sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por dentro do algoritmo secreto de busca do Google.


Steven Levy, da Wired, fez uma viagem por dentro do "algoritmo que controla a web" -- o algoritmo de busca do Google, claro --, e se você usa o Google, é leitura obrigatória. PageRank? Isso é muito 1997.

É sabido que o Google atualiza o algoritmo o tempo todo, com 550 melhorias só neste ano, para entregar resultados melhores e filtrar as porcarias. Mas há alguns poucos grandes updates na história do Google que alteraram significativamente o funcionamento da busca, exibidas convenientemente em um gráfico na matéria da Wired. Por exemplo: em 2001, eles reescreveram o algoritmo do zero. Em 2003, foi adicionada análise local de conectividade. Em 2005, os resultados ficaram pessoais. E mais recentemente, resultados em tempo real do Twitter e blogs.

A soma de tudo em que o Google trabalhou -- a busca por entender o que você quer dizer, não o que está dizendo -- pode ser resumida nisto:

"Rock" é pedra. Mas também é "stone", e pode vir a ser "boulder". Se escreverem "rokc", ainda é pedra. Mas se escreverem "little" na frente, vira "Little Rock", a capital do Arkansas. Que não é uma arca, a menos se escreva "Noé". "O cálice sagrado da busca é entender o que o usuário quer", diz Singhal. "Você não está mais juntando palavras, mas sim significados".

Ah, e caso você não saiba ainda, fique sabendo que você é um ratinho de laboratório toda vez que busca alguma coisa. Patrick Riley, engenheiro do Google, diz que "na maioria das queries do Google, você está em vários grupos de controle ou experimentais ao mesmo tempo". Isso permite a eles experimentarem em menor escala. Mesmo se eles experimentarem alguma coisa em 0,001% das queries, já é dado pra caramba.

Não deixe de ler a matéria inteira. É ridiculamente fascinante beirando o auto-conhecimento.

Fonte:http://gizmodo.com.br/conteudo/por-dentro-do-algoritmo-secreto-de-busca-do-google

A importância da Reforma da Lei de Direito Autoral para a educação brasileira.

A Reforma na lei de Direito Autoral é de fundamental importância para educação brasileira. Ela coloca desafios objetivos não apenas para professores e estudantes, mas para toda a classe trabalhadora, tendo em vista o papel que cumpre o acesso à educação para o desenvolvimento, notadamente no que se refere à redução das desigualdades sociais.

A atual lei de direitos autorais não consegue aplicabilidade prática: ela deveria cumprir o papel facilitar o acesso ao conhecimento por parte da população de forma equilibrada aos interesses e estímulos dos autores na produção cultural e científica, mas, dado o peso absolutamente dominante dos intermediários, dos grandes selos de música e das grandes editoras acadêmicas (que, por motivos óbvios, buscam manter o controle sobre à produção cultural), a sociedade é criminalizada enquanto a indústria faz papel de vítima.

O direito ao acesso à informação está direta e explicitamente vinculado à educação. A Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB) estabelece como princípios “a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”, bem como “o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas”.

Há um desconhecimento no meio acadêmico em torno da pressão exercida pelas editoras para impedir que estudantes façam cópias de partes de livros, além dos entraves colocados pelas disputas e interesses do mercado editorial, do qual o livro didático é um dos carros-chefes: como aponta Pablo Ortellado na publicação “Os direitos autorais e a educação“ a comercialização de livros didáticos é responsável por cerca de 60% do mercado editorial brasileiro, sendo que as quatro maiores empresas concentram 70% do mercado. Eles respondem por 37% dos títulos, 61% dos exemplares e 42% do faturamento de todo mercado. Metade desse setor é destinada a compras governamentais por meio de diversos programas, mas, sobretudo, do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Há ainda a influência de diretrizes do Banco Mundial, que “privilegia programas de livros didáticos para conceder empréstimos aos países da América Latina”.

Apesar do fato da legislação autoral e os critérios de comercialização de livros (inclusive os didáticos) restringirem o exercício desses direitos, o debate em torno destas questões tem sido tratado de forma apática pelos seus maiores interessados: estudantes, professores, movimento estudantil, sindicatos e instituições de ensino (independente se públicas ou privadas). O seu envolvimento e participação neste debate poderia determinar importantes conseqüências para a futuro da educação brasileira.

Direitos autorais e educação

A ampliação desse debate está diretamente vinculada ao desenvolvimento acelerado das tecnologias de informação, em grande medida, relacionadas à informática e ao desenvolvimento de equipamentos de reprodução de som e imagem, ao surgimento de novas mídias e à mobilização pelo reconhecimento dos direitos de grupos historicamente excluídos do acesso à informação (a exemplo dos portadores de necessidades especiais).

Na “grande mídia” (quando o assunto é tratado), sua abordagem limita-se à restrição do acesso ao conteúdo de livros, cujo foco é o ensino superior – sobretudo no que se refere à proibição da reprodução de conteúdos fracionados das obras. A Lei 9.610/98 é invocada continuamente para justificar a legitimidade das ações de repressão à circulação livre de obras, literárias ou audiovisuais, como instrumento de defesa das empresas, consideradas autores. No entanto, ela é pouco observada nos aspectos que garantem os interesses dos usuários. A despeito da miopia desta perspectiva, considerações importantes devem ser feitas:

(1) A primeira é que, embora o termo seja “direito autoral”, em grande medida, o que se tem preservado é o direito ao lucro das editoras. Os/as autores/as pouca ou nenhuma autonomia têm para decidir sobre o produto (a mercadoria) realizado por meio de seu trabalho. Sua arte, criatividade e retorno no mercado torna-se algo alienado por empreitada. O direito autoral tem servido aos “detentores” de direito autoral. Daí o movimento contemporâneo de produções independentes que utilizam as novas potencialidades das tecnologias da informação para fugir, substituir ou suprimir intermediários na cadeia produtiva cultural.

(2) O segundo aspecto é o argumento de que a livre reprodução reduziria as vendas o que, consequentemente, desestimularia a produção. Ao contrário, têm se evidenciado empiricamente que o livre acesso às obras não apenas estimula sua compra, como permite ampliar a circulação dos textos, inclusive em âmbito internacional. Para além de uma perspectiva que não consegue vislumbrar um palmo à frente da “propriedade” e da “forma mercadoria” – deveríamos enfatizar o valor incomensurável do livre acesso ao conhecimento para o desenvolvimento humano-civilizatório.

(3) Há ainda uma necessária reflexão a ser feita sobre a comercialização de produtos elaborados a partir de conteúdos financiados com recursos públicos. Sobre o tema, o GPOPAI/USP (Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação divulgou um estudo que aponta as contradições que sustentam o mercado de livros técnicos e científicos. São obras produzidas a partir de pesquisas financiadas por agências estatais de fomento e que estão impedidas de circular livremente. Não raro, é possível encontrar pessoas que, mesmo tendo recebido bolsas de auxílio ao longo de anos para produzir a pesquisa, não permitem a circulação de suas teses ou dissertações porque pretendem “publicá-las”, ou seja, entregar o conteúdo elaborado com financiamento público para exploração privada. Cabe ressaltar que, nesses casos, inclusive, o/a autor/a já recebeu pelo trabalho ao longo do processo.

Os passos e descompassos da reforma

O MinC promoveu diversos seminários que constituíram o Fórum Nacional de Direito Autoral, os quais, em tese, deveriam ser um espaço de interlocução com diferentes atores da sociedade interessados na reforma. Apesar de suas limitações, eles permitiram conhecer os diversos pontos de vista envolvidos e estão integralmente disponibilizados no site do MinC: http://blogs.cultura.gov.br/direitoautoral/.

Após esta fase de consulta pública, foi produzida uma proposta inicial, cujas linhas gerais foram apresentadas pelo MinC em reuniões setoriais, envolvendo grupos da sociedade civil. Apesar do relativo atraso (tendo em vista que o cronograma original tinha como meta apresentar a proposta no início de 2009), a lei finalmente foi enviada para a Casa Civil que, antes de publicar o texto para consulta pública deverá fazer novas consultas com os Ministérios (embora o texto já tenha sido discutido e aprovado no âmbito do GIPI – Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual).

Um esboço da proposta pode ser visto no documento que o ministério produziu chamado “Diagnostico das discussoes do Fórum Nacional de Direito Autoral e subsidios para o debate“. Há também um resumo da proposta em inglês (Copyright Law Reform in Brazil: Anteprojeto or Anti-project?) feita por Ralf Volker Grassmuck (Gpopai) para o IP-Watch:.

A perspectiva é que a consulta pública tenha início por volta do dia 15 de março.

Avanços, limites e obstáculos da reforma para a educação brasileira

Independente se no âmbito da educação pública ou privada, a Reforma da lei de Direito Autoral poderá colocar importantes conseqüências para o seu futuro. No esboço apresentado pelo MinC é sugerido que seja permitido “o uso de obras protegidas, sem necessidade de autorização dos titulares e remuneração por parte de quem as utiliza em alguns casos”. Destacamos os seguintes trechos:

* “cópia privada, ou seja, a reprodução, por qualquer meio ou processo, de qualquer obra legitimamente adquirida, desde que feita em um só exemplar e pelo próprio copista, para seu uso privado e não comercial; e a reprodução, por qualquer meio ou processo, de qualquer obra legitimamente adquirida, desde que a mesma se destine a se tornar perceptível a partir de equipamento, programa de computador ou suporte distintos daqueles para os quais a obra foi originalmente destinada, quando da sua aquisição pelo copista, e seja para seu uso privado e não comercial e na medida justificada para o fim a se atingir, ou seja, para fins de portabilidade ou interoperabilidade”

* “a reprodução, sem finalidade comercial, de obra literária, fonograma ou obra audiovisual, cuja última publicação não conste mais em catálogo do responsável por sua exploração econômica, bem como não tenha uma publicação mais recente disponível e, tampouco, não exista estoque disponível da obra ou fonograma para venda”

Em tese, a aprovação destas propostas permitiriam cópias privadas integrais das obras. A formulação de que a cópia teria de ser feita pelo próprio copista, sem finalidade de lucro, entretanto, dá margem a diversas ambigüidades: o copista poderia solicitar cópia à terceiros?

Em outros trechos encontramos as seguintes propostas:

- a reprodução necessária à conservação, preservação e arquivamento de qualquer obra, sem finalidade comercial, desde que realizada por bibliotecas, arquivos, museus, cinematecas e demais instituições museológicas, na medida justificada para atender aos seus fins

- a comunicação e a colocação à disposição do público de obras intelectuais protegidas que integrem as coleções ou acervos de bibliotecas, arquivos, museus, centros de documentação, cinematecas e demais instituições museológicas, para fins de pesquisa, investigação ou estudo, por qualquer meio ou processo, no interior de suas instalações ou por meio de suas redes fechadas de informática

Poderiam as instituições de ensino (públicas ou privadas), a partir da aquisição de um único exemplar para o seu acervo, digitalizar conteúdos e disponibilizá-los em seus servidores para livre acesso de seus usuários?

Mais que isso: foi criado um capítulo exclusivo sobre reprografia, que estabelece uma espécie de gravame para fotocópias: “sugerimos a inserção de dispositivos referentes aos direitos reprográficos e a obrigatoriedade de licenciamento para a reprodução, total ou parcial, de obras literárias por meio de fotocopiadora ou processos assemelhados por estabelecimentos comerciais, com a exigência do pagamento de uma retribuição aos autores das obras reproduzidas. Além de possibilitar uma verdadeira gestão coletiva de direitos reprográficos em benefício dos autores, espera-se finalmente solucionar o conflito entre os titulares das obras literárias e os docentes e discentes das instituições de ensino”

Em síntese, isto significa que, de cada cópia que se tire, será arrecadado um valor para ser repassado para os titulares do direito autoral (não necessariamente os autores), penalizando o uso das fotocópias, meio adotado amplamente nas universidades brasileiras. Esse sistema não é compulsório, de forma que editoras ou associação de editoras poderão simplesmente não ingressar no sistema.

Outra questão (indireta) está ligada ao período de proteção das obras, pois temos uma das leis de direitos autorais mais restritivas e conservadoras do mundo: embora a Convenção de Berna e o acordo TRIPS nos obriguem a proteger as obras por 50 anos após a morte do autor (o que já é um absurdo), a proposta manterá o prazo de proteção por inexplicáveis 70 anos, reduzindo o espectro do domínio público em 20 anos. São 20 anos de produção cultural e científica que, injustificadamente, permanecerá como monopólio de editoras e gravadoras!

Por onde começar?

- Assine a lista do Gpopai: http://lists.gpopai.org/listinfo.cgi/sociedade-civil-gpopai.org

- Há um grupo criado para discutir a reforma no site da Cultura Digital do MinC: http://culturadigital.br/groups/reforma-da-lei-de-direito-autoral

- A Carta São Paulo que pede algumas reformas no sentido de ampliar o acesso ao conhecimento ainda pode ser assinada por quem apóia a proposta: http://stoa.usp.br/acesso

- Está disponibilizado no site do Gpopai todo o debate parlamentar que levou à lei atual de DA de 1998. Vale a pena estudar para conhecer as forças atuaram no Congresso naquela ocasião: http://www.gpopai.usp.br/wiki/index.php/DebateDireitoAutoral1998

- A Consumers International faz um levantamento atual das legislações de Direito Autoral, no que elas prevêem de acesso ao conhecimento. É um recurso interessante para pensarmos tudo o que poderia estar na nossa lei. Além disso, o ranking mostra o atraso que é a lei brasileira no quesito acesso ao conhecimento. No ano passado, entre 16 países, o Brasil ficou em 13o lugar! http://a2knetwork.org/watchlist-activity

É preciso que a sociedade brasileira se posicione, pois será fortemente afetada por estas medidas!

Lei de Direito Autoral e educação: debate urgente
Arakin Monteiro - Cultura e Pensamento
23.02.2010

* Arakin Monteiro é doutorando em ciências, integrante do GPOPAI/USP e especialista em economia política da internet.

Fonte: http://www.direitoacomunicacao.org.br/noticias.php?id=6182

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

De olho na qualidade dos portais de saúde

Novo laboratório da Fiocruz pretende criar mecanismos para avaliar a confiabilidade da informação disponível em páginas da internet relacionadas à área médica.

Por: Sofia Moutinho




A popularização da internet tem provocado mudanças na maneira como as pessoas se informam sobre saúde. Se antes a palavra final era do médico, agora os pacientes buscam conhecimento na rede antes mesmo de ir ao consultório. O surgimento desse tipo de internauta, chamado paciente-expert, fez com que a Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criasse um laboratório para avaliar a qualidade do conteúdo dos portais relacionados à área de saúde.
Saúde é um dos assuntos mais pesquisados na rede

Saúde é um dos assuntos mais pesquisados na rede. Um estudo da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, revela que dos 278 milhões de acessos diários a páginas de busca na internet no mundo, mais de 12 milhões referem-se ao tema. Mas como saber qual página é confiável? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss) pretendem criar critérios de avaliação para esses portais. Três aspectos fundamentais serão observados: a legitimidade do conteúdo, a navegabilidade da página e a legibilidade.

Usuários e especialistas serão convidados a avaliar cada um desses aspectos. O conteúdo dos portais será avaliado por especialistas da área de saúde da própria Fiocruz e de outras instituições; a navegabilidade (ou facilidade de uso) será analisada por web designers (profissionais responsáveis pela estrutura e pela aparência das páginas de internet).

Para julgar a clareza das informações apresentadas, ou seja, a legibilidade dos portais, o laboratório vai recorrer à avaliação dos pacientes do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, unidade da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz que atende à população do complexo de Manguinhos, localizado no entorno da instituição.
O objetivo é convidar os usuários a avaliar de maneira crítica as informações sobre saúde disponíveis na internet

O objetivo do Laboratório é convidar esses usuários a avaliar de maneira crítica as informações sobre saúde disponíveis na internet. “Esse é o grande diferencial do nosso projeto”, destaca André Faria Pereira Neto, membro da coordenação do Laiss. “Entramos em contato com pesquisadores estrangeiros que avaliam portais de saúde e poucos levam em consideração a legibilidade do usuário”, ressalta. Para permitir o completo desenvolvimento do Laboratório, foi firmada parceria com o Comitê para Democratização da Informática (CDI), ONG com grande experiência em inclusão digital de populações de baixa renda no Brasil e no exterior.

Laboratório Internet, Saúde e Sociedade
No novo laboratório, pacientes, médicos e 'web designers' irão avaliar a qualidade dos portais de saúde (foto: Carolina Evaristo).

No novo laboratório, pacientes, médicos e 'web designers' irão avaliar a qualidade dos portais de saúde (foto: Carolina Evaristo).

Selo de qualidade

O Laiss vai criar uma lista de páginas de internet sobre saúde confiáveis. Esses portais receberão um selo de qualidade da Fiocruz. Os pesquisadores pretendem também que o Laboratório sirva como centro de reflexão e produção de conhecimento sobre a relação entre internet, usuários do sistema de saúde e profissionais da área.
Se por vezes essas informações podem estimular o autocuidado, também podem atrapalhar um tratamento e induzir à automedicação

Pereira Neto argumenta que o dilúvio de informações disponíveis na internet interfere na relação do paciente com sua doença, seu corpo e seu médico. “Se por vezes essas informações podem estimular o autocuidado, também podem atrapalhar um tratamento, induzir à automedicação e até matar um paciente. Por isso, é tão importante analisar a qualidade da informação presente nesses portais.”

Embora o foco do Laiss esteja nos pacientes do Sistema Único de Saúde usuários da internet, Pereira Neto ressalta a importância de orientar também os profissionais da área. “Os médicos utilizam a internet para se atualizar e também necessitam de uma lista confiável de páginas especializadas”, complementa.
Assista a um trecho da entrevista com André Pereira Neto, membro da coordenação do Laiss:




Publicado em 22/02/2010 Atualizado em 22/02/2010
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/02/de-olho-na-qualidade-dos-portais-de-saude

Revista bane artigos pagos por indústria

PLoS Medicine declara preocupação com manipulação de dados

A revista científica "PLoS Medicine" anunciou ontem que não publicará mais trabalhos que tenham recebido qualquer tipo de financiamento da indústria do cigarro. A nova política passa a valer imediatamente.

Em editorial, o periódico expressou preocupação com as "tentativas da indústria [do tabaco] de distorcer a ciência e desviar a atenção dos efeitos nocivos do tabagismo".

Parte de uma organização sem fins lucrativos, a "PLoS Medicine" (www.plosmedicine.org) é uma revista de acesso aberto pela internet que publica artigos em várias áreas das ciências médicas.

De acordo com a Sociedade Americana de Câncer, estima-se que haverá 6 milhões de mortes relacionadas ao uso de cigarro neste ano -o número deve alcançar os 7 milhões em 2020.

(Reuters, 23/2)
Fonte: JC e-mail 3955, de 24 de Fevereiro de 2010.

Big Brother e a avaliação por pares na ciência, artigo de Stevens Rehen

"É hora de nos valermos das facilidades que a internet proporciona para gerar alternativas ao atual sistema de julgamento e divulgação dos artigos científicos, criado há mais de 70 anos"

Stevens Rehen é diretor de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Artigo publicado no portal SRZD (www.sidneyrezende.com/blog/stevensrehen):

Pedro Bial me contou que a franchise Big Brother foi inspirada no projeto Biosfera, iniciado em 1986 no Arizona, Estados Unidos. O objetivo era confinar cientistas em um laboratório ecológico de vidro e aço, isolados do meio exterior, na expectativa que produzissem sua própria comida e reciclassem sua água ao longo de 2 anos.

O experimento fracassou, os cientistas não conseguiram se manter auto-suficientes, entretanto, como "experiência antropológica" foi um sucesso. A quantidade de intrigas e fuxicos entre os participantes daria para encher um ano de publicação da revista Caras.

Tais intrigas não me surpreendem. Cientista não é santo, e como qualquer pessoa, é movido por vaidades em muitas situações da vida, estejam eles confinados ou não.

O problema é quando essas vaidades interferem demais com a divulgação de informações geradas com dinheiro público e que podem beneficiar o progresso da ciência.

Reinaldo Lopes assinou interessante reportagem na Folha de São Paulo repercutindo carta aberta, assinada por alguns dos principais cientistas do mundo na área de células-tronco, denunciando que um petit comité de pesquisadores estaria dificultando a publicação de dados científicos contrários aos seus interesses. Tipo de situação que lembra o que vem acontecendo entre os moradores da casa de luxo e do puxadinho no BBB10.

A diferença é que, enquanto no programa de TV, vez por outra o confessionário é abolido e os brothers têm que dizer na cara quem vai para o paredão, na academia, os cientistas que decidem quais trabalhos científicos serão publicados, estão sempre protegidos pelo anonimato.

Até aí tudo bem, o anonimato favorece a franqueza e dureza das críticas, muitas vezes justas e construtivas. O problema é que Austin Smith, Shynia Yamanaka e abaixo-assinados reclamam que há pesquisadores recusando trabalhos por motivos fúteis. Por quê? Especula-se que atrasando a publicação de seus competidores, ganham tempo para produzir seus próprios artigos, munidos de informações privilegiadas obtidas na condição de revisores. Vaidade pura.

De fato, sempre que artigos semelhantes, de grupos distintos, são publicados na mesma edição de uma revista científica, alguém diz que o autor de um dos trabalhos foi o revisor do outro, pediu "novos experimentos para complementá-lo" e com isso teve tempo para produzir e submeter dados idênticos. Nunca há provas que isso de fato aconteça mas casos assim favorecem teorias conspiratórias a respeito.

O que a carta pede é que as revistas científicas divulguem publicamente os pareceres redigidos pelos revisores. Não seria necessário revelar seus nomes, somente suas críticas.

A proposta não é portanto eliminar a avaliação, ação cotidiana essencial ao processo de construção do conhecimento científico mas os pareceristas tendenciosos e maliciosos que travam artigos importantes com justificativas sem pé nem cabeça. Com suas avaliações tornando-se públicos, reduziria-se distorções no processo de avaliação por pares.

O problema é mais grave para os cientistas de países com menor tradição científica.

Os grandes conglomerados editoriais recrutam poucos editores ou revisores de países emergentes ou em desenvolvimento. E é claro que sem eles, menos atenção é dada à ciência produzida abaixo do Equador.

Felizmente há iniciativas que buscam reverter essa situação. Revistas como PLoS ONE e Frontiers in Neuroscience, cujo conteúdo é gratuito, têm um corpo editorial realmente internacional, muitos brasileiros inclusive, o que garante o caráter plural da ciência.

Só que essas iniciativas inovadoras não se preocupam com o chamado fator de impacto: a razão entre citações dos artigos da revista e o número total dos artigos publicados pela mesma revista. E é justamente esse indicador (muito mais do que a informação científica contida no trabalho) a commodity que define prestígio e ascensão de um pesquisador. Isso significa que hoje em dia publicar nessas revistas não vale muita coisa ao cientista que depende de sistemas de avaliação de mérito acadêmico no Brasil.

Uma pena, pois a evolução natural dessas iniciativas irá agilizar a divulgação pública da ciência de qualidade e eliminar os maus revisores. Avaliações, realizadas por revisores não anônimos, além de comentários e sugestões de membros da comunidade científica disponíveis online, só ajudam a separar o joio do trigo no universo da ciência produzida em todo o mundo.

Injustiças, duplicações de resultados e fraudes seriam mais facilmente identificadas. A qualidade de cada artigo seria conseqüência do número de citações, número de downloads e comentários deixados nos blogs das revistas eletrônicas. O fator de impacto, que não garante o mérito do trabalho mas sim a capacidade que teve de passar pelo crivo dos revisores de determinada revista, perderia em importância.

Um trabalho científico, financiado na maioria dos casos com dinheiro público, não pode deixar de ser publicado por motivos que não sua (baixa) qualidade.

É através da avaliação que se definem os rumos, tanto da ciência quanto das instituições acadêmicas. É hora de nos valermos das facilidades que a internet proporciona para gerar alternativas ao atual sistema de julgamento e divulgação dos artigos científicos, criado há mais de 70 anos.

Para saber mais sobre os antecedentes históricos e elementos conceituais relativos aos processos de avaliação por pares na ciência, leia:
DAVYT, Amilcar & VELHO, Léa. A avaliação da ciência e a revisão por pares: passado e presente. Como será o futuro? Hist. cienc. saude-Manguinhos.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702000000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt


Fonte: JC e-mail 3955, de 24 de Fevereiro de 2010.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

plágio preocupa. como lidar com ele?

by rogério christofoletti

Tem crescido o número de plágios por aí. É perceptível. Denúncias e notícias sobre esse tipo de apropriação tem circulado com uma velocidade e num volume maiores que anos atrás. O primeiro catalisador que nos vem à mente é a internet, que possibilita o já consagrado Control C-Control V com uma facilidade antes não encontrada. Mas se a web permite copiar e colar também permite identificar fraudes, cópias e outras violações do tipo.

Não se trata, portanto, de demonizar a internet, nem de confinar pessoas e obras. O advento de uma rede que permita fácil compartilhamento de arquivos de todos os tipos tem ajudado a desenvolvermos novos regimes de autoria. Não só a autoria coletiva e cúmplice (wiki!), mas o remix, o bricolage, a própria discussão acerca do que é obra, do que é autoria e dos limites do seu e do nosso. Isso tem forçado a juristas e a legisladores que revisem os marcos que regulam os direitos autorais. Isso tem causado confusões nas escolas, nas universidades, na mídia e na própria indústria cultural.

A autoria é um conceito relativamente recente, data lá do século XIII, mas só se consolidou mesmo no final de 1700. De lá pra cá, transportamos para o plano das ideias e das imaterialidades o regime de propriedade e paternidade que mantemos no mundo material. Posse, propriedade, detenção de direitos, possibilidade de queixa e disputa de territórios. O fato é que estamos vivendo um instante de instabilidade crescente nesse terreno. De novas demarcações de limites. Com isso, acontece de tudo. Na academia, professor plagia o colega; na escola, aluno copia o trabalho do coleguinha que mal conhece e que encontrou disponível na internet; na mídia, tem o jornalista que se apropria de trechos de textos de seus concorrentes, sem dar o devido crédito, e por aí vai… a lista é longa, cada vez mais diversificada.

Outro dia, Ramón Salaverría se queixava de ter sido plagiado por El Mundo . Nos Estados Unidos, um jornalista do New York Times foi demitido pela mesma prática. Na mesma semana, no Poynter, Kelly McBride escreveu sobre porque o plágio ainda rola tão solto por aí.

Não nos enganemos: há uma zona de atrito, uma disputa permanente quando o assunto é propriedade intelectual, ideias, conceitos. Os norte-americanos são tão preocupados com o assunto que criaram até mesmo um Centro de Integridade Acadêmica. Nas bandas de cá, o assunto ainda é tratado nas hostes de crime intelectual e de uma maneira dispersa, desorganizada e titubeante. Sei que, em muitas situações, é difícil caracterizar o plágio, identificar os infratores e puni-los. Mesmo tendo uma lei de direitos autorais e menção explícita no Código Penal .

De qualquer maneira, ainda é necessário reafirmar que plágio é um crime e que é uma prática antiética. Plágio não é um crime sem querer, mas um ato deliberado de quem acredita que não será pego e punido. Não se surrupia uma música ou um texto de alguém, apagando-se a assinatura de seus autores e registrando como de sua lavra sem querer, sem intenção. O plágio é um crime intencional, doloso, portanto. É uma atitude antiética porque desrespeita o direito de paternidade de alguém, porque atenta contra o direito moral de alguém de reivindicar sua autoria sobre algo. É uma conduta que menospreza as demais pessoas, acreditando que a verdade não virá à tona e que todos serão permanentemente enganados.

É preciso sim delatar os plágios, deplorar essas práticas, identificar os infratores e buscar suas punições. No jornalismo, na escola, na academia, no mundo das artes, em todas as esferas onde a originalidade, a primazia, a inovação e o senso criativo são realmente relevantes e definidores. O plágio precisa ser combatido e execrado. Ao menos até definirmos novas noções de autoria e de proteção de direitos aos que criam, aos que recriam e disseminam conteúdos que julgamos relevantes…

2010 fevereiro 21
tags: ética jornalística, ciência, cibercultura, direitos autorais, educação, ensino de jornalismo, ensino superior, indignação, internet para todos, leis e sentenças, professores, provocações

Fonte: http://monitorando.wordpress.com/2010/02/21/plagio-preocupa-como-lidar-com-ele/

PLÁGIOS & CHUTES: A deriva dos factóides

Por Muniz Sodré em 23/2/2010

Uma vez mais, o New York Times torna-se palco de um episódio de fraude ou daquilo que outros chamam de "lesa-integridade-jornalística". Com ou sem eufemismo, o fato envolve o repórter de economia Zachery Kouwe, acusado de ter copiado passagens de artigos do Wall Street Journal, da agência Reuters e de outros, usando-as em reportagens e em posts no blog Dealbook, sem citar a fonte. Kouwe se demitiu antes de qualquer discussão disciplinar interna, provavelmente tentando tornar menos visível o retorno do fantasma de Jason Blair, o mesmo que "assombrou" aquele jornal em 2003 com fraudes e informações inventadas em centenas de reportagens.

Faz parte da tradição negativa do jornalismo o casus ficti ou inventado, do qual resulta na maioria das vezes o banimento moral ou contratual do autor (Jason Blair é hoje uma espécie de conselheiro espiritual). O neologismo norte-americano factoid (factóide, algo que parece, mas não constitui um fato) é uma designação bem popular para este fenômeno, recorrente na imprensa anglo-saxônica desde o século 19.

É famosa a notícia do The New York Sun sobre supostas "descobertas científicas" que provariam a existência de vida na Lua. Denunciada a fraude por outros jornais, os leitores reagiram favoravelmente ao Sun, achando divertido o factóide. Mas esse bom-humor é raro, como se demonstra com exemplos de grandes jornais e agências noticiosas norte-americanas. A sisuda Associated Press foi responsável pela informação mundial de que o Vaticano teria sido vendido ao bilionário norte-americano Bill Gates.

Páginas a rodo

The New York Times é vezeiro no assunto, e não apenas por culpa de uma individualidade problemática. Basta citar o evento da publicação pelo jornal (16/5/2004) de uma longa autocrítica à cobertura da guerra no Iraque, em que os editores reconheciam ter encontrado, na reavaliação da cobertura, vários casos em que "não fomos tão rigorosos como deveríamos". Tratava-se de reportagens com denúncias de que o regime de Saddam Hussein disporia de armas de destruição em massa, algo jamais comprovado, mas que acabou servindo de justificativa ao presidente George Bush para invadir o Iraque. Admitiu o jornal que "as histórias contadas por dissidentes iraquianos nem sempre eram bem pesadas, devido ao forte desejo deles de ver a queda de Saddam Hussein".

A instituição jornalística zela, assim, pela pedra de toque das relações de confiança entre o público e o jornal e, portanto, o principal capital simbólico do jornalista – a credibilidade. Esta decorre de um pacto implícito entre o profissional da informação e o leitor. É um pacto induzido pela bandeira da objetividade, fincada no solo da cultura jornalística desde meados do século 19, quando se começa a fazer uma distinção entre texto opinativo e notícia, certamente como um rescaldo da fé iluminista no conhecimento objetivo.

Para quem pensa, entretanto, que o fenômeno se restringe ao jornalismo, vale consultar a recente edição do Le Monde (16/2/2010) em que o misto de jornalista e filósofo francês Bernard-Henri Lévy admite ter "chutado" a propósito da citação de um autor que simplesmente não existe. Lévy – para quem não conhece a figura – é autor de 36 livros, dois dos quais acabam de ser lançados: De la guerre en philosophie (Grasset, 130p.) e Pièces d´identité (Grasset, 1340p.).

Como se vê, é prolífico. Mas é também um homem rico (de herança) e estrela de mídia. Basta dizer que, a propósito de seus novos livros, ele fez jus a uma entrevista de quatro páginas no L´Express, duas páginas em Paris Match, quatro páginas em Le Point, três páginas em Le Journal du Dimanche, oito páginas em Transfuge (em que foi capa), quatro páginas em Le Figaro Magazine e duas páginas em Libération.

Vaidade intelectual

Com todo esse cabedal, Lévy não conseguiu evitar o factóide, ou melhor, aquilo que em francês se chama canular. É que, na página 122 do seu recém-lançado De la guerre en philosophie, ele ataca ninguém menos do que o grande filosófo alemão Immanuel Kant, apoiando-se em Jean-Baptiste Botul, que teria mostrado "logo depois da Segunda Guerra Mundial, em sua série de conferências para os neo-kantianos do Paraguai, que o herói deles era um falso abstrato, um puro espírito de pura aparência".

Pouco menos de um ano atrás, numa conferência em plena Escola Normal Superior (um dos templos da inteligência filosófica francesa), Lévy tinha dito a mesma coisa e, como agora assinala o Le Monde, "na assistência, ninguém se levantou para rir e lhe dizer que Botul não existia".

Pois bem, Jean-Baptiste Botul é um escritor fictício, criado em 1995 por Fredéric Pagès, jornalista do Canard Enchaîné, o famoso jornal satírico, uma espécie de Pasquim parisiense.

Em outras palavras, Lévy, a estrela da direita filosófica – notório inventor de conceitos reacionários e fóbicos como "vontade de pureza", "ideologia francesa" etc. – "chutou", na mesma linha de Blair e Kouwe.

O jornalismo ainda experimenta a autocrítica junto a seu público, com vista a garantir a credibilidade. Mas no universo da vaidade intelectual, quem protegerá os leitores de Henri-Bernard Lévy?

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br
/artigos.asp?cod=578JDB002

Dos tradicionais aos inovadores: estudo detalha modelos de financiamentos para periódicos em acesso aberto.

O número de publicações acadêmicas em acesso aberto vem crescendo nos últimos anos em todo o mundo. De acordo com o Directory of Open Access Journals (DOAJ) há mais de 4 mil periódicos em acesso aberto (AA) nesta base de dados em todas as áreas do conhecimento, e o número de novos periódicos que ingressam a cada ano vem subindo.

Um estudo detalhado dos modelos de financiamento deste tipo de publicação de autoria de Raym Crow, consultor sênior da agência Scholarly Publishing & Academic Resources Coalition (SPARC) foi publicado em setembro de 2009 e disponibilizado em acesso aberto no portal da instituição.

De acordo com o estudo, os publishers que consideram o AA para suas publicações devem desenvolver um modelo de negócios que sustente a distribuição neste formato. A seleção do modelo apropriado dependerá dos objetivos da publicação, tamanho, administração de recursos, tolerância ao risco, impostos e afiliações institucionais.

Os motivos que podem levar um Publisher a adotar o modelo em AA incluem, de acordo com Crow:

- Aumentar o acesso às publicações eliminando barreiras de acesso ao conteúdo

- Maximizar o alcance e apoiar o lançamento de um novo periódico quando o mercado não apoiaria um modelo por assinatura

- Implementar um modelo de suplementação em resposta a políticas de fomento baseadas em conteúdo

Um Publisher pode ser motivado a adotar o modelo de AA com argumentos que se aumenta a efetividade da pesquisa científica, sócio-científica e humanística, aumenta a equidade social e política entre pesquisadores nos dois hemisférios e se alinha melhor à cultura de contribuição da academia.

Os modelos de receita capazes de sustentar AA como acesso online aberto e imediato a literatura acadêmica submetida à revisão por pares são descritos por Crow como:

Dimensionamento
Publishers pequenos devem considerar adotar modelos de financiamento para seus periódicos que não necessariamente constituam modelos universais deste tipo de publicação. Ações coletivas de sociedades acadêmicas podem levar a modelos bem sucedidos de gerar recursos para arcar com os custos de publicação em AA.

Base econômica do acesso aberto
É necessário separar os argumentos filosóficos e sociais do AA do efeito produzido, o alívio econômico local das bibliotecas, na visão do autor. Isto significa considerar que o modelo aumenta a eficiência, efetividade e equidade no processo de pesquisa promovendo benefício social e econômico como resultado. Maior utilidade social, entretanto, não se traduz em redução de custos do ponto de vista da biblioteca.

Taxas de publicação
Um dos modelos de receita mais discutidos para periódicos em AA utiliza taxas para processamento do manuscrito ou taxas de publicação. Estas taxas baseiam-se na premissa que autores e suas instituições são os beneficiários diretos das publicações acadêmicas e, portanto, as taxas de publicação são de responsabilidade destes.

Cerca de dez por cento dos periódicos AA fazem uso desta taxa que representam 30% da receita gerada por periódicos AA.

De acordo com uma pesquisa, as taxas de processamento do artigo são total ou parcialmente subsidiadas por fundos de pesquisa (34%), fundações (5%); pela instituição (8%); pela biblioteca institucional (27%); e através de fundos do próprio autor (5%).

Uma variedade existente nas publicações é o modelo híbrido, que permite publicações em AA mediante a opção pelo autor, que paga o processamento do artigo, em periódicos tradicionalmente por assinatura. Este modelo, pode ser visto como forma de introduzir a estratégia do AA em disciplinas que tradicionalmente não aceitariam a cobrança da taxa.

O autor do estudo pondera que a transição para AA financiada por taxa de processamento de artigo coloca o periódico em desvantagem competitiva. A gravidade deste problema varia entre disciplinas dependendo da política de financiadores em uma determinada área e da prática de periódicos concorrentes. Para contornar o problema, poderia haver uma ação conjunta – de migrar para o modelo em AA cobrando a taxa de processamento de manuscrito- de periódicos de uma determinada área ou subárea.

Nesta estratégia, o periódico poderia diminuir o custo de sua assinatura na medida em que a opção pelo AA fosse aumentando, obtendo, desta forma, receita suficiente para se tornar totalmente AA mantendo taxas de processamento de artigos compatíveis com sua comunidade de autores.

Publicidade
Convertendo a reputação do periódico em receita são ilimitadas opções de publicidade para o Publisher nos sites AA. Os anuncios podem ser diretos ou, se houver demanda suficiente, através de um intermediário para agências que desejam atingir a audiência daquele periódico.

Algumas precauções, no entanto devem ser tomadas por publishers como a receptividade da audiência. A comunidade acadêmica em geral não opõe restrições a publicidade se esta se restringir aos seus interesses (material de laboratório, por exemplo) e for graficamente adequada.

Patrocínio
Similar à publicidade, exceto pelo fato de que este é tipicamente negociado com base no tempo, ao invés do número de impressões. O patrocínio apóia-se em instituições ou entidades corporativas que subsidiam despesas de um periódico em troca do reconhecimento no site Web e às vezes, outras formas de reconhecimento público.

O patrocínio pode ser semelhante à publicidade online na aparência – o patrocinador adota a forma gráfica de um banner ou um logotipo e mensagem breve – mas ambos diferem em vários aspectos. O patrocínio confere maior valor de comercialização do que a publicidade, e o patrocinador se beneficia mais diretamente da reputação e dos valores do periódico. Desta forma, o periódico consegue maior receita através de um patrocinador institucional do que de uma quantidade equivalente de fundos provindos de publicidade. Alem disso, o tempo de compromisso de um patrocinador é geralmente mais longo do que o de um contrato de publicidade. A relação mais duradora com patrocinadores pode levar a outros financiamentos, como subsídio de conferências no caso de periódicos mantidos por sociedades acadêmicas, auxílio a autores que têm dificuldades em pagar taxas de publicação de artigos, entre outros.

Subsídios externos
Auxílios financeiros de fundações e outras organizações filantrópicas podem cobrir os custos decorrentes da transformação de um periódico baseado em assinatura para AA. Geralmente cobrem apenas o período de transição até que o periódico estabeleça seu novo modelo de negócios capaz de suportar o AA.

As possíveis fontes de financiamento incluem fundações privadas, financiadores corporativos (fundações mantidas por companhias que têm programas de doações para entidades científicas ou acadêmicas), instituições filantrópicas públicas (organizações não-governamentais que financiam programas) e fundações ligadas à comunidade (atendem especificamente uma região ou comunidade).

Crow alerta que a procura por entidades que apóiem total ou parcialmente a operação de um periódico em AA é trabalhosa e pode não ser bem sucedida nas primeiras tentativas. No entanto, a procura por financiamento em organizações governamentais e não-governamentais traz visibilidade e confere atributos ao periódico e ao pedido de financiamento.

Subsídios institucionais
No caso de um periódico ser afiliado a uma instituição acadêmica, esta pode cobrir parte ou todos os custos operacionais de editoração. O periódico pode obter financiamento da instituição baseado no prestígio e aumento de visibilidade que a publicação proporciona ao centro de pesquisa ou departamento. A contribuição da instituição ao periódico poderá, ainda, ser na forma de serviços ou facilidades ao invés de recursos financeiros. A universidade poderá alocar funcionários de sua biblioteca para serviços de operação regular no periódico, como indexação, formatação digital e inserção de metadados, bem como oferecer suporte tecnológico, por exemplo, ao hospedar o site do periódico em seu servidor.

Financiamentos governamentais
Na maior parte dos casos, as instituições governamentais costumam financiar a execução de projetos de pesquisa, porém não sua disseminação. Entretanto, os projetos financiados por agências governamentais podem, dependendo do país onde opera o Publisher, prover um fundo para suprir a operação de um periódico em acesso aberto cujo escopo esteja intimamente relacionado com o projeto. Dos periódicos listados no DOAJ, cerca de 20% operam com financiamento proveniente de organizações governamentais.

Doações
Doações podem ser obtidas com uma campanha para pequenas contribuições individuais ou contribuições maiores, vindas de corporações, instituições ou fundações.

As doações individuais são geralmente obtidas através de pedidos no site dos periódicos, quando o leitor seleciona um link para um artigo. Deve haver um sistema automático e seguro de coleta (através de cartões de crédito ou programas online com esta finalidade, como o Google Checkout) para que não tome tempo e não comprometa o doador. O Publisher deve, no entanto, elaborar uma campanha específica para a arrecadação de fundos de forma a alcançar os leitores e criar um vínculo com eles, sem o qual o pedido por doações irá gerar apenas poucas contribuições aleatórias.

Ao solicitar doações de bibliotecas acadêmicas, periódicos AA podem enfrentar alguns obstáculos, inclusive as políticas de aquisição de bibliotecas. Segundo o DOAJ, 12% dos periódicos contam com alguma contribuição deste tipo em seus orçamentos.

Outra possibilidade de empregar os montantes doados é através de aplicações financeiras, que geram dividendos para pagar os custos de operação de um periódico. É difícil, no entanto, avaliar o número de periódicos AA financiados por este tipo de operação, uma vez que elas são mediadas por sociedades acadêmicas, instituições ou fundações que atuam como publishers. Existem, porém, periódicos AA independentes que investem o dinheiro de seus doadores, e ao fazer isso devem garantir a transparência de suas operações para não perder a confiança de seus beneméritos. O capital doado, nestes casos, deve ser significativo para gerar um fluxo de caixa suficiente para manter os custos de operação do periódico.

Outros tipos de contribuição
Muitos periódicos publicados por organizações sem fins lucrativos dão preferência a contribuições de outra natureza que não financeira, sendo a maior parte delas proveniente de sociedades ou instituições acadêmicas, fundações e outros. Esta contribuição ser desde disponibilização de salas para administração do periódico até de licenças de softwares e hospedagem de sites. Estas contribuições, ao reduzir os custos de operação do periódico, têm grande influência em sua sustentabilidade financeira. Os publishers, no entanto, devem reconhecer estes arranjos, mesmo os de longo prazo, como risco financeiro, e traçar planos para eventuais descontinuidades.

Receita utilizando versão impressa
Muitas vezes a edição de uma versão impressa de um periódico AA distribuída através de assinatura a indivíduos ou instituições que a requerem permite complementar os custos de sua produção. O publisher pode oferecer a versão impressa incluindo:

- Um volume impresso publicado no final de cada ano reunindo os artigos em formato digital

- Uma edição impressa simultânea à versão digital que pode oferecer conteúdo não disponível eletronicamente, como correspondência, editoriais, artigos traduzidos em outro idioma (destinados ao público local) ou ainda o mesmo conteúdo que a versão online em AA sendo esta submetida a embargo

“A tendência mundial em direção ao AA e a necessidade de apoiar publishers sem fins lucrativos em sua transição ao novo modelo de publicação conta com o apoio de grande parte da comunidade acadêmica mundial”, afirma Crow. Neste sentido, o autor afirma que a SPARC busca oferecer uma visão geral dos modelos de financiamento de publicações em AA com o objetivo de apoiar este modelo de disseminação de resultados da pesquisa acadêmica, principalmente os periódicos submetidos à revisão por pares, em acesso livre, rápido e sem barreiras na Internet.

Fonte: http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?newsletter=20100131&newsLang=pt&newsName=Newsletter%20BVS%20096%2031/janeiro/2010&articleId=02100354201036

Capes assina 17 periódicos na área de ótica e fotônica.

Usuários do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) têm agora acesso a 17 novos títulos. As publicações editadas pela Optical Society of America (OSA) cobrem as disciplinas de ótica e fotônica e atendem professores, pesquisadores e alunos de áreas da física e engenharia. A coleção se encontra disponível no Portal desde o final de 2009.

Sonia Baldochi, gerente do Centro de Lasers e Aplicações no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), explica que a assinatura da OSA garante o acesso regular pela comunidade acadêmica a publicações de alta qualidade, fundamentais para as pesquisas da área.

“Trabalhamos com o desenvolvimento de materiais para lasers, espectroscopia óptica, física de lasers de estado sólido e aplicações de lasers em saúde, na indústria e para monitoração ambiental. Com os novos títulos assinados pela Capes nos mantemos atualizados em relação a novos desenvolvimentos e aplicações nas áreas de óptica e fotônica”, afirma Sônia. A pesquisadora destaca alguns periódicos do seu interesse que integram a nova coleção, como o Journal of the Optical Society of America A e B, o Applied Optics, o Optics Letters, Optics Express e o Applied Spectroscopy.

Além de subsidiar projetos de pesquisa, os desenvolvimentos na área de ótica e fotônica subsidiam inovações que afetam diferentes aspectos da vida das pessoas, como fibras óticas, aparelhos de ressonância, câmeras digitais e TVs de alta definição.

Acesse a nova coleção na página do Portal de Periódicos


Publicada por Assessoria de Imprensa da Capes Sexta, 19 de Fevereiro de 2010 15:30
Fonte: http://www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/3598-capes-assina-17-periodicos-na-area-de-otica-e-fotonica

Pesquisa busca relação entre mudanças climáticas e aumento de raios.


Clique para ver todas as fotos de Pesquisa busca relação entre  mudanças climáticas e aumento de raios
Divulgação/Inpe - Mais de 55 mil raios cairam no País em 10 anos.

Nos últimos 10 anos cerca de 57 milhões de raios caíram no Brasil e 1.321 pessoas morreram vítimas desse fenômeno natural. Esses números, reunidos pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), colocam o País no topo da lista mundial de incidência de descargas atmosféricas e indicam que o fenômeno está aumentando.

O crescimento no número de descargas pode estar relacionado com alterações no clima do planeta. Pesquisadores estimam que cada grau a mais registrado na temperatura global pode ocasionar um aumento de 10% a 20% na incidência de raios. Mas, por enquanto, isso é apenas uma hipótese.

Fazer um amplo estudo sobre os fatores climáticos que podem afetar a ocorrência de raios no País é a proposta do Projeto Temático Impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de descargas atmosféricas no Brasil, apoiado pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Iniciado em dezembro passado e com previsão para durar até o fim de 2013, a pesquisa é liderada por Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat.

Segundo ele, a motivação do trabalho surgiu em 2007, após uma conferência do Painel Interngovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU). “No encontro, foi levantada a hipótese de que os raios aumentariam o efeito estufa ao provocar mais incêndios em florestas, que por sua vez liberariam mais dióxido de carbono (CO²), alimentando um ciclo contínuo”, diz.

O que incomodou o grupo do Elat foi não haver evidências conclusivas para confirmar ou derrubar a hipótese, nem dados sobre a relação entre mudanças climáticas e o aumento no número de raios.

Para investigar a questão, o projeto tomará como base três fontes principais de dados: a Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (Rindat), informações de satélite e registros do número de dias de tempestade. “Cada uma dessas fontes tem vantagens e desvantagens que devem ser consideradas”, aponta Pinto Júnior.

De acordo com ele, a Rindat oferece informações precisas, mas a rede mudou ao longo do tempo e, por isso, há dados de tipos diferentes a analisar. Além disso, o sistema é recente, tem apenas 10 anos, e cobre apenas parte do País – as regiões Sul e Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Do espaço, serão coletados dados pelo satélite Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM, ou, em português, “missão de mensuração de chuva tropical”), que apresenta cobertura nacional e informações uniformes ao longo do tempo. Mas, assim como a Rindat, o TRMM tem um acervo de apenas 10 anos de coleta, o que é pouco para fazer associações históricas.

Outro porém do satélite é sua órbita. Por circundar todo o planeta, o TRMM não monitora o Brasil o tempo todo, o que provoca lacunas de informação quando está sobre outras áreas do mundo. O ideal, segundo Pinto Júnior, é que o satélite fosse geoestacionário, ou seja, que permanecesse em cima do País.

A terceira fonte de dados para a pesquisa, os registros de dias de tempestade, oferece as mais antigas informações sobre incidências de raios no Brasil. Os primeiros registros datam de 1780 na cidade do Rio de Janeiro.

“Apesar da longa cobertura, os registros não são constantes e apresentam várias lacunas ao longo desses mais de dois séculos de registros. Alguns trabalhos de monitoramento foram simplesmente abandonados após alguns anos, porque não se imaginava que o clima mudaria”, diz Pinto Júnior.

Para os analistas da época, o levantamento feito ao longo de 10 ou 15 anos poderia ser extrapolado e valeria indefinidamente, uma vez que o clima seria sempre estável, segundo se imaginava.

“Colher dados dessas notações também é uma tarefa difícil. Elas relatam dias de tempestade e não necessariamente raios. Portanto, muitos dados têm de ser inferidos, sendo medidos indiretamente. Sem contar que várias anotações são subjetivas e não apresentam o rigor e o padrão das observações atmosféricas atuais”, explica Pinto Júnior.

Para analisar essa montanha de informações, o Inpe dispõe de parcerias com quatro instituições dos Estados Unidos: a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a Universidade do Arizona. “Os pesquisadores dessas instituições discutirão conosco as interpretações dos dados”, informa.

Novos sensores

Outro braço do Projeto Temático pretende aprimorar a rede de monitoramento de raios no estado de São Paulo. Novos sensores detectarão também os raios intranuvens, que passam de uma nuvem a outra. Os sensores atuais só detectam as descargas que descem ao solo.

“Ao mesmo tempo, a ampliação da Rindat deve melhorar a qualidade dos dados. Com 53 sensores hoje espalhados pelo Brasil, a rede deve instalar seis outros equipamentos de detecção este mês, no Mato Grosso. Com eles, a região Centro-Oeste será totalmente monitorada”, conta Pinto Júnior.

O pesquisador indica que existe uma previsão de que a região Nordeste esteja coberta com sensores até o fim de 2011. E há esforços para levar estações também ao Norte, que apresenta desafios logísticos devido à sua grande extensão e à vegetação amazônica.

A densidade dessas redes de detecção de raios é fundamental para a qualidade das informações coletadas. “O alcance de cada sensor é de 600 quilômetros, mas é importante que cada raio seja registrado por mais de um equipamento para que a qualidade do dado seja maior”.

Temperaturas oceânicas

Uma relação já traçada pelo Elat é o da temperatura dos oceanos na incidência de raios. O grupo de pesquisa levantou, por exemplo, que os anos em que ocorreram mais mortes por raios, 2001 e 2008, coincidiram com o fenômeno do resfriamento das águas do Pacífico, conhecido como La Niña.

“Sabemos que quando ocorre a La Niña aumenta a incidência de raios nas regiões Norte e Nordeste. Nos períodos de El Niño - aquecimento do Pacífico -, as descargas aumentam na região Sul. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste os efeitos são mais difíceis de serem previstos”, disse Pinto Júnior. Somados, esses efeitos explicariam a concentração dos recordes de mortes na temporada da La Niña , segundo ele.

Apesar de notória, a influência da temperatura dos oceanos na incidência de raios não conta com muitos estudos, segundo Pinto Júnior. Além disso, o acompanhamento das temperaturas do Pacífico é muito mais antigo do que as medições feitas no Oceano Atlântico.

Isso se deve a uma questão econômica. Os efeitos causados pelo El Niño e pela La Niña na pesca peruana fizeram com que os pescadores daquele país acompanhassem de perto as oscilações de temperatura do oceano. Há registros de mais de 150 anos e que poderão ser comparados às anotações de tempestades observadas no Brasil.

17/02/2010 - 13:20

Fonte: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/316702.html


Brasil entre os melhores países do mundo em Olimpíadas de Matemática


O Brasil participa pela primeira vez da Romanian Master in Mathematics (RMM), competição que realiza sua terceira edição de amanhã (24) até a próxima segunda-feira (1º) na cidade de Bucarest, na Romênia.



O evento reúne os países com melhor desempenho no mundo na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO). Além do Brasil participam este ano as delegações da Alemanha, Bielorussia, Bulgaria, Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Hungria, Itália, Irã, Japão, Reino Unido, Romênia, Rússia, Sérvia, Turquia, Ucrânia. O Brasil é o primeiro e único País iberoamericano a ser convidado.



A RMM é organizada desde 2007 pela Escola Nacional de Informática Tudor Vianu em colaboração com a Sociedade Científica Romena de Matemática e o Ministério de Educação Investigação e Juventude. Os objetivos da competição são proporcionar uma oportunidade para os jovens de demonstrar suas habilidades em matemática, possibilitar a troca de conhecimentos e reforçar os contactos interculturais no ensino médio.



O Brasil será representado por uma equipe de seis estudantes, todos vencedores da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). A equipe nacional será liderada pelos professores Carlos Yuzo Shine, de São
Paulo, e Régis Prado Barbosa, de Fortaleza (CE).



A participação brasileira nestas competições é organizada por meio da OBM, iniciativa realizada nas modalidades de ensino fundamental, médio e superior nas instituições públicas e privadas de todo o País. Hoje, ela tem a participação de cerca de 350 mil estudantes e tem desempenhado um importante papel relacionado à melhoria do ensino e descoberta de talentos para a pesquisa em matemática.


A OBM é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa/MCT), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e do Instituto do Milênio Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira.


A equipe brasileira



Davi Lopes de Medeiros, Fortaleza (CE); Deborah Alves, São Paulo (SP); Gustavo Lisbôa Empinotti, Florianópolis (SC); Hugo Fonseca Araújo, Rio de Janeiro (RJ); Marcelo Tadeu Sales, Salvador (BA) e
Matheus Secco Torres da Silva, Rio de Janeiro (RJ)

Fonte: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/316765.html


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu rompi com o Google.

SÃO PAULO – No dia 18 de fevereiro, um longo relacionamento chegou ao fim.

O rompimento, como todo acontecimento na era digital, não ficou restrito às partes envolvidas. Os detalhes do fim dessa relação foram publicados na web, seus links foram repassados, os fatos debatidos e os partidários de cada lado se armaram de argumentos.

De um lado, Alexandre Oliva, 36 anos, conselheiro Fundação Software Livre América Latina, engenheiro de Software Livre na Red Hat e Mestre em Ciências da Computação pela Unicamp.
Do outro, dispensando grandes apresentações, o Google.

Na data do incidente, Oliva postou em seu blog um manifesto explicando que não confiava mais na gigante das buscas. O motivo? Bem, uma série de fatores cuja gota d’água foi o Buzz.

No lançamento da rede social integrada ao Gmail, o Google tornou públicas informações privadas dos usuários. A lista de seguidores era aberta a todos os seus contatos, que podiam ver com quem o usuário se relacionava antes mesmo deste aprovar ou não. O fato causou problemas, por exemplo, a jornalistas que tiveram suas fontes expostas.

A atitude de Oliva, que deletou todas as contas que tinha no Google (inclusive orkut e Gmail) repercutiu na rede, e ele passou a receber e-mails e comentários pedindo conselhos de como seguir o mesmo caminho (que ele responde no próprio post) ou criticando seu “rompimento” com a empresa.

Vale ressaltar que, como todo término de relacionamento longo, este não foi completo: Alexandre Oliva ainda usa o serviço de buscas do Google – mas, como qualquer um já desconfiado das atitudes do parceiro, o faz com algumas ressalvas.

À INFO, ele explicou melhor sua decisão.

INFO – Qual foi exatamente o motivo?
ALEXANDRE OLIVAS –A divulgação de informação de forma tão impositiva. Toda a seriedade que eles demonstravam foi por água abaixo. Não tenho certeza se isso não foi feito intencionalmente... Mas se não foi, é preocupante também. Se ninguém pensou nas conseqüências disso, imagine que outros acidentes poderiam acontecer? Independente do que causou isso, não dá mais para confiar.


Por que o Google liberaria intencionalmente essas informações?
Questão de mercado. No mundo das aplicações de relacionamento, o Google está muito atrás e vem tentando aumentar sua participação. Se ele quer conquistar um espaço, ele pensa: “como a gente faz isso, como a gente conquista? Ah, vamos publicar a informação”. Me parece um pensamento muito natural. Agora, a outra opção é se ninguém pensou: “essa informação é pessoal”. Tem muitas pessoas inteligentes trabalhando lá e é assustador concluir que provavelmente alguém pensou, mas as razões mercadológicas prevaleceram.


Você se sentiu prejudicado de alguma forma?
Eu não tive prejuízo algum, mas outras pessoas perderam e outras pessoas poderiam ter perdido. Eu não estou reagindo a algo que perdi, estou apenas evitando que eu possa perder. Eu não tinha um profile no Google, mas tinha uma conta do Gmail que eu acessava só através da interface iMap e, quando fui entrar pela página oficial, já automaticamente entrei no Buzz. Não tinha opção. O Google corrigiu depois parte dos problemas, como a publicação automática, a possibilidade de filtrar, a possibilidade de não entrar no serviço (se entendi direito), mas ainda há problema. Segundo ouvi dizer (pois agora não tenho mais acesso), os contatos que você escolhe publicar são apresentados na ordem que você mais conversa com eles. Por mais que isso não seja um grande problema, é esquisito, é um desrespeito.


Isso te lembra aquele episódio do orkut, quando habilitaram a ferramenta que permitia saber que acessou a sua conta? Liberaram essa ferramenta da noite para o dia, e as informações ficaram expostas sem perguntar antes...
É um pouco diferente, porque ele expôs uma ação que você tomou. Acho que o que aconteceu agora foi mais sério, porque ele publicou algo sem ninguém fazer nada.


Você não usa mais nenhum serviço do Google?
Me dei conta outro dia de que meu navegador ainda usa buscador do Google, ele ainda manda os biscoitinhos para o meu navegador, mas isso está bloqueado: ele não vai ser capaz de rastrear. Logo, eu não estou dando informações, ele não sabe quem vai fazer as buscas, o que é uma exposição muito menor.... Ainda não tenho porque não usar o buscador Google.


Sua decisão teve a ver com a invasão das contas do Gmail de ativistas chineses?
Não teve, mas poderia ter tido. A questão é que um erro pode acontecer. O pessoal atacou o Google nessa ocasião. Acidentes aconteceram, como quando documentos privados do Google Docs apareceram nas buscas. Isso foi um erro, é impensável que tenham feito isso de propósito.


Você tinha muitas informações no Google?
A minha relação com o Google não era de confiança absoluta. Eu já tinha cópias de tudo; o calendário eu já nem usava: tinha uma aplicação livre, no meu computador, e não expostas para sabe Deus quem ver. Já vinha dando passos para não querer depender disso. Agora, para que eu vou correr o risco?


Você recebeu muitos comentários?
Tem bastante gente postando, divulgado. Houve muita discussão na lista do projeto Software Livre Brasil, muita gente mandou e-mail pedindo dicas de como dar os mesmos passos... Conheço pessoas que trabalham no Google, ponderando se não foi uma reação exagerada.


E foi exagerada?
Eu consigo entender que uma pessoa tome a decisão de continuar usando o Google por achar que não tem problema nenhum. Se você entende o risco, se você está predisposto a correr esse risco... Não estou dizendo a ninguém para deixar de usar o Google. Estou dizendo apenas: “eu deixei de confiar”.


Mas você aconselha as pessoas a fazer o mesmo...
Não estou dizendo “parem porque é do mal”, mas estou dizendo “pesem nisso”. Tudo o que ele oferece eu consigo de outras fontes, ou faço. Mas quem quiser, use o Google. Sou contra algumas aplicações e serviços (como Google Docs, que usa muitos softwares que não são livres no seu computador e você não tem a menor idéia do que acontece), mas e-mail, comunicação instantânea... Use, mas entenda. Não pense “que legal, posso confiar plenamente”, como um monte de gente confia no Facebook e não é bem assim.


Por que você mencionou o Facebook?
Teve um funcionário que deu uma entrevista dizendo que lá era uma zona, que todo funcionário tem acesso à base de dados, que consulta informações pessoais....


Você tem uma formação na área de informática. Acha que é possível para pessoas leigas seguirem esse caminho?
Sugeri um monte de alternativas para tudo o que eu fazia. As pessoas podem fazer sozinhas, instalar softwares, aplicativos... Existe todo um mito de que é difícil, mas não é bem assim.


Você já teve algum problema com privacidade exposta na web?
Olha, eu tomo cuidado. Outro dia minha gerente do banco pediu minha declaração de imposto de renda. Não mandei e, alguns dias depois, recebi um e-mail dela com documentos particulares de um outro cliente com o mesmo primeiro nome que eu. Não foi de propósito, mas aquilo nem era para sair do banco. O que as pessoas não entendem é que isso não é um cuidado novo: quando era pequeno, meus pais ensinavam a não sair por aí dando o endereço para qualquer um na rua.


Fonte: Infoexame - http://info.abril.com.br/noticias/internet/-eu-rompi-com-o-google-18022010-15.shl

Amazônia terá torre de pesquisa de 320 m.

Observatório atmosférico de R$ 24 milhões estudará clima da floresta tropical e sua relação com o aquecimento global

Uma torre de 320 metros de altura (quase o dobro do Edifício Itália, um dos mais altos de São Paulo) será construída na Amazônia para monitorar a atmosfera e os gases-estufa.

Com a torre, os cientistas esperam ter condições de fazer projeções mais confiáveis sobre os impactos das mudanças climáticas globais na Amazônia para os próximos 30 anos.

A construção da estação de pesquisa, uma parceria entre Brasil e Alemanha, deve terminar no final do próximo ano e terá investimentos de R$ 24 milhões. No projeto Atto (sigla em inglês para Observatório Amazônico de Torre Alta), os cientistas farão as pesquisas 270 metros acima das copas das árvores. Hoje, as maiores torres usadas para pesquisas na região têm 67 metros.

"A grande função das torres será mostrar com dados científicos a importância da floresta amazônica em termos de serviços ambientais e, com isso, incentivar as políticas públicas e desenvolver instrumentos para combater o desmatamento", diz Jochen Schöngart, pesquisador do Instituto Max Planck de Química, da Alemanha, que participa do projeto. Pelo Brasil, coordenam o projeto o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e a Universidade Estadual do Amazonas.


O Atto terá a maior torre de observação atmosférica da América Latina. Outras quatro torres de 80 metros serão erguidas no entorno da principal.


O complexo será construído dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em Presidente Figueiredo (133 km de Manaus). A comunidade ribeirinha que mora na reserva autorizou o projeto.


Segundo o físico Antônio Manzi, do Inpa, as torres serão erguidas sem derrubar árvores.


"A floresta sempre tem uma série de clareiras naturais. A ideia é identificarmos o lugar menos perturbado possível."


Ao longo da torre maior serão instalados radares e perfiladores atmosféricos de temperatura, umidade, aerossóis e sensores de medidas de concentração e fluxos de gases. Do alto, cientistas de diversas áreas vão monitorar fenômenos a mais de 1.000 km -usando equipamentos como um sensor que mede a concentração de gás carbônico no ar.


"Em campanhas intensivas de coleta de dados, que deveremos organizar, poderemos ter algumas dezenas de pesquisadores trabalhando ao mesmo tempo no sítio experimental, ou seja, estarão por perto dos equipamentos", explica Manzi.

(Kátia Brasil)
Fonte: JC e-mail 3951, de 18 de Fevereiro de 2010.
(Folha de SP, 13/2)


Instituto Vital Brazil produz vídeos educativos para crianças e adolescentes

Iniciativa celebra aniversário do cientista Vital Brazil, que, se estivesse vivo, completaria 145 anos em 2010.

Em comemoração à data, o Instituto Vital Brazil (IVB) produziu uma série de vídeos educativos, destinados a estudantes da rede pública, entre 7 e 17 anos.

Resultado de mais de um ano de filmagens, encerradas na segunda-feira, 8 de fevereiro, os vídeos educativos serão distribuídos em escolas municipais e estaduais, acompanhados de um manual para professores, contendo explicações de como trabalhar o assunto de forma didática, para faixas etárias distintas.

Quando prontos, além de estarem nas escolas, os vídeos do IVB poderão ser assistidos via internet, pelo site da instituição e pelo YouTube. O roteiro dos filmes é assinado por Mônica Horta, e a locução, pela jornalista Valéria Monteiro.

"Os curtas levantam questões importantes, como a incidência de mortes por picadas de cobras no país, por região. Um dos nossos objetivos é resgatar a memória de Vital Brazil, já que suas descobertas tiveram um peso grande não só aqui, mas no exterior", diz Érico Vital Brazil, neto do cientista e presidente da Casa de Vital Brazil, em Campanha, Minas Gerais.

A previsão é de que até maio aconteça o lançamento dos vídeos. Serão distribuídos dois mil kits, com 12 vídeos cada. Os custos do projeto devem ficar em torno de R$ 200 mil, sendo R$90 mil provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj). O restante da verba virá do próprio IVB e da Secretaria de Estado de Saúde e de Defesa Civil.

Órgão da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, o Instituto Vital Brazil http://www.ivb.rj.gov.br/
é um dos 18 laboratórios oficiais brasileiros e um dos três fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde, que os distribui por todo o Brasil. Fica na Rua Maestro José Botelho, 64, Vital Brazil, em Niterói.

(Assessoria de Comunicação do IVB)
Fonte: JC e-mail 3950, de 12 de Fevereiro de 2010.

Raios e mudanças climáticas

Projeto Temático pesquisará possíveis relações entre mudanças no clima e descargas atmosféricas no Brasil, país com maior incidência de raios.

Nos últimos dez anos, o Brasil recebeu cerca de 57 milhões de raios e 1.321 pessoas morreram vítimas desse fenômeno natural. Esses números, reunidos pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), colocam o país no topo da lista mundial de incidência de descargas atmosféricas e indicam que o fenômeno está aumentando.

O aumento no número de raios pode estar relacionado com alterações no clima do planeta. Pesquisadores estimam que cada grau a mais registrado na temperatura global pode ocasionar um aumento de 10% a 20% na incidência de raios. Mas, por enquanto, isso é apenas uma hipótese.

Fazer um amplo estudo sobre os fatores climáticos que podem afetar a ocorrência de raios no país é a proposta do Projeto Temático "Impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de descargas atmosféricas no Brasil", apoiado pela Fapesp. Iniciado em dezembro passado e com previsão para durar até o fim de 2013, a pesquisa é liderada por Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat.

Segundo o pesquisador, a motivação do trabalho surgiu em 2007, após uma conferência do Painel Interngovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas. "No encontro, foi levantada a hipótese de que os raios aumentariam o efeito estufa ao provocar mais incêndios em florestas, que por sua vez liberariam mais dióxido de carbono, alimentando um ciclo contínuo", disse.

O que incomodou o grupo do Elat foi não haver evidências conclusivas para confirmar ou derrubar a hipótese, nem dados sobre a relação entre mudanças climáticas e o aumento no número de raios.

Para investigar a questão, o projeto tomará como base três fontes principais de dados: a Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (Rindat), informações de satélite e registros do número de dias de tempestade. "Cada uma dessas fontes tem vantagens e desvantagens que devem ser consideradas", disse Pinto Júnior.

Segundo ele, a Rindat oferece informações precisas, mas a rede mudou ao longo do tempo e, por isso, há dados de tipos diferentes a analisar. Além disso, o sistema é recente, tem apenas dez anos, e cobre apenas parte do país - as regiões Sul e Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Do espaço, serão coletados dados pelo satélite Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM, ou, em português, "missão de mensuração de chuva tropical"), que apresenta cobertura nacional e informações uniformes ao longo do tempo. Mas, assim como a Rindat, o TRMM tem um acervo de apenas dez anos de coleta, o que é pouco para fazer associações históricas.

Outro porém do satélite é sua órbita. Por circundar todo o planeta, o TRMM não monitora o Brasil o tempo todo, o que provoca lacunas de informação quando o equipamento está sobre outras áreas do mundo. O ideal, segundo Pinto Júnior, é que o satélite fosse geoestacionário, ou seja, que permanecesse em cima do país.

A terceira fonte de dados para a pesquisa, os registros de dias de tempestade, oferece as mais antigas informações sobre incidências de raios no Brasil. Os primeiros registros datam de 1780 na cidade do Rio de Janeiro.

"Apesar da longa cobertura, os registros não são constantes e apresentam várias lacunas ao longo desses mais de dois séculos de registros. Alguns trabalhos de monitoramento foram simplesmente abandonados após alguns anos, porque não se imaginava que o clima mudaria", disse Pinto Júnior.

Para os analistas da época, o levantamento feito ao longo de 10 ou 15 anos poderia ser extrapolado e valeria indefinidamente, uma vez que o clima seria sempre estável, segundo se imaginava.

"Colher dados dessas notações também é uma tarefa difícil. Elas relatam dias de tempestade e não necessariamente raios. Portanto, muitos dados têm de ser inferidos, sendo medidos indiretamente. Sem contar que várias anotações são subjetivas e não apresentam o rigor e o padrão das observações atmosféricas atuais", explicou Pinto Júnior.

Para analisar essa montanha de informações, o Inpe dispõe de parcerias com quatro instituições dos Estados Unidos: a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a Universidade do Arizona. "Os pesquisadores dessas instituições vão discutir conosco as interpretações dos dados", disse.

Novos sensores

Outro braço do Projeto Temático pretende aprimorar a rede de monitoramento de raios no Estado de São Paulo. Novos sensores detectarão também os raios intranuvens, que passam de uma nuvem a outra. Os sensores atuais só detectam as descargas que descem ao solo.

"Ao mesmo tempo, a ampliação da Rindat deverá melhorar a qualidade dos dados. Com 53 sensores atualmente espalhados pelo Brasil, a rede deverá instalar seis novos equipamentos de detecção este mês, no Mato Grosso. Com eles, a região Centro-Oeste será totalmente monitorada", disse Pinto Júnior.

O pesquisador indica que existe uma previsão de que a região Nordeste esteja coberta com sensores até o fim de 2011. E há esforços para levar estações também ao Norte do país, que apresenta desafios logísticos devido à sua grande extensão e à vegetação amazônica.

A densidade dessas redes de detecção de raios é fundamental para a qualidade das informações coletadas. "O alcance de cada sensor é de 600 quilômetros, mas é importante que cada raio seja registrado por mais de um equipamento para que a qualidade do dado seja maior", disse.

Temperaturas oceânicas

Uma relação já traçada pelo Elat é o da temperatura dos oceanos na incidência de raios. O grupo de pesquisa levantou, por exemplo, que os anos em que ocorreram mais mortes por raios, 2001 e 2008, coincidiram com o fenômeno do resfriamento das águas do Pacífico, conhecido como La Niña.

"Sabemos que quando ocorre a La Niña aumenta a incidência de raios nas regiões Norte e Nordeste. Nos períodos de El Niño [aquecimento do Pacífico], as descargas aumentam na região Sul. Já nas regiões sudeste e centro-oeste os efeitos são mais difíceis de serem previstos", disse Pinto Júnior. Somados esses efeitos explicariam a concentração dos recordes de mortes na temporada da La Niña, segundo ele.

Apesar de notória, a influência da temperatura dos oceanos na incidência de raios não conta com muitos estudos, segundo Pinto Júnior. Além disso, o acompanhamento das temperaturas do Pacífico é muito mais antigo do que as medições feitas no Oceano Atlântico.

Isso se deve a uma questão econômica. Os efeitos causados pelo El Niño e pela La Niña na pesca peruana fizeram com que os pescadores daquele país acompanhassem de perto as oscilações de temperatura do oceano. Há registros de mais de 150 anos e que poderão ser comparados às anotações de tempestades observadas no Brasil.

Como desafio, o Projeto Temático procurará verificar como os raios respondem às temperaturas oceânicas, em especial às do Atlântico. "As tempestades no Brasil, especialmente, devem sofrer grande influência do Oceano Atlântico, mas não há estudos nesse sentido", disse o coordenador do Elat.

Em mesmo sabendo que oceanos podem provocar precipitações, isso não é suficiente para relacioná-los aos raios. "Não há uma relação direta entre volume de chuvas e raios, como muitos imaginam", disse o pesquisador, que relata casos de muita chuva e poucos raios e de muitas descargas elétricas com pouca ou nenhuma precipitação.

O projeto ainda pretende ir além da atmosfera e analisar um considerável fator de influência no clima do planeta: o Sol. Em ciclos de cerca de 11 anos aumentam as manchas na superfície solar e com elas o fluxo de radiação lançado pela estrela.

Na Terra, isso é sentido por meio de alterações das partículas da atmosfera. "São elas que facilitam ou não a formação de gelo nas nuvens e os raios só ocorrem quando existe gelo no interior das nuvens", disse.

Pinto Júnior conta que a próxima ocorrência de aumento das manchas solares está prevista para 2012, ano em que a equipe do Temático poderá aproveitar para analisar o quanto o Sol tem a ver com a incidência de raios no Brasil.

(Fábio Reynol, da Agência Fapesp, 12/2)
Fonte: JC e-mail 3950, de 12 de Fevereiro de 2010.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

10 Technology Ideas Your Library Can Implement Next Week

By Ellyssa Kroski

Even non-techies can offer cutting-edge services right away
New social media websites such as Facebook and Twitter enable librarians to converse, communicate, and collaborate with patrons as never before, because they are increasingly a part of people’s everyday lives. A brochure that describes your library with a few pictures is great, but a video tour that people can watch on your website or blog is immeasurably better. Enabling patrons to save their catalog searches is important, but offering the ability to notify patrons via email and text messaging when new acquisitions arrive presents a fresh way to connect with users.

Librarians who are still becoming comfortable with the Web are often reticent to begin using new technologies in their day-to-day work because the learning curve often takes more time than they have at hand. When I begin teaching people about Web 2.0, mobile, and emerging technologies, I try to answer three questions:

•What is it?
•Why is it important?
•How can it help me better serve my users tomorrow?

Here are 10 ideas you can use to start creating, collaborating, connecting, and communicating through cutting-edge tools and techniques. All of them are culled from the 10 books in the Tech Set series, to be published by Neal-Schuman in March.

1: Create a library video tour to welcome people 24 hours a day, seven days a week from any location.
With today’s technology, even inexperienced video producers can create a video tour and put it on the library’s website for little time and money. The tools of the trade are: a camera, microphone, lights, computer, video and audio editing software, tripod for the camera, microphone stand, a portable lighting structure, and headphones. It seems like a lot, but with some bargain-hunting you should be able to get everything you need for a webcam setup from about $100.

Library video tours aren’t just about the facility and its features; they’re a way to invite nonusers to come and visit. It’s about the warm welcome and the friendly service they will receive when they do come. It’s about the pride you feel being part of the community. It’s much more than just a tour!

The secret is to pretend that you have never been to the library and are discovering it for the very first time. The tour should begin from the moment potential users decides that they are coming to the library. So the first thing you want to do is welcome them, introduce yourself, and tell them the hours you are open. Then introduce them to any library feature or service that you’d like, from information about travel, parking, and restrooms to instructions for getting a library card or visiting the reference desk.

2: Use SMS to send patron alerts and notifications.
SMS (short message service, a.k.a. texting) is ideal for broadcast services. If your library sends out notices to its patrons, having the ability to send SMS alerts is a nice alternative to e-mail, and much more useful for most younger patrons. Research has shown that the current generation of students sees e-mail as old and outdated; they rely almost exclusively on texting to communicate with each other. There are ILS systems that provide a direct SMS gateway option and natively send texts out to patrons. But even if an ILS doesn’t have SMS capabilities built in, it probably has e-mail, and, with a little effort, you can give most patrons the option of receiving info via an e-mail SMS gateway.
Most cellular carriers have a gateway that allows e-mail to be transmitted to a mobile phone via SMS. If your ILS can send out alerts via e-mail, you just need to give it the equivalent e-mail address for a patron’s cell phone, and it should work transparently. SMS has a 160-character limit for transmitting text, so if your e-mails tend to be very wordy or have extraneous text (signatures and such), you will need to pare them down before implementing SMS in your ILS.

3: Feed your library’s blog posts into Twitter without doing any more work.
Twitter is immensely popular right now, and it’s a great way of letting your community members know what’s happening at the library. Is today’s storytime canceled? Let patrons know automatically. You can begin using Twitter by posting tweets yourself, but there are ways to automate Twitter so that it instantly posts content that other parts of your organization— from public programs to children’s services—originally creates. This can help to both reduce your workload and improve your library’s communication with patrons.

One of the easiest ways to start getting content into a Twitter account is to set up a blog feed to post to your Twitter account automatically. You don’t have to use a blog; any application that can give information in RSS format (such as many online calendars or other social networking sites like Facebook) can be used as seed content for a fledgling Twitter account. All you have to do is find the RSS feed; once you’ve got the address for the feed, you can then use a third-party service such as TwitterFeed to have all posts automatically added to your library’s Twitter stream.

4: Improve customer service by developing a technology skills list for your staff.

A technology skills list is an easy and efficient way to organize an ongoing technology training program at your library. Technology skills or competencies are the technology-related abilities, qualities, strengths, and skills required for the success of the employee and the organization. As you might imagine, these skills have increased in number with the advent of personal computers, the internet, and Web 2.0. Technology skills are crucial for the success of any organization, but critically important for successful customer service in libraries.

Many of us in libraries are acting as first-line, de facto tech support. If we do not have a handle on the technology tools that we use, the technology gets in the way of our service to our users and things don’t run smoothly. We want everyone on our staff to be able to help our users equally. Our technology skills need to be so second nature to each of us that they come as naturally as breathing. By getting everyone on the same page with their technology skills, the library creates a frontline force with technology know-how, expertise, and ability, each one ready to step in and solve whatever problem or question comes up—right then and there. No more shuffling a user from one person to another or making the user wait minutes, even days, for an answer.

5: Create a special-event wiki.
A wiki can be a good solution if you are creating a website for a special event but do not want to bother your webmaster with the regular updates you are planning to make. If you choose to host the wiki yourself, you will need to work with a webmaster in setting it. Once the webmaster has set up the backend, or you have used a third-party site to meet your requirements, you are ready to start adding content.
Like any upcoming-event site, your wiki should be designed to include relevant information for the participants you are targeting. If you are planning a lecture series, you will want to include when, where, and who will be speaking. Your audience will find it useful if you include an image of the speaker and a biography; you might also consider embedding video footage of the speaker at another event. If you are planning a workshop or conference, you might start the wiki with just an announcement. As you figure out more about what is going to happen at the conference, what hotel will offer a discount, who the keynote speaker will be, and all the other conference details, you will want to add this information to the website.

6: Help your catalog evolve with personalization.
A website can offer many additional features to users willing to register and sign in. Traditional library catalogs have offered such services to patrons as the ability to view the materials currently checked out, make renewal requests, place requests to be notified when items become available, make interlibrary loan requests, pay fines, and many other actions that might otherwise require a visit to the library. Self-service through the website has become increasingly expected.

Personalization also enables the use of customized settings related to search and retrieval. Users might want to save search results for future consultation, bookmark specific items, or establish preferences regarding narrowing searches to their favorite databases or disciplines. Notification services also tie in to personalization, such as the ability to set up alerts to be notified by e-mail when the library obtains new materials in a specific area of interest.

7: Put together a Guitar Hero tournament that will attract a wide range of nonusers to your library for the very first time.
Guitar Hero is a very popular videogame. Its controllers resemble musical instruments allowing players to “play music” by pressing the appropriate key as it scrolls across the screen. One of the reasons for Guitar Hero’s success is its popularity among both male and female gamers; another is that it can be played on almost every console (as well as mobile phones).

The first thing you should do is determine what age level to target for your tournament. While the majority of your programs might group similar ages together, keep in mind that video game skills often can transcend the age of the player. It’s important to be clear about what age range your tournament is open to so that people don’t feel the rules are being changed midway through the registration period.

8: Use Facebook for chat reference.
Many libraries have expanded into digital reference service by providing chat or instant messaging service to their users. Libraries use a variety of programs to provide chat service to library users. Facebook, as a social environment, is a perfect place to distribute chat reference service. In some cases, applications are already available for Facebook users. Services such as MeeboMe and AIM Wimzi can be added to librarian profiles as a way for users to ask for help.

In addition to these applications, Facebook also has its own chat service available to users. As librarians add library users to their Friends lists, they should not be surprised if they get the occasional question or comment about the library from Facebook Chat.
9: Collaborate and communicate with internal blogs.
Several types of internal blogs exist. Especially for libraries serving members of a specific organization, some blog types may be visible only to those inside the organization, such as subject-specific or subject specialist blogs.

Other internal blogs are meant for use by the library staff for communication with one another. Some types of blogs you might consider to boost your internal communication:

•A weeding blog discussing what has been removed from the library shelves and why.
•A training blog discussing what is being taught in library-run seminars and the related resources and logistics, giving you a place to discuss new ideas before trying them out.
•An acquisitions blog explaining buying decisions and reasons for purchase delays.
•A professional development blog where staff share what they learned at conferences, seminars, and courses or in their own reading.
•Blogs from each of your departments or teams discussing the work they are doing and their latest projects.
The larger your staff, the more value they will see in these kinds of blogs as they will not have time to talk with everyone and learn what they are doing. Blogs discussing department work help keep everyone up to speed on what is happening in other departments, and invite a spirit of collaboration.

10: Hold a themed unconference to tackle important issues.
Of course any library unconference already has a theme: libraries! But some unconferences, or library camps, are also built around a more specific theme. Technology-related themes are popular, but they’re not the only kinds of themed unconferences that have been successful.

• The L2 Unconference in Melbourne and Library 2.0 on the Loose in Perth were two Australian unconferences in 2007 that took Library 2.0 as a theme.
•RepoCamp was an unconference held at the Library of Congress in 2008 for people who are “interested in managing and creating digital repository software and their contents.”
•Mashed Libraries UK 2008 was devoted to library applications of “mashups”: the programming practice of bringing data together from multiple online sources to create a new service.
•The Radical Reference group hosted an unconference as an unofficial preconference to the 2009 Association of College and Research Libraries meeting in Seattle. The meeting focused on “social justice and alternative and radical collections and programs in academic libraries.”
Many good things can come out of having a theme for your unconference. Rather than having sessions that range widely from high-tech topics to community and personnel issues, a themed camp will keep participants talking about issues around a single agreed-upon topic, offering participants a more focused experience. There will also be more carry-over from one session to another, and participants may feel comfortable with less uncertainty about what they’ll be talking about that day.
These are just a few ideas for ways that libraries can start implementing these new technologies right now to enhance public services, communicate with staff, and facilitate remote collaboration. What makes these 10 tools and techniques particularly appealing is that most can be utilized to create cutting-edge programs and services with just a little investment of time and resources and a low learning curve. These simple suggestions can get you started creating innovative programs and initiatives using today’s hottest technologies as soon as next week.

Ellyssa Kroski is an information services technologist at Barnard College in New York City as well as a writer, educator, international conference speaker, blogger (iLibrarian), and Library Journal columnist focusing on how technology enhances library services. She is editor of the Tech Set series—10 practical guides published this month by Neal-Schuman. Information about the 10 authors whose work is reflected in this article and their respective volumes is available at www.neal-schuman.com/techset.

Fonte: American Libraries Magazine
Data: 12/02/2010