Os critérios de avaliação da produção científica nacional priorizam a quantidade em vez da qualidade do que é produzido. Este é um consenso dos professores de universidades federais que participaram do Simpósio de Avaliação Científica, na Universidade de Brasília (UnB), no último dia 20.
Para Paulo Sérgio Lacerda, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a ciência brasileira tem o dever de aumentar a qualidade, em detrimento do número de publicações. Ele acredita que a avaliação ideal deve ser feita por um comitê independente e idôneo de especialistas na área, sem interesse direto no resultado da avaliação. “Só temos indicadores e estimativas dessa qualidade”, disse.
Outra reclamação partiu do professor Mauro Copelli, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ele, quando projetos são submetidos às agências de fomento não são enviados o parecer, mesmo que o trabalho seja aprovado. “Só sabemos se o projeto foi aprovado ou reprovado, mas não recebemos nenhuma explicação”, contestou.
CNPq e Capes
Presente no evento, o presidente do CNPq, Carlos Alberto Aragão, sugeriu a redução do número de comitês assessores nas agências de fomento à pesquisa. “Ao mesmo tempo, é preciso que esses comitês sejam mais multidisciplinares, a fim de que as áreas tenham contato umas com as outras e promovam discussões enriquecedoras”.
Já o coordenador de Avaliação da Capes, Lívio Amaral, concordou que mudanças são necessárias mas, segundo ele, há um julgamento distorcido da avaliação, a exemplo do sistema Qualis de classificação de periódicos científicos. “O sistema foi concebido para dar conta do conjunto da pós-graduação, mas está sendo utilizado para avaliar a qualidade individual de professores e alunos”, frisou.
(Com informações do CNPq)Fonte:Gestão C&T Nº 973
Data: 23 a 26/09/2010