sexta-feira, 30 de julho de 2010

Veja suas redes sociais em um só lugar

As contas do Twitter pessoal e do trabalho, do Facebook, do Linkedin, do Foursquare, do MySpace e até do Wordpress precisam ser atualizadas e checadas todos os dias. Seja por luxo, seja por necessidade.
Mas fazer uma visita diária a cada um dos sites que hospedam esses serviços parece desnecessário. E é.
Já existem programas, extensões para navegador e até sites (casos em que não é preciso fazer nenhum download) que juntam os serviços em uma só interface e possibilitam uma administração mais inteligente da vida 2.0. 

Em comum, eles trazem a possibilidade de fazer postagens em mais de uma rede ao mesmo tempo e de checar as atualizações dos amigos sem ter que ir ao site do serviço.
O Hootsuite, por exemplo, é indicado para os usuários que precisam administrar suas redes sociais, mas não podem fazer grandes modificações nos computadores que usam. O serviço funciona no próprio navegador. 

Já o Flock é um novo navegador voltado pra a atualização das redes sociais. E o Yoono funciona como extensão para navegador ou programa independente. 




Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/tec/774926-veja-suas-redes-sociais-em-um-so-lugar.shtml

Aprendendo uma língua com especialistas na internet

A mensagem do esqueitista tunisiano de 14 anos foi curta: “Totalmente errado”, disse ele sobre meu francês. Minhas conjugações estavam erradas e eu deveria estudar ortografia. Numa escala de 1 a 5, disse ele, meu francês era pior do que 1. Então ele desapareceu no anonimato da internet. É fácil fazer amigos rapidamente no Livemocha.com, um site devotado a ajudar pessoas a aprender línguas estrangeiras trocando mensagens pela internet e corrigindo umas às outras.

Assim como meu jovem tutor tunisiano mostrou, a internet, com sua capacidade sem paralelo de conectar pessoas pelo mundo, está mudando a maneira como as pessoas aprendem línguas estrangeiras. Ainda não há um jeito de evitar o cansaço das listas de vocabulário e regras gramaticais, mas os livros, fitas e CDs do passado estão sendo trocados por e-mails, videochats e redes sociais.

O Livemocha, uma companhia de Seattle com 14 milhões de dólares financiados por empresa de capital de risco, mistura redes sociais com lições para 38 das línguas mais comuns do mundo.

As primeiras lições são gratuitas, mas desbloquear conteúdos adicionais requer um pagamento ao Livemocha (começa com 10 dólares por um pacote de aulas) ou um acordo para corrigir o trabalho de outros participantes, talvez o que meu amigo tunisiano fez comigo. As aulas, sejam elas flashcards, questionários, gravações em áudio ou por escrito, são oferecidas pela web. O diretor do Livemocha, Michael Schutzler, afirma que a vantagem do site é a capacidade de praticar com uma pessoa de verdade.

As conexões ao acaso com pessoas reais ao redor do mundo, ainda que breves, não são apenas divertidas e surpreendentes, mas revelam muito sobre como a língua é realmente usada. O garoto da Tunísia, enquanto nocauteia minhas conjugações, repassa gírias e atitudes, algo raro de se encontrar em livros didáticos.

Tenho dúvidas se estudantes tradicionais de francês encontram esse caminho em conversações com pessoas tão diferentes. Maria, uma senhora do Brasil que fala francês, foi gentil e ofereceu correções superficiais. Melina, uma mulher do sul da França, usou azul para enfatizar suas correções em meu trabalho. Era uma espécie de toque.

“O que na verdade oferecemos é a capacidade de interação com outros seres humanos”, disse Schutzler. E acrescentou: “Minha mãe acreditava que era capaz de dominar todas as gírias americanas antes de vir aos Estados Unidos, mas quando chegou aqui não era capaz de tomar um xícara de café no jantar.”

O Livemocha está experimentando uma série de formas de motivar as pessoas, que se assemelham a jogos sociais encontrados no Facebook. Os exercícios com flashcard, por exemplo, valem pontos, os totais aparecem há primeira página. Eu recebi uma medalha de bronze no primeiro dia que ajudei muitas pessoas com o inglês.

Nem todos os serviços são tão bem estruturados. MyLanguageExchange.com apenas mantém listas de pessoas que dominam certas línguas e querem aprender outras. Qualquer um pode procurar no banco de dados, mas apenas membros que pagam 24 dólares por ano podem enviar e-mail facilmente para outros participantes. Cada pessoa cria um perfil que incluiu uma breve descrição de idade, local e sobre o que quer falar. A maior demanda é por inglês e encontrei muitos possíveis parceiros.

Marie, 40 anos, nasceu na Espanha, mas vive na França, perto da região de Bordeaux. Ela quer melhorar seu inglês e “talvez encontrar um emprego em exportação”. Serge, um aposentado parisiense, estuda genealogia e procurar melhorar seu inglês, espanhol e sueco. O MyLanguageExchange garante que tem mais de 1,5 milhão de membros estudando 115 línguas.
The New York Times
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/aprendendo-uma-lingua-com-um-especialista-na-internet?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Brasileiro ganha prêmio científico de US$ 2,5 milhões


Criada em 2004, a premiação financia projetos considerados visionários e de alto risco nas áreas de biomedicina e comportamento

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O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis foi um dos escolhidos este ano para receber o prêmio Pioneer Award, um dos mais prestigiados dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Nicolelis, professor e pesquisador do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke, na Carolina do Norte, receberá US$ 2,5 milhões (R$ 4,4 milhões) ao longo de cinco anos para aprofundar suas pesquisas sobre o funcionamento do sistema nervoso e a interação cérebro-máquina. O objetivo do prêmio, segundo o NIH, é estimular inovações futuras e não premiar resultados do passado. "É para fazer coisas do futuro mesmo; não só ciência incremental", disse Nicolelis.

Com vários trabalhos pioneiros publicados em revistas internacionais nos últimos anos, ele desenvolve sistemas que permitem controlar máquinas por meio de comandos cerebrais, usando eletrodos implantados no cérebro e conectados a um computador. O objetivo final é que pacientes vítimas de lesões ou doenças neuronais possam controlar robôs - ou qualquer outro aparato eletrônico - apenas com o cérebro. Um tetraplégico, por exemplo, poderia controlar um braço robótico para pegar objetos ou escrever textos numa tela usando apenas o pensamento. Outra estratégia é o desenvolvimento de neuropróteses, conectadas ao cérebro, que poderiam ser vestidas pelo paciente.

Avatar

Resultados experimentais promissores já foram obtidos com seres humanos, mas o aparato ainda era grande e complexo demais. O desafio é tornar o sistema mais seguro, dinâmico e prático, para que possa ser aplicado clinicamente.

A pesquisa, no momento, está sendo feita com macacos resos, inseridos em um ambiente virtual, no qual eles podem manipular objetos e interagir com outros macacos digitais (avatares), usando apenas comandos cerebrais. "Eles se relacionam com os avatares como se fossem macacos da mesma colônia", diz Nicolelis. Os comandos nervosos são transmitidos por telemetria (wireless) dos eletrodos no cérebro para um computador, que registra tudo e controla o que acontece no mundo digital.
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/91558_BRASILEIRO+GANHA+PREMIO+CIENTIFICO+DE+US+2+5+MILHOES?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Associação divulga nota de apoio à 'Revista Brasileira de Farmacognosia'

Nota da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF) apoia a publicação

Em relação às práticas de indução de autocitação como forma de aumentar o fator de impacto (FI) na classificação de revistas, a diretoria da ABCF divulgou uma nota de apoio à "Revista Brasileira de Farmacognosia", que se posicionou sobre o FI da revista divulgado recentemente. Leia abaixo a íntegra da nota:

"Prezados Colegas

Acompanhamos nestas últimas duas semanas uma intensa troca de mensagens com manifestações decorrentes da divulgação dos fatores de impacto (FI) dos periódicos indexados pelo ISI, particularmente aquele referente à Revista Brasileira de Farmacognosia, a qual apresentou um FI= 3,462, muito acima dos índices apresentados por revistas tradicionais da área e com um percentual de auto citações extraordinário, da ordem de 90 %, o que indica ter ocorrido a indução.

Recentemente, o Presidente da SBFgnosia e atual Editor da Revista Brasileira de Farmacognosia, Prof. Dr. Cid Aimbiré M. Santos, posicionou-se claramente sobre o ocorrido, repudiando as práticas de indução como forma de buscar o aumento no fator de impacto e deixando claro o entendimento de que o valor divulgado pelo ISI não reflete o Fator de Impacto real da RBFAR.

Neste momento, a Direção da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF) manifesta irrestrito apoio ao posicionamento assumido pelos atuais dirigentes da Sociedade Brasileira de Farmacognosia e editores da RBF, bem como o reconhecimento dos esforços legítimos de todos aqueles que vêm lutando arduamente, ao longo dos anos, pelo crescimento, valorização e consolidação da Revista Brasileira de Farmacognosia e identifica como fato positivo ter sido alcançado um Índice de Impacto de 0,327 (isento das autocitações).

Por outro lado, a Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas considera inadequadas as práticas de indução de autocitação, como forma de alcançar fatores de impacto mais elevados e que não refletem a realidade da expressão científica do periódico.

Diretoria da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas"
(Assessoria de Imprensa da Capes)
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72449

O grande paradoxo

A continuidade da produção científica de alto nível do Brasil está ameaçada pelos baixos indicadores que o país tem na área da educação. A divulgação científica tem um papel essencial para reverter esse quadro, acredita Roberto Lent, ganhador do Prêmio José Reis

A divulgação científica deveria ser considerada um elemento obrigatório da produção de universidades e centros de pesquisa. A sugestão é do neurocientista Roberto Lent, ganhador da edição de 2010 do prêmio José Reis - o mais importante do país nessa área. A proposta foi lançada na conferência que Lent apresentou para marcar o recebimento do prêmio durante a Reunião Anual da SBPC, que acontece esta semana em Natal.

Lent, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista da CH On-line, defende ainda que as iniciativas de divulgação sejam mais intimamente articuladas com o ensino básico.

Discrepância entre ciência e educação

Investimentos intensivos para aprimorar a educação fundamental, aliás, são apontados por Lent como uma medida essencial para se contornar o que ele chama de o nosso "grande paradoxo". A produção científica brasileira tem ganhado destaque mundial nos últimos anos, mas o desempenho de nossos alunos em avaliações internacionais sobre ciências é pífio.

"Enquanto a ciência cresce, a educação patina", sintetiza Lent. "Isso põe em risco o ciclo virtuoso de produção científica a que temos assistido. Quantos cérebros talentosos são perdidos porque não tiveram acesso à escola?"

O neurocientista apresentou ao público algumas ideias que poderiam ser discutidas com as autoridades para que se saia desse paradoxo. Segundo ele, medidas como a federalização do ensino básico, a implantação do turno único nas escolas e de um programa pós-curricular intensivo - que incluísse ações de divulgação científica - ajudariam a contornar o problema. "Não digo que isso seja simples ou possível, mas temos que enfrentar essa questão", avalia.

Ciência na novela

Roberto Lent discutiu em sua conferência as diferentes modalidades que têm sido usadas na prática da divulgação científica no Brasil. A que suscitou mais interesse do público foi o uso de telenovelas como um meio importante para se discutir temas importantes de ciência, capaz de atingir dezenas de milhões de cidadãos.

A plateia não deixou que Lent interrompesse a exibição de um trecho da novela Viver a vida - uma cena em que dois médicos têm uma conversa bastante realista com os pais da tetraplégica Luciana sobre a perspectiva de ela conseguir voltar a andar com tratamentos com células-tronco. O diálogo foi escrito com a consultoria de Roberto Lent e do neurocientista Stevens Rehen, também da UFRJ, estudioso da questão.

Ontem e hoje

Roberto Lent traçou também um paralelo entre a divulgação científica no Brasil no início dos anos 1980, quando ele começou a se envolver com essa área, e hoje. "Evoluímos bastante, mas ainda estamos longe do necessário para um país como o nosso", avalia. "Passamos do Paleolítico para o Neolítico - o desafio é chegar à idade moderna com rapidez", compara, retomando a metáfora que deu título a sua conferência e que ele havia antecipado na entrevista que nos concedeu por ocasião do anúncio do prêmio.

Trata-se também de um momento de renovação das utopias. "Em 1982, quando fundamos a Ciência Hoje, a utopia era atingir todas as camadas da população", recorda-se. "Em 2010, a utopia é que a ciência seja discutida e praticada como o futebol."

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A editora Springer Link lança em agosto nova plataforma de busca.


Springer se complace en anunciar que la nueva plataforma Springer Link está programada para ser lanzada el 7 de agosto del 2010. En esta fecha la pagina actual se apagará y todos los usuarios serán dirigidos automáticamente en la nueva plataforma.
Todos los métodos de autenticación, incluyendo, IP, Proxy, Shibboleth, Athens, nombre de usuario y contraseña, y URL seguirán trabajando sin problemas. El enlace también seguirá siendo el mismo y no será afectado. Existe la posibilidad de un breve período de inactividad, pero vamos a mantener esto tan limitado como sea posible. Hemos elegido un día con poco tráfico (un Sábado en la temporada de vacaciones de los EE.UU) para evitar interrupciones.
La nueva plataforma Springer Link ha mejorado considerablemente basada
en las observaciones y comentarios de un amplio estudio de su uso.
En la nueva plataforma se encuentran:
·         Documentos relacionados de cada artículo o capítulo de libro electrónico.
·         Vista previa en PDF de los capítulos de libros electrónicos.
·         Mejoradas características de navegación.
·         Ver resúmenes sin salir de los resultados de búsqueda.
·         Mejora en la funcionalidad de búsqueda - incluyendo la búsqueda por citación.
·         Enlaces y filtros para Online First  y artículos de OpenAccess.

Los administradores pueden acceder a sus funcionalidades incluyendo las estadísticas de uso en la sección Mi SpringerLink.

Pesquisadores debatem ética na ciência.


Conflitos de interesse, uso de animais em pesquisas e a importância da análise pelos pares são alguns dos temas debatidos em fórum no Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, que ocorre até o dia 27 em São Paulo

A relação entre ciência e ética envolve uma linha muito tênue, que inclui conflitos de interesses de diversas ordens e contextos. Essa foi uma das constatações dos palestrantes que participaram do fórum "Ética na Ciência" no 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, realizado de 24 a 27 de julho em São Paulo.

Os palestrantes abordaram também a importância do sistema de avaliação pelos pares na análise de projetos de pesquisa e na publicação de artigos, além da utilização de animais em pesquisa e no ensino no Brasil.

Para Fernando Augusto Soares, professor titular de Patologia Geral da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo e diretor do Departamento de Patologia do Hospital A.C. Camargo, o choque de interesses pessoais em pesquisas tem sido uma preocupação importante em todo o mundo.

"Nos casos de pareceres de projetos, existem os critérios que são óbvios - como não possuir parentesco, não ser ou ter sido orientador do estudo, não estar diretamente ligado ao projeto ao qual está julgando, além de não ter interesses financeiros - mas existe uma série de casos mais sutis", disse.

De acordo com Soares, a discussão é sistêmica e envolve uma série de atores e interesses: médico, pesquisador, indústria e empresas, além de revistas e periódicos especializados.

Fora os pontos óbvios, um dos problemas tem a ver com a caracterização do que não é conflito de interesse, segundo os palestrantes presentes. O aprimoramento das normas éticas que consiga definir essas "bordas" foi um dos caminhos sugeridos pelos palestrantes.

Análise isenta

Outro aspecto abordado no encontro recaiu sobre o trabalho de divulgação científica e a relação entre pesquisadores e revistas. Ivan Izquierdo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), ressaltou a importância do sistema de análise pelos pares não apenas na publicação de livros e artigos científicos, mas também na participação em congressos e na análise de projetos de pesquisas apoiados e de candidatos a vagas em universidades.

"A revisão por pares consiste na avaliação do trabalho por outros pesquisadores da área que indicam se aquele material deve ou não ser aceito e se deve sofrer correções, se esse for o caso. Esse sistema é fundamental para dar credibilidade. Se um congresso ou a publicação de um livro não tiver a revisão por pares, melhor não participar", afirmou.

Eventualmente, o próprio editor pode fazer a avaliação. "Mas o objetivo é estabelecer parâmetros fora dos critérios do próprio editor, ou seja, ainda que a avaliação dele seja boa, a revisão por pares é necessária", disse, indicando que os revisores devem ser anônimos.

Izquierdo criticou o procedimento de se enviar apenas um comunicado padrão nos casos em que o artigo não é aceito. "O problema é que o pesquisador não sabe por que o artigo foi recusado. Ele deveria receber a crítica, que é boa para o debate científico", disse.

Segundo Izquierdo, a análise pelos pares é uma ferramenta indispensável. "Dizer apenas que alguém é 'bom' não é um argumento válido. Se deixarmos que as emoções prevaleçam nos julgamentos científicos, estamos perdidos", afirmou.

Outro tema debatido no fórum foi o uso de animais em pesquisas. Apesar do aumento na quantidade e na qualidade da pesquisa feita no Brasil, não se sabe quantos animais são criados e usados para ensino e pesquisa no país.

"Também desconhecemos quais espécies são utilizadas, em que condições e quais tipos de procedimentos. Além disso, não sabemos quais áreas do conhecimento estão usando mais ao longo do tempo e com quais finalidades", disse Rafael Roesler, professor do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea).

Roesler apresentou um panorama da situação do Concea, órgão criado em 2009, após a aprovação em outubro de 2008 da Lei Arouca, cuja função é regulamentar o uso de animais para pesquisa e ensino.

Segundo ele, o órgão não é fiscalizador nem punitivo. "Não vamos fazer auditorias nem diligências. Compete ao conselho formular diretrizes, cadastrar e credenciar instituições que utilizam animais para ensino e pesquisa", disse.
(Alex Sander Alcântara)
(Agência Fapesp, 27/7)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72420

terça-feira, 27 de julho de 2010

News International lança sites pagos do "Times" na Inglaterra

A News International, da News Corp, lançou nesta terça-feira novos sites pagos para o "Times of London" e o "Sunday Times", os primeiros grandes jornais a cobrarem os leitores pelo acesso on-line.

Os sites serão gratuitos pelas primeiras oito semanas para os usuários que se inscreverem. Após isso, os leitores terão que pagar 1 libra (US$ 1,44) por dia ou 2 libras por semana para ambos os jornais.

As assinaturas de sete dias para as versões impressas incluem o acesso à websites que substituem o site anterior Times Online, unificado para a publicação diária e a dominical.

O presidente-executivo da News Corp, Rupert Murdoch, tem defendido a causa da cobrança de notícias on-line, que os consumidores se acostumaram a ler gratuitamente, ajudados pelos serviços de busca como o Google News, o que contribuiu para uma queda nas receitas dos jornais.

Seu "Wall Street Journal", juntamente com diários rivais como o "Financial Times", de propriedade de Pearson, já cobram pelo acesso on-line. O "New York Times" planeja começar a cobrar pelo acesso ao seu website no ano que vem.

Os sites do "New York Times" e do "Sunday Times" incluem conteúdo extra, como vídeos --alguns da BSkyB, na qual a News Corp tem uma participação de 40% --e uma ferramenta que permite ao leitor ir diretamente para reservar bilhetes a partir de reviews de eventos culturais.

"Nós vamos continuar a acrescentar novos recursos para garantir que a inovação que tem sido fundamental para o Times por 225 anos continue no futuro", disse James Harding, editor do "Times", em comunicado.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/tec/740362-news-international-lanca-sites-pagos-do-times-na-inglaterra.shtml

Canadá dá a gaúcho prêmio por inovação

"É errado achar que só o Brasil tem dificuldade para tornar comercial uma ideia que surge na universidade. Países como o Canadá também vivem esse drama."

Justamente por vencer a barreira que descreve, o gaúcho Leonardo Simon, da Universidade de Waterloo, apareceu na lista anual dos 40 canadenses com menos de 40 anos que fizeram algo relevante pelo país, elaborada pelo mais importante jornal de lá, o "Globe and Mail".

Universidade de Waterloo/Divulgação
O brasileiro naturalizado canadense Leonardo Simon, da Universidade de Waterloo, posa com um modelo de molécula
O brasileiro naturalizado canadense Leonardo Simon, da Universidade de Waterloo, posa com um modelo de molécula

Exemplo da "fuga de cérebros", quando gente qualificada vai trabalhar no exterior, ele conseguiu fazer com que a Ford do Canadá usasse um plástico renovável, feito a partir de palha de trigo.

O COMEÇO

Por enquanto, o novo plástico é utilizado apenas em algumas peças do Ford Flex, um utilitário grande o suficiente para causar alguma culpa ambiental no proprietário. Simon acredita que seja só o começo. "O importante é que se tornou comercial. Continuamos trabalhando."

O "Globe and Mail" apresentou Simon com um texto empolgado, dizendo que ele está "revolucionando a composição dos plásticos". Já foram premiados o prefeito de Vancouver, vários empresários de sucesso e, nesta edição, até o diretor da Escola Nacional de Ballet do país.

Ele afirma que não está ficando rico. "Tenho salário de professor, vida confortável", diz. Aos 38 anos, não pretende voltar ao Brasil tão cedo.

Adaptou-se ao Canadá, onde vive há dez anos com a mulher, também brasileira e cientista. Há três anos tiveram um filho, que Simon leva para jogar futebol em um parquinho o qual, no inverno, é usado para patinação.

Ele não acha que o Brasil deveria lamentar sua ausência. "Agora o país tem alguém aqui para colaborar com suas universidades. Alguém que conversa em português e come churrasco, para quem a questão cultural não é uma barreira." Sem isso, o intercâmbio de projetos ficaria comprometido, diz.

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/772711-canada-da-a-gaucho-premio-por-inovacao.shtml


Twitter testa a publicação de fotos e vídeos em mensagens

Ícone 'Tweet Media' apareceu para alguns usuários nesta segunda (26).

Imagens apareceriam embutidas (ou embedadas) nos tweets.

O Twitter está testando a possibilidade de incluir fotos e vídeos em mensagens postadas no microblog. Nesta segunda-feira (26), alguns usuários notaram um novo ícone na área "Settings" de seus perfis, no qual era possível autorizar a visualização de imagens publicadas por todos os twitteiros.

De acordo com o site especializado em tecnologia Mashable, a equipe do Twitter confirmou que está testando a ferramenta, que teria sumido de todas as contas ainda na noite de segunda. Com a novidade, chamada Tweet Media, as imagens apareceriam embutidas (ou embedadas) nas mensagens.

TwitterMediaTwitterMedia (Foto: Reprodução)

"Estamos constantemente explorando novas configurações. O que vocês viram foi um pequeno teste para a criação de mídia embutida. Mostramos mídia embutida em nossos aplicativos para iPhone e Android", respondeu o Twitter ao Mashable.

Atualmente, é possível twittar fotos por meio de sites como Tweet Photo e TweetPic. O TwitCam libera streamings de webcams também via Twitter.

G1, São Paulo

27/07/2010 10h10 -

Fonte: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/07/twitter-testa-publicacao-de-fotos-e-videos-em-mensagens-no-microblog.html

Ibict está entre os melhores centros de pesquisa do mundo.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCT) comemora sua classificação em 219º lugar no ranking dos melhores centros de pesquisa do mundo. É a sétima colocação entre as instituições brasileiras. Esse ranking foi divulgado na edição de julho da publicação editada pelo laboratório de Cibermetria do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC). No total, foram analisadas 20 mil instituições de ensino superior e classificadas as primeiras 12 mil. Para conhecer a classificação geral, clique aqui.

O laboratório Cybermetrics desenvolve suas atividades no Centro de Ciências Humanas e Sociais do CSIC, em Madri, Espanha. Os rankings são publicados duas vezes por ano, desde 2004, em janeiro e julho, e objetiva motivar e reforçar o papel da universidade e dos institutos de pesquisa como produtores e fornecedores de conteúdo de qualidade disponível gratuitamente na web. De acordo com o editor do ranking, Isidro Aguillo, “a excelência na pesquisa é fundamental para atingir posições entre os primeiros colocados do mundo”.

Veja abaixo a lista completa dos 46 institutos de pesquisa classificados no nosso País:

47º - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
114º - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
143º - Fundação Oswaldo Cruz
151º - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
152º - Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada
192º - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
219º - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
250º - Instituto Nacional de Metrologia
256º - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis
264º - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
429º - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
467º - Laboratório Nacional de Computação Científica
540º - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
622º - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
631º - Rede Nacional de Ensino e Pesquisa
637º - Observatório Nacional
773º - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares
922º - Instituto Tecnológico de Aeronáutica
998º - Instituto Agronômico
1012º - Instituto Nacional de Propriedade Industrial
1163º - Instituto Militar de Engenharia
1170º - Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
1221º - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas do Rio de Janeiro
1243º - Museu Paraense Emílio Goeldi
1322º - Centro de Tecnologia Mineral do Rio de Janeiro
1357º - Pan American Foot-and-Mouth Disease Center
1419º - Instituto de Investigação Jardim Botânico do Rio de Janeiro
1426º - Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial
1540º - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos
1681º - Fundação de Economia e Estatística
1690º - Comissão Nacional de Energia Nuclear do Rio de Janeiro
1945º - Instituto Evandro Chagas
1994º - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais
1995º - Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro
1999º - Laboratório Nacional de Astrofísica
2019º - Laboratório Naiconal de Luz Síncroton
2050º - Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
2067º - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
2084º - Centro de Pesquisas de Energia Elétrica
2136º - Instituto de Tecnologia do Paraná
2140º - Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
2202º - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
2270º - Instituto de Tecnologia de Alimentos
2310º - Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará
2434º - Instituto Nacional de Tecnologia da Informação
2496º - Instituto Butantan

Fonte: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/322292.html


Arqueólogos acham 300 geoglifos no Acre

Resquícios que formam desenhos no chão derivam da ação de povos antigos da região

Os geoglifos do Acre -estruturas formando grandes desenhos no chão, construídas por povos antigos que habitaram o Estado- estão se mostrando cada vez mais numerosos. Arqueólogos já identificaram 300 deles, segundo a última contagem.

Ao menos 50 novos geoglifos foram identificados na região só neste ano. As estruturas -que em geral podem ser avistadas de avião após uma área sofrer desmatamento- são trincheiras de até 15 metros de largura e quatro de profundidade. Os desenhos delineiam diversos formatos, como quadrados e círculos.

Um estudo de cientistas da UFPA (Universidade Federal do Pará), da Ufac (Universidade Federal do Acre) e de uma instituição da Finlândia constatou que as construções têm por volta de 1.300 anos. Algumas começaram a ser construídas há 2.000 anos, dizem os arqueólogos.

Não se sabe ainda para que as estruturas eram feitas. Elas podem ter sido utilizadas como moradia, cemitério, espaço para a plantação, fortificação ou ainda como centros religiosos.

Os pesquisadores, até agora, escavaram cinco geoglifos, mas não encontraram nenhum vestígio das pessoas que trabalharam na obra.

"A realização da obra depende de ferramentas, pois o solo é muito duro, e até agora a gente não encontrou nada. Eles não tinham coisas de metal. Isso a gente sabe. Eles usavam pás de madeira", disse Denise Schaan, da UFPA. Ela estima que a escavação de uma dessas trincheiras poderia durar cerca de seis meses.

A quantidade e o tamanho dos geoglifos levaram Schaan e colegas a proporem que uma sociedade indígena relativamente complexa, com densidade populacional bem mais elevada que a das tribos atuais, habitava o Acre antes da chegada dos europeus.

As conclusões sobre as descobertas foram apresentadas nesta semana em Rio Branco (AC), durante um simpósio internacional sobre a arqueologia da região.

O evento, que reuniu cientistas americanos, finlandeses e britânicos, também abordou os motivos para as construções. Participaram ainda especialistas em geoglifos achados na Bolívia.

(Fred Antunes)

(Folha de SP, 25/7)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72398

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cientistas descobrem 'novo' círculo em Stonehenge.

Com equipamentos que rastream o subsolo, arqueólogos 'veem' sítio milenar

Arqueólogos descobriram um segundo círculo próximo ao célebre monumento milenar Stonehenge, na Grã-Bretanha.

O achado vem sendo considerado o mais importante dos últimos 50 anos na região.

Em vez de usar pedras, os limites do círculo, escavado na terra, teriam sido demarcados com postes de madeira, já que foram encontradas dezenas de buracos com cerca de um metro de profundidade.

A descoberta faz parte de um projeto milionário de arqueologia na região de Wiltshire.

O coordenador do projeto, o professor Vince Gaffney, da universidade de Birmingham, classificou o achado de "excepcional".

O "monumento" circular data do perído Neolítico ee da Idade do Bronze. Ele fica distante 900 metros das enormes pedras de Stonehenge. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Faça uma visita virtual a Stonehenge

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-descobrem-novo-circulo-em-stonehenge,584673,0.htm

Europa lança código de conduta para cientistas

Conjunto de normas visa evitar problemas de fraude, entre outros problemas

A Fundação Europeia para Ciência (ESF, na sigla em inglês) lançou, no dia 22 de julho, um código de conduta a ser seguido de forma voluntária pelos pesquisadores atuantes no continente. O objetivo é fornecer orientação para evitar más práticas e fraude nos institutos de pesquisa e universidades, principalmente em países onde não há norma por escrito neste sentido.

O código propões oito princípios-chave a serem seguidos pelos pesquisadores, como honestidade na comunicação de seus resultados e justiça na concessão de créditos.

O documento lembra que a fabricação ou a falsificação de dados são responsabilidades não só dos cientistas como das instituições que os empregam.

Em outubro, os membros da ESF, que reúne 79 associações científicas de 30 países, irão se reunir para debater como implementar o código. Uma das sugestões é a inclusão de seus termos em contratos de emprego. A organização afirma estar trabalhando, em paralelo, na redação de um norma que possa ser aplicada mundialmente.

"A ciência é um empreendimento internacional no qual os pesquisadores trabalham continuamente com seus colegas de outros países. Os cientistas envolvidos precisam entender que compartilham um conjunto de padrões. Não pode haver pesquisador de primeira classe sem integridade", diz Marja Makarow, chefe-executiva da ESF.

(Marcelo Medeiros, com informações da ESF)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72368

O Google e o futuro do livro.

"É preciso estar atento, mesmo que a urgência atual seja a de decidir como e por quem será realizada a digitalização do patrimônio escrito, à necessidade de que a 'República digitalizada do saber' não seja confundida com o grande mercado de informação onde o Google e outros oferecem seus produtos."

A opinião é do historiador francês Roger Chartier, professor no Collège de France e autor de “Inscrever e Apagar: Cultura, Escrita e Literatura” (Ed. Unesp). O texto foi publicado originalmente no jornal Le Monde e reproduzido pelo jornal Folha de S.Paulo, 29-11-2009.

Eis o texto.

Digite “google” no serviço de pesquisas Google, em www.google.com: a tela indicará a presença da palavra, e da coisa, em “mais de 400 milhões” de documentos. Se o sacrilégio não o incomoda, repita a operação e digite “dieu” [deus, em francês]: “cerca de 33 milhões” documentos serão propostos como retorno.

A comparação basta para compreender por que, nos últimos meses, todos os debates sobre a criação de coleções digitais de livros vêm sendo fortemente influenciados pelas iniciativas incessantes da empresa californiana. A mais recente é o lançamento [previsto para 2010] da livraria digital paga Google Editions, que explorará comercialmente parte dos recursos acumulados pelo Google Books. A obsessão pelo Google, por mais legítima que seja, pode resultar no esquecimento de certas questões fundamentais acarretadas pela digitalização de textos existentes em outra mídia, impressa ou manuscrita.

Essa operação serve como fundamento à criação de coleções digitalizadas que permitirão acesso remoto aos acervos preservados pelas bibliotecas. Aqueles que considerarem inútil ou perigosa essa extraordinária possibilidade que está sendo oferecida à humanidade serão decerto insensatos. Mas nem por isso devemos perder a sensatez.

A transferência do patrimônio escrito de um meio para outro já teve precedentes. No século XV, a nova técnica de reprodução de textos foi colocada a serviço dos gêneros que então dominavam a cultura dos manuscritos: manuais de escolástica, compilações enciclopédicas, calendários e profecias. Nos primeiros séculos da nossa era, a invenção do livro que continua a ser o nosso, em formato códice, com suas folhas, suas páginas e seus índices, acolheu em um novo objeto as escrituras cristãs e as obras dos autores gregos e latinos.

A história não ensina lição nenhuma, apesar do lugar-comum em contrário, mas, nesses dois casos, ela aponta para um fato essencial à compreensão do presente, a saber: que um “mesmo” texto deixa de ser o mesmo quando muda o suporte sobre o qual está inscrito e, com isso, suas formas de leitura e o sentido que lhe venha a ser atribuído por novos leitores. As bibliotecas sabem disso.

Cabe lembrar que proteger, catalogar e permitir o acesso aos textos continua a ser tarefa essencial das bibliotecas, e isso inclui oferecer acesso a todas as formas sucessivas ou concomitantes nas quais os leitores do passado os tenham lido. Essa é a primeira justificação da existência das bibliotecas, como instituição e como local de leitura.

Memória das formas

Mesmo supondo que os problemas técnicos e financeiros da digitalização venham a ser resolvidos e que todo o patrimônio escrito possa vir a ser preservado em forma digital, a conservação e comunicação das formas anteriores de suporte não se tornará menos necessária.

Pois o que é essencial, aqui, é a profunda transformação que veremos na relação entre fragmento e totalidade. Pelo menos até os nossos dias, no mundo eletrônico, é a mesma superfície iluminada da tela dos computadores que propicia a leitura dos textos, todos os textos, quaisquer que sejam seus gêneros e funções.

Rompe-se, assim, a relação que, em todas as culturas escritas anteriores, ligava estreitamente os objetos, os gêneros e os usos. Foi essa relação que organizou as diferenças imediatamente percebidas entre os diversos tipos de publicações impressas e as expectativas de seus leitores -guiadas pela própria materialidade dos objetos que transmitem essas diferenças. Já no mundo da textualidade digitalizada, o discurso não se inscreve mais nos objetos, algo que permitia que eles fossem classificados, hierarquizados e reconhecidos em sua identidade própria.

Temos um mundo de fragmentos descontextualizados, justapostos, indefinidamente reconstituíveis, sem que seja necessária ou desejável a compreensão da relação que os inscrevia na obra da qual tenham sido extraídos. Seria possível objetar que a situação sempre foi essa na cultura escrita, construída em larga medida e por largo período com base em coletâneas de extratos, de antologias de lugares-comuns, de trechos seletos. Certo. Mas, na cultura da mídia impressa, o desmembramento dos escritos é acompanhado pelo seu oposto: sua circulação em formas que respeitam sua integridade e, ocasionalmente, os reúnem em forma de “obras” - completas ou não.

Além disso, no livro em si, os fragmentos são necessária e materialmente integrados a uma totalidade textual, reconhecível como tal. Diversas consequências decorrem dessas diferenças fundamentais. A própria ideia de revista se torna incerta, porque a consulta aos artigos já não está ligada a uma lógica editorial que se torna visível pela composição de cada número, mas, sim, que se organiza a partir de uma ordem temática de rubricas. E é certo que as novas maneiras de ler, descontínuas e segmentadas, se enquadram mal às categorias que regiam o relacionamento entre leitores e textos.

São exatamente essas propriedades fundamentais da textualidade digital e da leitura diante de uma tela que o projeto comercial do Google pretende explorar. O mercado da empresa é o da informação. Os livros, como todos os demais recursos digitalizáveis, constituem uma imensa jazida da qual é possível realizar extrações.

Lucro

Daí decorre a percepção imediata e ingênua de todo livro, de todo discurso, como um banco de dados que fornece “informações” àqueles que as procuram. Satisfazer essa demanda e extrair um lucro é o primeiro objetivo da empresa californiana, e não construir uma biblioteca universal à disposição da humanidade.

E o Google não parece estar bem equipado para a tarefa, a julgar pelos múltiplos erros de datação, classificação e identificação cometidos durante a extração automática de dados. Essa descoberta genial de um novo mercado, em permanente expansão, e as proezas técnicas que deram ao Google um quase monopólio sobre a digitalização em massa garantiram o grande sucesso e os copiosos benefícios dessa lógica comercial. Ela supõe a conversão eletrônica de milhões de livros, entendidos como uma mina inesgotável de informações.

E exige, em consequência, acordos, já realizados ou ainda por vir, com as grandes bibliotecas do mundo. Mas também um processo de digitalização em larga escala, pouco preocupado com o respeito aos direitos autorais, e a formação de um gigantesco banco de dados, capaz de absorver outros bancos de dados e de arquivar informações pessoais sobre os internautas que utilizam os múltiplos serviços oferecidos pelo Google. Os representantes da companhia americana percorrem o mundo e as conferências para proclamar suas boas intenções: democratizar a informação, tornar acessíveis livros indisponíveis, remunerar corretamente as editoras e autores. E assegurar a conservação, “para sempre”, de obras ameaçadas pelos desastres que podem afetar as bibliotecas. Essa retórica de serviço público e de democratização universal não basta para rebater as preocupações causadas pelos empreendimentos do Google.

Em artigo para o New York Review of Books (12-02-2009) e em livro publicado recentemente, “The Case for Books -Past, Present and Future” [Defesa dos Livros – Passado, Presente e Futuro] (Ed. Public Affairs, 240 p.), o historiador Robert Darnton apela aos ideais do iluminismo para alertar contra a lógica do lucro que orienta as empreitadas do Google.

É fato que, até o momento, continua a haver uma clara distinção entre as obras caídas em domínio público, disponíveis gratuitamente via Google Books, e os livros protegidos por direitos autorais, órfãos ou não, cujo acesso e aquisição, via Google Editions, são pagos. Mas nada garante que no futuro a empresa, dada sua situação monopolista, não venha a impor preços consideráveis pelo acesso, a despeito de sua ideologia do bem público e do acesso público hoje oferecido.

Compromissos

Não se pode esquecer que já existe um vínculo entre os anúncios publicitários, que garantem os consideráveis lucros do Google, e a hierarquização de “informações” que resulta de cada busca nesse site.

Além disso, em numerosos casos, a utilização pelas bibliotecas de suas próprias coleções, digitalizadas pelo Google (mesmo quando se trata de obras de domínio público), está sujeita a condições completamente inaceitáveis, tais como a proibição de explorar os arquivos digitalizados por algumas décadas ou de uni-los aos arquivos de outras instituições. E há outro segredo completamente inaceitável: o que envolve as cláusulas dos contratos assinados entre a empresa e cada biblioteca. A justa reticência diante de uma parceria assim arriscada tem diversas consequências.

Para começar, é preciso exigir que o financiamento público a programas de digitalização esteja à altura das necessidades, dos compromissos e das expectativas de que os Estados não transfiram a empresas privadas a responsabilidade pelos investimentos culturais de longo prazo que lhes cabem. Também é necessário decidir prioridades, sem necessariamente imaginar que todo “documento” deva ser digitalizado. A obsessão, talvez excessiva e indiscriminada, pela digitalização não deve mascarar um outro aspecto da “grande conversão digital”, para retomar a expressão do filósofo Milad Doueihi. Essa escrita palimpséstica e polifônica, aberta e maleável, infinita e móvel confunde as categorias que, desde o século 18, servem como fundamento à propriedade literária. Essas novas produções escritas, muitas das quais digitais já de origem, propõem a difícil questão de como se deve conservá-las e arquivá-las.

É preciso estar atento, mesmo que a urgência atual seja a de decidir como e por quem será realizada a digitalização do patrimônio escrito, à necessidade de que a “República digitalizada do saber” não seja confundida com o grande mercado de informação onde o Google e outros oferecem seus produtos.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=34623

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Anunciadas as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) anunciou, em 13 de julho, as vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2010. Cada uma das sete vencedoras receberá uma bolsa-auxílio equivalente a US$ 20 mil para dar continuidade às suas pesquisas
As pesquisadoras foram selecionadas de acordo com o currículo e a qualidade dos projetos por elas desenvolvidos.

Na área de ciências matemáticas, foi escolhida Audrey Helen Cysneiros, que estuda teoria assintótica de mais alta ordem na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Na área de química, a láurea foi entregue a Kathia Maria Honorio, da Universidade de São Paulo (USP). Ela desenvolve substâncias bioativas com potenciais aplicações para o tratamento de fibrose, arterosclerose e câncer.

Em física, a escolhida foi Lucimara Pires Martins, que estuda "biblioteca estelar de alta resolução para síntese de populações estelares" na Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul).

Em ciências biomédicas, biológicas e da saúde, houve quatro vencedoras. Bruna Romana de Souza, da Universidade Federal do ABC (UFABC), pela pesquisa sobre o "papel dos hormônios gonadais no reparo tecidual cutâneo de camundongos cronicamente estressados"; Cristiane Matté, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por sua avaliação do efeito do exercício físico materno durante a gestação no metabolismo energético e no estresse; Patrícia Fernanda Schuck, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), que se debruçou sobre os efeitos da fenilalanina; e Simone Appenzeller, que avalia a saúde sexual e a qualidade de vida em mulheres com doenças reumáticas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Apoio - O prêmio "Mulheres na Ciência" existe desde 2006 e é apoiado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pela empresa L'Oréal.

Mais informações sobre a premiação em: http://loreal.abc.org.br/

Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72294



Revista "História, Ciências, Saúde - Manguinhos" cria seção para artigos sobre divulgação científica

Edição de junho inclui dossiê sobre ciência e mídia

A revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos anunciou, em sua edição de junho, a criação de seção dedicada a estudos acadêmicos na área da divulgação científica.

Periódico trimestral da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fundação Oswaldo Cruz, a revista é editada desde 1994 e publica artigos originais relacionados à história das ciências e da saúde - e, a partir de agora, divulgação científica.

No Qualis, a revista possui pontuação alta em diversas áreas de conhecimento, entre elas, ensino de ciências e matemática, multidisciplinar e ciências sociais aplicadas. Integra a coleção disponível on-line no portal SciELO e é indexada nas bases do ISI, Medline e Scopus, entre outras.

A revista possui um sistema de revisão por pares e publica textos inéditos em português, inglês e espanhol em distintas seções, entre elas: Artigos de análise, Imagens, Debate, Nota de Pesquisa e Livros.

Para dar a partida na proposta, a edição traz um dossiê sobre ciência e mídia com três artigos na área: "A ciência na primeira página: análise das capas de três jornais brasileiros", de Flavia Natércia, Marina Ramalho e Luisa Massarani; "Enquadramento dos transgênicos nos jornais paulistas: informação como subsídio à participação política", de Danilo Rothberg e Danilo Berbel; "A incrível história da fraude dos embriões clonados e o que ela nos diz sobre ciência, tecnologia e mídia", de Iara Maria Souza e Amanda Caitité.

A editora da área de divulgação científica é Luisa Massarani, chefe do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz.

Informações: http://www.coc.fiocruz.br/hscience

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72303



Livros levam mais longe

Estudo internacional analisa a relação entre leitura e escolaridade em 27 países. O resultado indica: quanto mais livros houver em uma casa, mais anos de escolaridade tenderá a ter a criança que nela crescer

Crianças que crescem rodeadas por livros podem ter até três anos a mais de escolaridade, independentemente da formação ou ocupação de seus pais. Esse foi o resultado apontado pelo maior estudo já feito sobre a relação entre os livros no ambiente doméstico e a educação escolar.

O artigo, publicado na revista Research in Social Stratification and Mobility, mostra que pessoas que cresceram em casas com até 500 livros têm 33% a mais de chance de concluir o ensino fundamental e 19% de se graduar numa universidade. Para chegar a esses números, pesquisadores americanos ouviram mais de 70 mil pessoas em países como China, Rússia, França, Portugal, Chile e África do Sul.

Leia a matéria completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/07/livros-levam-mais-longe

Revista 'Ars' é incluída na SciELO

Publicação da Escola de Comunicações e Artes da USP é a primeira de artes visuais a integrar a coleção da Scientific Electronic Library On-line (SciELO)

A "Ars", revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), acaba de ser incluída na lista de publicações da Scientific Electronic Library On-line (SciELO).

A "Ars" é a primeira revista da ECA-USP na SciELO, criada em 1997 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), com o objetivo de publicar periódicos on-line de qualidade com alta visibilidade não só local como internacionalmente.

A revista "Ars" reúne trabalhos relevantes no debate da arte, produzidos no meio universitário ou fora dele. Editada pelos professores Gilberto Prado, Sônia Salzstein e Marco Giannotti, a publicação visa a intervir na discussão sobre arte e propõe um foco ampliado na abordagem das artes visuais no país.

De periodicidade semestral, a publicação surgida em 2003 divulga os trabalhos de artistas, críticos e historiadores de arte e alunos de pós-graduação do Departamento de Artes Plásticas, além de colaborações de artistas, intelectuais e outros profissionais do meio artístico.

"Para nós, é de extrema importância porque, além de mais visibilidade, a inserção na SciELO valoriza a área de artes. A grande vantagem é o próprio acesso que a rede possibilita a pesquisadores, estudantes e artistas", disse Prado, professor do Departamento Artes Plásticas e um dos editores da revista, à Agência Fapesp .

Além da revista Anais do Museu Paulista, que é mais voltada para temas de preservação do patrimônio, a "Ars" é a única de artes visuais da coleção SciELO.

A edição atual, a de número 14, traz um ensaio gráfico, além de artigos que versam sobre pintores como Paul Cezzane e Eduardo Sued, economia política da arte moderna, entre outros temas. Em agosto, será lançado o número 15.

Para acessar a revista: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1678-5320&lng=pt&nrm=iso

Mais informações sobre a SciELO: www.scielo.br

(Agência Fapesp, 21/7) -

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72304

JCR 2009 indica aumento da presença e desempenho da América Latina e Caribe

A Thomson Reuters Scientific publicou em 17 de junho a versão 2009 do índice bibliométrico Journal Citation Report (JCR) que é produzido a partir dos periódicos indexados na coleção Web of Science (WoS).

O JCR relaciona mais de 7 mil títulos com os respectivos indicadores bibliométricos que medem o desempenho dos periódicos atualizado para o ano 2009 com base nas citações que recebem. Entre os indicadores bibliométricos, destaca-se o Fator de Impacto, que mede para cada ano a média de citações recebidas pelos artigos publicados nos dois anos anteriores.

O JCR constitui um dos índices de referência internacional para a medida da produção científica com critérios de qualidade para a aceitação e permanência dos periódicos na coleção. A indexação de periódicos no JCR e consequente publicação do Fator de Impacto se dá numa etapa posterior ao ingresso na base WoS, depois de um período de no mínimo três anos, se o periódico acumulou citações em número suficiente. A coleção do JCR está dividida em dois índices – o Science Citation Index Expanded (SCIE) e o Social Science Citation Índex (SSCI). Neste texto, os números referem-se aos dois índices.

O número de periódicos de todas as áreas do conhecimento indexadas no JCR saltou de 77 em 2008 para 162 em 2009, o que representa um aumento de 110%, muito superior ao incremento anual da ordem de 10% que caracterizava a atualização do JCR. Este fato é decorrente da decisão da Thomson Reuters de aumentar significativamente a representação dos periódicos na WoS e JCR nos últimos 3 anos. Entre os títulos da América Latina e Caribe (AL&C) indexados no JCR, 52% são publicados em acesso aberto nas coleções nacionais da rede SciELO. Esta porcentagem cresce para 80% no caso do Brasil, cujos periódicos apresentam um desempenho destacado no JCR 2009.

Quanto ao desempenho medido pelas citações recebidas, o JCR 2009 apresenta 14 títulos da AL&C que alcançaram Fator de Impacto maior que 1, isto é, os artigos destes periódicos publicados em 2008 e 2007 foram na média citados pelo menos uma vez em 2009. Destes, 11 títulos são do Brasil e três do México. Em 2008, eram 8 títulos com fator de impacto maior que 1. Se considerarmos o número de periódicos com fator de impacto maior que 0.5 eles eram 28 em 2008 e passaram a 49 em 2009, isto é, 70% de aumento.

É importante lembrar que existe muita polêmica e contestação sobre o valor e significado do Fator de Impacto assim como sobre o seu uso para a medida de produção científica e consequentemente de avaliação de instituições e programas de pesquisa e educação. Em particular, com a publicação do JCR 2009, alguns periódicos estão sendo contestados pelo número elevado e predominância de autocitação.

Entretanto, o desempenho geral dos periódicos da AL&C na indexação no JCR é digno de nota, pois nenhuma outra região apresentou aumentos da ordem de 110% no número de periódicos indexados. A China, que vem obtendo resultados impressionantes em número de publicações decorrentes da política interna de fomento à pesquisa científica e tecnológica, contava com 81 periódicos no SCIE em 2008 e em 2009 este número subiu para 114, um aumento de 40%. A Índia, um dos países que integra, junto com o Brasil, Rússia e China, o bloco BRIC de países em desenvolvimento com potencial econômico promissor, obteve um incremento da ordem de 50% no número de periódicos indexados no JCR em 2009 comparado a 2008.

A África apresentou um crescimento de 65% na comparação do índice nestes dois anos. A América do Norte e Europa seguem liderando o cenário mundial em número de títulos e publicações científicas, porém os aumentos do número de títulos no JCR de um ano para outro (2008 e 2009 não são exceções) são inferiores a 10%.

Se analisarmos os títulos em ciências da saúde, estão presentes no JCR em 2009, 49 títulos da AL&C, um incremento modesto de 25% em relação à versão de 2008 com 39 títulos, se levarmos em conta o que aumento de títulos em todas as áreas do conhecimento de 110%. Este fato indica que a política editorial da Thomson Reuters em 2009 de expansão dos títulos da AL&C priorizou outras áreas do conhecimento como ciências agrárias e da terra, engenharia, e ciências exatas e biológicas. Dos 49 títulos, 32 são publicados em acesso aberto em coleções nacionais e temáticas da rede SciELO.

A coleção temática SciELO Saúde Pública com 12 periódicos, tem 7 (58%) deles indexados no JCR. Na avaliação de Lilian Calò, gerente de Produção de Fontes de Informação do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS), o desempenho dos periódicos da coleção é muito bom, a julgar dos valores de Fator de Impacto de 2009. Três dos 7 periódicos apresentam Fator de Impacto superior a 1,0. “A coleção SciELO Saúde Pública ampliou as fronteiras da América Latina e Caribe e inclui periódicos da Espanha e Itália, além dos periódicos da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS)”, afirma Lilian. No JCR 2009, merecem destaque especial o WHO Bulletin que aumentou seu FI de 3,803 para 5,302 assim como para a Revista de Saúde Pública e Gaceta Sanitária que alcançaram Fator de Impacto maior que 1.

De acordo com Abel Packer, assessor em Informação e Comunicação em Ciência da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (FapUNIFESP), o aprimoramento contínuo das revistas científicas da AL&C por parte dos países, que se expressa pelo avanço dos diferentes níveis de indexação, faz parte do melhoramento e progresso da pesquisa científica, sua comunicação e em consequência de sua aplicação para informar com evidência científica as políticas, programas e serviços de saúde. Neste sentido, é fundamental que a AL&C fortaleça o processo de avaliação permanente dos seus periódicos por meio do aperfeiçoamento dos diferentes atores envolvidos na comunicação científica, como autores, editores científicos, revisores, publishers, indexadores, etc.

A BIREME, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e de suas redes associadas promove continuamente atividades de capacitação, avaliação e treinamento dos atores da comunicação cientifica em atividades presenciais e à distância, de atualização em editoração, escrita científica e indexação.

Fonte: http://espacio.bvsalud.org/boletim.php?newsletter=20100721&newsLang=pt&newsName=Newsletter

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Livro digital ameaça o de papel na Amazon

A Amazon.com Inc. informou que atingiu um ponto de inflexão em sua operação de livros eletrônicos, vendendo mais e-books do que livros de capa dura (o formato típico dos lançamentos editoriais nos Estados Unidos) nos últimos três meses.

Mas editores disseram que ainda é muito cedo para medir para toda a indústria se o crescimento dos livros eletrônicos está canibalizando as vendas do importante mercado de livros de capa mole.

Num comunicado ontem, o diretor-presidente da Amazon, Jeff Bezos, também procurou combater a percepção de que as vendas do leitor eletrônico Kindle havia sofrido por causa da concorrência de outros aparelhos, como o iPad da Apple Inc.

Ele disse que a taxa de crescimento das vendas do Kindle haviam "atingido um ponto de desequilíbrio", tendo triplicado desde que a empresa baixou o preço de US$ 259 para US$ 189, no mês passado, depois de uma redução semelhante por parte da rival Barnes & Noble Inc., que cortou o preço de seu leitor Nook.

A Amazon informou que as vendas unitárias do leitor Kindle aceleraram a cada mês no segundo trimestre — tanto em relação ao mês anterior quanto em relação a igual período de um ano antes. A empresa nunca informou quantos Kindles ou livros eletrônicos vendeu.

A Amazon também descreveu um quadro de aceleração no crescimento das vendas de livros eletrônicos, que podem ser lidos no Kindle e num punhado de outros aparelhos, como o iPad. Nos últimos 30 dias, a varejista on-line, que tem sede em Seattle, vendeu 180 e-books Kindle para cada 100 livros de capa dura.

Mas a comparação não significa necessariamente que o fim dos livros de papel seja iminente. A Amazon informou que as vendas de livros de capa dura também continuaram a aumentar.

Geoffrey A. Fowler
The Wall Street Journal

Fonte: http://www.zwelangola.com/ler.php?id=2473

Baixar livros na internet é uma das principais formas de acesso à cultura e a publicações pela juventude brasileira

Pesquisa mostra que cerca de 5 milhões de pessoas leram cerca de 7 milhões de obras na telinha, em 2008


Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo começou a passar por mudanças comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos hábitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e responsável por uma espécie de nova ordem mundial. A comunicação, é claro, está entre as áreas mais atingidas por essas modificações, e se processa a cada dia mais rápida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos hábitos e, agora, está fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.

O ator Arthur Curado, apesar de gostar de navegar, não aderiu  totalmente à leitura virtual. Ele curte mesmo é o clima de uma livraria,  o ritual de ver a capa do livro, tocar, escolher - (Rafael Ohana/CB/D.A  Press)
O ator Arthur Curado, apesar de gostar de navegar, não aderiu totalmente à leitura virtual. Ele curte mesmo é o clima de uma livraria, o ritual de ver a capa do livro, tocar, escolher
Mas isso não significa que eles irão sumir das estantes e da biblioteca — pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura”, disse Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso à leitura, em que o livro digital seja pensado também na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. “O contingente de pessoas com acesso à internet e à tecnologia é grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas é irreversível”, sentencia.

A cultura digital e suas tecnologias têm permitido a digitalização de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da criação humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos últimos cinco anos, muito em função do barateamento da tecnologia, que permite a difusão da informação. Além disso, projetos estruturantes de digitalização de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade é a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de São Paulo (USP).

Lá estão disponíveis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edição de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alemão Hans Staden, que esteve duas vezes na recém-descoberta colônia portuguesa, publicado no século 16, na Alemanha e Cultura e opulência no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano João Antônio Andreoni. Ele foi um dos três jesuítas que acompanharam o padre Antônio Vieira à Bahia, em 1685. O livro é considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial — só existem três exemplares no país. “É importante frisar que a tecnologia é ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem não tem hábito pela leitura”, salienta Rosely.

Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, é uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como diário e lá coloca seus pensamentos. “As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atrás de quem os escreveu. Faço a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro”, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, três livros por semana. “Os que não dá, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro tá lá na minha mão (sic). É mais prático, não saio de casa e não contribuo para o desmatamento”, conclui.

Educação
Mesmo com a curiosidade aguçada pela interatividade promovida na internet, a educação ainda é a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de história da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da instituição, o professor executa um papel fundamental em termos de estímulo. “É na sala de aula que o aluno adquire o hábito de ler, com o professor provocando discussões, sugerindo leituras para gerar o debate”, analisa.

Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou à leitura digital. Mesmo adepto da internet há 12 anos, foi na sala de aula que o publicitário adquiriu o hábito da leitura digital. “O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler”, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo hábito. “Nas bibliotecas digitais há milhões de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente”, comemora Rodrigues.

1 - Preciosidades
A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do espólio do empresário José Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros são do século 19, todos de literatura brasileira. Lá estão quase todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis. Há ainda as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: O guarani, de José de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo dá um salto: o visitante pode conhecer um robô que lê 2,4 mil páginas por hora.

» Plataforma do saber virtual
Morvan afirma que aprendeu em sala de aula a gostar da leitura digital



Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento também indicou que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. “Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, não tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje lê mais pelo computador”, constata Puntoni.

O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informação, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros é um fato muito recente na história do mundo. “Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual só a elite tinha acesso; na idade média só os monges. A difusão da leitura faz com que o acesso se dê em outras plataformas. Não acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: ‘não, o livro é o único objeto para praticar a leitura’. A internet vem para somar, não competir”, defende.

Glênia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cenógrafa se tornou adepta à leitura digital há dois anos, porém, não largou o hábito de comprar livros no formato tradicional. “Não abro mão de livros na minha estante. Adoro tê-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espaço físico não é problema”, diz. “Para mim, uma coisa não anula a outra. As duas têm seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que é melhor para nós”, analisa.

Sociedade cibernética

Para a presidente da CBL, o mundo digital está sendo universalizado. “É impossível hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia”, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produção literária devem estar dentro desse contexto. Afinal, são instrumentos importantes de educação e cultura. “Acreditamos que o livro impresso tem atração física, é bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuará existindo. No futuro, o que acontecerá é a convivência harmoniosa de mídias”, prevê.

Puntoni acha que daqui há um século, o livro será comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. “Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudança cultural, imagine em 100 anos”, indaga. Puntoni acredita que no próximo século os nossos descendentes vão olhar para trás e dizer : ‘aquele povo derrubava árvore para produzir livro, que loucos’! Ele afirma, porém, que as pessoas vão continuar admirando os livros físicos por conta do significado que eles têm como instrumento fundamental para a construção da cultura ocidental.

Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabará. O ator é avesso à leitura digital. “Já tentei, não funciona. Sou um leitor à moda antiga”, afirma. Para ele, o ato de ler está relacionado com o lazer .“Para mim, é importante ter o livro físico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas até escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que também é lazer”, ressalta.

Silvia Pacheco

Publicação: 16/07/2010 07:30 Atualização: 16/07/2010 18:16

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/07/16/tecnologia,i=202706/BAIXAR+LIVROS+NA+INTERNET+E+UMA+DAS+PRINCIPAIS+FORMAS+DE+ACESSO+A+CULTURA+E+A+PUBLICACOES+PELA+JUVENTUDE+BRASILEIRA.shtml