Lançando ontem, o aguardado tablet da Apple é um misto de computador com smartphoneMesmo quem não é aficionado por tecnologia ainda vai falar do iPad (pronuncia-se aipéd), lançado ontem pela Apple. O novo equipamento promete inaugurar um segmento entre os eletrônicos domésticos e mudar a forma como se navega na internet, se joga videogames e se lê livros e jornais.
As apostas são altas porque a banca é de peso. Desde o modelo Apple II, de 1977, a empresa lançou padrões – o computador pessoal, o MP3 player, e o celular sensível ao toque. Nem tudo foi criado do zero, mas foi aprimorado com o projeto da marca. Com o iPad não é diferente. O aparelho, enquadrado nos tablets (computadores estilo prancheta), já teve uma tentativa da Apple há 17 anos, com o Newton. E até hoje existem modelos similares, sem representatividade no mercado.
– Até então, era um produto muito focado em usuários corporativos. Não é um computador barato e, por isso, não representa 0,5% do mercado mundial – explica Luciano Crippa, coordenador de pesquisas da consultoria IDC.
Desde os tempos do Newton, novas tecnologias foram experimentadas. Os computadores diminuíram e ficaram mais leves. A tecnologia touchscreen (tela sensível ao toque) evoluiu, substituindo o teclado convencional. Navegar na internet, ler livros e realizar outras tarefas em dispositivos portáteis tornou-se comum. O que a Apple fez foi aproveitar o momento certo para dar o seu toque. O que deve fazer diferença.
Relação forte com o usuário
– O (tablet) me parece um movimento natural da fusão do netbook (minilaptop) com o smartphone (celular inteligente) – comenta o professor João Antônio Zuffo, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
– A empresa tem o mérito de ter construído uma estética que acaba localizando o que é a marca. A partir do momento em que a Apple conseguiu sintetizar os seus valores e as suas orientações internas, de oferecer um produto prático, bonito, contemporâneo, ela se relacionou com o usuário. Ela conseguiu criar experiências – explica Paula Visoná, coordenadora dos cursos de especialização em Design da Unisinos.
Steve Jobs soube utilizar esse charme na apresentação do iPad. Em San Francisco (EUA), o descolado presidente da Apple apresentou as características do novo aparelho ao público. Mostrou funções como acesso a redes sociais, leitura de jornais e livros, edição de imagens e música. Atividades comuns, que até quem não é fissurado por tecnologia faz.
– Ele vai ter um apelo para todas as pessoas. Desde o empresário até quem que só usa para navegar na web. Estudantes vão se beneficiar da portabilidade. (O iPad) e vai ter todo o tipo de uso para todos os usuários – diz Eduardo Campos Pellanda, professor do curso de Comunicação Digital da PUCRS
Fonte: Zero Hora Online
Data: 28/01/2010