quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um quinto dos artigos é de livre acesso.

Pesquisa aponta crescimento de revistas que não cobram por leitura de textos científicos

Um quinto dos artigos científicos publicados no mundo em 2008 eram de livre acesso. A afirmação é resultado de uma pesquisa de cientistas finlandeses e islandeses publicada na última edição da revista PLos One.

Bo-Christer Björ, da Escola de Economia de Hanken, na Finlândia, e sua equipe analisaram 1837 artigos selecionados aleatoriamente da base de dados Elsevier em 2008 e verificaram que 8,5% dos papers podiam ser lidos gratuitamente nas páginas das revistas na internet e outros 11,9% eram encontrados nos sites dos autores ou em outros endereços abertos.

Dos que estavam disponíveis em revistas, um quarto podia ser lido gratuitamente pois os autores pagaram a cota necessária para as publicações abrirem o acesso.

Ainda segundo o estudo, as áreas que mais publicam artigos abertos são as ciências da terra e matemática.

A íntegra do artigo pode ser lida no link: http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0011273

(Marcelo Medeiros, do Jornal da Ciência)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71819


Sonhar pode ajudar na aprendizagem e melhorar a memória

Estudo esclarece qual o papel desempenhado especificamente pelo sonho na fixação da memória. Resultados serão apresentados na 62ª Reunião Anual da SBPC

Sonhar um pouco sobre as matérias que estão estudando para prestar uma prova importante na escola pode ajudar os estudantes a terem um bom desempenho no teste. Mas se não sonharem nada ou muito sobre o que estão aprendendo nas noites que antecedem o exame, o resultado pode ser exatamente o inverso e provocar o temido "branco" ou "apagão" da memória.

É a conclusão a que estão chegando os pesquisadores do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) por meio de experiências inusitadas.

Em 2007, os neurocientistas do Instituto dirigido pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis iniciaram uma pesquisa com 22 apreciadores do popular e controverso videogame "Doom", em que o jogador é transformado em um fuzileiro espacial e precisa exterminar criaturas bizarras, como monstros e zumbis.

Durante a experiência, os pesquisadores observaram que os jogadores que não sonharam ou sonharam muito com o jogo nas noites que passaram no laboratório do IINN-ELS, ligados a um aparelho de eletroencefalograma, foram mal no jogo. Já as que sonharam um pouco sobre ele apresentaram um desempenho melhor.

"Observamos que houve uma relação direta entre os sonhos e a performance dos jogadores", afirma o neurocientista e chefe de laboratório do IINN-ELS, Sidarta Ribeiro. "À medida que sonhavam com o jogo, eles jogavam melhor. Mas se sonhavam muito com ele e ultrapassavam um determinado limite de sonho jogavam mal", diz.

O especialista abordará esse assunto em uma conferência que fará na 62ª Reunião Anual da SBPC, que acontece de 25 a 30 de julho em Natal (RN).

De acordo com Ribeiro, o estudo, que está quase pronto para publicação, não demonstra categoricamente que o sonho melhora a aprendizagem. Mas sugere que ambos estão fortemente relacionados e ajuda a elucidar o papel desempenhado especificamente pelo sonho no processo de sono-aprendizagem.

Até hoje o que se sabia é que o sono pode ajudar na aprendizagem e melhorar a memória, e que a maioria das pessoas sonha durante a fase do sono leve, ou REM, que é a melhor para recordação de memórias e é caracterizada pelo rápido movimento dos olhos.

"A ideia que estamos trabalhando é que o sonho é um processamento da memória", revela. "Se nós prestarmos atenção no nosso dia-a-dia, quando temos um nível de estresse baixo e sonhamos moderadamente, retemos mais memória. Mas se ficamos muito estressados e não sonharmos, o resultado é exatamente o oposto", compara.

Sonhos violentos

O especialista explica que escolheram um jogo tão violento como o "Doom" para realizar a pesquisa porque os próprios sonhos têm um contexto violento e guardam uma relação antropológica com os nossos ancestrais mais longínquos que, ao acordarem, tinham que matar ou morrer.

"Nós não podíamos pegar uma situação da vida de um sujeito comum de hoje para realizar a pesquisa", conta Ribeiro. "Tentamos replicar uma situação de risco de predação vivida pelos nossos ancestrais para expor os participantes da pesquisa a uma situação de estresse".

Em outro experimento que será realizado no IINN-ELS, os participantes serão divididos em dois grupos em outro jogo de videogame, em que primeiro representará a caça e o segundo o caçador. Os pesquisadores esperam que haja uma divergência nos sonhos e no desempenho dos participantes de acordo com o papel exercido por eles no jogo. A suposição é que os "predadores" se estressarão menos e, consequentemente, reterão mais memória e jogarão melhor do que os "caçados".

A palestra do neurocientista Sidarta Ribeiro será realizada no dia 25 de julho, às 10h, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O evento, cujo tema é "Ciências do mar: herança para o futuro", contará com centenas de atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos. Veja a programação em www.sbpcnet.org.br/natal/home/

(Assessoria de Imprensa da SBPC)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71809


Dependência digital começa a ter tratamento especializado

Embalagens e propaganda de celulares, notebooks e afins ainda não trazem uma tarja em destaque com o aviso para que se “utilize com moderação”. Mas a ideia pode não ser tão absurda. O uso exagerado de aparelhos eletrônicos e o tempo de permanência na internet já preocupam países como Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul. Agora é a vez do Brasil. O país, ao mesmo tempo em que encara o desafio de reduzir o fosso da exclusão digital, protagoniza um novo problema: a dependência da internet.

Já existem locais especializados em cuidar do vício. O Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) criou há três anos e meio o seu Centro de Estudos de Dependência da Internet. De lá para cá, o serviço atendeu mais de 200 pessoas com sérios distúrbios comportamentais devido ao uso desregrado de equipamentos tecnológicos.

“O que tem nos surpreendido é que a maior parte dos pacientes tem mais de 18 anos”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, responsável pelo centro. Entre os casos tratados no HC está o de uma paciente de 65 anos de idade que passava o dia inteiro de frente para o PC, enviando e recebendo emails. “Ela simplesmente não conseguia largar o micro e recebia cerca de 2 mil mensagens por dia”, comenta Abreu. Outro paciente, um adolescente, chegou a ficar 45 horas ininterruptas de frente para o PC — sem dormir ou ir ao banheiro — simplesmente porque queria bater recordes de um jogo.

A dependência digital, diz Abreu, tinha de ser tratada como questão de saúde pública. A preocupação de quem estuda o tema é de que, em pouco tempo, o país tenha um exército de dependentes.

As estimativas indicam que cerca de 10% da população navegue na internet de modo exagerado no Brasil. Isso equivale a mais de 6,7 milhões de pessoas. O brasileiro, por perfil, já é um usuário de risco. Há muito tempo o Brasil detém o 1º lugar entre os países que permanecem mais tempo conectados na rede. Em maio, segundo o Ibope Nilsen Online, o tempo médio que o internauta brasileiro ficou conectado foi de 46 horas e 50 minutos. Nos Estados Unidos, essa média não chegou a 38 horas. No Japão, atingiu pouco mais de 31 horas. “Se você pensar na nova legião de usuários que o país terá, principalmente a partir dos celulares, esse cenário fica mais preocupante.”

O vício na internet e em equipamentos tecnológicos ainda não é um tipo de transtorno com diagnóstico reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), diz Abreu, mas isso deverá mudar em breve. “Uma série de pesquisas e artigos sobre esse tema tem sido publicada. A dependência tecnológica deverá ser reconhecida pela OMS em 2011.”

Iniciativas como a do HC em São Paulo começam a ser testadas em outras cidades, como Rio e Porto Alegre. Pela internet (www.dependenciadeinternet.com.br), o HC oferece uma série de informações sobre o tema, recebe inscrições de pacientes e oferece um teste detalhado para que a pessoa verifique como anda seu relacionamento com a tecnologia.

Abreu acaba de escrever um livro sobre o tema. Batizado de “Internet addiction” (Vício em internet, na tradução livre), o manual clínico tem a coautoria da americana Kimberly Young, médica especialista no assunto. Destinado a profissionais de saúde, o livro será publicado até o fim deste ano no Brasil e nos Estados Unidos. “Falta médico especializado nesse tipo de tratamento. O objetivo dessa publicação é dar um suporte científico ao assunto”, diz Abreu.

Suporte científico, de fato, é o que está faltando. Recentemente, na China, onde o assunto é considerado “desordem psicológica” similar ao alcoolismo, o dono de um centro de reabilitação foi detido após a denúncia de maus tratos e tortura a pacientes. O local chega a usar eletrochoque para “tratar” seus internados.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fator de Impacto da 'Memórias do IOC' ultrapassa barreira de dois pontos




A revista científica "Memórias do Instituto Oswaldo Cruz" ultrapassou a barreira de dois pontos de Fator de Impacto (FI), segundo avaliação da Web of Knowlegde, do Institute for Scientific Information (ISI), base indexadora da Thomson Reuters

Com FI 2,097, a Memórias ultrapassa publicações internacionais de prestígio e coloca-se entre as revistas mais importantes do mundo em áreas como parasitologia, microbiologia, epidemiologia, entomologia médica, medicina tropical e biomedicina.

Criado em 1909 pelo sanitarista Oswaldo Cruz, o periódico tem como política o acesso gratuito da versão na internet e tem passado por um intenso esforço de modernização, que inclui a submissão on-line de artigos e a digitalização integral de seu acervo secular.

Nos últimos dez anos, a revista apostou na modernização e na internacionalização para romper a barreira dos dois pontos de FI calculado pelo ISI. Editor da "Memórias do Instituto Oswaldo Cruz", Ricardo Lourenço de Oliveira comemora o resultado e acredita que a revista atingiu uma meta importante, que a coloca no mesmo nível de algumas das mais relevantes publicações internacionais.

"A 'Memórias' é uma revista multidisciplinar, que abrange uma gama muito grande de temas, desde a taxonomia de vetores até o estudo molecular de novas formas de diagnóstico de doenças, especialmente infecciosas e parasitárias. Atingir dois pontos de FI era um grande objetivo, já que a maioria das melhores revistas internacionais com esse perfil possui um fator de impacto pouco acima de dois pontos", avalia.

"Dessa forma, a publicação se coloca no mesmo patamar de revistas como 'Acta Tropica', 'Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene' e 'American Journal of Tropical Medicine and Hygiene', que há anos possuem fator de impacto próximo a dois."

O editor também destaca que o resultado coloca a revista à frente de periódicos tradicionais como "Experimental Parasitology", "Parasitology Research", "Parasitology", "Journal of Parasitology", "Journal of Tropical Pediatrics" e da "Annals of Tropical Medicine and Parasitology".

Para Ricardo, o sucesso experimentado pela "Memórias" na última década, quando seu FI subiu de em torno de 0,5 para os atuais 2,097, é fruto de um constante trabalho voltado para internacionalizar o periódico e elevar a qualidade dos artigos nele publicados.

"Cada vez mais exigimos originalidade e relevância científica dos trabalhos. Esses critérios de avaliação rígidos fazem com que somente cerca de 50% dos artigos submetidos sejam enviados para nossos pareceristas, uma vez que a pré-análise por editores associados e especialistas faz a triagem das contribuições impactantes e ao mesmo tempo aumentam muito as citações do material que publicamos", conta.

Além disso, o grande número de artigos internacionais publicados e, principalmente, a presença de muitos pesquisadores estrangeiros de grande importância entre os pareceristas da revista também são fatores fundamentais para o bom resultado, na opinião do editor.

"Hoje, 70% dos trabalhos avaliados nas 'Memórias' recebem o parecer de pelo menos um pesquisador estrangeiro de relevante produtividade no tema do manuscrito em julgamento. Isso representa um reconhecimento ainda maior da aplicabilidade do conhecimento contido nos artigos e de sua relevância num contexto mais geral", avalia.

Na evolução do FI da revista, o editor destaca dois temas que têm tido uma expressiva contribuição, com grande número de citações em todo o mundo: doença de Chagas e leishmanioses. "São realmente dois grandes assuntos da revista, publicamos muitos artigos sobre estes parasitos, seus vetores, epidemiologia, transmissão, resposta imune e outros temas relacionados. Isso nos coloca como uma das publicações mais importantes para o estudo dessas parasitoses", avalia Ricardo.

Os bons resultados em nada alteram a estratégia que visa melhorar ainda mais o desempenho da revista nos próximos anos. "Vamos continuar investindo na internacionalização e na qualidade dos artigos, além de dar mais visibilidade à publicação, para trazer mais pesquisadores de alto nível e grande produtividade para a revista, como autores e como membros de nosso corpo de avaliadores", revela Ricardo. "A própria elevação do FI faz aumentar a quantidade de artigos submetidos e poderemos escolher os mais originais e de fato relevantes, sempre no sentido de aprimorar a qualidade do material publicado", finaliza.

A revista "Memórias do Instituto Oswaldo Cruz" foi criada em 1909 pelo sanitarista Oswaldo Cruz, como uma das primeiras publicações latino-americanas especializadas, com alto padrão de impressão e regularidade. Nela foram publicados muitos dos estudos mais importantes desenvolvidos nas bancadas do IOC e de outros laboratórios do Brasil e da América Latina. Depois de parar de circular por um curto período durante a ditadura militar, a revista foi retomada e foi implementado um processo de modernização e internacionalização.

A revista começou a publicar artigos essencialmente em inglês, adotou-se um processo de submissão on-line e o periódico passou a contar com o DOI, um sistema internacional de identificação de artigos. O acervo da publicação foi totalmente digitalizado e disponibilizado em seu site também para busca na plataforma Scielo.

Reflexo desses esforços, a "Memórias" se tornou a revista de maior fator de impacto da América Latina na área biomédica em 2006 e 2008, obtendo o segundo lugar em 2007. Com FI de 2,097 em 2009, a revista também ficou com a segunda posição no Brasil, atrás apenas da "Revista Brasileira de Farmacognosia". Na América Latina, ocupa o terceiro lugar entre as revistas de ciências em qualquer área.

(Marcelo Garcia, Assessoria de Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71764


Portais de revistas no SEER

O Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) criado pelo PKP e disseminado pelo Ibict no Brasil é utilizado por mais de 200 instituições de ensino e pesquisa no país, sendo que mais de 50 delas já disponibilizam suas revistas em portais institucionais.

Confira: http://euseer.ibict.br/index.php/euseer1/index/pages/view/portais



Produção Intelectual no Ambiente Acadêmico.

Em consonância com as tendências de acesso livre, cujo intuito básico é a democratização da informação, o Departamento de Ciência da Informação* da Universidade Estadual de Londrina lançou o livro eletrônico (e-book) intitulado Produção Intelectual no Ambiente Acadêmico (ISBN 978-85-7846-072-3), organizado pela Profa. Ms. Renata Gonçalves Curty.


Com 142 páginas e seis capítulos, a obra versa sobre a ética em pesquisa, a pressão pela produção na esfera acadêmica e o sistema nacional para avaliação da pós-graduação, além de apresentar estudos de levantamento
da produção científica, tecnológica, artística e cultural da UEL em algumas áreas do conhecimento.


O e-book está disponível para consulta e download pelo site do Mestrado Profissional em Gestão da Informação (MPGI) http://www.uel.br/pos/mestradoinformacao/pages/e-book.php

Fonte: Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias


Sim, as pessoas continuam lendo. Mas agora é socialmente

"Sim, estamos um pouco menos concentrados, graças ao estímulo elétrico da tela. Sim, estamos lendo narrativas e discussões um pouco menos longas do que tínhamos há 50 anos. Estamos levemente menos concentrados e exponencialmente mais conectados. Essa é uma troca que todos nós deveríamos estar felizes por fazer."

A análise é de Steven Johnson, escritor e empresário. Seu novo livro, "Where Good Ideas Come From: The Natural History of Innovation" [De onde vêm as boas idéias: A História Natural da Inovação], será publicado em outubro. O artigo foi publicado no jornal The New York Times, 18-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"O ponto central dos livros é o combate à solidão", observa David Foster Wallace no início de "Although of Course You End Up Becoming Yourself", o livro-entrevista recém publicado por David Lipsky.

Se acontecer de você estar lendo um livro no Kindle da Amazon, a observação de Wallace tem uma ênfase extra: um sublinhado pontilhado que corre embaixo da frase. Não porque Wallace ou Lipsky consideraram que essa parte merecia ser destacada, mas por causa de uma dúzia de outros leitores que destacaram essa passagem em seus Kindles, tornando-o um dos trechos mais "populares" do livro.

A Amazon chama esse novo recurso de "destaques populares" [popular highlights]. Pode soar bastante inócuo, mas indica mudanças ainda maiores que estão por vir.

Embora esse recurso possa ser desabilitado pelo usuário, os "destaques populares", sem dúvida, irão alarmar Nicholas Carr, cujo novo livro, "The Shallows", argumenta que o fato de "ler por cima", a lincagem e a multitarefa compulsiva da nossa leitura na tela está minando o foco profundo e imersivo que definiu a cultura do livro ao longo dos séculos.

Com os "destaques populares", mesmo quando conseguimos nos desconectar do Twitter e desligar a televisão e sentar para ler um bom livro, haverá um coro de leitores virando as páginas junto conosco, destacando as partes boas. Em pouco tempo, nós provavelmente seremos capaz de nos encontrar com esses colegas leitores, compartilhar histórias com eles. Combate à solidão? David Foster Wallace viu apenas a metade.

O argumento de Carr é que essas distrações vêm com um alto custo, e a publicação de seu livro coincide com artigos em diversas publicações – incluindo o New York Times – que relatam estudos científicos que mostram como a multitarefa prejudica a nossa concentração.

Até agora, a neurociência da multitarefa se inclinou a seguir um padrão previsível. Os cientistas pegam alguns sujeitos para testes e fazem-nos ver alguns quadrados coloridos dançando na tela de um laboratório em algum lugar. Então, eles determinam que a multitarefa deixa-lhes um pouco menos capazes de se concentrar. Um estudo publicado no início deste mês constatou que multitaskers [pessoas que fazem multitarefas] mais graves tiveram um desempenho entre 10% a 20% pior na maioria dos testes do que os multitaskers mais suaves.

Esses estudos, sem dúvida, indicam alguma coisa – ninguém acredita sinceramente ser melhor em concentração quando muda constantemente entre múltiplas atividades –, mas não fazem sentido como um indicador cultural sem medir o que ganhamos com a multitarefa.

Graças ao e-mail, ao Twitter e à blogosfera, eu troco informações regularmente com centenas de pessoas em um único dia: agendamento de reuniões, troca de fofocas políticas, edição de um capítulo de livro, planejamento de férias familiares, leitura de conteúdo tecnológico. Como muitas dessas trocas poderiam acontecer se eu estivesse limitado exclusivamente às tecnologias do telefone, dos correios e do encontro face a face? Eu suspeito que o número seria uma pequena fração do meu índice atual.

Não tenho dúvida de que eu estou um pouco menos concentrado nessas interações, mas, francamente, grande parte do que fazemos durante o dia não requer os nossos plenos poderes de concentração. Mesmo os cientistas de foguetes espaciais não fazem ciência de foguete espacial durante todo o dia.

Para o seu crédito, Carr admite prontamente esse argumento da eficiência. Sua preocupação é o que acontece ao pensamento de alto nível quando a cultura migra da página para a tela. Na medida em que seu argumento é um lembrete a todos nós para que nos afastemos da tela de vez em quando e pensemos em um ambiente mais sereno, essa é uma contribuição valiosa.

Mas o argumento de Carr é mais ambicioso do que isso: a "mente linear e literária" que esteve no "centro da arte, da ciência e da sociedade" ameaça se tornar a "mente de ontem", com consequências devastadoras para a nossa cultura. Aqui, também, eu acho que as preocupações são exageradas, embora por razões levemente diferentes.

Presumivelmente, as primeiras vítimas do pensamento "superficial" deveriam ter aparecido nas linhas de frente da tecnologia mundial, na qual os participantes passaram a maior parte do tempo no espaço hiperconectado da tela. E no entanto a sofisticação e a nuance dos comentários sobre a mídia cresceram dramaticamente nos últimos 15 anos. O ensaio original de Carr, publicado no The Atlantic – juntamente com o relato mais otimista de Clay Shirky, o que o levou ao livro "Cognitive Surplus" – foi intensamente discutido em toda a Internet quando ele apareceu pela primeira vez como artigo, e ambos os livros parecem estar gerando o mesmo nível de análise e de envolvimento nos formatos longos.

As ferramentas intelectuais para avaliar a mídia – que uma vez eram a província de acadêmicos e críticos profissionais – são agora muito mais acessíveis para as massas. O número de pessoas que têm escrito uma resposta ponderada para o ensaio de Carr – e, melhor ainda, publicando-a on-line – com certeza supera o número de pessoas que escreveram publicamente sobre o "Understanding Media" [Os meios de comunicação como extensão do homem, na versão brasileira], de Marshall McLuhan, em 1964.

Carr passa grande parte da introdução de seu livro convencendo-nos que as novas formas de mídia alteram a forma como o cérebro funciona, o que eu suspeito que a maioria de seus leitores aceitaram há muito tempo como uma verdade óbvia. A questão não é se os nossos cérebros estão sendo alterados. (É claro que novas experiências mudam o seu cérebro – isso é o que é uma experiência, em um nível básico). A questão é se as recompensas da mudança valem todo o investimento.

O problema com o modelo de Carr é a sua reverência inquestionável pela lenta contemplação da leitura profunda. Para que a sociedade avance como ela tem avançado desde Gutenberg, defende ele, precisamos do espaço quieto e solitário do livro. No entanto, muitas grandes ideias que avançaram a cultura nos últimos séculos surgiram a partir de um espaço mais conectivo, na colisão de visões de mundo e sensibilidades diferentes, de metáforas e campos de especialização diferentes. (O próprio Gutemberg pegou emprestada a ideia da sua imprensa da prensa dos vinhateiros da Renânia, como observa Carr.)

Não é por acaso que a maioria das grandes inovações científicas e tecnológicas ao longo do último milênio ocorreu em centros urbanos multitudinários e distrativos. A própria página impressa encorajou essas conexões múltiplas, ao permitir que as ideias fossem armazenadas e compartilhadas e circulassem mais eficientemente. Pode-se até argumentar que o Iluminismo dependeu mais do intercâmbio de ideias do que da leitura solitária e profundamente focada.

A contemplação silenciosa, em parte, levou a importantes pensamentos. Mas não se pode negar que as boas ideias também surgem em redes.

Sim, estamos um pouco menos concentrados, graças ao estímulo elétrico da tela. Sim, estamos lendo narrativas e discussões um pouco menos longas do que tínhamos há 50 anos, embora o Kindle e o iPad podem muito bem mudar isso. Esses são os custos, na verdade. Mas e o outro lado da história? Estamos lendo mais textos, escrevendo muito mais frequentemente do que quando estávamos no auge da televisão.

E a velocidade com a qual podemos acompanhar o rastro de uma ideia, ou descobrir novas perspectivas sobre um problema, aumentou em vários graus de magnitude. Estamos levemente menos concentrados e exponencialmente mais conectados. Essa é uma troca que todos nós deveríamos estar felizes por fazer.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=33733

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Afinal, o que é biblioteca digital?

O artigo de Luis Fernando Sayão "Afinal, o que é biblioteca digital?" publicado na Revista USP, n. 80, p. 6-17, 2009, discute brevemente o conceito de biblioteca digital, a maneira como ela é vista por diversos grupos sociais e como ela tem sido apropriado pelas bibliotecas tradicionais.

O artigo está disponível para leitura em: http://eprints.rclis.org/18682/1/biblioteca-digital.pdf

Brasil ganha quatro medalhas na Olimpíada de Matemática no Cone Sul

Foram uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze

O Brasil conquistou quatro medalhas na 21ª Olimpíada de Matemática do Cone Sul, realizada no sábado (19), em Água de São Pedro (SP).

O estudante João Lucas Camelo Sá, de Fortaleza (CE), levou o ouro. Gabriel Militão Vinhas Lopes, de Fortaleza, e Maria Clara Mendes Silva, de Pirajuba (MG), ganharam prata, enquanto Caíque Porto Lira, também de Fortaleza, ficou com o bronze.

A competição teve a participação de 32 estudantes do ensino médio, com representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

As equipes foram formadas por até quatro estudantes, com provas realizadas em dois dias consecutivos. Em cada dia, foram resolvidos três problemas em quatro horas e meia de prova. Todos os integrantes da equipe nacional conquistaram medalhas.

Essa foi a quarta edição da competição no Brasil. A primeira Olimpíada de Matemática do Cone Sul ocorreu em Montevidéu, Uruguai, em 1988, tendo representantes de apenas quatro países.

Desde sua primeira participação no certame o Brasil já conquistou um total de 77 medalhas, sendo 19 de ouro, 30 de prata e 28 de bronze. A participação brasileira é organizada por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

A OBM é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa/MCT) e tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Matemática (INCT-Mat).

Mais informações: www.obm.org.br/opencms
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71667

terça-feira, 22 de junho de 2010

USP lidera ranking de publicações ibero-americanas.

Com quase 38 mil artigos de 2003 a 2008, Universidade de São Paulo ocupa o primeiro lugar no SCImago Institutions Ranking de publicações científicas. Unicamp, Unesp e UFRJ também estão entre as dez primeiras colocadas
A Universidade de São Paulo é a instituição de ensino superior que mais publicou artigos científicos no período de 2003 a 2008 entre os países ibero-americanos, segundo ranking recém-divulgado.

A instituição paulista produziu 37.952 artigos no período, de acordo com o SCImago Institutions Rankings (SIR) 2010, produzido por um grupo de pesquisa sediado na universidade espanhola de Granada e que reúne pesquisadores de instituições na Espanha, Portugal, Argentina e Chile.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocupa o terceiro lugar, com 14.913 artigos, depois da Universidade Nacional Autônoma do México, com 17.395, e à frente da Universidade de Barcelona (14.742).

Entre os dez primeiros da lista ainda figuram duas outras instituições de ensino superior brasileiras, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em sexto lugar, com 12.270 artigos publicados, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em sétimo, com 12.133.

Completam a lista das dez mais a Universidade Complutense de Madri (em 5º, com 12.315 artigos), a Universidade Autônoma de Barcelona (8º, com 10.911), a Universidade de Valência (9º, com 10.107) e a Universidade Autônoma de Madri (em 10º, com 9.755).

"Essa classificação é apenas uma maneira de apresentar os resultados, não quer dizer que uma universidade seja melhor do que a outra porque produziu mais papers", ressaltou Borja González, diretor de comunicação do SCImago, à Agência Fapesp.

O ranking tem como base os registros da Scopus, produzida pela editora holandesa Elsevier e considerada uma das maiores bases de dados científicos do mundo, englobando mais de 20 mil periódicos especializados.

Foram contabilizadas apenas as produções científicas oriundas de instituições de ensino superior e que publicaram pelo menos um artigo durante o ano de 2008.

O Brasil apresentou o maior número de universidades avaliadas (109 do total de 607), seguido por Colômbia (89) e Espanha (85). Juntos, os três países englobam quase a metade das instituições no ranking, que incluiu 28 nações.

No caso da Colômbia, González explica que o país tem um grande número de pequenas instituições de ensino superior, o que explicaria a quantidade de entidades do país na lista.

"Mas as universidades mais produtivas se concentram na Espanha e no Brasil. O primeiro tem 43 entre os 100 primeiros colocados do ranking e é seguido pelo Brasil com 27", disse.

Ao se considerar apenas os países da América Latina e do Caribe, o Brasil tem mais três universidades entre as dez primeiras: as federais do Rio Grande do Sul (com 8.971 artigos), de Minas Gerais (8.107) e de São Paulo (com 7.148 artigos na Scopus no período analisado).

Para Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação da USP e membro do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o primeiro lugar é resultado de um trabalho de longo prazo no sentido de priorizar a produção de conhecimento e defender a ideia de que a USP é uma universidade de pesquisa. "Temos um posicionamento bem claro no sentido de não apenas divulgar o conhecimento, mas também desenvolvê-lo", disse à USP On-line.

Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da USP, atribui o destaque alcançado pela universidade a um sistema de fomento forte e competitivo que vem sendo aplicado no Estado de São Paulo desde a década de 1970.

A Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, segundo Zago, está envolvida em estimular e dar apoio aos docentes que solicitem financiamento de agências, em especial da Fapesp.

"Na Fapesp, os projetos são submetidos a um processo de revisão por pares bastante exigente e competitivo, uma garantia de qualidade. Estamos oferecendo um estímulo de R$ 10 mil a todos os docentes admitidos na USP desde o início de 2008, desde que submetam um pedido de auxílio à pesquisa à Fapesp", disse Zago.

Desequilíbrio

Juntos, Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina e Chile respondem por cerca de 90% da produção científica ibero-americana de 2003 a 2008, de acordo com o SCImago Institutions Rankings.

Além da produção científica, o grupo de pesquisa espanhol também avaliou outros aspectos, como o grau de colaboração internacional de cada pesquisa. Para isso, os avaliadores contabilizaram quantos trabalhos foram assinados por autores de diferentes nacionalidades.

Nesse quesito, Espanha e Portugal ficaram com as melhores médias. Na análise apresentada com o ranking, os investigadores justificaram o quesito ao indicar que o grau de internacionalização contribui para melhorar a visibilidade e o impacto científico das instituições.

Segundo Agopyan, a USP tem incentivado relações de seus pesquisadores com outros países. "Temos promovido cada vez mais a internacionalização e tomado medidas mais pró-ativas junto aos programas, ajudando-os a apoiar a mobilidade de professores e alunos", disse.

O SCImago também calculou a quantidade de citações que os trabalhos científicos tiveram nas bases da Scopus para formar o indicador de qualidade científica CCP. Trata-se de índice comparativo com a média mundial de citações. Um CCP de 1,2, por exemplo, significa que a instituição é citada 20% mais vezes que a média mundial; se o índice é de 0,6, os trabalhos receberam 40% menos citações que a média mundial.

Esse número varia de acordo com a área do conhecimento, pois, de acordo com o diretor do SCImago, as diferentes áreas não apresentam a mesma quantidade média de citações.

"Em biomedicina, um artigo pode receber dez citações e outro de ciências sociais, apenas cinco. Porém, se a média mundial de citações em biomedicina for dez e a de ciências sociais for duas, esta última terá um CCP maior", exemplificou González.

Nesse indicador, as universidades espanholas e portuguesas também saíram na frente. A média do CCP das universidades brasileiras com maior produção científica foi de 0,80.

"As universidades brasileiras podem ter menos visibilidade internacional do que as espanholas ou portuguesas, mas é importante notar que a pesquisa científica no Brasil tem crescido de maneira extraordinária até nas pequenas universidades", disse González.

Outro indicador avaliado, chamado "primeiro quarto", retrata o porcentual dos trabalhos que foram publicados no grupo formado por 25% das publicações mais bem avaliadas pelo ranking.

González contou que as análises dos rankings anteriores apontaram que, quanto mais uma instituição publica nas melhores revistas, mais cresce também o seu número total de publicações.

"Isso pode parecer trivial, mas não é. É esse número que auxilia os gestores das universidades na hora de decidir sobre os sistemas de incentivo e de recompensa aos pesquisadores, caso o aumento da visibilidade da instituição seja uma prioridade", disse.

Esse sistema de aprimoramento contínuo da qualidade das pesquisas é uma das prioridades da USP, segundo Zago. "Essa excelente classificação se refere apenas ao número de publicações, o que de certa forma é influenciado pelo tamanho da USP. Estamos tomando medidas para manter essa produção elevada, mas também dedicando muita atenção à necessidade de melhorar nossa qualidade", disse.

Mesmo estando atrás de Espanha e Portugal em alguns quesitos, o Brasil tem apresentado um crescimento em sua pesquisa científica acima da média mundial, segundo o diretor de comunicação do SCImago.

"O Brasil é um caso fascinante na ciência mundial. O crescimento científico brasileiro é fantástico e está criando uma boa estrutura de pesquisa em todo o país. Isso é notório nas grandes e nas pequenas universidades, que também crescem mais rápido do que as pequenas de outros países", disse González. Segundo ele, a tendência é que as diferenças entre grandes e pequenas instituições de pesquisa no país se tornem cada vez menores.

Mais informações e o ranking completo: www.scimagoir.com
(Fabio Reynol, Agência Fapesp, 21/6)

Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71637

Importância dada à métrica científica é diferente para pesquisadores e empregadores.

Levantamento feito pela revista Nature mostra que pesquisadores acreditam que métricas são mais usadas do que de fato são para contratações e promoções

De acordo com o estudo da Nature, pesquisadores e empregadores têm percepções diferentes do uso das métricas científicas, como número de artigos publicados e fator de impacto, no que se refere a contratações e promoções.

Segundo o estudo, feito com 150 cientistas e gerentes de 30 universidades e centros de pesquisa de todo o mundo, os administradores dão mais valor a métodos qualitativos no momento de escolher profissionais, enquanto os pesquisadores acreditam que esses números são os mais importantes no momento de disputar vagas e promoções.

Dos cientistas que responderam as perguntas da revista, 70% acreditam que as métricas são utilizadas para definir os ocupantes de novas vagas e concessão de aumentos. Ao mesmo tempo, 63% se dizem insatisfeitos com o uso desses números no ambiente universitário e científico.

Os administradores, por outro lado, dizem valorizar mais cartas de recomendação e entrevistas pessoais no momento de escolher novos funcionários e conceder promoções.

A pesquisa pode ser lida no link http://www.nature.com/news/2010/100616/full/465860a.html

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71637


Portal SciDev destaca ciência brasileira

Editorial afirma o bom momento da ciência nacional, mas alerta para a necessidade de tornar o apoio permanente

O texto assinado por Luisa Massarani, que é editora de América Latina do portal SciDev e diretora do Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, aponta o crescimento de verbas para pesquisa e desenvolvimento, porém recorda as dificuldades de manter o ritmo de crescimento e a persistência de alguns desafios, como aumentar a quantidade de mulheres em equipes científicas.

O artigo pode ser lido, na íntegra, em inglês ou espanhol, no link http://www.scidev.net/en/editorials/brazil-s-lessons-on-science-for-development.html

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71634



segunda-feira, 21 de junho de 2010

Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz inaugura exposição e lança revista dedicadas ao controle e à história do câncer

O castelo mourisco da Fiocruz abre suas portas ao público na próxima segunda-feira, 21 de junho, a partir das 15h, para inaugurar a exposição "Propagandas de cigarro: como a indústria do fumo enganou as pessoas" e lançar um número especial da revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos, intitulado "Câncer no século 20: ciência, saúde e sociedade".

Revista

A edição especial de História, Ciência, Saúde - Manguinhos dedicada à história do controle do câncer reúne análises de autores de diversos países sobre as políticas atuais de combate à doença e a trajetória de desenvolvimento do conhecimento científico neste campo.

Há duas entrevistas: uma com o médico Marcos Moraes, do Inca, em que ele analisa aspectos atuais da doença, em especial as questões ligadas à prevenção e a humanização dos cuidados médicos, e outra com o professor de cirurgia João Bosco Botelho, da Universidade Federal do Amazonas, em que descreve as inúmeras transformações no tratamento e nas cirurgias dos cânceres de cabeça e pescoço, a partir da década de 1970. Inicialmente os cortes eram muito grandes, hoje são cada vez menores, com cicatrizes quase invisíveis.

Mostra

A exposição no terceiro andar do castelo inclui peças publicitárias produzidas entre as décadas de 1920 e 1950 para a TV e outros meios de comunicação, que mostram como a indústria do tabaco veiculava propaganda enganosa livremente, com o objetivo de diminuir o medo entre os fumantes e naquelas pessoas que evitavam começar a fumar, escondendo os males provocados pelo cigarro. Naquela época foi possível lançar mão dessas estratégias porque não havia legislação que impedisse esses abusos.

Na mostra há cientistas e atletas fazendo apologia ao fumo; dentistas dizendo que fumar cigarros com filtro evita dentes amarelos; médicos recomendando cigarros leves para quem não consegue parar de fumar e bebês admirando a mãe fumando.

As imagens apresentadas fazem parte do acervo do Smithsonian Institution, de Washington, e foram selecionadas pelo médico Robert K. Jackler e pelo historiador das ciências, Robert Proctor, professores da Universidade de Stanford.

A exposição é uma criação da Nova/SB, agência escolhida pela Organização Mundial de Saúde para desenvolver sua campanha mundial contra o tabagismo. A mostra já foi apresentada no Centro Cultural da Caixa Econômica no Rio e em São Paulo.

(Com informações do Portal da Casa de Oswaldo Cruz)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=71625



A Wikipédia não é mágica, é trabalho duro", diz fundador

Na calçada da fama dos ícones da tecnologia, Jimmy Wales tem seu lugar garantido ao lado de personalidades como Bill Gates.

Ele ajudou a fundar a Wikipédia, a enciclopédia gratuita que se baseia na colaboração dos usuários, logo no início dos anos 2000. Tempos em que não existiam sites como o YouTube, o Facebook ou o Twitter. Wales falou nesta quinta-feira (17) no Info@Trends, evento em São Paulo, sobre o poder do conteúdo gerado e moderado pelo usuário.

À Folha, ele falou sobre a fundação da Wikipédia, as falhas e qualidades do site e a série de polêmicas que cerca a enciclopédia colaborativa -da pornografia às tentativas de uso político da ferramenta. Veja trechos da entrevista concedida por e-mail.


Folha - Como foi a criação da Wikipédia? Quais fatores do mercado mostraram que vocês estavam na direção certa?
Jimmy Wales - A Wikipédia foi o produto de um projeto anterior, chamado Nupedia, que foi um fracasso. A Nupedia era um projeto baseado em controle e comando, o que não era divertido para os voluntários. Quando eu instalei o software wiki e foi lançada a Wikipédia, nós tivemos mais trabalho feito em duas semanas do que havíamos tido em quase dois anos, no sistema antigo. Naquele momento, eu soube que estávamos lidando com algo grande.

O que mudou no perfil de quem colabora com o site desde a fundação? Bem pouco! Os colaboradores da Wikipédia geralmente são bem inteligentes, pessoas do tipo geek, com uma paixão por compartilhar seu conhecimento com os outros.

Como você lida com os problemas de conteúdo de cunho sexual ou pornográfico na Wikipédia?
É um assunto bem complexo. De um lado, queremos fornecer informação séria e responsável sobre a sexualidade humana -isso é uma abordagem perfeitamente legítima e educacional. De outro, não queremos nos tornar um lugar no qual as pessoas postam pornografia casualmente. Essa é a parte fácil. A dificuldade está em encontrar um meio-termo, em trabalhar para termos o cunho educacional sem ser banal, especialmente quando nós estamos falando com pessoas de todo o mundo. Existem os lugares que são extremamente liberais sobre sexualidade, como os Estados Unidos e a Europa, e os que são bem conservadores, como a Índia e a China.

Qual sua posição sobre as tentativas de uso político do conteúdo publicado na Wikipédia? Acha certo intervir?
A Wikipédia se esforça para ser neutra. Nós temos uma cultura muito forte de só querer publicar o que é básico e largamente consensual sobre os fatos. E é certo nós intervirmos contra qualquer pessoa que esteja tentando usar a Wikipédia para outro propósito.


flickr.com/photos/wikimania2009/Reprodução
Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, no evento Wikimania, em 2009


Qual é a principal falha da Wikipédia atualmente e como você pretende combatê-la?
Nesse momento, achamos que a usabilidade do software é a principal falha. Algumas vezes, editar a Wikipédia é mais difícil do que deveria ser, por razões técnicas. Queremos que isso se torne tão fácil quanto usar um programa que faz o processamento de palavras. Estamos investindo bastante em tecnologia para fazer isso acontecer.

Qual a principal qualidade da Wikipédia atualmente?
Para mim, a principal qualidade é a paixão da comunidade de querer tornar os fatos corretos. A Wikipédia não é mágica, é resultado de um trabalho duro. Trabalho duro feito por pessoas que realmente se importam em deixar as coisas certas. Sem isso, não há esperança.

A Wikipédia considera serviços como o Yahoo! Respostas concorrentes? Como vocês lidam com isso?
Não, nós nunca pensamos em termos de concorrência. Nós somos uma comunidade fazendo algo que amamos. Eu espero que as pessoas que estão respondendo às perguntas do Yahoo! Respostas estejam se divertindo. Acreditamos que estamos fazendo algo mais importante.

O que pode dizer sobre a nossa Wikipédia em língua portuguesa?
Eu estive várias vezes no Brasil e conheço pessoas da Wikipédia em português. O português sempre foi uma das nossas línguas mais fortes, com muita participação do Brasil. Eu acho que sempre houve uma competição saudável entre a Wikipédia em português e a Wikipédia em espanhol.

Você é uma personalidade do mundo da tecnologia e tem influência sobre as pessoas. Quem você enxerga como concorrente na condição de formador de opinião?
De novo, eu não penso em termos de competição. Não estou tentando acabar com ninguém. Estou apenas tentando fazer algo em que eu acredito e fazer isso bem.

AMANDA DEMETRIO DE SÃO PAULO
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/tec/752050-a-wikipedia-nao-e-magica-e-trabalho-duro-diz-fundador.shtml

Projeto de lei que altera e acresce dispositivos à lei dos Direitos Autorais está em consulta pública

Está disponível para consulta pública o projeto de lei que altera e acresce dispositivos à Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, visando consolidar a legislação sobre direitos autorais.


As sugestões devem ser encaminhadas, até o dia 28 de julho de 2010.

Texto e endereços para sugestões em: http://goo.gl/2CbN