quinta-feira, 28 de julho de 2011

Arte via correio

MAC USP reuniu a mais importante coleção de arte conceitual internacional no Brasil ao ser um dos destinatários de uma rede postal que artistas da América Latina e do Leste Europeu estabeleceram quando seus países enfrentavam regimes ditatoriais, indica pesquisa

Por Elton Alisson
 O Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP) guarda em seu acervo a mais importante coleção de arte conceitual internacional no Brasil.
Composta por obras de artistas europeus, especialmente do leste da Europa, que são extremamente importantes hoje no cenário de arte contemporânea mundial, o acervo foi formado pelo MAC USP por meio da atuação da instituição como um dos destinatários de uma rede de arte postal que artistas latino-americanos e europeus estabeleceram pelo correio nas décadas de 1960 e 1970, quando seus países enfrentavam regimes ditatoriais.
A constatação foi feita por Maria Cristina Machado Freire, professora associada e vice-diretora do MAC USP, por meio de pesquisas que realizou nos últimos anos no acervo do museu, com apoio da FAPESP.
De 1997 a 1999, por meio do projeto intitulado “A estética do processo. Arte conceitual no acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP: levantamento e pesquisa”, Freire começou a investigar a coleção de obras de arte conceitual do MAC USP, que compreende as décadas de 1960 e 1970 e estava esquecida dentro da instituição.
No decorrer da pesquisa, ela percebeu que havia uma forte presença no acervo de trabalhos de artistas de países como Tchecoslováquia, Hungria, Polônia, Iugoslávia e Alemanha Oriental e achou que isso representava um dado bastante importante e merecia uma investigação mais aprofundada.
Com base nessa descoberta, em 2005, por meio do Projeto Temático “Lugares e modos críticos da arte contemporânea nos museus”, também financiado pela FAPESP, a pesquisadora começou a fazer um levantamento de todos os artistas do acervo do museu que eram naturais dos antigos países socialistas do Leste Europeu e a analisar as relações e as questões comuns de suas obras com as dos artistas da América Latina.
Freire identificou que os artistas das duas regiões utilizavam o correio como um meio privilegiado para furar o bloqueio da censura e da repressão impostas pelos regimes ditatoriais que enfrentavam nas décadas de 1960 e 1970 e estabelecer uma rede de arte postal e de troca de informações artísticas.
E que algumas instituições, como o MAC, operaram nesse circuito alternativo de comunicação como destinatário e ponto de encontro de trabalhos enviados de todo o mundo, que chegavam ao museu público e universitário pelo correio.

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Fonte:  Agância Fapesp
Data: 28/07/2011