esses avanços feitos até então iriam por água abaixo, tendo em vista ser um acordo que chamamos de TRIPs-plus, ou seja, com patamares muito mais rígidos do que os exigidos por TRIPs, e sem as já poucas flexibilidades do TRIPs. E mesmo que não seja adotado pelo Brasil, o ACTA pode influenciar negativamente, sob forma de lobby e pressão política de grupos privados -- nesse sentido, nossa atual lei de direitos autorais é muito mais restritiva do que manda o TRIPs; aliás, uma das leis autorais mais restritivas e inflexivéis do mundo.
ARede - Como foi a reação internacional em relação aos termos da negociação que vazaram durante a reunião na Coréia do Sul?
Paranaguá - A reação foi péssima no mundo acadêmico internacional, bem como de instituições de proteção ao consumidor e à liberdade de expressão e da privacidade, bem como em algumas grandes corporações relacionadas a tecnologia. De acordo com o que vazou, o ACTA é um desfavor ao avanço tecnológico, a muitos artistas e aos consumidores.
Em relação à criminalização das redes P2P, é perda de bilhões de dólares em bem-estar, caso o P2P não fosse criminalizado, como constata estudo de economistas da Universidade de Maastrich. É a tentativa de se manter o status quo das empresas de conteúdo, o controle máximo sobre o acesso a obras autorais, e a maximização do lucro de poucos.
Certamente o momento atual não é fácil para a indústria do conteúdo, que se vê diante de uma mudança radical, mas já implementada, e sem volta: o mundo digital e a internet. É compreensivel sua preocupação. Mas não parecem justificáveis seu atos. O temor existe: de perder a alta rentabilidade, o controle do acesso e os cargos -- de seus altos executivos. É compreensível, inclusive, o temor de se tomar uma decisão radical tendo em vista ser um modelo de negócio completamente novo para essa indústria tão tradicional. Mas vários estudos e fatos nos apontam cada vez mais para a direção mais acertada e sustentável.
ARede - Que direção seria esta?
Paranaguá - Quem sabe olhando para trás, a história nos ensine o caminho para o futuro. No início do século passado, tentou-se proibir as partituras das pianolas: o Congresso americano não aceitou e instituiu a regra da responsabilidade -- não precisava pedir autorização para reproduzir as partituras, mas se pagava dois centavos de dólar para cada partitura copiada. Resultado? Muito mais partituras, mais música, mais casas lotadas, mais dinheiro. Na década de 1980 Hollywood tentou proibir o videocassete e processou a Sony. A Suprema Corte americana decidiu que o videocassete não deveria ser proibido. Resultado? Uma das principais fontes de renda de Hollywood passou a ser o aluguel e venda de fitas de videocassete.
Hoje algo semelhante ocorre com as redes P2P. A indústria de conteúdo processa seus próprios consumidores (aliás, seus melhores consumidores). Processa as redes de P2P. Olham a situação como ameaça. Quem olhar com criatividade, perceberá que há rios de dinheiro proporcionados pela rede P2P, i) seja através da cobrança pelos provedores de internet, de um preço fixo, justo, baixo, para troca ilimitada de arquivos (download e upload), sem travas anticópia (DRM), e somente para consumidores que queiram aderir ao esquema (sendo o resultado distribuído justamente aos artistas e titulares -- que, igualmente, queiram entrar nesse modelo), ii) seja através a oferta gratuíta de música: isso mesmo, gratuíta.
Há muitas formas de se ganhar dinheiro com música: shows, rádios, execução pública em restaurantes, merchandising, licenciamento com marcas, com videogames, com telefonia móvel etc. P2P veio para ficar, de uma forma ou de outra. Resta à indústria de conteúdo ser criativa e inventar (ou abraçar) uma solução (disponível) aceitável pelos consumidores e fãs vorazes.
Fonte: A Rede
Data: 16/11/2009
Os termos das negociações e do próprio acordo não foram divulgados pelos governos desses países. Mas informações vazadas das negociações e publicadas na internet mostraram que um dos pontos centrais do ACTA é a repressão à troca de arquivos em redes P2P (de compartilhamento de informações na internet), com o uso de dispositivos semelhantes aos da Lei Hadopi, recentemente aprovada na França, e do Digital Millennium Copyright Act (DMCA, na sigla em inglês, ou Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital), a lei de direitos de autor dos Estados Unidos.
“Há uma tentativa crescente e global da indústria fonográfica (e audiovisual) de implementar um sistema chamado 'three strikes and you are out ' ou 'resposta gradual'”, explica Pedro Paranaguá, mestre (Universidade de Londres) e doutorando (Universidade de Duke) em Direito da Propriedade Intelectual e professor da FGV-Rio.
Flexibilidade e restrições
Paranaguá não acredita que o Brasil vá aderir ao ACTA, ao menos a médio prazo. Tanto o Ministério da Cultura quanto o Itamaraty são totalmente contra o acordo e a política nacional e internacional do presidente Lula é contrária à falta de flexibilidades e equilíbrios entre os interesses em jogo. No caso, entre os interesses dos artistas, dos usuários de internet e os da indústria de entretenimento e de tecnologia.
Além disso, o acordo está sendo negociado como uma reação à Agenda do Desenvolvimento da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), órgão da ONU responsável por discutir propriedade intelectual. A Agenda do Desenvolvimento, liderada por Brasil e Argentina e co-patrocinada por outros 13 países, visa trazer um maior equilíbrio para a discussão.
Um acordo tão restritivo, no entanto, pode influenciar negativamente, sob forma de lobby e pressão política de grupos privados, debates em curso no país, como o da revisão da Lei de Direito Autoral. Nossa atual lei de direitos autorais é muito mais restritiva do que manda o TRIPS (Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights), ou, em português, Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio.
O TRIPS é um anexo do tratado que constituiu a Organização Mundial do Comércio (OMC) e trata de propriedade intelectual (marcas, direitos autorais, indicações geográficas, patentes etc). Um dos objetivos do governo brasileiro é flexibilizar esta lei, para equilibrar o interesse público do acesso à cultura com o da proteção do direito de autor. Veja abaixo a entrevista completa de Pedro Paranaguá sobre o ACTA e sua relação com o compartilhamento de arquivos na internet e com o Brasil.
ARede - O que é o ACTA?
Paranaguá - O Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) ou Acordo Comercial Anti-Contrafação é um acordo que está sendo discutido secretamente, sem qualquer transparência, entre EUA, União Européia, Japão, Austrália, Canadá, Suíça, Coréia do Sul e México. Países em desenvolvimento (com a exceção do México, que guarda relações relativamente próximas com os EUA) não foram convidados para discutir o assunto.
Basicamente, o ACTA busca espandir as obrigações relativas a propriedade intelectual, mas não as flexibilidades, como direitos dos consumidores, dos provedores de internet etc. Além disso, o ACTA é uma clara tentativa de se esvaziar as negociações sobre a Agenda do Desenvolvimento na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), órgão da ONU responsável por discutir propriedade intelectual junto com a OMC. A Agenda do Desenvolvimento, liderada por Brasil e Argentina, e co-patrocinada por outros 13 países, visa a trazer um maior equilíbrio para a discussão.
Além disso, o ACTA é o que alguns chamam de "policy-laundering", ou seja, alguns países, normalmente ricos, vão negociar na esfera internacional, onde eventualmente têm mais terreno e poder de decisão, para depois voltar internamente e tornar lei nacional as medidas dos tratados internacionais -- já que não conseguiriam aprovar tais leis com a forte pressão política da sociedade civil presente em tais países. Em 2004 houve o primeiro Congresso Global sobre Contrafação. Em 2006 os EUA convidaram alguns países para discutir o ACTA. Desde então houve seis reuniões sobre o acordo.
ARede - Qual a relação do ACTA com outros tratados internacionais, como o TRIPS (Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights), ou, em português, Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio?
Paranaguá - O Brasil é signatário da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, por consequência, do TRIPs, um anexo do tratado que constituiu a OMC. Não há relação alguma entre o TRIPs/OMC e o ACTA. É o chamado "forum-shifting" ou "forum-shopping", ou seja, a tentativa de se avançar em algum campo, mas em outro foro, outro lugar. Já que países ricos acham que na OMPI -- ou até mesmo na OMC -- eles não estão conseguindo muita coisa, porque os países em desenvolvimento estão pressionando contra a maximização irracional e insustentável dos direitos de propriedade intelectual, eles decidiram abrir um novo foro de discussão, somente entre eles: o ACTA.
ARede - Como e por que o ACTA se transformou, de um tratado anticontrafação, em um instrumento para criminalizar o compartilhamento de arquivos na internet?
Paranaguá - Esta é uma questão importantíssima. O ACTA, de acordo com as informações que vazaram (a princípio as negociações estão sendo feitas em sigilo), enrijece, ainda mais, as normas de propriedade intelectual. Há uma tentativa crescente e global da indústria fonográfica (e audiovisual) de implementar um sistema chamado "three strikes and you are out" ou "resposta gradual". Tal sistema é uma parceria da indústria de conteúdo (direitos autorais) com os provedores de internet. Depois de o usuário de internet receber duas notificações sobre alegadas infrações a direitos autorais, na terceira ele teria sua internet desconectada e/ou sua velocidade de conexão diminuída.
Isso é uma afronta aos direitos humanos, ao direito de exercer sua cidadania (pagar contas, obter documentos do governo, declarar imposto de renda etc.), uma afronta à privacidade (se não houver ordem judicial autorizando o provedor de internet a identificar o conteúdo que está sendo baixado ou compartilhado por seu usuário), à liberdade de expressão, bem como uma medida desproporcional. Além disso, um número IP pode ser usado por vários membros da mesma família, ou seja, uma família inteira pode ficar sem acesso à internet, caso eventualmente uma única pessoa tenha exercido atos ilícitos. Se é que tenham sido ilícitos, já que em alguns casos a indústria de conteúdo tem tentado que a decisão não passe pelos tribunais, mas que seja decidida administrativa e privadamente, entre ela e o provedor de internet. Sem se levar em conta a possibilidade de "roubo" de sinal sem fio, tampouco sobre o desincentivo de redes sem fio compartilhadas e abertas.
ARede - O sistema de resposta gradual já foi adotado por alguns países, como a França, não é?
Paranaguá - Depois de muita rejeição da sociedade civil, e inicialmente do Comissão Européia, foi recentemente aprovado, com algumas modificações, na França. Há tentativas de se expandir para o Reino Unido. Há informações de que foi aprovado na Coréia do Sul, bem como que está em negociações avançadas na Nova Zelândia, bem como em dezenas de outros países, inclisive no Brasil.
Tal tentativa de criminalizar e punir o compartilhamento de arquivos (P2P) pela internet vai na contramão i) da prática feita por uma nova geração inteira; ii) na contramão do avanço tecnológico, que facilita a troca de informação, a distribuição de conteúdo digital e que elimina intermediários (aí o grande problema -- para a indústria de conteúdo); iii) na contramão da realidade social (poder aquisitivo) da imensa maioria da população global; iv) bem como na contramão da maximização do bem-estar, conforme indicado por estudo empírico feito por economistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, que demonstram que a tecnologia P2P não deve ser combatida, sob pena de diminuição do bem-estar global, leia-se, alguns bilhões de dólares.
ARede - Existe uma consulta pública do Ministério da Cultura (Minc) para fazer a revisão da Lei de Direitos Autorais e o Ministério da Justiça está fazendo outra para propor um Marco Civil para a internet no Brasil. Como o ACTA pode influenciar esses debates?
Paranaguá - Dificilmente o Brasil irá aderir ao ACTA, ao menos no futuro próximo. Tanto o MinC como o Itamaraty são totalmente contra o ACTA. A política nacional e internacional do presidente Lula é totalmente contra a falta de flexibilidades e equilíbrios entre os interesses em jogo, daí termos rejeitado a ALCA, bem como o próprio Lula ter apoiado, recentemente, a construção do marco civil regulatório da internet.
Mas nada garante que as mudanças no futuro, bem como outros governos, não mudem a política tão bem equilibrada até o momento, ao menos nesta área que versa sobre propriedade intelectual e internet -- vide programa de acesso universal para pacientes com HIV, tido como modelo mundial, bem como o novo ante-projeto de lei autoral que está prestes a ir a discussão pública, e a atual consulta pública sobre o marco civil da internet.
Caso o ACTA seja um dia assinado pelo Brasil, todos esses avanços feitos até então iriam por água abaixo, tendo em vista ser um acordo que chamamos de TRIPs-plus, ou seja, com patamares muito mais rígidos do que os exigidos por TRIPs, e sem as já poucas flexibilidades do TRIPs. E mesmo que não seja adotado pelo Brasil, o ACTA pode influenciar negativamente, sob forma de lobby e pressão política de grupos privados -- nesse sentido, nossa atual lei de direitos autorais é muito mais restritiva do que manda o TRIPs; aliás, uma das leis autorais mais restritivas e inflexivéis do mundo.
ARede - Como foi a reação internacional em relação aos termos da negociação que vazaram durante a reunião na Coréia do Sul?
Paranaguá - A reação foi péssima no mundo acadêmico internacional, bem como de instituições de proteção ao consumidor e à liberdade de expressão e da privacidade, bem como em algumas grandes corporações relacionadas a tecnologia. De acordo com o que vazou, o ACTA é um desfavor ao avanço tecnológico, a muitos artistas e aos consumidores.
Em relação à criminalização das redes P2P, é perda de bilhões de dólares em bem-estar, caso o P2P não fosse criminalizado, como constata estudo de economistas da Universidade de Maastrich. É a tentativa de se manter o status quo das empresas de conteúdo, o controle máximo sobre o acesso a obras autorais, e a maximização do lucro de poucos.
Certamente o momento atual não é fácil para a indústria do conteúdo, que se vê diante de uma mudança radical, mas já implementada, e sem volta: o mundo digital e a internet. É compreensivel sua preocupação. Mas não parecem justificáveis seu atos. O temor existe: de perder a alta rentabilidade, o controle do acesso e os cargos -- de seus altos executivos. É compreensível, inclusive, o temor de se tomar uma decisão radical tendo em vista ser um modelo de negócio completamente novo para essa indústria tão tradicional. Mas vários estudos e fatos nos apontam cada vez mais para a direção mais acertada e sustentável.
ARede - Que direção seria esta?
Paranaguá - Quem sabe olhando para trás, a história nos ensine o caminho para o futuro. No início do século passado, tentou-se proibir as partituras das pianolas: o Congresso americano não aceitou e instituiu a regra da responsabilidade -- não precisava pedir autorização para reproduzir as partituras, mas se pagava dois centavos de dólar para cada partitura copiada. Resultado? Muito mais partituras, mais música, mais casas lotadas, mais dinheiro. Na década de 1980 Hollywood tentou proibir o videocassete e processou a Sony. A Suprema Corte americana decidiu que o videocassete não deveria ser proibido. Resultado? Uma das principais fontes de renda de Hollywood passou a ser o aluguel e venda de fitas de videocassete.
Hoje algo semelhante ocorre com as redes P2P. A indústria de conteúdo processa seus próprios consumidores (aliás, seus melhores consumidores). Processa as redes de P2P. Olham a situação como ameaça. Quem olhar com criatividade, perceberá que há rios de dinheiro proporcionados pela rede P2P, i) seja através da cobrança pelos provedores de internet, de um preço fixo, justo, baixo, para troca ilimitada de arquivos (download e upload), sem travas anticópia (DRM), e somente para consumidores que queiram aderir ao esquema (sendo o resultado distribuído justamente aos artistas e titulares -- que, igualmente, queiram entrar nesse modelo), ii) seja através a oferta gratuíta de música: isso mesmo, gratuíta.
Há muitas formas de se ganhar dinheiro com música: shows, rádios, execução pública em restaurantes, merchandising, licenciamento com marcas, com videogames, com telefonia móvel etc. P2P veio para ficar, de uma forma ou de outra. Resta à indústria de conteúdo ser criativa e inventar (ou abraçar) uma solução (disponível) aceitável pelos consumidores e fãs vorazes.
Fonte: A Rede
Data: 16/11/2009
Brasileiro lê um livro por ano, revela pesquisa
Instituto Pró-Livro divulga a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil
Um levantamento do Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7 - ainda assim baixo.
Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios de todos os estados em 2007.
"O livro é pouco presente no imaginário do brasileiro", explica o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro.
Detalhes dos hábitos do brasileiro relacionados ao livro, revelados na pesquisa, atestam a afirmação. O levantamento considera como não leitores aqueles que declararam não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, ainda que tenha lido ocasionalmente ou em outros meses do ano.
Entre os leitores, 41% disseram que gostam muito de ler no tempo livre, enquanto 13% admitiram que não gostam. Também entre os 95 milhões de leitores brasileiros, 75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22% sustentaram que leem apenas por obrigação.
Com as estatísticas nas mãos, Fabiano dos Santos diz que há dois caminhos a percorrer para fazer do Brasil um país de leitores: ampliar o acesso ao livro e investir na formação de leitores.
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil sugere que a maior influência para a formação do hábito da leitura vem dos pais, o que explica o fato de que 63% dos não leitores informaram nunca terem visto os pais lendo.
Por outro lado, o levantamento sugere que o hábito de ler é consolidado na escola e quanto maior o nível de escolaridade, maior o tempo dedicado à leitura. Entre os entrevistados com ensino superior, há apenas 2% de não leitores e 20% disseram que dedicam entre quatro e dez horas por semana aos livros. Este índice cai para 12% entre estudantes do ensino médio.
"É em casa e na escola, que os leitores são formados. Depois dos pais, os professores são os maiores incentivadores, mas poucos têm a experiência da leitura. E, neste caso, fazer do aluno um leitor é uma mágica", diz o diretor do Livro do Ministério da Cultura.
O professor de Literatura Dilvanio Albuquerque considera que o desinteresse do brasileiro pelos livros não pode ser atribuído apenas à família e à escola. "O problema é mais amplo. Não podemos falar que a culpa é da instituição, seja ela familiar ou escolar, porque, na verdade, o problema é cultural".
Para o professor, até entre os universitários, o hábito da leitura não é comum, inclusive nos cursos em que o contato com a escrita é fundamental. "Normalmente a universidade não oferece um bom acervo. Moramos em um país em que os livros são caros e de difícil acesso", disse. (Lísia Gusmão, da Agência Brasil, 21/11)
Fonte: JC e-mail 3895
Data: 23/11/2009
Um levantamento do Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7 - ainda assim baixo.
Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios de todos os estados em 2007.
"O livro é pouco presente no imaginário do brasileiro", explica o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro.
Detalhes dos hábitos do brasileiro relacionados ao livro, revelados na pesquisa, atestam a afirmação. O levantamento considera como não leitores aqueles que declararam não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, ainda que tenha lido ocasionalmente ou em outros meses do ano.
Entre os leitores, 41% disseram que gostam muito de ler no tempo livre, enquanto 13% admitiram que não gostam. Também entre os 95 milhões de leitores brasileiros, 75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22% sustentaram que leem apenas por obrigação.
Com as estatísticas nas mãos, Fabiano dos Santos diz que há dois caminhos a percorrer para fazer do Brasil um país de leitores: ampliar o acesso ao livro e investir na formação de leitores.
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil sugere que a maior influência para a formação do hábito da leitura vem dos pais, o que explica o fato de que 63% dos não leitores informaram nunca terem visto os pais lendo.
Por outro lado, o levantamento sugere que o hábito de ler é consolidado na escola e quanto maior o nível de escolaridade, maior o tempo dedicado à leitura. Entre os entrevistados com ensino superior, há apenas 2% de não leitores e 20% disseram que dedicam entre quatro e dez horas por semana aos livros. Este índice cai para 12% entre estudantes do ensino médio.
"É em casa e na escola, que os leitores são formados. Depois dos pais, os professores são os maiores incentivadores, mas poucos têm a experiência da leitura. E, neste caso, fazer do aluno um leitor é uma mágica", diz o diretor do Livro do Ministério da Cultura.
O professor de Literatura Dilvanio Albuquerque considera que o desinteresse do brasileiro pelos livros não pode ser atribuído apenas à família e à escola. "O problema é mais amplo. Não podemos falar que a culpa é da instituição, seja ela familiar ou escolar, porque, na verdade, o problema é cultural".
Para o professor, até entre os universitários, o hábito da leitura não é comum, inclusive nos cursos em que o contato com a escrita é fundamental. "Normalmente a universidade não oferece um bom acervo. Moramos em um país em que os livros são caros e de difícil acesso", disse. (Lísia Gusmão, da Agência Brasil, 21/11)
Fonte: JC e-mail 3895
Data: 23/11/2009
Patentes abusivas preocupam países ricos
Excesso de proteção está atrapalhando esforços de inovação, dizem críticos; nova jurisprudência pode forçar mudança em tratado
Claudia Antunes escreve para a "Folha de SP":
A ampliação do escopo dos produtos considerados patenteáveis -isto é, passíveis de receberem direito temporário de exploração por monopólio- está provocando reação política e batalhas jurídicas em países desenvolvidos.
O debate diz respeito principalmente a possíveis invenções em biotecnologia, farmácia, tecnologia da informação e métodos de negócios, e provoca divisões dentro de governos e entre setores industriais e científicos.
A questão central é em que medida o sistema de patentes, globalizado a partir de 1994 com o acordo Trips da OMC (Organização Mundial do Comércio), contribui para promover a inovação ou pode tolhê-la -ao aumentar o custo dos royalties para os que querem fazer pesquisas e lançar produtos em áreas protegidas.
"A maior parte da literatura econômica sugere que há uma relação de "U" invertido entre a inovação e a proteção por patente. Maior proteção é bom, pelo menos por um tempo. Em algum ponto, porém, a relação se torna negativa. Parte da literatura sugere que o nível ótimo de proteção é menor em países menos avançados", diz Josh Lerner, especialista em inovação tecnológica da Escola de Negócios de Harvard.
Nos EUA, onde o jornal "Financial Times" identificou uma "pandemia de patentes", a Suprema Corte realizou no dia 9 a primeira audiência do caso Bilski e Warsaw contra Kappos. Aparentemente banal, ele pode mudar a jurisprudência sobre a área de bens não tangíveis -software, transações financeiras, técnicas médicas-, em que o país é dos poucos que dão proteção patentária.
Bernard Bilski e Rand Warsaw recorrem de decisão que lhes negou patente de um processo que ajudaria a planejar gastos com energia. Um dos juízes da corte chegou a questionar, com ironia, se seu "maravilhoso método de ensinar lei antitruste" seria patenteável.
Gigantes como Microsoft e Google -frequentemente acionadas por pequenas empresas que reclamam ter inventado tecnologias usadas por elas- puseram-se contra os litigantes. Do lado deles, ficaram empresas da área biomédica.
Ataque aos genéricos
Na Europa, um relatório da Comissão Europeia, de julho, acusou farmacêuticas de usar táticas para adiar a entrada de genéricos no mercado, incluindo pedidos de novas patentes para substâncias já protegidas. O documento aponta declínio, nesta década, no lançamento de novos remédios, possível indicação de prejuízo à inovação.
O Escritório Europeu de Patentes defendeu as empresas, afirmando que as patentes ditas secundárias "também são esteio do processo de inovação" e merecem até escrutínio similar ao da substância original.
Na Austrália, a patente conjunta dos genes isolados BRCA1 e BRCA2, nos quais mutações causam câncer de mama, e de um teste para sua identificação, provocou a criação de uma Comissão de Inquérito no Senado, ainda em andamento.
A firma australiana que tem a licença da patente americana argumenta que seus direitos sobre a molécula isolada ou artificialmente produzida não se estendem à encontrada no corpo humano. Ela acabou recuando da cobrança de royalties do maior hospital público para tratamento de câncer.
Problema conceitual
Por trás desses casos está questão difícil sobre o que constitui uma invenção e não uma descoberta ou a extensão óbvia de tecnologias existentes -na Lei de Propriedade Industrial brasileira, de 1996, isso é definido "por exclusão", explica o advogado Luiz Leonardos, da área de marcas e patentes.
Luigi Palombi, da Universidade Nacional da Austrália, defensor de revisão radical do sistema mundial de patentes, afirma que o isolamento de um gene é uma descoberta, posição que é também de Luís Carlos Wanderley, coordenador de Propriedade Intelectual da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Mas a divisão de posições se dá sobretudo em função de interesses. Muitos na comunidade científica, exemplifica o americano Lerner, "se beneficiam por poder comercializar suas ideias, e não poderiam obter fundos para suas pesquisas sem a proteção da patente".
Por outro lado, diz ele, patentes que limitam pesquisas são preocupantes. "Nos EUA, acabamos com a exceção para a pesquisa, que permitia infringir patentes com esse fim. Há o perigo real de que a proliferação de patentes biomédicas e agrícolas possa coibir inovação nessa área crítica."
Até os anos 1970, diz Palombi, a maioria dos países europeus -e o Brasil também- só permitia patentes de processos, não de produtos. "A análise histórica mostra que você não precisa do nível de patentes que há hoje para encorajar inovações. É preciso equilíbrio."
No Brasil, disputa entre INPI e Anvisa se acirra
No Brasil, uma disputa que opõe o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se intensificou neste mês, depois que parecer da Procuradoria Geral Federal propôs limitar o papel da agência no exame de patentes de medicamentos.
O parecer só será vinculante se for assinado pelo presidente, mas já provoca reação do coordenador de propriedade intelectual da Anvisa, Luis Carlos Wanderley: "Desde o início, entendemos que tínhamos de examinar o pedido do início ao fim. Olhamos a lei [de propriedade intelectual] com todo o rigor, visando interesse público".
O requisito foi introduzido na lei em 2001, quando o governador de SP, José Serra, era ministro da Saúde. Mas o parecer afirma que o órgão deve se limitar à "atribuição institucional" de checar se o objeto da patente causa danos à saúde.
Wanderley diz que isso leva a "dois becos sem saída": não se exige do pedido de patente a prova de que o produto não faz mal. Aprovando algo sem dados suficientes, a agência pode ser legalmente responsabilizada.
O presidente do INPI, Jorge Ávila, contra-argumenta. Afirma que o artigo da lei que prevê veto por questão de saúde pública "se refere aos riscos já conhecidos, e não aos que serão conhecidos no futuro".
Exemplifica: se o produto tiver substâncias banidas ou micro-organismos de risco inaceitável, não será aprovado. "Nos casos em que a avaliação do risco não for possível ao tempo do exame da patente, entendo que a anuência deve ser concedida."
A Associação Brasileira da Propriedade Industrial apoia o INPI. Pedro Barbosa, advogado de fabricantes de genéricos, defende a Anvisa. Para ele, A agência deve avaliar todo o mérito do pedido de patente.(Folha de SP, 22/11)
Fonte:JC e-mail 3895
Data: 23/11/2009
Claudia Antunes escreve para a "Folha de SP":
A ampliação do escopo dos produtos considerados patenteáveis -isto é, passíveis de receberem direito temporário de exploração por monopólio- está provocando reação política e batalhas jurídicas em países desenvolvidos.
O debate diz respeito principalmente a possíveis invenções em biotecnologia, farmácia, tecnologia da informação e métodos de negócios, e provoca divisões dentro de governos e entre setores industriais e científicos.
A questão central é em que medida o sistema de patentes, globalizado a partir de 1994 com o acordo Trips da OMC (Organização Mundial do Comércio), contribui para promover a inovação ou pode tolhê-la -ao aumentar o custo dos royalties para os que querem fazer pesquisas e lançar produtos em áreas protegidas.
"A maior parte da literatura econômica sugere que há uma relação de "U" invertido entre a inovação e a proteção por patente. Maior proteção é bom, pelo menos por um tempo. Em algum ponto, porém, a relação se torna negativa. Parte da literatura sugere que o nível ótimo de proteção é menor em países menos avançados", diz Josh Lerner, especialista em inovação tecnológica da Escola de Negócios de Harvard.
Nos EUA, onde o jornal "Financial Times" identificou uma "pandemia de patentes", a Suprema Corte realizou no dia 9 a primeira audiência do caso Bilski e Warsaw contra Kappos. Aparentemente banal, ele pode mudar a jurisprudência sobre a área de bens não tangíveis -software, transações financeiras, técnicas médicas-, em que o país é dos poucos que dão proteção patentária.
Bernard Bilski e Rand Warsaw recorrem de decisão que lhes negou patente de um processo que ajudaria a planejar gastos com energia. Um dos juízes da corte chegou a questionar, com ironia, se seu "maravilhoso método de ensinar lei antitruste" seria patenteável.
Gigantes como Microsoft e Google -frequentemente acionadas por pequenas empresas que reclamam ter inventado tecnologias usadas por elas- puseram-se contra os litigantes. Do lado deles, ficaram empresas da área biomédica.
Ataque aos genéricos
Na Europa, um relatório da Comissão Europeia, de julho, acusou farmacêuticas de usar táticas para adiar a entrada de genéricos no mercado, incluindo pedidos de novas patentes para substâncias já protegidas. O documento aponta declínio, nesta década, no lançamento de novos remédios, possível indicação de prejuízo à inovação.
O Escritório Europeu de Patentes defendeu as empresas, afirmando que as patentes ditas secundárias "também são esteio do processo de inovação" e merecem até escrutínio similar ao da substância original.
Na Austrália, a patente conjunta dos genes isolados BRCA1 e BRCA2, nos quais mutações causam câncer de mama, e de um teste para sua identificação, provocou a criação de uma Comissão de Inquérito no Senado, ainda em andamento.
A firma australiana que tem a licença da patente americana argumenta que seus direitos sobre a molécula isolada ou artificialmente produzida não se estendem à encontrada no corpo humano. Ela acabou recuando da cobrança de royalties do maior hospital público para tratamento de câncer.
Problema conceitual
Por trás desses casos está questão difícil sobre o que constitui uma invenção e não uma descoberta ou a extensão óbvia de tecnologias existentes -na Lei de Propriedade Industrial brasileira, de 1996, isso é definido "por exclusão", explica o advogado Luiz Leonardos, da área de marcas e patentes.
Luigi Palombi, da Universidade Nacional da Austrália, defensor de revisão radical do sistema mundial de patentes, afirma que o isolamento de um gene é uma descoberta, posição que é também de Luís Carlos Wanderley, coordenador de Propriedade Intelectual da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Mas a divisão de posições se dá sobretudo em função de interesses. Muitos na comunidade científica, exemplifica o americano Lerner, "se beneficiam por poder comercializar suas ideias, e não poderiam obter fundos para suas pesquisas sem a proteção da patente".
Por outro lado, diz ele, patentes que limitam pesquisas são preocupantes. "Nos EUA, acabamos com a exceção para a pesquisa, que permitia infringir patentes com esse fim. Há o perigo real de que a proliferação de patentes biomédicas e agrícolas possa coibir inovação nessa área crítica."
Até os anos 1970, diz Palombi, a maioria dos países europeus -e o Brasil também- só permitia patentes de processos, não de produtos. "A análise histórica mostra que você não precisa do nível de patentes que há hoje para encorajar inovações. É preciso equilíbrio."
No Brasil, disputa entre INPI e Anvisa se acirra
No Brasil, uma disputa que opõe o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se intensificou neste mês, depois que parecer da Procuradoria Geral Federal propôs limitar o papel da agência no exame de patentes de medicamentos.
O parecer só será vinculante se for assinado pelo presidente, mas já provoca reação do coordenador de propriedade intelectual da Anvisa, Luis Carlos Wanderley: "Desde o início, entendemos que tínhamos de examinar o pedido do início ao fim. Olhamos a lei [de propriedade intelectual] com todo o rigor, visando interesse público".
O requisito foi introduzido na lei em 2001, quando o governador de SP, José Serra, era ministro da Saúde. Mas o parecer afirma que o órgão deve se limitar à "atribuição institucional" de checar se o objeto da patente causa danos à saúde.
Wanderley diz que isso leva a "dois becos sem saída": não se exige do pedido de patente a prova de que o produto não faz mal. Aprovando algo sem dados suficientes, a agência pode ser legalmente responsabilizada.
O presidente do INPI, Jorge Ávila, contra-argumenta. Afirma que o artigo da lei que prevê veto por questão de saúde pública "se refere aos riscos já conhecidos, e não aos que serão conhecidos no futuro".
Exemplifica: se o produto tiver substâncias banidas ou micro-organismos de risco inaceitável, não será aprovado. "Nos casos em que a avaliação do risco não for possível ao tempo do exame da patente, entendo que a anuência deve ser concedida."
A Associação Brasileira da Propriedade Industrial apoia o INPI. Pedro Barbosa, advogado de fabricantes de genéricos, defende a Anvisa. Para ele, A agência deve avaliar todo o mérito do pedido de patente.(Folha de SP, 22/11)
Fonte:JC e-mail 3895
Data: 23/11/2009
Grupo coloca no ar 4,6 milhões de e-books
Um grupo de grandes bibliotecas americanas afirmou que seus usuários agora poderão buscar textos na íntegra de 4,6 milhões de títulos digitalizados.
No ano passado, a Universidade de Michigan e 24 outras bibliotecas do país estrearam a HathiTrust Digital Library. O consórcio está disponibilizando pesquisa online gratuita em todo o seu material.
O grupo acrescentou que mensalmente centenas de volumes são adicionados à biblioteca digital.
Entre os participantes do consórcio estão a biblioteca da Universidade da Califórnia, a Biblioteca Digital da Califórnia, da Indiana, do Michigan, de Ohio e das Universidades de Penn State, Purdue, Chicago, Illinois, Iowa, Minnesota e Virginia.
Fonte: Info Plantão
+
http://catalog.hathitrust.org/
HathiTrust Offers Full-Text Search of Millions of Digitized Books and Journals
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 20/11/2009
No ano passado, a Universidade de Michigan e 24 outras bibliotecas do país estrearam a HathiTrust Digital Library. O consórcio está disponibilizando pesquisa online gratuita em todo o seu material.
O grupo acrescentou que mensalmente centenas de volumes são adicionados à biblioteca digital.
Entre os participantes do consórcio estão a biblioteca da Universidade da Califórnia, a Biblioteca Digital da Califórnia, da Indiana, do Michigan, de Ohio e das Universidades de Penn State, Purdue, Chicago, Illinois, Iowa, Minnesota e Virginia.
Fonte: Info Plantão
+
http://catalog.hathitrust.org/
HathiTrust Offers Full-Text Search of Millions of Digitized Books and Journals
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 20/11/2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Aprenda inglês de graça com o YouTube
Além de ser uma plataforma de entretenimento, o YouTube também traz diversas opções para estudar. Pensando nisso, a INFO separou alguns cursos de inglês para você.
Os vídeos nem sempre apresentam boa qualidade, mas o importante é o conteúdo apresentado, que aborda desde gramática até a pronúncia correta de palavras utilizadas no cotidiano e até em operações de negócios.
Os links levam para as primeiras aulas. Se o assunto interessar, é possível acompanhar as novidades se inscrevendo nos canais dos professores.
Confira a seleção da INFO:
-Curso de inglês online para negócios
O professor canadense Steve Ford apresenta uma abordagem interessante, com o objetivo de introduzir o aluno ao inglês voltado aos negócios. A qualidade do vídeo, produzido pelo Private English Portal, é relativamente boa, o que incentiva o acompanhamento.
A melhor parte desse curso é que Ford mostra como se comportar em uma entrevista de emprego. Uma das vantagens é que esse tipo de dicas pode ser levado para qualquer idioma.
-Dicas rápidas de pronúncia
Em seu programa, Arthur apresenta diversas dicas interessantes de pronúncia, com exemplo e comparações bem simples, que podem ajudar a superar a barreira da fala em outros idiomas.
Boa parte de seus vídeos consiste na comparação da pronúncia de letras e palavras em inglês e português.
O programa, criado pelo professor Eduardo DeAguiar, tem um tom irreverente e está repleto de dicas de pronúncia e expressões utilizadas na língua inglesa.
Em alguns dos vídeos, o apresentador demonstra frases específicas e faz brincadeiras para ajudar a melhorar a pronúncia de algumas letras e sílabas específicas.
-Aulas de inglês básico
As aulas do professor Arnaldo possuem recursos de vídeo interessantes, apesar da qualidade do som não ser muito boa. Ele aborda os temas básicos, além de explorar diversas expressões comuns da língua.
Ele também aborda temos como verbos regulares, uso do gerúndio e presente contínuo, entre outros temas.
Fonte: Info Online
Data: 19/11/2009
Os vídeos nem sempre apresentam boa qualidade, mas o importante é o conteúdo apresentado, que aborda desde gramática até a pronúncia correta de palavras utilizadas no cotidiano e até em operações de negócios.
Os links levam para as primeiras aulas. Se o assunto interessar, é possível acompanhar as novidades se inscrevendo nos canais dos professores.
Confira a seleção da INFO:
-Curso de inglês online para negócios
O professor canadense Steve Ford apresenta uma abordagem interessante, com o objetivo de introduzir o aluno ao inglês voltado aos negócios. A qualidade do vídeo, produzido pelo Private English Portal, é relativamente boa, o que incentiva o acompanhamento.
A melhor parte desse curso é que Ford mostra como se comportar em uma entrevista de emprego. Uma das vantagens é que esse tipo de dicas pode ser levado para qualquer idioma.
-Dicas rápidas de pronúncia
Em seu programa, Arthur apresenta diversas dicas interessantes de pronúncia, com exemplo e comparações bem simples, que podem ajudar a superar a barreira da fala em outros idiomas.
Boa parte de seus vídeos consiste na comparação da pronúncia de letras e palavras em inglês e português.
O programa, criado pelo professor Eduardo DeAguiar, tem um tom irreverente e está repleto de dicas de pronúncia e expressões utilizadas na língua inglesa.
Em alguns dos vídeos, o apresentador demonstra frases específicas e faz brincadeiras para ajudar a melhorar a pronúncia de algumas letras e sílabas específicas.
-Aulas de inglês básico
As aulas do professor Arnaldo possuem recursos de vídeo interessantes, apesar da qualidade do som não ser muito boa. Ele aborda os temas básicos, além de explorar diversas expressões comuns da língua.
Ele também aborda temos como verbos regulares, uso do gerúndio e presente contínuo, entre outros temas.
Fonte: Info Online
Data: 19/11/2009
CNPq lança nova versão do Currículo Lattes
O CNPq lançou hoje (19) a nova versão do Currículo Lattes (CVLattes) com novas funcionalidades e amplas possibilidades de cruzamento de dados. O lançamento coincide com o aniversário de uma década da Plataforma Lattes.
O professor Figueiredo acredita que fraudes serão praticamente impossíveis com o novo sistema de certificação. Para o professor Passetto, quem ganha com a nova versão é a comunidade científica.
O CNPq vem buscando aperfeiçoar essa ferramenta que já é conhecida por todos os pesquisadores brasileiros e se tornou um patrimônio da comunidade científica. Os últimos avanços estão sendo incorporados a essa nova versão que inclui a possibilidade de consulta às citações dos artigos publicados em revistas indexadas no Web of Science e que estejam registradas nos currículos com o DOI (Digital Object Identifier- um identificador digital único) correspondente. Para que isso fosse possível um acordo com a empresa Thomson&Reuters, administradora do Instituto para a Informação Científica (ISI), foi firmado há dois meses pela diretoria do CNPq. A base Web of Science é a mais relevante do mundo, cobrindo mais de 10 mil periódicos científicos desde 1954. Também foi firmado acordo com o Scielo, uma base com mais de 230 mil artigos registrados, que permitirá a recuperação das citações dos artigos registrados no Lattes. A base Scielo conta, atualmente, com mais de 600 periódicos científicos cadastrados.
Outra novidade é o acordo com a Receita Federal que permite a certificação dos dados da pessoa que se registra na base Lattes e deve impedir a introdução de currículos fantasmas. Além de conferir os dados no momento em que o currículo é criado, o CNPq já está fazendo uma varredura dos currículos já depositados na base Lattes para depurar os dados. O processo está se iniciando pelo segmento dos doutores.
Para o professor Roberto Passetto Falcão, presidente da Comissão de Acompanhamento do Sistema de Currículos da Plataforma Lattes, a incorporação dos dados do ISI ao CVLattes acrescentará informações extremamente importantes para os usuários da Plataforma Lattes e para a comunidade científica. “A qualidade de um trabalho científico é avaliado indiretamente pelo periódico onde ele é publicado e pelo número de citações do artigo por outros cientistas que atuam na área do conhecimento do trabalho publicado. Este acordo com o ISI permitirá que estes aspectos estejam disponíveis quando se analisa o CV Lattes”, disse ele. Da mesma forma pensa o professor Antonio Martins Figueiredo Neto, membro da Comissão: “os acordos firmados aprimoram o CV Lattes de maneira profunda, dando tanto maior credibilidade quanto novos instrumentos de análise da produção científica ao usuário”. Figueiredo acredita que fraudes serão praticamente impossíveis com o novo sistema de certificação e só aumentará a credibilidade da ferramenta. “Além disso, o CV Lattes passará a ter uma inserção internacional quando parcela significativa dos currículos estiver disponível em Inglês. Esse trabalho vai auxiliar as entidades de fomento e governamentais do exterior a ter uma visão mais realista da comunidade científica brasileira”, finalizou.
O coordenador geral de Informática do CNPq e também membro da Comissão de Acompanhamento do Lattes, Geraldo Sorte, informou que outra funcionalidade interessante é a Rede de Colaboração, em que será possível visualizar graficamente a rede de co-autores de um pesquisador que tenham também o Currículo Lattes. “Esta rede é composta pelos outros pesquisadores que trabalharam em conjunto com o pesquisador em questão em co-autoria de artigos científicos”, esclareceu.
Sorte disse que outras modificações deverão ocorrer nos próximos meses no currículo, tais como acréscimos de campos e do módulo “Patentes e Registros”, alterações no layout e de navegabilidade, implementos de apoio ao usuário e alterações de ordem técnica, bem como detalhamento e validação de dados para maior segurança.
Sobre o Lattes
A Plataforma Lattes representa a experiência do CNPq na integração de bases de dados de currículos e de instituições da área de ciência e tecnologia em um único Sistema de Informações, cuja importância atual se estende, não só às atividades operacionais de fomento do CNPq, como também às ações de fomento de outras agências federais e estaduais.
Criada em 1999, contém, atualmente, mais de 1,5 milhão de currículos. Desse total, 120 mil, ou 8%, são currículos de pessoas com doutorado. Estão disponíveis informações relativas à educação formal, experiência profissional, áreas de pesquisa, projetos e linhas de pesquisa, artigos em periódicos, livros e capítulos publicados, produtos e patentes, produções artísticas e culturais, entre outras.
As informações do Currículo Lattes têm sido utilizadas por todas as agências de fomento, universidades e institutos e centros de pesquisas do Brasil para avaliar as propostas de financiamento para projetos de pesquisa. O banco de dados também é utilizado por estudantes para selecionar orientadores, assim como as instituições também a consultam para contratar consultores científicos ou assessores.
Mais informações em lattes.cnpq.br.
Fonte: Portal do CNPQ
Data: 19/11/2009
O professor Figueiredo acredita que fraudes serão praticamente impossíveis com o novo sistema de certificação. Para o professor Passetto, quem ganha com a nova versão é a comunidade científica.
O CNPq vem buscando aperfeiçoar essa ferramenta que já é conhecida por todos os pesquisadores brasileiros e se tornou um patrimônio da comunidade científica. Os últimos avanços estão sendo incorporados a essa nova versão que inclui a possibilidade de consulta às citações dos artigos publicados em revistas indexadas no Web of Science e que estejam registradas nos currículos com o DOI (Digital Object Identifier- um identificador digital único) correspondente. Para que isso fosse possível um acordo com a empresa Thomson&Reuters, administradora do Instituto para a Informação Científica (ISI), foi firmado há dois meses pela diretoria do CNPq. A base Web of Science é a mais relevante do mundo, cobrindo mais de 10 mil periódicos científicos desde 1954. Também foi firmado acordo com o Scielo, uma base com mais de 230 mil artigos registrados, que permitirá a recuperação das citações dos artigos registrados no Lattes. A base Scielo conta, atualmente, com mais de 600 periódicos científicos cadastrados.
Outra novidade é o acordo com a Receita Federal que permite a certificação dos dados da pessoa que se registra na base Lattes e deve impedir a introdução de currículos fantasmas. Além de conferir os dados no momento em que o currículo é criado, o CNPq já está fazendo uma varredura dos currículos já depositados na base Lattes para depurar os dados. O processo está se iniciando pelo segmento dos doutores.
Para o professor Roberto Passetto Falcão, presidente da Comissão de Acompanhamento do Sistema de Currículos da Plataforma Lattes, a incorporação dos dados do ISI ao CVLattes acrescentará informações extremamente importantes para os usuários da Plataforma Lattes e para a comunidade científica. “A qualidade de um trabalho científico é avaliado indiretamente pelo periódico onde ele é publicado e pelo número de citações do artigo por outros cientistas que atuam na área do conhecimento do trabalho publicado. Este acordo com o ISI permitirá que estes aspectos estejam disponíveis quando se analisa o CV Lattes”, disse ele. Da mesma forma pensa o professor Antonio Martins Figueiredo Neto, membro da Comissão: “os acordos firmados aprimoram o CV Lattes de maneira profunda, dando tanto maior credibilidade quanto novos instrumentos de análise da produção científica ao usuário”. Figueiredo acredita que fraudes serão praticamente impossíveis com o novo sistema de certificação e só aumentará a credibilidade da ferramenta. “Além disso, o CV Lattes passará a ter uma inserção internacional quando parcela significativa dos currículos estiver disponível em Inglês. Esse trabalho vai auxiliar as entidades de fomento e governamentais do exterior a ter uma visão mais realista da comunidade científica brasileira”, finalizou.
O coordenador geral de Informática do CNPq e também membro da Comissão de Acompanhamento do Lattes, Geraldo Sorte, informou que outra funcionalidade interessante é a Rede de Colaboração, em que será possível visualizar graficamente a rede de co-autores de um pesquisador que tenham também o Currículo Lattes. “Esta rede é composta pelos outros pesquisadores que trabalharam em conjunto com o pesquisador em questão em co-autoria de artigos científicos”, esclareceu.
Sorte disse que outras modificações deverão ocorrer nos próximos meses no currículo, tais como acréscimos de campos e do módulo “Patentes e Registros”, alterações no layout e de navegabilidade, implementos de apoio ao usuário e alterações de ordem técnica, bem como detalhamento e validação de dados para maior segurança.
Sobre o Lattes
A Plataforma Lattes representa a experiência do CNPq na integração de bases de dados de currículos e de instituições da área de ciência e tecnologia em um único Sistema de Informações, cuja importância atual se estende, não só às atividades operacionais de fomento do CNPq, como também às ações de fomento de outras agências federais e estaduais.
Criada em 1999, contém, atualmente, mais de 1,5 milhão de currículos. Desse total, 120 mil, ou 8%, são currículos de pessoas com doutorado. Estão disponíveis informações relativas à educação formal, experiência profissional, áreas de pesquisa, projetos e linhas de pesquisa, artigos em periódicos, livros e capítulos publicados, produtos e patentes, produções artísticas e culturais, entre outras.
As informações do Currículo Lattes têm sido utilizadas por todas as agências de fomento, universidades e institutos e centros de pesquisas do Brasil para avaliar as propostas de financiamento para projetos de pesquisa. O banco de dados também é utilizado por estudantes para selecionar orientadores, assim como as instituições também a consultam para contratar consultores científicos ou assessores.
Mais informações em lattes.cnpq.br.
Fonte: Portal do CNPQ
Data: 19/11/2009
Detetives da história: um meio moderno de aprender
Imagine poder desvendar várias histórias verídicas, acontecidas ao longo do século XIX de forma interativa e ainda com os recursos da internet. É o que propõe o site Detetives do Passado. Nele, se pode investigar um caso de rebeldia escrava no engenho Santana; ver como e por que senhores de engenho foram parar no banco dos réus, acusados por escravos de sua propriedade; entender a importância para um liberto em conseguir obter sua carta de sangrador, e descobrir o que faz alguém com esse ofício; e até ver como é, em detalhes, a divisão das construções de um próspero engenho no vale do Paraíba. Cumprindo, passo a passo, as atividades propostas, o aluno vai descobrindo em detalhes como era o cotidiano do século XIX. Ao mesmo tempo, aprendendo de um modo bem mais interessante os aspectos históricos da época.
O site Detetives do Passado: escravidão século XIX tem como objetivo possibilitar a transposição entre o conhecimento produzido na universidade e o construído na escola, fornecendo instrumentos para que os alunos sejam capazes de observar, analisar, classificar, fazer generalizações e construir conceitos. De acordo com uma das coordenadoras do projeto, a professora de história Anita Correia Lima de Almeida, o projeto recebeu apoio do edital "Estímulo à produção e divulgação científica e tecnológica", da FAPERJ, e também recursos do programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), do CNPq. O projeto é resultado da parceria entre o Pronex e o Núcleo de Documentação, História e Memória (Numem), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).
Segundo Anita Almeida, as atividades se baseiam em experiências anteriores, publicadas no livro Oficinas de História e nas atividades desenvolvidas nas disciplinas Metodologia do Ensino de História e Seminário de Pesquisa em Ensino de História, ministradas aos alunos do curso de graduação em História da UniRio. O site usa o formato das webquests – atividades investigativas e interativas oferecidas na Internet – para que os alunos possam participar ativamente do aprendizado. "Essas atividades vêm sendo largamente empregadas no ensino que usa a internet. Nosso desafio foi o de procurar aliar os recursos da tecnologia a uma proposta metodológica consistente, criando uma forma criativa de aprender e de ensinar", diz.
A pesquisadora também explica que a Internet permite um enorme acesso e a possibilidade de reunir-se um grande acervo de material que não pode ser desprezado. "Mas o aluno precisa de ajuda para usar esse material de um modo mais interessante e mais educativo. E também para que não se limite somente a "colar e copiar", mas que o leve a produzir algum conhecimento a partir da pesquisa. Ou seja, ao disponibilizarmos o material na rede, usamos as possibilidades que a internet oferece, mas ao mesmo tempo orientando os estudantes", explica.
Um dos casos abordados no site é o dos carregadores de piano. Inspirado no romance Iaiá Garcia, de Machado de Assis, mostra-se a situação desses trabalhadores. Como homens livres se recusavam a carregar o que quer que fosse, o ofício era destinado a escravos ou libertos, e, já no fim do século XIX, passa a ser exercido também por imigrantes.
Anita ainda explica a importância de estudos de história que, segundo ela, é uma área riquíssima de conteúdo, mas com uma pouca produção prática e muita teoria. "Estamos há algum tempo tentando fazer um trabalho na área de formação de professores de história, para que eles experimentem a pesquisa, ou desenvolvam estudos mais profundos, nesse campo, o que ainda é pouco frequente nesse campo. A produção didática é pouco valorizada na pesquisa, por isso, aqui na UniRio, nos preocupamos em formar profissionais que se concentrem na pesquisa que produza material que possa efetivamente ser utilizado em sala de aula."
Além do site, o grupo está entrando em contato com as escolas para divulgar o material e disponibilizar um CD, com o mesmo conteúdo do site, para aqueles não têm acesso à Internet. "Nesse momento, o grupo está interessado em saber como as pessoas vão usar esse material. Como ele será empregado nas escolas pelos professores", conclui. Para conferir as histórias do site, veja: http://www.historiaunirio.com.br/numem/detetivesdopassado/
Fonte: Boletim FAPERJ nº262
Data: 19 a 25 de novembro de 2009
O site Detetives do Passado: escravidão século XIX tem como objetivo possibilitar a transposição entre o conhecimento produzido na universidade e o construído na escola, fornecendo instrumentos para que os alunos sejam capazes de observar, analisar, classificar, fazer generalizações e construir conceitos. De acordo com uma das coordenadoras do projeto, a professora de história Anita Correia Lima de Almeida, o projeto recebeu apoio do edital "Estímulo à produção e divulgação científica e tecnológica", da FAPERJ, e também recursos do programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), do CNPq. O projeto é resultado da parceria entre o Pronex e o Núcleo de Documentação, História e Memória (Numem), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).
Segundo Anita Almeida, as atividades se baseiam em experiências anteriores, publicadas no livro Oficinas de História e nas atividades desenvolvidas nas disciplinas Metodologia do Ensino de História e Seminário de Pesquisa em Ensino de História, ministradas aos alunos do curso de graduação em História da UniRio. O site usa o formato das webquests – atividades investigativas e interativas oferecidas na Internet – para que os alunos possam participar ativamente do aprendizado. "Essas atividades vêm sendo largamente empregadas no ensino que usa a internet. Nosso desafio foi o de procurar aliar os recursos da tecnologia a uma proposta metodológica consistente, criando uma forma criativa de aprender e de ensinar", diz.
A pesquisadora também explica que a Internet permite um enorme acesso e a possibilidade de reunir-se um grande acervo de material que não pode ser desprezado. "Mas o aluno precisa de ajuda para usar esse material de um modo mais interessante e mais educativo. E também para que não se limite somente a "colar e copiar", mas que o leve a produzir algum conhecimento a partir da pesquisa. Ou seja, ao disponibilizarmos o material na rede, usamos as possibilidades que a internet oferece, mas ao mesmo tempo orientando os estudantes", explica.
Um dos casos abordados no site é o dos carregadores de piano. Inspirado no romance Iaiá Garcia, de Machado de Assis, mostra-se a situação desses trabalhadores. Como homens livres se recusavam a carregar o que quer que fosse, o ofício era destinado a escravos ou libertos, e, já no fim do século XIX, passa a ser exercido também por imigrantes.
Anita ainda explica a importância de estudos de história que, segundo ela, é uma área riquíssima de conteúdo, mas com uma pouca produção prática e muita teoria. "Estamos há algum tempo tentando fazer um trabalho na área de formação de professores de história, para que eles experimentem a pesquisa, ou desenvolvam estudos mais profundos, nesse campo, o que ainda é pouco frequente nesse campo. A produção didática é pouco valorizada na pesquisa, por isso, aqui na UniRio, nos preocupamos em formar profissionais que se concentrem na pesquisa que produza material que possa efetivamente ser utilizado em sala de aula."
Além do site, o grupo está entrando em contato com as escolas para divulgar o material e disponibilizar um CD, com o mesmo conteúdo do site, para aqueles não têm acesso à Internet. "Nesse momento, o grupo está interessado em saber como as pessoas vão usar esse material. Como ele será empregado nas escolas pelos professores", conclui. Para conferir as histórias do site, veja: http://www.historiaunirio.com.br/numem/detetivesdopassado/
Fonte: Boletim FAPERJ nº262
Data: 19 a 25 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O Brasil fez Malthus errar
"País, responsável pelo desenvolvimento da ciência da agricultura tropical no mundo, foi fundamental para o erro das previsões do economista"
Luiz Cláudio Costa é Reitor da Universidade Federal de Viçosa, membro da delegação brasileira na Cúpula Mundial de Segurança Alimentar da FAO (Roma). Artigo publicado no "Correio Braziliense":
Durante muitos anos, a previsão feita por Thomas Robert Malthus em 1798 norteou o combate à fome no mundo. Ele previa que, devido ao rápido crescimento da população e ao lento aumento da produção de alimentos, teríamos uma devastadora fome no planeta. A previsão se mostrou correta quanto ao aumento exponencial da população. Mas os estudos se mostraram imprecisos nas previsões sobre a produção agrícola.
Os avanços ocorridos permitiram que toda essa população fosse alimentada. Se não o foi, não foi por deficiência na produtividade agrícola, mas por outras questões políticas e econômicas. As previsões de Malthus foram, desde então, assumidas como equivocadas.
O Brasil, responsável pelo desenvolvimento da ciência da agricultura tropical no mundo, foi fundamental para o erro das previsões de Malthus. Os estudos e pesquisas desenvolvidos em universidades como a Federal de Viçosa, onde nasce a pós-graduação no Brasil em ciências agrárias; a Federal de Lavras e a Rural do Rio de Janeiro; a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o Instituto Agronômico de Campinas e a Embrapa promoveram um grande salto na produtividade agrícola das culturas tropicais e das culturas temperadas crescendo sob condições tropicais.
A produtividade de culturas que compõem a dieta da população do planeta alcançou, em menos de 30 anos, níveis inimagináveis quando dos estudos de Malthus. As ações do Brasil com certeza fizeram Malthus errar.
No entanto, as mudanças climáticas ressuscitaram as previsões de Malthus. O desafio de alimentar 9 bilhões de pessoas em 2050 é preocupante. O aumento da produtividade agrícola em termos globais é de apenas 1% a 2% ao ano, muito pouco para atender ao crescimento demográfico e da demanda. A produção de alimentos precisa duplicar até 2050. As mudanças climáticas já provocam maior incidência de eventos extremos, como altas temperaturas e seca, o que vai reduzir ainda mais as safras agrícolas.
Dois bilhões de pessoas vivem nas partes mais secas do mundo e as mudanças climáticas vão reduzir acentuadamente a produtividade nessas regiões. As mudanças climáticas associadas a questões econômicas fizeram as previsões de Malthus retornarem revigoradas. O mundo corre o risco da perenização da fome.
Os preços estão acima da média histórica, os estoques estão baixos, o mundo vive um alto aumento demográfico e uma redução na taxa de crescimento da produção agrícola. A demanda mundial de cereais subiu de 815 milhões de toneladas, em 1960, para 2,2 bilhões, em 2008. Entre 2005 e 2008, o preço do milho e do trigo triplicou, e o do arroz quintuplicou. A carestia ocorreu em uma época de safras recordes de grãos, ou seja, o mundo consumiu mais do que foi capaz de produzir.
Como resolver a demanda crescente de alimentos? Como associar o aumento da produtividade agrícola com a redução da emissão dos gases de efeito estufa pelas atividades agropecuárias e com o aumento do uso eficiente dos recursos naturais como o solo e a água?
Há dois problemas que o mundo não resolve sem a efetiva participação do Brasil: o da fome e o ambiental - erradicar a fome e conter as mudanças climáticas. A agricultura sofre de forma contundente os impactos das mudanças climáticas.
Estudos realizados na Universidade Federal de Viçosa, na Embrapa e na Unicamp mostram que as produtividades de culturas como o milho, feijão, soja e café sofrerão redução entre 40% e 60% devido às mudanças climáticas. Por seu lado, a agricultura tem um grande potencial de adaptar-se às mudanças climáticas, bem como de reduzir e remover significante quantidade de emissões de gases de efeito estufa.
Com pesquisa, política governamental e investimentos podemos diversificar a agricultura, promover o setor agrícola, integrar a produção de bioenergia e a produção de alimento, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e resolver o maior dilema cientifico, ético e político da humanidade: a fome. A FAO indica necessidade de investimento de U$$ 83 bilhões ao ano na agricultura dos países em desenvolvimento para que o mundo alimente 9 bilhões de pessoas até 2050.
O Brasil tem novamente a missão, e hoje em condições muito mais favoráveis, de desenvolver a ciência da agricultura tropical sob condições de mudanças climáticas. Nenhum país tem o potencial técnico, cientifico e político do Brasil, capaz de liderar a cooperação Sul-Sul e efetivamente contribuir para a erradicação da fome no mundo. Enfim, cabe ao Brasil provar, mais uma vez, e com respeito, que definitivamente Malthus estava equivocado. (Correio Braziliense, 19/11)
Fonte: Jornal da Ciência Online
Data: 19/11/2009
Luiz Cláudio Costa é Reitor da Universidade Federal de Viçosa, membro da delegação brasileira na Cúpula Mundial de Segurança Alimentar da FAO (Roma). Artigo publicado no "Correio Braziliense":
Durante muitos anos, a previsão feita por Thomas Robert Malthus em 1798 norteou o combate à fome no mundo. Ele previa que, devido ao rápido crescimento da população e ao lento aumento da produção de alimentos, teríamos uma devastadora fome no planeta. A previsão se mostrou correta quanto ao aumento exponencial da população. Mas os estudos se mostraram imprecisos nas previsões sobre a produção agrícola.
Os avanços ocorridos permitiram que toda essa população fosse alimentada. Se não o foi, não foi por deficiência na produtividade agrícola, mas por outras questões políticas e econômicas. As previsões de Malthus foram, desde então, assumidas como equivocadas.
O Brasil, responsável pelo desenvolvimento da ciência da agricultura tropical no mundo, foi fundamental para o erro das previsões de Malthus. Os estudos e pesquisas desenvolvidos em universidades como a Federal de Viçosa, onde nasce a pós-graduação no Brasil em ciências agrárias; a Federal de Lavras e a Rural do Rio de Janeiro; a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o Instituto Agronômico de Campinas e a Embrapa promoveram um grande salto na produtividade agrícola das culturas tropicais e das culturas temperadas crescendo sob condições tropicais.
A produtividade de culturas que compõem a dieta da população do planeta alcançou, em menos de 30 anos, níveis inimagináveis quando dos estudos de Malthus. As ações do Brasil com certeza fizeram Malthus errar.
No entanto, as mudanças climáticas ressuscitaram as previsões de Malthus. O desafio de alimentar 9 bilhões de pessoas em 2050 é preocupante. O aumento da produtividade agrícola em termos globais é de apenas 1% a 2% ao ano, muito pouco para atender ao crescimento demográfico e da demanda. A produção de alimentos precisa duplicar até 2050. As mudanças climáticas já provocam maior incidência de eventos extremos, como altas temperaturas e seca, o que vai reduzir ainda mais as safras agrícolas.
Dois bilhões de pessoas vivem nas partes mais secas do mundo e as mudanças climáticas vão reduzir acentuadamente a produtividade nessas regiões. As mudanças climáticas associadas a questões econômicas fizeram as previsões de Malthus retornarem revigoradas. O mundo corre o risco da perenização da fome.
Os preços estão acima da média histórica, os estoques estão baixos, o mundo vive um alto aumento demográfico e uma redução na taxa de crescimento da produção agrícola. A demanda mundial de cereais subiu de 815 milhões de toneladas, em 1960, para 2,2 bilhões, em 2008. Entre 2005 e 2008, o preço do milho e do trigo triplicou, e o do arroz quintuplicou. A carestia ocorreu em uma época de safras recordes de grãos, ou seja, o mundo consumiu mais do que foi capaz de produzir.
Como resolver a demanda crescente de alimentos? Como associar o aumento da produtividade agrícola com a redução da emissão dos gases de efeito estufa pelas atividades agropecuárias e com o aumento do uso eficiente dos recursos naturais como o solo e a água?
Há dois problemas que o mundo não resolve sem a efetiva participação do Brasil: o da fome e o ambiental - erradicar a fome e conter as mudanças climáticas. A agricultura sofre de forma contundente os impactos das mudanças climáticas.
Estudos realizados na Universidade Federal de Viçosa, na Embrapa e na Unicamp mostram que as produtividades de culturas como o milho, feijão, soja e café sofrerão redução entre 40% e 60% devido às mudanças climáticas. Por seu lado, a agricultura tem um grande potencial de adaptar-se às mudanças climáticas, bem como de reduzir e remover significante quantidade de emissões de gases de efeito estufa.
Com pesquisa, política governamental e investimentos podemos diversificar a agricultura, promover o setor agrícola, integrar a produção de bioenergia e a produção de alimento, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e resolver o maior dilema cientifico, ético e político da humanidade: a fome. A FAO indica necessidade de investimento de U$$ 83 bilhões ao ano na agricultura dos países em desenvolvimento para que o mundo alimente 9 bilhões de pessoas até 2050.
O Brasil tem novamente a missão, e hoje em condições muito mais favoráveis, de desenvolver a ciência da agricultura tropical sob condições de mudanças climáticas. Nenhum país tem o potencial técnico, cientifico e político do Brasil, capaz de liderar a cooperação Sul-Sul e efetivamente contribuir para a erradicação da fome no mundo. Enfim, cabe ao Brasil provar, mais uma vez, e com respeito, que definitivamente Malthus estava equivocado. (Correio Braziliense, 19/11)
Fonte: Jornal da Ciência Online
Data: 19/11/2009
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