terça-feira, 22 de março de 2011

Mídia social no trabalho?

Em maio de 2010, uma pesquisa realizada pelo MyJobGroup.co.uk descobriu que, enquanto 40% dos trabalhadores do Reino Unido criticam seu local de trabalho em sites de rede social, 55% acham que a equipe que fez isso deveria ser punida. Contudo, somente 16% sabiam que sua empresa tinha políticas disciplinares em vigor que abragiam problemas potenciais causados pela mídia social.

Embora a mídia social sem dúvidas tenha chegado para ficar, a questão é: até que ponto o empregador pode controlar as atividades de seus empregados na mídia social? E se forem feitos comentários negativos em domínio público, como o empregador deve reagir?

Uma ferramenta altamente eficiente para a empresa
Os benefícios da mídia social são óbvios. Primeiramente, pode ser uma ferramenta altamente eficiente para a empresa, inestimável para promover empresas e marcas. Pode melhorar a reputação da empresa e trazer novos negócios; de fato, muitos funcionários estão sendo incentivados a escrever em blogs e no Twitter, até mesmo durante o horário de trabalho. Além disso, muitos trabalhadores jovens hoje literalmente cresceram com a internet e não concordariam com seu uso restrito, preferindo não trabalhar para uma empresa que proíbe a mídia social.

Porém, embora seja verdade que as empresas enxergam os benefícios do uso da mídia social para promover sua marca, e à medida que sites como o Twitter, o Facebook e o LinkedIn tornam-se inseparáveis do uso comercial moderno, os riscos decorrentes do uso descontrolado da mídia social são óbvios.

Maior concentração final
Todos nós precisamos de pequenas pausas durante o dia – e navegar na internet, escrever no blog e twittar é divertido. Porém isso faz com que a concentração diminua e que você fique menos produtivo. Será mesmo?

De acordo com um estudo de 2009, 70% dos funcionários nos escritórios utilizavam a internet no trabalho por motivos pessoais; 9% dessas pessoas eram mais produtivas do que os funcionários que não utilizavam a internet para se divertir.[1] De acordo com Brent Coker, do departamento de gerenciamento e marketing da Universidade de Melbourne, “Pausas curtas moderadas permitem que a mente descanse, conduzindo a uma concentração final total superior para o trabalho do dia, e como resultado, uma maior produtividade.”

Por isso, devemos usar mídia social durante o expediente? Afinal, atualmente não estamos amarrados aos nossos computadores: durante o horário de trabalho podemos navegar na internet em nossos smartphones e outros gadgets. O melhor conselho é ser sensato. Você é quem se conhece melhor. Se você sabe que é uma pessoa que se distrai facilmente ou que acha difícil interromper um bate-papo com amigos, então simplesmente decida deixar o uso da mídia social para as noites. Afinal, você não conversaria com outras pessoas usando o telefone de sua mesa por várias horas no horário do trabalho, conversaria?

Quando é que o comportamento do funcionário é particular?
Em outubro de 2010, a Porsche proibiu que seus funcionários tivessem acesso a qualquer tipo de mídia social no trabalho porque temia que agências de inteligência estrangeiras entrassem em contato com seus funcionários pelo Facebook para coletar informações. Um exemplo extremo – mas é o sinal dos tempos: como você pode verificar se o que está sendo postado é "apropriado" – e é possível punir os funcionários que quebram as regras? A proibição total funciona realmente? E como você pode monitorar o que seus funcionários fazem durante o tempo livre e em seus computadores pessoais?

O que você escreve em um domínio público como o Facebook é diferente do que você diz em uma sala para seus amigos: enquanto um permanece em privacidade, o outro significa que suas palavras podem ser repetidas milhões de vezes, fora de contexto – fazendo com que você corra o risco de ser demitido – não porque expressou sua opinião, mas porque você colocou em dúvida a reputação da empresa. Em um caso pioneiro no Reino Unido, em fevereiro de 2011, uma funcionária de um departamento de transporte perdeu o caso contra dois jornais nacionais que publicaram tweets de sua autoria nos quais ela atacava o governo. A Comissão de reclamações contra a imprensa decidiu que as informações postadas no Twitter são consideradas públicas, já que podem ser lidas por qualquer pessoa e portanto podem ser publicadas por jornais.

Tenha moderação
Os funcionários obviamente precisam ter bom senso, porém um bom conselho seria:
  • Lembre-se: você é um representante de sua empresa
  • Nunca divulgue informações confidenciais: isso constitui uma quebra de confidencialidade
  • Não critique o gerenciamento, seus colegas ou os produtos da empresa
  • Não espalhe fofocas ou boatos do escritório
  • Não critique os clientes de seu empregador
  • Não coloque filmes bobos do escritório no YouTube
Em outras palavras, não publique nada que poderia manchar a reputação de seu empregador. Como Fergal Dowling, um especialista em direitos trabalhistas da Irwin Mitchell Solicitors, diz: “O abuso da mídia social pode ser motivo para punição até e incluindo rescisão de contrato, dependendo do nível de abuso e das políticas em vigor na empresa.”

Traçando um limite claramente
Contudo, o fato é que até mesmo os funcionários satisfeitos podem divulgar informações confidenciais, sem ter realmente essa intenção. As empresas, portanto, devem se proteger desenvolvendo novas políticas de redes sociais que abranjam o acesso no local de trabalho e o uso adequado ou adicionando novos termos às políticas de confidencialidade atuais que abranjam o uso da mídia social por seus funcionários – tanto em lugares privados quando no local de trabalho. Até que haja uma legislação em vigor que abranja esse problemas, as empresas serão obrigadas a ter suas próprias regras e decidir se e quando comentários negativos feitos por funcionários são realmente prejudiciais o suficiente para justificar uma demissão ou ação disciplinar.

Por enquanto, aceite que a mídia social é algo bom e que está aí para ficar; reúna políticas adequadas de uso da mídia social; e certifique-se de que seus funcionários compreendem que a perda de negócios não é o interesse de ninguém na empresa.



Fonte: Tecnologia @ Negócio - HP
Data: março 2011