Segundo Censo Escolar, 70% dos estudantes não têm laboratório de ciências
Na volta às aulas, milhões de alunos de todo o país vão estudar este ano em escolas onde não há laboratório de ciências, biblioteca, laboratório de informática ou quadra de esportes.
O Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC) mostra que, no ano passado, 27 milhões de estudantes de ensino fundamental e médio (70% do total) frequentavam estabelecimentos sem laboratório de ciências. A inexistência de bibliotecas era realidade para 15 milhões (39%), enquanto 9,5 milhões (24%) estavam matriculados em escolas sem laboratório de informática, e 14 milhões (35%), em unidades sem quadra esportiva.
Os dados foram divulgados pelo MEC em dezembro e consideram tanto a rede pública quanto a privada. No ensino médio, menos da metade das escolas tinha laboratório de ciências. Nas séries finais do ensino fundamental, a situação era mais grave: só 23% delas estavam equipadas. Nas séries iniciais do fundamental, apenas 7% dos estabelecimentos tinham laboratório de ciências.
"Os alunos possivelmente terão prejuízo na formação"
Falando em nome do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a secretária de Mato Grosso, Rosa Neide Sandes de Almeida, diz que as deficiências na infraestrutura prejudicam a aprendizagem. Ela culpa a falta de investimentos em governos anteriores, tanto em nível federal quanto estadual e municipal, mas ressalva que a situação começou a mudar na última década:
- Os alunos possivelmente terão um prejuízo significativo na sua formação. Isso com certeza tem consequências para o nível de escolaridade que a gente oferece à nossa população. O Brasil ainda está fazendo o dever de casa em aspectos primários da escola - diz Rosa Neide.
A falta de infraestrutura preocupa a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC). O coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC, Isaac Roitman, considera a situação vergonhosa e defende o lançamento de um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) específico para recuperar escolas e formar professores. Até hoje, nenhum brasileiro foi agraciado com o prêmio Nobel.
- Deveria ser prioridade para quem pensa no futuro do Brasil - disse Roitman, por e-mail.
O consultor do movimento Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Neves Ramos, critica a falta de padrões mínimos para o funcionamento de escolas. Segundo ele, o poder público deveria estabelecer critérios e fazer a certificação das escolas.
Em maio, o CNE aprovou parecer definindo padrões de qualidade para a rede pública, o que exigiria aumentar investimentos em educação. O parecer só vale se for homologado pelo ministro Fernando Haddad, o que ainda não ocorreu. Segundo o MEC, o texto permanece em análise.
- A gente não pode oferecer escola de qualquer jeito. É preciso dizer quais são os insumos que se espera que uma escola tenha - diz Mozart.
Ele chama a atenção para outro ponto: não basta ter laboratórios e bibliotecas, é preciso que professores e alunos utilizem os recursos:
- O pior de tudo é que, mesmo nas escolas que têm laboratórios, eles são pouco usados - diz Mozart.
Em escola no DF, computadores sem uso
O Distrito Federal, unidade da Federação que lidera rankings de avaliação do MEC, não foge à realidade revelada pelo censo. O Centro de Ensino Fundamental Fercal, na cidade-satélite de Sobradinho, não tem biblioteca nem laboratório de informática. A escola recebeu 20 computadores do MEC no ano passado, mas dez máquinas permanecem nas caixas, e as demais não são usadas.
O vice-diretor Samuel Wvilde diz que a rede elétrica não suporta o funcionamento simultâneo dos computadores. Há um projeto de reconstrução da escola. Os livros de literatura ficam guardados junto com o material esportivo. O resto do acervo foi transferido para outra escola, onde está sem uso. O centro atende a 1,1 mil alunos de ensino médio e dos anos finais do fundamental.
A Escola Classe Engenho Velho, com 420 alunos, não tem biblioteca nem laboratório de informática. A vice-diretora Susan Fernandes conta que o MEC já ofereceu computadores três vezes, mas a doação foi recusada porque o prédio não tem sala disponível. Os livros de literatura ficam guardados em caixas, que são levadas pelos professores para as salas de aulas.
O MEC informa que investiu R$ 774 milhões na compra e distribuição de computadores capazes de beneficiar 30 milhões de alunos, entre 2004 e 2010.
(Demétrio Weber)(O Globo, 30/1)
Fonte: JC e-mail 4189
Data:31/01/2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Instituída política da WebTV da Capes
Foi publicado no Diário Oficial da União de 20 de dezembro de 2010, a Portaria nº 248, que institui, no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a política do sistema Capes WebTV. A finalidade do sistema é a constituição de espaços de divulgação sobre as principais iniciativas da Capes ligadas ao fomento e avaliação da pós-graduação, à formação de professores de educação básica e o acesso à informação científica, mediante a adesão de instituições de ensino superior, como multiplicadores, e de áreas ou órgãos da estrutura de ensino e pesquisa brasileira, que executam em regime de parceria com a Capes.
Além da divulgação das iniciativas da Capes, na portaria são destacados os seguintes objetivos: promover o acesso e o uso do Portal de Periódicos, por meio da veiculação de vídeos de treinamentos, da divulgação dos eventos e das principais coleções disponíveis às instituições participantes; e funcionar como um canal de comunicação interna, por meio da publicação de notícias produzidas pelas estruturas de comunicação social das instituições.
Adesão
Podem aderir ao sistema Capes WebTV as 200 instituições usuárias do Portal de Periódicos, sendo elas instituições federais de ensino superior; instituições de pesquisa que possuam pós-graduação avaliada pela Capes com pelo menos um programa que tenha obtido nota 4 ou superior; instituições públicas de ensino superior estaduais e municipais que possuam pós-graduação avaliada pela Capes com pelo menos um programa que tenha obtido nota 4 ou superior; instituições privadas de ensino superior com pelo menos um doutorado avaliado pela Capes que tenha obtido nota 5 cinco ou superior; usuários colaboradores, ou seja, instituições que pagam pelo acesso a determinadas bases do Portal de Periódicos.
Na portaria também é descrita a estrutura organizacional e funcional do sistema, que designa os papéis de cada participante; e a programação, que se divide em canal informativo e canal de treinamentos. O canal informativo inclui notícias, imagens, vídeos, infográficos e peças de serviço e utilidade pública produzidos pela Capes e pelas instituições participantes e o canal de treinamentos contém vídeos de treinamento sobre a interface de busca integrada no Portal de Periódicos, bem como nas bases de dados assinadas pela Capes.
Veja a portaria completa aqui.
Saiba mais sobre o sistema Capes WebTV.
Fonte: Portal da Capes
Data: 27/01/2011
Além da divulgação das iniciativas da Capes, na portaria são destacados os seguintes objetivos: promover o acesso e o uso do Portal de Periódicos, por meio da veiculação de vídeos de treinamentos, da divulgação dos eventos e das principais coleções disponíveis às instituições participantes; e funcionar como um canal de comunicação interna, por meio da publicação de notícias produzidas pelas estruturas de comunicação social das instituições.
Adesão
Podem aderir ao sistema Capes WebTV as 200 instituições usuárias do Portal de Periódicos, sendo elas instituições federais de ensino superior; instituições de pesquisa que possuam pós-graduação avaliada pela Capes com pelo menos um programa que tenha obtido nota 4 ou superior; instituições públicas de ensino superior estaduais e municipais que possuam pós-graduação avaliada pela Capes com pelo menos um programa que tenha obtido nota 4 ou superior; instituições privadas de ensino superior com pelo menos um doutorado avaliado pela Capes que tenha obtido nota 5 cinco ou superior; usuários colaboradores, ou seja, instituições que pagam pelo acesso a determinadas bases do Portal de Periódicos.
Na portaria também é descrita a estrutura organizacional e funcional do sistema, que designa os papéis de cada participante; e a programação, que se divide em canal informativo e canal de treinamentos. O canal informativo inclui notícias, imagens, vídeos, infográficos e peças de serviço e utilidade pública produzidos pela Capes e pelas instituições participantes e o canal de treinamentos contém vídeos de treinamento sobre a interface de busca integrada no Portal de Periódicos, bem como nas bases de dados assinadas pela Capes.
Veja a portaria completa aqui.
Saiba mais sobre o sistema Capes WebTV.
Fonte: Portal da Capes
Data: 27/01/2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Em 2012, Brasil terá primeiro oceanário
Um empreendimento inédito no país, de grande alcance turístico, científico, tecnológico e educacional, está previsto para ser inaugurado em 2012, em Rio Grande (RS). Será o Oceanário Brasil, projeto apresentado na última segunda-feira (24) pelo reitor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), João Carlos Brahm Cousin, ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Na reunião, o reitor também entregou o projeto de instalação do Parque Científico Tecnológico do Mar (Oceantec).
O Oceantec já foi credenciado no Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos (PGtec) e será instalado no campus Carreiros da universidade, em uma área de cinco hectares. Já o Oceanário ficaria sediado no Parque Ecológico, localizado entre o Balneário Cassino e os Molhes da Barra, em uma área de 176 hectares ao lado do Oceano Atlântico. O investimento é de R$ 140 milhões.
No encontro, também foi abordada a criação de um fórum para estabelecer um debate sobre a criação da rede de cooperação entre as universidades federais e as universidades comunitárias que se destacam no Estado.
Fonte:Gestão C&T Nº 1005
Data: 28/01/2010
O Oceantec já foi credenciado no Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos (PGtec) e será instalado no campus Carreiros da universidade, em uma área de cinco hectares. Já o Oceanário ficaria sediado no Parque Ecológico, localizado entre o Balneário Cassino e os Molhes da Barra, em uma área de 176 hectares ao lado do Oceano Atlântico. O investimento é de R$ 140 milhões.
No encontro, também foi abordada a criação de um fórum para estabelecer um debate sobre a criação da rede de cooperação entre as universidades federais e as universidades comunitárias que se destacam no Estado.
Fonte:Gestão C&T Nº 1005
Data: 28/01/2010
E-Patentes poderá estar disponível no próximo ano
De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o sistema eletrônico e-Patentes poderá ser disponibilizado para o público em 2012. A ferramenta está em fase de implantação interna e faz parte dos projetos estratégicos prioritários da instituição criados para agilizar o processo de concessão de patentes.
As ações englobam ainda aperfeiçoamento do e-Marcas; a revisão dos procedimentos de apoio à transferência de tecnologia; o plano de criação e promoção das indicações geográficas brasileiras e sulamericanas, entre outras iniciativas. O objetivo do INPI é conceder patentes com qualidade num prazo de quatro anos.
Para saber mais sobre as ações do INPI acesse o site www.inpi.gov.br.
Fonte:Gestão C&T Nº 1005
Data: 28/01/2010
As ações englobam ainda aperfeiçoamento do e-Marcas; a revisão dos procedimentos de apoio à transferência de tecnologia; o plano de criação e promoção das indicações geográficas brasileiras e sulamericanas, entre outras iniciativas. O objetivo do INPI é conceder patentes com qualidade num prazo de quatro anos.
Para saber mais sobre as ações do INPI acesse o site www.inpi.gov.br.
Fonte:Gestão C&T Nº 1005
Data: 28/01/2010
Colaboradores podem enviar contribuições para a Revista Brasileira de Pós-Graduação
As colaborações para as seções Estudos, Debates e Experiências da Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) podem ser enviadas para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até o dia 30 de abril, para o e-mail rbpg@capes.gov.br.
A RBPG publica contribuições inéditas de autores brasileiros e estrangeiros em forma de estudos e pesquisas de caráter acadêmico-científico (estudos), opiniões (debates) e experiências inovadoras (experiências) relativos à educação superior, ciência e tecnologia e cooperação internacional que tenham como foco a pós-graduação, seus programas e desafios.
A publicação é disponibilizada para todas as bibliotecas e vários centros de informação do país e do exterior, além de se encontrar disponível no portal da Capes. De periodicidade trimestral, a revista já tratou de temas como política da pós-graduação, demandas da comunidade científica e ações das agências de fomento.
As normas de colaboração estão disponíveis neste link.
Fonte: Portal da Capes
Data de acesso: 28/01/2011
A RBPG publica contribuições inéditas de autores brasileiros e estrangeiros em forma de estudos e pesquisas de caráter acadêmico-científico (estudos), opiniões (debates) e experiências inovadoras (experiências) relativos à educação superior, ciência e tecnologia e cooperação internacional que tenham como foco a pós-graduação, seus programas e desafios.
A publicação é disponibilizada para todas as bibliotecas e vários centros de informação do país e do exterior, além de se encontrar disponível no portal da Capes. De periodicidade trimestral, a revista já tratou de temas como política da pós-graduação, demandas da comunidade científica e ações das agências de fomento.
As normas de colaboração estão disponíveis neste link.
Fonte: Portal da Capes
Data de acesso: 28/01/2011
Pré-vestibular na internet
Novo portal de educação a distância oferece conteúdo de qualidade para professores e alunos. Vídeo-aulas com soluções de provas de ingresso às universidades, comentadas e ensinadas, estão entre os destaques.
A página inicial do Descomplica: portal disponibiliza vasto material ao professor. (foto: reprodução)
O público-alvo: alunos do ensino médio e, sobretudo, do pré-vestibular. O conteúdo: provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de vestibular resolvidas e explicações didáticas. As disciplinas: biologia, história, geografia, física, química, matemática, português e redação.
O portal tem tudo para ser uma das maiores fontes de informação para a educação pré-vestibular
Onde: no Descomplica, nova página da internet voltada para educação a distância.
Em destaque estão as provas, resolvidas, de 2009 e 2010, do Enem e de ingresso a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal Fluminese (UFF).
Todas as questões são discutidas e ensinadas por professores competentes em uma espécie de vídeo-aula, não muito díspar dos telecursos clássicos, mas com uma diferença fundamental: tudo está na internet, de modo dinâmico e gratuito para o professor.
Para ter acesso ao conteúdo, ele precisa apenas se cadastrar e fazer uma solicitação pedindo gratuidade sob a alegação de ser um profissional da educação. Para os demais usuários, o serviço é cobrado por meio de uma taxa mensal.
O portal, que estreou no final do ano passado, abrirá, em breve, a possibilidade de qualquer professor enviar conteúdo explicativo de sua própria aula. Por ora, os vídeos são feitos por uma equipe de 25 educadores.
O Alô, Professor 'visitou' três aulas. A observação é animadora: na seção de história, uma eloquente explicação sobre o fim do bipartidarismo no último ciclo da ditadura militar; na aula de física, uma questão de vestibular sobre cinemática é rapidamente resolvida, de modo bem didático e, por fim, na lição de matemática, uma interessante explanação sobre a funcionalidade dos logaritmos no cotidiano.
Se a base de dados do Descomplica continuar aumentando e se a produtora homônima que gerencia o conteúdo mantiver a proposta de sustentabilidade, colaborativismo e conteúdo aberto aos professores, o portal tem tudo para ser uma grande fonte de informação para a educação pré-vestibular. Torçamos.
Thiago Camelo
Fonte: Ciência Hoje On-line
Data do acesso: 28/01/2011
A página inicial do Descomplica: portal disponibiliza vasto material ao professor. (foto: reprodução)
O público-alvo: alunos do ensino médio e, sobretudo, do pré-vestibular. O conteúdo: provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de vestibular resolvidas e explicações didáticas. As disciplinas: biologia, história, geografia, física, química, matemática, português e redação.
O portal tem tudo para ser uma das maiores fontes de informação para a educação pré-vestibular
Onde: no Descomplica, nova página da internet voltada para educação a distância.
Em destaque estão as provas, resolvidas, de 2009 e 2010, do Enem e de ingresso a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal Fluminese (UFF).
Todas as questões são discutidas e ensinadas por professores competentes em uma espécie de vídeo-aula, não muito díspar dos telecursos clássicos, mas com uma diferença fundamental: tudo está na internet, de modo dinâmico e gratuito para o professor.
Para ter acesso ao conteúdo, ele precisa apenas se cadastrar e fazer uma solicitação pedindo gratuidade sob a alegação de ser um profissional da educação. Para os demais usuários, o serviço é cobrado por meio de uma taxa mensal.
O portal, que estreou no final do ano passado, abrirá, em breve, a possibilidade de qualquer professor enviar conteúdo explicativo de sua própria aula. Por ora, os vídeos são feitos por uma equipe de 25 educadores.
O Alô, Professor 'visitou' três aulas. A observação é animadora: na seção de história, uma eloquente explicação sobre o fim do bipartidarismo no último ciclo da ditadura militar; na aula de física, uma questão de vestibular sobre cinemática é rapidamente resolvida, de modo bem didático e, por fim, na lição de matemática, uma interessante explanação sobre a funcionalidade dos logaritmos no cotidiano.
Se a base de dados do Descomplica continuar aumentando e se a produtora homônima que gerencia o conteúdo mantiver a proposta de sustentabilidade, colaborativismo e conteúdo aberto aos professores, o portal tem tudo para ser uma grande fonte de informação para a educação pré-vestibular. Torçamos.
Thiago Camelo
Fonte: Ciência Hoje On-line
Data do acesso: 28/01/2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Andifes quer maior envolvimento das universidades federais com as políticas públicas
Segundo Edward Madureira Brasil, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), uma das metas principais da entidade para 2011 é acompanhar e debater o Plano Nacional de Educação
Em entrevista ao Portal da Andifes, o presidente da entidade e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, apresenta as metas para 2011, ressalta a importância do Programa Reuni e alerta sobre a necessidade de recomposição dos quadros de técnicos-administrativos.
Ele ressalta que é preciso aumentar o envolvimento das Ifes com a formulação de políticas públicas de interesse do país.
"As universidades federais, por meio da Andifes, podem colaborar com políticas públicas, naturalmente na educação, mas também na saúde, na agricultura, no transporte, na produção de energia, na cadeia de petróleo e gás, em inúmeras áreas", afirma.
Leia a entrevista
Fonte: Portal da Andifes
Data: 27/01/2011
Em entrevista ao Portal da Andifes, o presidente da entidade e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, apresenta as metas para 2011, ressalta a importância do Programa Reuni e alerta sobre a necessidade de recomposição dos quadros de técnicos-administrativos.
Ele ressalta que é preciso aumentar o envolvimento das Ifes com a formulação de políticas públicas de interesse do país.
"As universidades federais, por meio da Andifes, podem colaborar com políticas públicas, naturalmente na educação, mas também na saúde, na agricultura, no transporte, na produção de energia, na cadeia de petróleo e gás, em inúmeras áreas", afirma.
Leia a entrevista
Fonte: Portal da Andifes
Data: 27/01/2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Livros para todos
Novo presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, que também será responsável pela gestão de políticas de leitura, pretende estimular a produção de obras mais baratas e sonha com livrarias populares
Fazer do livro um artigo acessível a todos é a grande meta do jornalista e escritor Galeno Amorim. Confirmado na última sexta-feira como novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Amorim vai administrar a distribuição de obras para seis mil unidades públicas gerenciadas por prefeituras, além de traçar os rumos da oitava maior biblioteca do mundo em acervo.
Ex-secretário de Cultura de Ribeirão Preto e com passagens pelo governo Lula, inclusive na FBN, ele foi incumbido pela ministra Ana de Hollanda de preparar o terreno para a criação do Instituto Nacional de Livro e Leitura. Para isso, num primeiro momento ele vai acumular a gestão dos acervos das bibliotecas com as elaborações de políticas públicas para o setor.
Entre suas metas, Amorim pretende criar um mecanismo de incentivo para que as editoras apostem em livros populares, mais baratos, a fim de alcançar os consumidores das classes C, D e E.
Em entrevista ao Globo, ele expôs sua visão sobre direito autoral e acesso à leitura, e disse imaginar uma livraria popular nos moldes das farmácias populares.
- Quais serão as prioridades de sua gestão à frente da Biblioteca Nacional?
Eu gostaria de acelerar o processo de inserção da Biblioteca Nacional no cenário brasileiro e também no cenário internacional. E, em outra ponta, gostaria de fortalecer o Plano Nacional do Livro e Leitura, de forma a ampliar o acesso ao livro e aumentar o índice de leitura no Brasil, que hoje é de 4,7 obras lidas por habitante por ano.
- Como ampliar esse acesso?
É possível buscar com o setor privado a criação de um livro popular. Seria um livro mais barato, sobretudo para esse novo leitor que vem das classes C, D e E. A principal forma de acesso ao livro é via biblioteca pública. Mas, ao mesmo tempo, é preciso criar condições para as pessoas poderem comprar um livro mais barato. Isso é importante para o leitor, que aumenta suas possibilidades; para as editoras, que recuperam produtos fora de catálogo e podem criar subprodutos; para o autor, que pode ampliar a quantidade de exemplares; e também para as livrarias, que podem oferecer um produto diferenciado. Pode, por exemplo, haver uma livraria popular, como são as farmácias populares.
- Mas isso seria feito através de subsídios do governo?
Não necessariamente. Eu fiz uma consulta informal a entidades do livro. A ideia é desenvolver uma ação para que os editores percebam que existe a perspectiva de venda. Algumas empresas que atuam em outro segmento, como a Avon no caso da venda de porta em porta, conseguem fazer com que um livro que sairia por R$ 40 na livraria chegue ao consumidor por um preço três ou quatro vezes menor, justamente porque a editora tem a certeza de que o livro será escoado. Além disso, o governo pode muito bem dar uma garantia de que vai adquirir uma parte dos livros para ser distribuída a bibliotecas públicas.
- Num primeiro momento, haverá alguma mudança no gerenciamento da Biblioteca Nacional?
A Biblioteca Nacional terá toda a responsabilidade pela política pública do livro e da leitura no Brasil. Hoje, existe uma Diretoria de Livro, Leitura e Literatura e também existe o Plano Nacional de Livro e Leitura. Ambos devem vir para a Biblioteca Nacional, e eu terei a responsabilidade de preparar a criação do Instituto Brasileiro de Livro e Leitura. Esse instituto será o responsável pela gestão das políticas públicas da área, e, quando isso acontecer, a Biblioteca Nacional vai se dedicar exclusivamente para a Biblioteca Nacional.
- Esse instituto terá o mesmo conceito do Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram?
Exatamente, será o Ibram do livro e da leitura. Ainda não consigo estabelecer um prazo, mas é a grande demanda do povo do livro.
- O senhor chegou a trabalhar na Biblioteca Nacional no governo Lula. Quais foram os principais avanços na época?
Eu fui coordenador geral de livro e leitura da Biblioteca Nacional. Fui para lá em 2004, para formular um programa em que todos os municípios brasileiros tivessem sua biblioteca. Na época, o orçamento para a área era em torno de R$ 6 milhões. No ano seguinte, eu articulei com o senador Tião Viana, e ele apresentou uma emenda que aumentou os recursos para R$ 26 milhões, que nos ajudaram a criar as condições para zerar o número de cidades no Brasil sem bibliotecas.
- Quanto falta para se alcançar essa meta?
Falta pouco. No último levantamento, faltavam poucas dezenas, e apenas em municípios para os quais o MinC oferecia o kit com o acervo básico e o computador, mas as prefeituras ainda não tinham feito a instalação. Isso acabou motivando que o ministério suspendesse, em dezembro, o repasse de recursos para prefeituras que não instalaram suas bibliotecas.
- É claro que é importante que se tenha bibliotecas em cada município, mas isso não garante a leitura. Como fazer com que a sociedade e a biblioteca se encontrem?
O Plano Nacional do Livro e Leitura foi criado em 2006 como resposta para esse questionamento. São quatro eixos: a democratização ao acesso; a formação de mediadores de leitura como bibliotecários e professores; a valorização da leitura no imaginário coletivo, através de campanhas ou inserção de situações de leitura em programas de TV; e a economia do livro, com programas que incentivem pequenas editoras e pequenas livrarias, entre outros fatores. Quando você põe os quatro eixos em funcionamento, você estimula as pessoas a lerem.
- Discute-se muito a possibilidade de uma nova Lei do Direito Autoral. O tema mobilizou o último governo, mas a ministra disse que vai reavaliar o projeto. Como o senhor enxerga a questão?
Uma coisa é consenso: é importante que as legislações sejam sempre atualizadas à luz dos novos tempos. A ministra tem se posicionado de forma prudente, mostrando-se aberta a ouvir as várias partes envolvidas. E de uma forma muito serena, ela já sinalizou que vai apreciar essas várias argumentações. E eu me alinho completamente com essa visão. Todos nós temos conhecimento da necessidade de se promover avanços. O material que os criadores produzem tem o valor de seu esforço e dedicação, e isso precisa ser respeitado, e por outro lado os leitores precisam ter algum direito de ter acesso a essa produção acumulada pela sociedade.
(André Miranda)
(O Globo, 24/1)
Fonte: JC e-mail 4184
Data: 24/01/2010
Fazer do livro um artigo acessível a todos é a grande meta do jornalista e escritor Galeno Amorim. Confirmado na última sexta-feira como novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Amorim vai administrar a distribuição de obras para seis mil unidades públicas gerenciadas por prefeituras, além de traçar os rumos da oitava maior biblioteca do mundo em acervo.
Ex-secretário de Cultura de Ribeirão Preto e com passagens pelo governo Lula, inclusive na FBN, ele foi incumbido pela ministra Ana de Hollanda de preparar o terreno para a criação do Instituto Nacional de Livro e Leitura. Para isso, num primeiro momento ele vai acumular a gestão dos acervos das bibliotecas com as elaborações de políticas públicas para o setor.
Entre suas metas, Amorim pretende criar um mecanismo de incentivo para que as editoras apostem em livros populares, mais baratos, a fim de alcançar os consumidores das classes C, D e E.
Em entrevista ao Globo, ele expôs sua visão sobre direito autoral e acesso à leitura, e disse imaginar uma livraria popular nos moldes das farmácias populares.
- Quais serão as prioridades de sua gestão à frente da Biblioteca Nacional?
Eu gostaria de acelerar o processo de inserção da Biblioteca Nacional no cenário brasileiro e também no cenário internacional. E, em outra ponta, gostaria de fortalecer o Plano Nacional do Livro e Leitura, de forma a ampliar o acesso ao livro e aumentar o índice de leitura no Brasil, que hoje é de 4,7 obras lidas por habitante por ano.
- Como ampliar esse acesso?
É possível buscar com o setor privado a criação de um livro popular. Seria um livro mais barato, sobretudo para esse novo leitor que vem das classes C, D e E. A principal forma de acesso ao livro é via biblioteca pública. Mas, ao mesmo tempo, é preciso criar condições para as pessoas poderem comprar um livro mais barato. Isso é importante para o leitor, que aumenta suas possibilidades; para as editoras, que recuperam produtos fora de catálogo e podem criar subprodutos; para o autor, que pode ampliar a quantidade de exemplares; e também para as livrarias, que podem oferecer um produto diferenciado. Pode, por exemplo, haver uma livraria popular, como são as farmácias populares.
- Mas isso seria feito através de subsídios do governo?
Não necessariamente. Eu fiz uma consulta informal a entidades do livro. A ideia é desenvolver uma ação para que os editores percebam que existe a perspectiva de venda. Algumas empresas que atuam em outro segmento, como a Avon no caso da venda de porta em porta, conseguem fazer com que um livro que sairia por R$ 40 na livraria chegue ao consumidor por um preço três ou quatro vezes menor, justamente porque a editora tem a certeza de que o livro será escoado. Além disso, o governo pode muito bem dar uma garantia de que vai adquirir uma parte dos livros para ser distribuída a bibliotecas públicas.
- Num primeiro momento, haverá alguma mudança no gerenciamento da Biblioteca Nacional?
A Biblioteca Nacional terá toda a responsabilidade pela política pública do livro e da leitura no Brasil. Hoje, existe uma Diretoria de Livro, Leitura e Literatura e também existe o Plano Nacional de Livro e Leitura. Ambos devem vir para a Biblioteca Nacional, e eu terei a responsabilidade de preparar a criação do Instituto Brasileiro de Livro e Leitura. Esse instituto será o responsável pela gestão das políticas públicas da área, e, quando isso acontecer, a Biblioteca Nacional vai se dedicar exclusivamente para a Biblioteca Nacional.
- Esse instituto terá o mesmo conceito do Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram?
Exatamente, será o Ibram do livro e da leitura. Ainda não consigo estabelecer um prazo, mas é a grande demanda do povo do livro.
- O senhor chegou a trabalhar na Biblioteca Nacional no governo Lula. Quais foram os principais avanços na época?
Eu fui coordenador geral de livro e leitura da Biblioteca Nacional. Fui para lá em 2004, para formular um programa em que todos os municípios brasileiros tivessem sua biblioteca. Na época, o orçamento para a área era em torno de R$ 6 milhões. No ano seguinte, eu articulei com o senador Tião Viana, e ele apresentou uma emenda que aumentou os recursos para R$ 26 milhões, que nos ajudaram a criar as condições para zerar o número de cidades no Brasil sem bibliotecas.
- Quanto falta para se alcançar essa meta?
Falta pouco. No último levantamento, faltavam poucas dezenas, e apenas em municípios para os quais o MinC oferecia o kit com o acervo básico e o computador, mas as prefeituras ainda não tinham feito a instalação. Isso acabou motivando que o ministério suspendesse, em dezembro, o repasse de recursos para prefeituras que não instalaram suas bibliotecas.
- É claro que é importante que se tenha bibliotecas em cada município, mas isso não garante a leitura. Como fazer com que a sociedade e a biblioteca se encontrem?
O Plano Nacional do Livro e Leitura foi criado em 2006 como resposta para esse questionamento. São quatro eixos: a democratização ao acesso; a formação de mediadores de leitura como bibliotecários e professores; a valorização da leitura no imaginário coletivo, através de campanhas ou inserção de situações de leitura em programas de TV; e a economia do livro, com programas que incentivem pequenas editoras e pequenas livrarias, entre outros fatores. Quando você põe os quatro eixos em funcionamento, você estimula as pessoas a lerem.
- Discute-se muito a possibilidade de uma nova Lei do Direito Autoral. O tema mobilizou o último governo, mas a ministra disse que vai reavaliar o projeto. Como o senhor enxerga a questão?
Uma coisa é consenso: é importante que as legislações sejam sempre atualizadas à luz dos novos tempos. A ministra tem se posicionado de forma prudente, mostrando-se aberta a ouvir as várias partes envolvidas. E de uma forma muito serena, ela já sinalizou que vai apreciar essas várias argumentações. E eu me alinho completamente com essa visão. Todos nós temos conhecimento da necessidade de se promover avanços. O material que os criadores produzem tem o valor de seu esforço e dedicação, e isso precisa ser respeitado, e por outro lado os leitores precisam ter algum direito de ter acesso a essa produção acumulada pela sociedade.
(André Miranda)
(O Globo, 24/1)
Fonte: JC e-mail 4184
Data: 24/01/2010
O Arquivo (vivo?) da Nação
artigo de José Maria Jardim
"É um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério"
José Maria Jardim é professor da Escola de Arquivologia da Unirio. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
No Brasil, a idéia de arquivo é associada, com muita frequência, a de arquivo morto. A expressão "virou arquivo" designa as pessoas que, por alguma razão, foram silenciadas por seus assassinos. "Arquivo" e "morte" são termos associados por grande parte da sociedade brasileira, especialmente aquela que mais sofre com a falta de informações relevantes para o exercício dos seus direitos. "Arquivos" têm sido "mortos" sistematicamente ao longo da história do Brasil, especialmente no e pelo Estado brasileiro.
O reencontro com a democracia nos anos 1980, trouxe um sopro de vitalidade inédita para nossos arquivos públicos, órgãos tradicionalmente "mortos" na estrutura da nossa administração pública. Afinal, sem arquivos plenos de vitalidade, dinâmicos e facilmente acessíveis pela sociedade, como o Estado pode ser transparente? E sem transparência do Estado, qual democracia almejamos construir e ampliar?
Os arquivos públicos são territórios do Estado a serviço da sociedade, da democratização da informação governamental e do exercício do direito do cidadão à informação e à memória. Seu papel como infraestrutura para a transparência da administração pública é imprescindível para que a sociedade controle a atuação do Estado e do governo.
Os arquivos públicos não são apenas um depósito de documentos. São instituições com múltiplas facetas: cultural, científica, administrativa, etc. É agência de transparência do Estado e território de construção da memória coletiva e, ao mesmo tempo, infraestrutura para a produção de conhecimento científico.
Os arquivos públicos dos governos mais avançados em termos de transparência e interação social são infraestruturas governamentais de informação para o Estado e a sociedade. Trata-se de órgãos supraministeriais com múltiplas funções de apoio à gestão pública e à produção de conhecimento científico e tecnológico. São territórios da memória coletiva, cultura e cidadania.
Não por acaso, o primeiro Arquivo Nacional criado foi o da França, em 1790, logo após a Revolução Francesa. A ideia de organização e, sobretudo, de publicidade dos documentos do governo por um tipo de instituição até então inexistente tem suas bases na construção do novo regime. Esse é um marco da história dos arquivos e da Arquivologia. O arquivo público é neste momento instrumento da administração do Estado.
Ao longo do século XIX, a formação dos Estados Nacionais traz em seu bojo a construção de identidades nacionais para as quais é imprescindível uma "memória nacional". Os arquivos públicos passam também à condição de depositários e construtores dessa memória nacional. São, nesse momento, território da História.
A criação do Arquivo Público do Império brasileiro estava prevista na Constituição de 1824, mas a fundação só ocorreu em 1838, aliás o mesmo ano de criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
Como chama atenção a historiadora Célia Costa, autora da tese de doutorado intitulada "Memória e administração: o Arquivo Público do Império e a consolidação do Estado brasileiro", o acesso aos documentos no Arquivo Público do Império era garantido estritamente ao governo ou usuários que fossem indicados pelo imperador.
Ao contrário dos arquivos nacionais europeus, a historiadora nos lembra que o Arquivo Público do Império caracterizou-se muito mais como espaço do segredo do Estado, perspectiva procedente do período colonial, do que como um órgão envolvido nos processos de construção da história nacional.
O nome "Arquivo Nacional" só foi adotado em 1911. Ao longo da República, o Arquivo Nacional, como os demais arquivos públicos do país, sobreviveram na periferia do Estado. Eram voltados quase exclusivamente para a guarda e acesso de documentos considerados, sem parâmetros científicos, como de "valor histórico", ignorando-se a produção documental que resultava de um Estado com funções cada vez mais amplas.
Neste cenário, os documentos eram acumulados ou eliminados - quase sempre sem critérios científicos - nos serviços arquivísticos do Estado. Tal ocorreu - e ainda ocorre em vários setores do Estado brasileiro - em função da inexistência de políticas públicas arquivísticas.
A ruptura da visão de arquivo público como apenas um depósito de documentos e a adoção de um novo modelo de gestão envolvendo todo o ciclo documental, desde a produção até a eliminação ou guarda permanente, só ocorrerá, em diversos países, após a década de 50 do século passado.
No Brasil, a Lei 8.159 de 8 de janeiro de 1991 garante o marco legal para essa concepção, incluindo também os arquivos estaduais e municipais. Além de suas atribuições em relação aos documentos federais, o Arquivo Nacional deve ainda implementar a política nacional de arquivos, a ser definida pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Esse Conselho, subordinado ao Arquivo Nacional, é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos.
O Arquivo Nacional teve grande protagonismo nesse processo, a partir dos anos 80 e 90, influenciando arquivos estaduais e municipais. No entanto, de modo geral, nossos arquivos públicos permanecem periféricos no Estado e pouco visíveis à sociedade. Ainda se caracterizam mais como reserva de opacidade do que de transparência.
Não se altera uma cultura de opacidade do Estado em apenas três décadas. A maior parte dos nossos arquivos públicos segue socialmente pouco visível. Na Europa e Estados Unidos, a abertura crescente dos arquivos a um uso social mais amplo ganha terreno após a II Guerra Mundial.
Procura-se cada vez mais superar a ideia dos arquivos como espaços acessíveis apenas a eruditos e cientistas. Por outro lado, as crescentes demandas sociais pelo direito à informação colocam os arquivos no epicentro das políticas públicas de transparência. A democratização do acesso aos arquivos tende a ser cada vez maior e diversificada, mesmo nas sociedades cujo regime democrático já se encontra mais consolidado.
As demandas sociais pelos arquivos se ampliam e mudam com o uso crescente das tecnologias da informação e comunicação. Novas fronteiras vêm sendo conquistadas pelos arquivos, ampliando-se a sua interatividade com a sociedade mediante programas de difusão via web, incluindo, mais recentemente, o uso cada vez maior das redes sociais.
Essa perspectiva tem orientado os caminhos do Arquivo Nacional do Brasil desde a década de 80. Talvez poucas instituições públicas brasileiras tenham passado por um processo de modernização tão intenso e em tão pouco tempo, influenciando ações semelhantes nos planos estadual e municipal.
Esse "dever de casa" encontrava limites no fato do Arquivo Nacional ser subordinado, há décadas, ao Ministério da Justiça. Ao ser vinculado à Casa Civil da Presidência da República, em 2000, o Arquivo Nacional adquiriu melhores condições - especialmente políticas e orçamentárias - para avançar num novo modelo de gestão das informações governamentais. Beneficiou-se diretamente desse novo cenário o Conselho Nacional de Arquivos, subordinado ao Arquivo Nacional, responsável pela política nacional de arquivos.
Neste sentido, é um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério, dada a abrangência de atuação da instituição em todo Executivo Federal.
Esse novo destino institucional provavelmente comprometerá frontalmente a dimensão nacional do Conselho Nacional de Arquivos. Setores diversos da sociedade brasileira, representantes do mundo acadêmico e de associações profissionais, vêm expressando seu descontentamento face a essa decisão.
Ainda que fosse mantido na Presidência da República, seriam muitos os desafios a serem enfrentados pelo principal arquivo público do país para atuar plenamente na gestão das informações governamentais e torná-las acessíveis à sociedade brasileira. A política nacional de arquivos ainda está por se definir. O Sistema Nacional de Arquivos não foi operacionalizado. O Arquivo Nacional encontra-se distante do que pode e deve vir a ser, embora tenha acumulado suficiente vitalidade para deixar de ser um "arquivo histórico" do século XIX e projetar-se como um centro de informações governamentais do século XXI.
Ao ser excluído da Presidência da República e inserido no Ministério da Justiça, o Arquivo Nacional protagonizará, uma vez mais, o velho e ainda insuperado drama brasileiro de periferização dos arquivos do Estado e sua inevitável invisibilidade social. O Arquivo Nacional provavelmente não morrerá porque, de alguma forma, aprendeu a sobreviver perifericamente ao longo da sua história, mas certamente será um órgão aquém de suas transformações recentes, de suas atribuições legais e da democracia que buscamos.
Fonte: JC e-mail 4183
Data: 21/01/2011
"É um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério"
José Maria Jardim é professor da Escola de Arquivologia da Unirio. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
No Brasil, a idéia de arquivo é associada, com muita frequência, a de arquivo morto. A expressão "virou arquivo" designa as pessoas que, por alguma razão, foram silenciadas por seus assassinos. "Arquivo" e "morte" são termos associados por grande parte da sociedade brasileira, especialmente aquela que mais sofre com a falta de informações relevantes para o exercício dos seus direitos. "Arquivos" têm sido "mortos" sistematicamente ao longo da história do Brasil, especialmente no e pelo Estado brasileiro.
O reencontro com a democracia nos anos 1980, trouxe um sopro de vitalidade inédita para nossos arquivos públicos, órgãos tradicionalmente "mortos" na estrutura da nossa administração pública. Afinal, sem arquivos plenos de vitalidade, dinâmicos e facilmente acessíveis pela sociedade, como o Estado pode ser transparente? E sem transparência do Estado, qual democracia almejamos construir e ampliar?
Os arquivos públicos são territórios do Estado a serviço da sociedade, da democratização da informação governamental e do exercício do direito do cidadão à informação e à memória. Seu papel como infraestrutura para a transparência da administração pública é imprescindível para que a sociedade controle a atuação do Estado e do governo.
Os arquivos públicos não são apenas um depósito de documentos. São instituições com múltiplas facetas: cultural, científica, administrativa, etc. É agência de transparência do Estado e território de construção da memória coletiva e, ao mesmo tempo, infraestrutura para a produção de conhecimento científico.
Os arquivos públicos dos governos mais avançados em termos de transparência e interação social são infraestruturas governamentais de informação para o Estado e a sociedade. Trata-se de órgãos supraministeriais com múltiplas funções de apoio à gestão pública e à produção de conhecimento científico e tecnológico. São territórios da memória coletiva, cultura e cidadania.
Não por acaso, o primeiro Arquivo Nacional criado foi o da França, em 1790, logo após a Revolução Francesa. A ideia de organização e, sobretudo, de publicidade dos documentos do governo por um tipo de instituição até então inexistente tem suas bases na construção do novo regime. Esse é um marco da história dos arquivos e da Arquivologia. O arquivo público é neste momento instrumento da administração do Estado.
Ao longo do século XIX, a formação dos Estados Nacionais traz em seu bojo a construção de identidades nacionais para as quais é imprescindível uma "memória nacional". Os arquivos públicos passam também à condição de depositários e construtores dessa memória nacional. São, nesse momento, território da História.
A criação do Arquivo Público do Império brasileiro estava prevista na Constituição de 1824, mas a fundação só ocorreu em 1838, aliás o mesmo ano de criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
Como chama atenção a historiadora Célia Costa, autora da tese de doutorado intitulada "Memória e administração: o Arquivo Público do Império e a consolidação do Estado brasileiro", o acesso aos documentos no Arquivo Público do Império era garantido estritamente ao governo ou usuários que fossem indicados pelo imperador.
Ao contrário dos arquivos nacionais europeus, a historiadora nos lembra que o Arquivo Público do Império caracterizou-se muito mais como espaço do segredo do Estado, perspectiva procedente do período colonial, do que como um órgão envolvido nos processos de construção da história nacional.
O nome "Arquivo Nacional" só foi adotado em 1911. Ao longo da República, o Arquivo Nacional, como os demais arquivos públicos do país, sobreviveram na periferia do Estado. Eram voltados quase exclusivamente para a guarda e acesso de documentos considerados, sem parâmetros científicos, como de "valor histórico", ignorando-se a produção documental que resultava de um Estado com funções cada vez mais amplas.
Neste cenário, os documentos eram acumulados ou eliminados - quase sempre sem critérios científicos - nos serviços arquivísticos do Estado. Tal ocorreu - e ainda ocorre em vários setores do Estado brasileiro - em função da inexistência de políticas públicas arquivísticas.
A ruptura da visão de arquivo público como apenas um depósito de documentos e a adoção de um novo modelo de gestão envolvendo todo o ciclo documental, desde a produção até a eliminação ou guarda permanente, só ocorrerá, em diversos países, após a década de 50 do século passado.
No Brasil, a Lei 8.159 de 8 de janeiro de 1991 garante o marco legal para essa concepção, incluindo também os arquivos estaduais e municipais. Além de suas atribuições em relação aos documentos federais, o Arquivo Nacional deve ainda implementar a política nacional de arquivos, a ser definida pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Esse Conselho, subordinado ao Arquivo Nacional, é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos.
O Arquivo Nacional teve grande protagonismo nesse processo, a partir dos anos 80 e 90, influenciando arquivos estaduais e municipais. No entanto, de modo geral, nossos arquivos públicos permanecem periféricos no Estado e pouco visíveis à sociedade. Ainda se caracterizam mais como reserva de opacidade do que de transparência.
Não se altera uma cultura de opacidade do Estado em apenas três décadas. A maior parte dos nossos arquivos públicos segue socialmente pouco visível. Na Europa e Estados Unidos, a abertura crescente dos arquivos a um uso social mais amplo ganha terreno após a II Guerra Mundial.
Procura-se cada vez mais superar a ideia dos arquivos como espaços acessíveis apenas a eruditos e cientistas. Por outro lado, as crescentes demandas sociais pelo direito à informação colocam os arquivos no epicentro das políticas públicas de transparência. A democratização do acesso aos arquivos tende a ser cada vez maior e diversificada, mesmo nas sociedades cujo regime democrático já se encontra mais consolidado.
As demandas sociais pelos arquivos se ampliam e mudam com o uso crescente das tecnologias da informação e comunicação. Novas fronteiras vêm sendo conquistadas pelos arquivos, ampliando-se a sua interatividade com a sociedade mediante programas de difusão via web, incluindo, mais recentemente, o uso cada vez maior das redes sociais.
Essa perspectiva tem orientado os caminhos do Arquivo Nacional do Brasil desde a década de 80. Talvez poucas instituições públicas brasileiras tenham passado por um processo de modernização tão intenso e em tão pouco tempo, influenciando ações semelhantes nos planos estadual e municipal.
Esse "dever de casa" encontrava limites no fato do Arquivo Nacional ser subordinado, há décadas, ao Ministério da Justiça. Ao ser vinculado à Casa Civil da Presidência da República, em 2000, o Arquivo Nacional adquiriu melhores condições - especialmente políticas e orçamentárias - para avançar num novo modelo de gestão das informações governamentais. Beneficiou-se diretamente desse novo cenário o Conselho Nacional de Arquivos, subordinado ao Arquivo Nacional, responsável pela política nacional de arquivos.
Neste sentido, é um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério, dada a abrangência de atuação da instituição em todo Executivo Federal.
Esse novo destino institucional provavelmente comprometerá frontalmente a dimensão nacional do Conselho Nacional de Arquivos. Setores diversos da sociedade brasileira, representantes do mundo acadêmico e de associações profissionais, vêm expressando seu descontentamento face a essa decisão.
Ainda que fosse mantido na Presidência da República, seriam muitos os desafios a serem enfrentados pelo principal arquivo público do país para atuar plenamente na gestão das informações governamentais e torná-las acessíveis à sociedade brasileira. A política nacional de arquivos ainda está por se definir. O Sistema Nacional de Arquivos não foi operacionalizado. O Arquivo Nacional encontra-se distante do que pode e deve vir a ser, embora tenha acumulado suficiente vitalidade para deixar de ser um "arquivo histórico" do século XIX e projetar-se como um centro de informações governamentais do século XXI.
Ao ser excluído da Presidência da República e inserido no Ministério da Justiça, o Arquivo Nacional protagonizará, uma vez mais, o velho e ainda insuperado drama brasileiro de periferização dos arquivos do Estado e sua inevitável invisibilidade social. O Arquivo Nacional provavelmente não morrerá porque, de alguma forma, aprendeu a sobreviver perifericamente ao longo da sua história, mas certamente será um órgão aquém de suas transformações recentes, de suas atribuições legais e da democracia que buscamos.
Fonte: JC e-mail 4183
Data: 21/01/2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Auxílio do espaço
O International Charter Space and Major Disasters, que distribui dados orbitais para auxiliar países afetados por desastres naturais, fornecerá ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) imagens e informações de satélites que poderão ser utilizadas nos trabalhos de recuperação e prevenção na região serrana do Rio de Janeiro.
As imagens serão entregues à Defesa Civil, usuária autorizada no Brasil. A aquisição e liberação gratuita de dados espaciais pelo International Charter ocorrem em situações de emergências.
“Diferentemente do que ocorre no Inpe, que distribuiu a qualquer tempo e sem custo algum seus dados a todo usuário, o International Charter reúne agências que normalmente comercializam suas imagens e produtos de sensores ópticos e de radar. Portanto, essas imagens do Charter somente poderão ser utilizadas pelos destinatários diretos envolvidos nos desastres e para os fins específicos nas missões de auxílio”, disse o chefe da divisão de geração de imagens do Inpe, Ivan Márcio Barbosa.
Desde 2000, quando foi criado, o International Charter Space and Major Disasters beneficiou aproximadamente uma centena de países, em cerca de 300 episódios como terremotos, furacões, ciclones, inundações e incêndios, entre outros.
Em 2010 o Brasil passou a fazer parte do International Charter. A partir do lançamento do CBERS 3, em 2012, o Brasil poderá ser também um ativo fornecedor de dados de satélites para essas ocasiões de calamidade.
Além do Brasil, por meio do Inpe, integram o International Charter para fornecimento de dados instituições e agências espaciais do Canadá, França, Japão, Argentina, China, Índia, Inglaterra e Estados Unidos.
Diante de um desastre, tão logo o International Charter seja acionado, os membros se mobilizam na aquisição prioritária de dados de satélite com foco na região atingida. Há um esforço concentrado para geração de produtos que possam auxiliar as autoridades e agentes locais, como a Defesa Civil.
Enchentes no Peru e na Bolívia, um ciclone nas ilhas do Pacífico, o terremoto no Chile, a erupção vulcânica na Islândia e o derrame de petróleo do Golfo do México estão entre os episódios que contaram com o auxílio do International Charter, como ocorrerá agora nos deslizamentos e inundações no Rio do Janeiro.
Além de acionar o International Charter, a Coordenação de Observação da Terra do Inpe está adquirindo imagens de outros satélites das regiões atingidas pelas chuvas. Esses dados poderão ser utilizados sem custo por órgãos de Defesa Civil e, também, pelos pesquisadores do instituto.
Mais informações: www.disasterscharter.org
Fonte: Agência Fapesp
Data: 21/01/2011
Portal Governo Aberto SP é lançado
O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançou em 18 de janeiro, durante visita à 4ª edição do Campus Party Brasil, o Portal Governo Aberto SP.
A iniciativa tem o objetivo de disponibilizar em um único portal as bases de dados governamentais públicas.
“O portal proporcionará uma maior interação com o cidadão, com as empresas e também com o terceiro setor, que poderão usar as informações dos diversos órgãos da administração estadual na geração de novas informações e aplicações”, disse Alckmin.
O portal contém três cadastros: bases de dados e informações; colaboradores; e produtos gerados.
Para obter cópia de uma base de dados e informações no portal, o interessado deverá concordar com as regras estabelecidas e comprometer-se em divulgar e cadastrar os respectivos produtos gerados, com uso da respectiva base de dados e informações.
Atualmente, o portal possui cerca de 37 bases de dados, que foram disponibilizadas pela Fundação Seade e são referentes à Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp); Relação de nomes, cargos e endereços do Governo do Estado de São Paulo (RNC); Informações dos Municípios Paulistas (IMP); Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (Paep); Projeções populacionais; Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED); Tabulação de Microdados; Registro Civil - Tabulação de Microdados; Informações eleitorais; Produto Interno Bruto (PIB trimestral); e Pesquisa de Condições de Vida (PCV).
O primeiro país a criar um portal de suas bases de dados foi os Estados Unidos, que iniciou em julho de 2009 com 47 bases e, após um ano, ultrapassava 200 mil bases, com vários produtos e subprodutos criados pela sociedade.
Em 2010, o Reino Unido também seguiu esse caminho, lançando o Data.gov, que une as bases de dados, os aplicativos desenvolvidos pela sociedade e as ideias da população. Outros países como Austrália, Canadá e Nova Zelândia também aderiram à iniciativa.
Mais informações: www.governoaberto.sp.gov.br
Fonte: Agência Fapesp
Data: 21/01/2011
A iniciativa tem o objetivo de disponibilizar em um único portal as bases de dados governamentais públicas.
“O portal proporcionará uma maior interação com o cidadão, com as empresas e também com o terceiro setor, que poderão usar as informações dos diversos órgãos da administração estadual na geração de novas informações e aplicações”, disse Alckmin.
O portal contém três cadastros: bases de dados e informações; colaboradores; e produtos gerados.
Para obter cópia de uma base de dados e informações no portal, o interessado deverá concordar com as regras estabelecidas e comprometer-se em divulgar e cadastrar os respectivos produtos gerados, com uso da respectiva base de dados e informações.
Atualmente, o portal possui cerca de 37 bases de dados, que foram disponibilizadas pela Fundação Seade e são referentes à Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp); Relação de nomes, cargos e endereços do Governo do Estado de São Paulo (RNC); Informações dos Municípios Paulistas (IMP); Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (Paep); Projeções populacionais; Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED); Tabulação de Microdados; Registro Civil - Tabulação de Microdados; Informações eleitorais; Produto Interno Bruto (PIB trimestral); e Pesquisa de Condições de Vida (PCV).
O primeiro país a criar um portal de suas bases de dados foi os Estados Unidos, que iniciou em julho de 2009 com 47 bases e, após um ano, ultrapassava 200 mil bases, com vários produtos e subprodutos criados pela sociedade.
Em 2010, o Reino Unido também seguiu esse caminho, lançando o Data.gov, que une as bases de dados, os aplicativos desenvolvidos pela sociedade e as ideias da população. Outros países como Austrália, Canadá e Nova Zelândia também aderiram à iniciativa.
Mais informações: www.governoaberto.sp.gov.br
Fonte: Agência Fapesp
Data: 21/01/2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Reabertura completa da Biblioteca Mário de Andrade acontece em 25 de janeiro
Depois de passar por reforma e modernização, a segunda maior biblioteca do país reabre completamente seu prédio principal celebrando a diversidade cultural de São Paulo com encontros temáticos e com show de Naná Vasconcelos na Praça Dom José Gaspar, que ganhará novo projeto paisagístico
No próximo dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo terá, além de seu aniversário de 457 anos, mais um motivo para celebrar. Nesta data será completamente reaberta a Biblioteca Mário de Andrade, segunda maior do país, que passou por modernização e restauro, tendo suas obras iniciadas em setembro de 2007. Ao todo, mais de 327 mil livros da coleção geral, dentre os quais 51 mil considerados raros ou especiais, estarão novamente à disposição para consultas. Além da biblioteca, a Praça Dom José Gaspar, onde ela está localizada, passou por uma revitalização e recebeu novo projeto paisagístico.
O Plano Integrado de Modernização e Restauro da Biblioteca Mário de Andrade, realizado ao custo de R$ 16,3 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, órgão ao qual a Biblioteca é vinculada.
A primeira etapa do plano foi concluída no primeiro semestre de 2010 e permitiu a reabertura da Circulante, em julho do mesmo ano. Entre julho e dezembro de 2010, a seção Circulante recebeu 89.540 pessoas e emprestou mais de 21 mil obras. No espaço da Circulante, encontram-se, além da coleção de 42.525 obras disponíveis para empréstimo, a coleção São Paulo, a coleção de Referência e uma amostra da Coleção ONU.
Inaugurada em 1926, a Biblioteca Mário de Andrade chegou a ocupar antes um edifício na rua 7 de abril. O atual prédio principal da biblioteca, para o qual ela se mudou em 1943, conta com 12.032 metros quadrados e foi projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon na década de 1930 ao estilo art déco. Seu tombamento pelo Conpresp (Conselho Municipal de Patrimônio Histórico) saiu em 1992.
As obras de modernização e restauro possibilitaram o recuperação da fachada, a impermeabilização das lajes da cobertura, a modernização das redes internas de infraestrutura lógica e elétrica, a readequação dos andares de armazenamento do acervo com mecanismos de proteção ambiental, a ampliação da área de armazenamento de coleções de obras raras e de artes; a construção de mezanino para a guarda do acervo da Circulante, com acesso independente; o restauro dos móveis originais; a redistribuição das áreas técnicas e administrativas, a implantação de soluções de acessibilidade universal e a reconstituição das três mais importantes salas da área de consulta: atualidades, artes, obras raras e coleção geral.
Entre fevereiro e julho de 2009, o acervo geral da Biblioteca Mário de Andrade, composto de 200 mil exemplares, passou por uma desinfestação inédita ao custo de R$ 700 mil, recursos oriundos do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura.
No dia 25, todos os espaços de atendimento da Biblioteca estarão em funcionamento, com horário excepcional, das 12h às 18h, e haverá uma intensa programação cultural que inclui visitas guiadas, lançamentos de livros e apresentações musicais, dentre as quais se destacam o Coral Paulistano e o Quarteto de Cordas do Teatro Municipal, ambos corpos artísticos do Teatro Municipal de São Paulo. Além disso, será relançado o livro “Memória Paulistana” organizado por Carlos Augusto Calil, com projeto gráfico de Emilie Chamie e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Revitalização da Praça Dom José Gaspar
A Praça Dom José Gaspar, que abriga a Biblioteca Mário de Andrade, recebeu novo paisagismo, como forma de acompanhar a revitalização da biblioteca. Com investimento de R$ 500.983,97, oriundos do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, foi executado o projeto elaborado pelo arquiteto André Graziano em toda a área da praça, que possui 2.915 metros quadrados.
O projeto de paisagismo foi idealizado com o intuito de permitir que os canteiros da praça possam ter vegetação ornamental, rústica e de baixo custo de conservação, mas que possam chamar a atenção das pessoas pela beleza de suas cores, texturas, formas e perfumes. Foram selecionadas 18 espécies de plantas, entre as quais, bromélias-imperiais, lambaris, bananas-bravas, entre outras. Ao todo, serão plantadas 25 mil mudas.
O projeto também contempla implantação de um deck de madeira como extensão da área de leitura externa da biblioteca; piso podátil para passeio, ideal para pessoas portadoras de deficiência visual e troca de toda a orla de concreto e do gradil da praça.
Para celebrar a inauguração das melhorias na praça, realizadas pela Secretaria Municipal de Cultura, a partir das 13h, o palco na Rua Bráulio Gomes, ao lado da Biblioteca, recebe Walter Franco e, logo em seguida, Naná Vasconcelos, o pianista Fabiano Araújo e o contrabaixista norueguês Arild Andersen que integram o projeto Rheomusi.
A programação especial de reabertura da biblioteca se estenderá pelos próximos meses e oferecerá como carro-chefe o ciclo “São Paulo: seus povos e suas músicas”, que celebrará a diversidade cultural da cidade de São Paulo por meio de encontros semanais que vão tratar dos diferentes grupos de imigrantes que compõem a cidade. Os encontros consistem de palestras de especialistas e apresentações musicais. A curadoria musical é da pesquisadora e intérprete Anna Maria Kieffer.
Confira a programação completa.
Fonte: Site da Prefeitura de SãoPaulo
Data: 13/01/2011
No próximo dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo terá, além de seu aniversário de 457 anos, mais um motivo para celebrar. Nesta data será completamente reaberta a Biblioteca Mário de Andrade, segunda maior do país, que passou por modernização e restauro, tendo suas obras iniciadas em setembro de 2007. Ao todo, mais de 327 mil livros da coleção geral, dentre os quais 51 mil considerados raros ou especiais, estarão novamente à disposição para consultas. Além da biblioteca, a Praça Dom José Gaspar, onde ela está localizada, passou por uma revitalização e recebeu novo projeto paisagístico.
O Plano Integrado de Modernização e Restauro da Biblioteca Mário de Andrade, realizado ao custo de R$ 16,3 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, órgão ao qual a Biblioteca é vinculada.
A primeira etapa do plano foi concluída no primeiro semestre de 2010 e permitiu a reabertura da Circulante, em julho do mesmo ano. Entre julho e dezembro de 2010, a seção Circulante recebeu 89.540 pessoas e emprestou mais de 21 mil obras. No espaço da Circulante, encontram-se, além da coleção de 42.525 obras disponíveis para empréstimo, a coleção São Paulo, a coleção de Referência e uma amostra da Coleção ONU.
Inaugurada em 1926, a Biblioteca Mário de Andrade chegou a ocupar antes um edifício na rua 7 de abril. O atual prédio principal da biblioteca, para o qual ela se mudou em 1943, conta com 12.032 metros quadrados e foi projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon na década de 1930 ao estilo art déco. Seu tombamento pelo Conpresp (Conselho Municipal de Patrimônio Histórico) saiu em 1992.
As obras de modernização e restauro possibilitaram o recuperação da fachada, a impermeabilização das lajes da cobertura, a modernização das redes internas de infraestrutura lógica e elétrica, a readequação dos andares de armazenamento do acervo com mecanismos de proteção ambiental, a ampliação da área de armazenamento de coleções de obras raras e de artes; a construção de mezanino para a guarda do acervo da Circulante, com acesso independente; o restauro dos móveis originais; a redistribuição das áreas técnicas e administrativas, a implantação de soluções de acessibilidade universal e a reconstituição das três mais importantes salas da área de consulta: atualidades, artes, obras raras e coleção geral.
Entre fevereiro e julho de 2009, o acervo geral da Biblioteca Mário de Andrade, composto de 200 mil exemplares, passou por uma desinfestação inédita ao custo de R$ 700 mil, recursos oriundos do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura.
No dia 25, todos os espaços de atendimento da Biblioteca estarão em funcionamento, com horário excepcional, das 12h às 18h, e haverá uma intensa programação cultural que inclui visitas guiadas, lançamentos de livros e apresentações musicais, dentre as quais se destacam o Coral Paulistano e o Quarteto de Cordas do Teatro Municipal, ambos corpos artísticos do Teatro Municipal de São Paulo. Além disso, será relançado o livro “Memória Paulistana” organizado por Carlos Augusto Calil, com projeto gráfico de Emilie Chamie e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Revitalização da Praça Dom José Gaspar
A Praça Dom José Gaspar, que abriga a Biblioteca Mário de Andrade, recebeu novo paisagismo, como forma de acompanhar a revitalização da biblioteca. Com investimento de R$ 500.983,97, oriundos do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, foi executado o projeto elaborado pelo arquiteto André Graziano em toda a área da praça, que possui 2.915 metros quadrados.
O projeto de paisagismo foi idealizado com o intuito de permitir que os canteiros da praça possam ter vegetação ornamental, rústica e de baixo custo de conservação, mas que possam chamar a atenção das pessoas pela beleza de suas cores, texturas, formas e perfumes. Foram selecionadas 18 espécies de plantas, entre as quais, bromélias-imperiais, lambaris, bananas-bravas, entre outras. Ao todo, serão plantadas 25 mil mudas.
O projeto também contempla implantação de um deck de madeira como extensão da área de leitura externa da biblioteca; piso podátil para passeio, ideal para pessoas portadoras de deficiência visual e troca de toda a orla de concreto e do gradil da praça.
Para celebrar a inauguração das melhorias na praça, realizadas pela Secretaria Municipal de Cultura, a partir das 13h, o palco na Rua Bráulio Gomes, ao lado da Biblioteca, recebe Walter Franco e, logo em seguida, Naná Vasconcelos, o pianista Fabiano Araújo e o contrabaixista norueguês Arild Andersen que integram o projeto Rheomusi.
A programação especial de reabertura da biblioteca se estenderá pelos próximos meses e oferecerá como carro-chefe o ciclo “São Paulo: seus povos e suas músicas”, que celebrará a diversidade cultural da cidade de São Paulo por meio de encontros semanais que vão tratar dos diferentes grupos de imigrantes que compõem a cidade. Os encontros consistem de palestras de especialistas e apresentações musicais. A curadoria musical é da pesquisadora e intérprete Anna Maria Kieffer.
Confira a programação completa.
Fonte: Site da Prefeitura de SãoPaulo
Data: 13/01/2011
So You Want To Be An [Academic] Librarian?
Este vídeo, com duração de 4 minutos e onze segundos, examina as funções e desafios diários de um bibliotecário universitário por meio de uma entrevista de emprego com uma candidata que não deseja trabalhar em biblioteca pública porque ela odeia as crianças e pobres!
Fonte: Prof. Murilo Cunha por e-mail
Data: 19/01/2011
Fonte: Prof. Murilo Cunha por e-mail
Data: 19/01/2011
Os 100 mais da educação
Portal elege as principais ferramentas da internet direcionadas ao professor. Twitter lidera a lista que conta, ainda, com os famosos Facebook e YouTube
Não é de hoje que o Alô, Professor sai em defesa das ferramentas de ensino na internet e de como elas podem ajudar o professor a lapidar suas aulas. Não à toa, um dos portais mais acessados sobre educação no mundo é o Centre for Learning & Performance Technologies (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnológico, em português), página britânica especializada, justamente, em novas ferramentas de ensino disponíveis na internet.
Leia a matéria completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente:
Fonte: JC e-mail 4181
Data: 19/01/2011
Não é de hoje que o Alô, Professor sai em defesa das ferramentas de ensino na internet e de como elas podem ajudar o professor a lapidar suas aulas. Não à toa, um dos portais mais acessados sobre educação no mundo é o Centre for Learning & Performance Technologies (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnológico, em português), página britânica especializada, justamente, em novas ferramentas de ensino disponíveis na internet.
Leia a matéria completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente:
Fonte: JC e-mail 4181
Data: 19/01/2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Chamada de artigos para revista 'Museologia e Patrimônio'
A revista 'Museologia e Patrimônio' abre chamadas para artigos a serem publicados no seu quarto volume, que será lançado em junho de 2011
Interessados em submeter textos têm até 30 de março para enviar os originais. A revista aceita trabalhos escritos em português, espanhol, francês ou inglês. As recomendações editoriais encontram-se no site http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/
A revista eletrônica semestral é publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS), desenvolvido pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast).
Com o objetivo de disseminar a produção científica e acadêmica, a publicação recebe não apenas artigos científicos, como também resenhas, relatos e revisões, resumos de teses e dissertações, além de republicar textos e documentos clássicos ou raros da área.
A revista, que utiliza o software livre SEER/OJS (Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas), é indexada no Latindex e, atualmente, encontra-se classificada como B3 pelo Qualis Periódicos da Capes.
(Assessoria de Comunicação do Mast)
Fonte:JC e-mail 4180
Data:18/01/2011
Interessados em submeter textos têm até 30 de março para enviar os originais. A revista aceita trabalhos escritos em português, espanhol, francês ou inglês. As recomendações editoriais encontram-se no site http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/
A revista eletrônica semestral é publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS), desenvolvido pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast).
Com o objetivo de disseminar a produção científica e acadêmica, a publicação recebe não apenas artigos científicos, como também resenhas, relatos e revisões, resumos de teses e dissertações, além de republicar textos e documentos clássicos ou raros da área.
A revista, que utiliza o software livre SEER/OJS (Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas), é indexada no Latindex e, atualmente, encontra-se classificada como B3 pelo Qualis Periódicos da Capes.
(Assessoria de Comunicação do Mast)
Fonte:JC e-mail 4180
Data:18/01/2011
O fosso entre universidade e indústria
José Goldemberg
"Descompasso deve-se à ausência de políticas públicas que induzam à inovação"
José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (USP), presidente de honra da SBPC e foi secretário de Meio Ambiente da Presidência da República. Artigo publicado em "O Estado de SP":
O IBGE divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa realizada com as indústrias brasileiras - mais de 100 mil - para verificar quais delas investiram em inovação e quais simplesmente se restringiram a fabricar os mesmos produtos ano após ano. A pesquisa cobriu o período de 2006 a 2008.
Inovação é um fator decisivo para aumentar a competitividade das empresas e inclui desde produtos ou processos novos até o desenvolvimento de novos usos para produtos já existentes. Na generosa definição usada pelo IBGE, são considerados como inovação a pesquisa e o desenvolvimento, a aquisição de pesquisas externas, os investimentos em máquinas, o treinamento de pessoal e a introdução de produtos no mercado, entre outros.
Os resultados da pesquisa são interessantes: cerca de 38% das empresas fizeram algum tipo de inovação - nos anos de 2003 a 2005 esse índice era de 34% e, portanto, aumentou. Na Alemanha, por exemplo, mais de 70% das empresas, porém, são inovadoras. Pior ainda, somente cerca de 5 mil empresas nacionais realizaram atividades internas de pesquisa e desenvolvimento.
As atividades de inovação não se devem, por conseguinte, de forma significativa a pesquisas, mas a desenvolvimento e licenciamento de programas de computador, telecomunicações, outros serviços de tecnologia da informação e tratamento de dados, que não são realmente muito criativos e não deram origem a um grande número de patentes, área em que o Brasil continua com índices muito baixos.
A pesquisa do IBGE nos diz ainda que, no tocante aos recursos humanos envolvidos com as atividades internas de pesquisa e desenvolvimento, havia aproximadamente 70 mil pessoas ocupadas nessa área, das quais apenas 10 mil tinham pós-graduação.
É aqui, a nosso ver, que se encontra o calcanhar de aquiles que retarda a modernização do país, como observaram corretamente o então ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Ronaldo Mota, em artigo publicado recentemente: "A atividade de inovação tecnológica requer a participação de engenheiros e cientistas, preponderantemente com formação pós-graduada. Apesar do início tardio, a pós-graduação brasileira avança rapidamente. O número de mestres e doutores formados passou de cerca de 5 mil em 1987 para quase 50 mil em 2009. A ciência avançou muito no Brasil; no entanto, a inovação tecnológica em nossas empresas ainda é tímida. Tal situação decorre da carência de cultura de inovação no ambiente empresarial e da insuficiente articulação entre política industrial e ciência e tecnologia." (Folha de S.Paulo, 8/11/2010)
A nosso ver, no entanto, o problema não é de cultura empresarial, o que há é um descompasso entre oferta de cientistas (e de ciência) e demanda pela indústria. E isso se deve à ausência de políticas públicas que induzam a indústria a procurar atividades inovadoras e modernizantes que aumentem sua competitividade.
O sistema universitário brasileiro está produzindo, de fato, um grande número de mestres e doutores, e a produção científica desses mestres e doutores é apreciável, mais de 10 mil publicações por ano, colocando o Brasil numa posição confortável como o 12.º maior contribuidor mundial nesse campo. A maioria, contudo, continua nas universidades, e não na indústria, onde eles poderiam servir como alavanca do desenvolvimento.
A principal razão para tal é que as universidades brasileiras, de modo geral, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), foram pensadas como projetos culturais, e não como projetos modernizadores na área de tecnologia, com a exceção do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dos trabalhos de Carlos Chagas e de Manguinhos e poucos outros.
Esse foi um grande problema na extinta URSS, cujo amplo sistema de apoio à ciência - que sempre foi privilegiada por Josef Stalin - teve sucesso em realizar grandes avanços na área militar (bombas atômicas, Sputnik e outros), mas foi incapaz de modernizar a indústria e a agricultura soviéticas. O fracasso desse sistema em melhorar o nível de vida da população contribuiu muito para a derrocada da União Soviética, como, aliás, reconheceu o próprio presidente Mikhail Gorbachev na ocasião.
Quando políticas públicas adequadas existem, a inovação "explode", e há bons exemplos disso no Brasil. Segundo o IBGE, no seu estudo, um dos setores líderes da inovação na indústria foi o farmacêutico, com o desenvolvimento de medicamentos genéricos. Em outras palavras, uma política governamental, que foi a introdução dos genéricos no país, realizada quando José Serra era ministro da Saúde, abriu caminho para que um grande número de laboratórios nacionais passasse a competir no mercado.
Outro exemplo é a Lei de Mudanças Climáticas adotada pela Prefeitura de São Paulo, que prevê a instalação de coletores solares para aquecimento de água para fins residenciais. Isso estimulará os fabricantes a produzir mais e melhores equipamentos, o que, por consequência, levará a uma redução de custos. A Lei de Mudanças Climáticas adotada pelo governo do Estado vai no mesmo sentido e sua implementação na direção de uma economia de baixo carbono contribuirá para a modernização do parque industrial paulista.
Como facilitadores desse processo, as incubadoras de empresas e os parques tecnológicos são agentes capazes de desempenhar um papel relevante no apoio à solução de problemas novos na fabricação e comercialização de produtos exigidos por um mercado interno crescente. Como atualmente o número de inovações na indústria brasileira é limitado, a tendência é depender crescentemente da importação de produtos, como já está ocorrendo em vários setores, o que não é um bom caminho a longo prazo.
(O Estado de SP, 17/1)
Fonte:JC e-mail 4179
Data: 17/01/2011
"Descompasso deve-se à ausência de políticas públicas que induzam à inovação"
José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo (USP), presidente de honra da SBPC e foi secretário de Meio Ambiente da Presidência da República. Artigo publicado em "O Estado de SP":
O IBGE divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa realizada com as indústrias brasileiras - mais de 100 mil - para verificar quais delas investiram em inovação e quais simplesmente se restringiram a fabricar os mesmos produtos ano após ano. A pesquisa cobriu o período de 2006 a 2008.
Inovação é um fator decisivo para aumentar a competitividade das empresas e inclui desde produtos ou processos novos até o desenvolvimento de novos usos para produtos já existentes. Na generosa definição usada pelo IBGE, são considerados como inovação a pesquisa e o desenvolvimento, a aquisição de pesquisas externas, os investimentos em máquinas, o treinamento de pessoal e a introdução de produtos no mercado, entre outros.
Os resultados da pesquisa são interessantes: cerca de 38% das empresas fizeram algum tipo de inovação - nos anos de 2003 a 2005 esse índice era de 34% e, portanto, aumentou. Na Alemanha, por exemplo, mais de 70% das empresas, porém, são inovadoras. Pior ainda, somente cerca de 5 mil empresas nacionais realizaram atividades internas de pesquisa e desenvolvimento.
As atividades de inovação não se devem, por conseguinte, de forma significativa a pesquisas, mas a desenvolvimento e licenciamento de programas de computador, telecomunicações, outros serviços de tecnologia da informação e tratamento de dados, que não são realmente muito criativos e não deram origem a um grande número de patentes, área em que o Brasil continua com índices muito baixos.
A pesquisa do IBGE nos diz ainda que, no tocante aos recursos humanos envolvidos com as atividades internas de pesquisa e desenvolvimento, havia aproximadamente 70 mil pessoas ocupadas nessa área, das quais apenas 10 mil tinham pós-graduação.
É aqui, a nosso ver, que se encontra o calcanhar de aquiles que retarda a modernização do país, como observaram corretamente o então ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Ronaldo Mota, em artigo publicado recentemente: "A atividade de inovação tecnológica requer a participação de engenheiros e cientistas, preponderantemente com formação pós-graduada. Apesar do início tardio, a pós-graduação brasileira avança rapidamente. O número de mestres e doutores formados passou de cerca de 5 mil em 1987 para quase 50 mil em 2009. A ciência avançou muito no Brasil; no entanto, a inovação tecnológica em nossas empresas ainda é tímida. Tal situação decorre da carência de cultura de inovação no ambiente empresarial e da insuficiente articulação entre política industrial e ciência e tecnologia." (Folha de S.Paulo, 8/11/2010)
A nosso ver, no entanto, o problema não é de cultura empresarial, o que há é um descompasso entre oferta de cientistas (e de ciência) e demanda pela indústria. E isso se deve à ausência de políticas públicas que induzam a indústria a procurar atividades inovadoras e modernizantes que aumentem sua competitividade.
O sistema universitário brasileiro está produzindo, de fato, um grande número de mestres e doutores, e a produção científica desses mestres e doutores é apreciável, mais de 10 mil publicações por ano, colocando o Brasil numa posição confortável como o 12.º maior contribuidor mundial nesse campo. A maioria, contudo, continua nas universidades, e não na indústria, onde eles poderiam servir como alavanca do desenvolvimento.
A principal razão para tal é que as universidades brasileiras, de modo geral, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), foram pensadas como projetos culturais, e não como projetos modernizadores na área de tecnologia, com a exceção do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dos trabalhos de Carlos Chagas e de Manguinhos e poucos outros.
Esse foi um grande problema na extinta URSS, cujo amplo sistema de apoio à ciência - que sempre foi privilegiada por Josef Stalin - teve sucesso em realizar grandes avanços na área militar (bombas atômicas, Sputnik e outros), mas foi incapaz de modernizar a indústria e a agricultura soviéticas. O fracasso desse sistema em melhorar o nível de vida da população contribuiu muito para a derrocada da União Soviética, como, aliás, reconheceu o próprio presidente Mikhail Gorbachev na ocasião.
Quando políticas públicas adequadas existem, a inovação "explode", e há bons exemplos disso no Brasil. Segundo o IBGE, no seu estudo, um dos setores líderes da inovação na indústria foi o farmacêutico, com o desenvolvimento de medicamentos genéricos. Em outras palavras, uma política governamental, que foi a introdução dos genéricos no país, realizada quando José Serra era ministro da Saúde, abriu caminho para que um grande número de laboratórios nacionais passasse a competir no mercado.
Outro exemplo é a Lei de Mudanças Climáticas adotada pela Prefeitura de São Paulo, que prevê a instalação de coletores solares para aquecimento de água para fins residenciais. Isso estimulará os fabricantes a produzir mais e melhores equipamentos, o que, por consequência, levará a uma redução de custos. A Lei de Mudanças Climáticas adotada pelo governo do Estado vai no mesmo sentido e sua implementação na direção de uma economia de baixo carbono contribuirá para a modernização do parque industrial paulista.
Como facilitadores desse processo, as incubadoras de empresas e os parques tecnológicos são agentes capazes de desempenhar um papel relevante no apoio à solução de problemas novos na fabricação e comercialização de produtos exigidos por um mercado interno crescente. Como atualmente o número de inovações na indústria brasileira é limitado, a tendência é depender crescentemente da importação de produtos, como já está ocorrendo em vários setores, o que não é um bom caminho a longo prazo.
(O Estado de SP, 17/1)
Fonte:JC e-mail 4179
Data: 17/01/2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Censo da vida marinha
Durante 10 anos, quase três mil cientistas de todo o mundo, inclusive do Brasil, mapearam as espécies que habitam os oceanos do planeta. Para falar sobre esse trabalho, o Estúdio CH recebe um dos cientistas brasileiros envolvidos no projeto, a bióloga Lúcia de Siqueira Campos, da UFRJ.
Em entrevista a Fred Furtado, a pesquisadora do Departamento de Zoologia da UFRJ fala sobre os fatores que motivaram a realização do censo. Segundo ela, é preciso ampliar o conhecimento sobre a vida marinha para garantir sua preservação. Embora ocupem a maior parte da superfície da Terra, os oceanos têm hoje – mesmo após o mapeamento – menos de 1% de sua área estudada.
Os oceanos têm hoje menos de 1% de sua área estudadaCampos conta que o foco central do censo foi avaliar o que existiu nos oceanos, agregar dados novos e atuais e, com essas informações passadas e presentes, tentar predizer o que poderá viver nesse ambiente no futuro. Esse levantamento da vida marinha, segundo ela, incluiu todo tipo de organismo, desde micróbios até predadores de teias alimentares – como aves e mamíferos –, além de invertebrados.
A bióloga, um dos dez cientistas brasileiros que coordenaram projetos do censo, apresenta alguns resultados, como as descobertas de milhares de novas espécies e de ambientes profundos nunca antes vistos. Ela fala ainda sobre a participação do Brasil no levantamento e as próximas etapas do trabalho.
Clique aqui para ouvir a entrevista completa
Fonte: Ciência Hoje
Data: 14/01/2011
Em entrevista a Fred Furtado, a pesquisadora do Departamento de Zoologia da UFRJ fala sobre os fatores que motivaram a realização do censo. Segundo ela, é preciso ampliar o conhecimento sobre a vida marinha para garantir sua preservação. Embora ocupem a maior parte da superfície da Terra, os oceanos têm hoje – mesmo após o mapeamento – menos de 1% de sua área estudada.
Os oceanos têm hoje menos de 1% de sua área estudadaCampos conta que o foco central do censo foi avaliar o que existiu nos oceanos, agregar dados novos e atuais e, com essas informações passadas e presentes, tentar predizer o que poderá viver nesse ambiente no futuro. Esse levantamento da vida marinha, segundo ela, incluiu todo tipo de organismo, desde micróbios até predadores de teias alimentares – como aves e mamíferos –, além de invertebrados.
A bióloga, um dos dez cientistas brasileiros que coordenaram projetos do censo, apresenta alguns resultados, como as descobertas de milhares de novas espécies e de ambientes profundos nunca antes vistos. Ela fala ainda sobre a participação do Brasil no levantamento e as próximas etapas do trabalho.
Clique aqui para ouvir a entrevista completa
Fonte: Ciência Hoje
Data: 14/01/2011
Padronização nos metadados para identificação do autor
Martin Fenner, pesquisador no Hannover Medical School Câncer Center (Alemanha), sugeriu em artigo recente [URL: http://blogs.plos.org/mfenner/files/2011/01/author_identifier_overview.pdf], várias sugestões para a criação de um identificador único com o objetivo de facilitar a recuperação da informação.
A seguir o resumo (em inglês) do seu artigo:
Unique identifiers for scholarly authors are still not commonly used, but provide a number of benefits to authors, institutions, publishers, funding organizations and scholarly societies. This report gives an overview about some of the popular author identifier systems, and their characteristics. The report also discusses several important issues that need to be addressed by author identifier systems, namely identity, reputation and trust.
Comentário:
Isto é uma idéia importante e oportuna que precisa ser discutida por todos aqueles responsáveis por bases de dados e bibliotecas digitais. Numa busca bibliográfica é possível que inúmeros documentos não sejam recuperados tendo em vista a diversidade de entradas relativas aos autores inseridas nos registros bibliográficos. O artigo cita o trabalho feito pelo Currículo Lattes na busca de padronização das entradas dos autores.
Fonte: Prof. Murilo Cunha por e-mail
Data: 06/01/2011
A seguir o resumo (em inglês) do seu artigo:
Unique identifiers for scholarly authors are still not commonly used, but provide a number of benefits to authors, institutions, publishers, funding organizations and scholarly societies. This report gives an overview about some of the popular author identifier systems, and their characteristics. The report also discusses several important issues that need to be addressed by author identifier systems, namely identity, reputation and trust.
Comentário:
Isto é uma idéia importante e oportuna que precisa ser discutida por todos aqueles responsáveis por bases de dados e bibliotecas digitais. Numa busca bibliográfica é possível que inúmeros documentos não sejam recuperados tendo em vista a diversidade de entradas relativas aos autores inseridas nos registros bibliográficos. O artigo cita o trabalho feito pelo Currículo Lattes na busca de padronização das entradas dos autores.
Fonte: Prof. Murilo Cunha por e-mail
Data: 06/01/2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A maior foto do Universo
Seriam necessárias 500 mil TVs HD para imagem ser vista em resolução máxima
O projeto internacional Sloan Digital Sky Survey (SDSS) divulgou na terça-feira (11) a maior e mais detalhada imagem colorida do Universo já feita. Montada na última década a partir de milhões de imagens de 2,8 megapixels cada, ela é tão grande que seriam necessários 500 mil aparelhos de TV de alta definição para ser vista em resolução máxima. A imagem faz parte da liberação do terceiro bloco de dados do SDSS, com informações sobre cerca de meio bilhão de objetos celestes, dos quais aproximadamente 250 milhões são galáxias e outros 250 milhões são estrelas e outros astros distribuídos em cerca de um terço do céu.
O levantamento do SDSS visa, entre outros objetivos, a substituir o mais completo mapa do céu anterior, montado nos anos 50 a partir de observações do telescópio do Monte Palomar, na Califórnia, e ainda hoje usado pelos astrônomos. O mapa do SDSS está sendo construído com imagens captadas desde 1998 por uma câmera de 138 megapixels instalada em um telescópio com um espelho de 2,5 metros de diâmetro no Observatório de Apache Point, no estado americano do Novo México.
Os cientistas esperam que este mapa sirva de guia para os astrônomos por um período de tempo equivalente ao do telescópio de Palomar.
- Não se pode estudar o que não se conhece - explica o físico Luiz Nicolaci da Costa, do Observatório Nacional e diretor do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LineA), parceria da instituição com o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) que coordena a participação brasileira no SDSS. - Este levantamento vai proporcionar um mapa do Universo a partir do qual se poderá estudar diferentes classes de objetos. Quanto maior o volume de dados que se tem, maior a chance de se achar objetos raros.
O grupo do LineA é apenas um dos 20 que colaboram com o SDSS e contam com mais de 500 cientistas espalhados por diversos países. Além deles, o SDSS conta com a participação de 250 mil internautas para ajudar a identificar os objetos observados por meio dos projetos Galaxy Zoo e Google Sky.
Dedicado exclusivamente ao projeto, o telescópio de Apache Point não só determina a posição dos objetos no céu como também recolhe dados do espectro deles, em um processo no qual sua luz é separada em diferentes comprimentos de onda.
Essa informações ajudam a calcular sua distância da Terra, assim como propriedades como a temperatura e composição química das estrelas e galáxias.
- É um projeto muito ambicioso e um dos que mais mudou paradigmas na astronomia internacional nas últimas décadas - conta Nicolaci, que destaca entre as descobertas já proporcionadas pelo SDSS a de alguns dos quasares (núcleos ativos de galáxias que acredita-se abrigarem buracos negros supermaciços) mais distantes do Universo e de milhares de estrelas muito frias, que são conhecidas como anãs marrons.
Enquanto isso, a Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês) divulgou na terça-feira novos dados obtidos pelo seu observatório espacial Planck, que tem como objetivo capturar a luz emitida apenas algumas centenas de milhares de anos após o Big Bang, a explosão que teria dado origem ao Universo a 13,7 bilhões de anos atrás, conhecida como Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês).
Ao fazer este levantamento, o Planck detectou algumas das maiores estruturas conhecidas no Universo, aglomerados de galáxias com dezenas de milhões de anos-luz de extensão. Segundo a ESA, o observatório captou pelo menos 20 dessas estruturas que antes eram desconhecidas, assim como confirmou a existência de outros 169 destes aglomerados.
- Esses aglomerados têm até cem galáxias, e cada um destas galáxias, bilhões de estrelas - diz Nabila Aghanim, astrônomo do Instituto de Astrofísica Espacial de Orsay, na França.
Os aglomerados foram detectados no processo de "filtragem" da luz captada pelo Planck, em que os cientistas descartam informações que não sejam relativas à CMB.
Originalmente concebido para detectar explosões de raios gama nos confins do Universo, o observatório espacial Fermi, da Nasa, acaba de fazer uma descoberta bem embaixo de seu "nariz". O Fermi captou feixes de antimatéria emitidos em direção ao espaço por tempestades na atmosfera do planeta, um fenômeno que nunca tinha sido observado antes.
A antimatéria, como o nome sugere, é o oposto da matéria normal, que forma a maior parte do Universo. Formada por partículas semelhantes, mas de sinais trocados, sua existência, há até pouco tempo, era apenas estimada.
Estudos e observações recentes, incluindo esta última, vêm comprovando que a antimatéria é parte importante do Universo. Os cientistas acreditam que a antimatéria foi produzida por flashes de raios gama (TGFs, na sigla em inglês) que acontecem dentro das nuvens e são associados a relâmpagos. As estimativas são de que ocorrem pelo menos 500 TGFs por dia, mas a maioria não é detectada.
- Esse sinais são a primeira evidência direta de que tempestades produzem feixes de antimatéria - diz Michael Briggs, integrante da equipe que controla o Monitor de Explosões de Raios Gama do Fermi e da Universidade do Alabama, ao apresentar o achado na última segunda-feira durante reunião da Sociedade Astronômica Americana.
A nave estava localizada logo acima das tempestades na maioria dos TGFs que observou, mas, em quatro casos, as tempestades aconteceram longe de Fermi. Durante uma TGF em 14 de dezembro de 2009, o Fermi estava acima do Egito, mas a tempestade acontecia sobre a Zâmbia, 4,5 mil quilômetros ao sul.
Como a tempestade estava abaixo do horizonte de Fermi, nenhum raio gama produzido foi detectado.
- Mas mesmo quando o Fermi não podia ver a tempestade, ele estava magneticamente conectada a ela - explica Joseph Dwyer, do Instituto de Tecnologia de Melbourne, na Florida. - O TGF produziu elétrons e pósitrons de alta velocidade, que viajaram pelo campo magnético da Terra até atingir a nave. A presença de pósitrons mostra que muitas partículas energéticas são lançadas constantemente na atmosfera e os cientistas agora acreditam que todos os TGFs emitem feixes de elétrons e pósitrons.
(César Baima)(O Globo, 12/1)
Fonte: JC e-mail 4176
Data: 12/01/2010
O projeto internacional Sloan Digital Sky Survey (SDSS) divulgou na terça-feira (11) a maior e mais detalhada imagem colorida do Universo já feita. Montada na última década a partir de milhões de imagens de 2,8 megapixels cada, ela é tão grande que seriam necessários 500 mil aparelhos de TV de alta definição para ser vista em resolução máxima. A imagem faz parte da liberação do terceiro bloco de dados do SDSS, com informações sobre cerca de meio bilhão de objetos celestes, dos quais aproximadamente 250 milhões são galáxias e outros 250 milhões são estrelas e outros astros distribuídos em cerca de um terço do céu.
O levantamento do SDSS visa, entre outros objetivos, a substituir o mais completo mapa do céu anterior, montado nos anos 50 a partir de observações do telescópio do Monte Palomar, na Califórnia, e ainda hoje usado pelos astrônomos. O mapa do SDSS está sendo construído com imagens captadas desde 1998 por uma câmera de 138 megapixels instalada em um telescópio com um espelho de 2,5 metros de diâmetro no Observatório de Apache Point, no estado americano do Novo México.
Os cientistas esperam que este mapa sirva de guia para os astrônomos por um período de tempo equivalente ao do telescópio de Palomar.
- Não se pode estudar o que não se conhece - explica o físico Luiz Nicolaci da Costa, do Observatório Nacional e diretor do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LineA), parceria da instituição com o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) que coordena a participação brasileira no SDSS. - Este levantamento vai proporcionar um mapa do Universo a partir do qual se poderá estudar diferentes classes de objetos. Quanto maior o volume de dados que se tem, maior a chance de se achar objetos raros.
O grupo do LineA é apenas um dos 20 que colaboram com o SDSS e contam com mais de 500 cientistas espalhados por diversos países. Além deles, o SDSS conta com a participação de 250 mil internautas para ajudar a identificar os objetos observados por meio dos projetos Galaxy Zoo e Google Sky.
Dedicado exclusivamente ao projeto, o telescópio de Apache Point não só determina a posição dos objetos no céu como também recolhe dados do espectro deles, em um processo no qual sua luz é separada em diferentes comprimentos de onda.
Essa informações ajudam a calcular sua distância da Terra, assim como propriedades como a temperatura e composição química das estrelas e galáxias.
- É um projeto muito ambicioso e um dos que mais mudou paradigmas na astronomia internacional nas últimas décadas - conta Nicolaci, que destaca entre as descobertas já proporcionadas pelo SDSS a de alguns dos quasares (núcleos ativos de galáxias que acredita-se abrigarem buracos negros supermaciços) mais distantes do Universo e de milhares de estrelas muito frias, que são conhecidas como anãs marrons.
Enquanto isso, a Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês) divulgou na terça-feira novos dados obtidos pelo seu observatório espacial Planck, que tem como objetivo capturar a luz emitida apenas algumas centenas de milhares de anos após o Big Bang, a explosão que teria dado origem ao Universo a 13,7 bilhões de anos atrás, conhecida como Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês).
Ao fazer este levantamento, o Planck detectou algumas das maiores estruturas conhecidas no Universo, aglomerados de galáxias com dezenas de milhões de anos-luz de extensão. Segundo a ESA, o observatório captou pelo menos 20 dessas estruturas que antes eram desconhecidas, assim como confirmou a existência de outros 169 destes aglomerados.
- Esses aglomerados têm até cem galáxias, e cada um destas galáxias, bilhões de estrelas - diz Nabila Aghanim, astrônomo do Instituto de Astrofísica Espacial de Orsay, na França.
Os aglomerados foram detectados no processo de "filtragem" da luz captada pelo Planck, em que os cientistas descartam informações que não sejam relativas à CMB.
Originalmente concebido para detectar explosões de raios gama nos confins do Universo, o observatório espacial Fermi, da Nasa, acaba de fazer uma descoberta bem embaixo de seu "nariz". O Fermi captou feixes de antimatéria emitidos em direção ao espaço por tempestades na atmosfera do planeta, um fenômeno que nunca tinha sido observado antes.
A antimatéria, como o nome sugere, é o oposto da matéria normal, que forma a maior parte do Universo. Formada por partículas semelhantes, mas de sinais trocados, sua existência, há até pouco tempo, era apenas estimada.
Estudos e observações recentes, incluindo esta última, vêm comprovando que a antimatéria é parte importante do Universo. Os cientistas acreditam que a antimatéria foi produzida por flashes de raios gama (TGFs, na sigla em inglês) que acontecem dentro das nuvens e são associados a relâmpagos. As estimativas são de que ocorrem pelo menos 500 TGFs por dia, mas a maioria não é detectada.
- Esse sinais são a primeira evidência direta de que tempestades produzem feixes de antimatéria - diz Michael Briggs, integrante da equipe que controla o Monitor de Explosões de Raios Gama do Fermi e da Universidade do Alabama, ao apresentar o achado na última segunda-feira durante reunião da Sociedade Astronômica Americana.
A nave estava localizada logo acima das tempestades na maioria dos TGFs que observou, mas, em quatro casos, as tempestades aconteceram longe de Fermi. Durante uma TGF em 14 de dezembro de 2009, o Fermi estava acima do Egito, mas a tempestade acontecia sobre a Zâmbia, 4,5 mil quilômetros ao sul.
Como a tempestade estava abaixo do horizonte de Fermi, nenhum raio gama produzido foi detectado.
- Mas mesmo quando o Fermi não podia ver a tempestade, ele estava magneticamente conectada a ela - explica Joseph Dwyer, do Instituto de Tecnologia de Melbourne, na Florida. - O TGF produziu elétrons e pósitrons de alta velocidade, que viajaram pelo campo magnético da Terra até atingir a nave. A presença de pósitrons mostra que muitas partículas energéticas são lançadas constantemente na atmosfera e os cientistas agora acreditam que todos os TGFs emitem feixes de elétrons e pósitrons.
(César Baima)(O Globo, 12/1)
Fonte: JC e-mail 4176
Data: 12/01/2010
Saúde, informática e agricultura
Itens dominam interesse dos brasileiros em ciência e tecnologia
Quando se fala em ciência e tecnologia, os brasileiros têm mais interesse pelos estudos dos cientistas nas áreas de saúde, informática e agricultura. É o que revela uma pesquisa feita, no ano passado, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e divulgada agora.
Dos entrevistados que declararam interesse por ciência e tecnologia, 30,3% apontaram as pesquisas na área de saúde como assunto mais interessante, 22,6% na área de informática e computação e 11,2%, na de agricultura. Entre os assuntos menos citados, estão astronomia (1,6%), história (3,3%) e matemática (3,7%). Para quem não gosta de ciência e tecnologia, 36,7% justificam a falta de interesse por não entenderem do assunto.
“O Brasil tem uma política agrícola muito importante e desperta interesse. A astronomia, por exemplo, não é trabalhada nas escolas. Em outros países, ela mobiliza muita gente", disse o professor Ildeu Moreira, coordenador do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do ministério, responsável pelo levantamento.
Segundo Moreira, a agricultura é o tema mais apontado pelos entrevistados com renda mais baixa. O coordenador destaca o aumento do interesse do brasileiro pela temática do meio ambiente, em comparação ao mesmo levantamento feito quatro anos antes. Em 2006, 58% dos entrevistados disseram ter muito interesse por meio ambiente, contra 83%, em 2010 – praticamente o mesmo percentual para medicina e saúde, que subiu de 60% para 81%.
A pesquisa ouviu 2.016 homens e mulheres com idade superior a 16 anos, de 23 de junho a 6 de julho de 2010, em todas as regiões do país. O grau de escolaridade do entrevistado variou do ensino fundamental incompleto ao ensino superior completo, com renda de um salário mínimo (equivalente a R$ 510) a acima de 20 salários mínimos (mais de R$ 10,2 mil).
Autor: Carolina Pimentel
Fonte: SIS.SAÚDE NOTÍCIAS
Data: 12/01/2011
Quando se fala em ciência e tecnologia, os brasileiros têm mais interesse pelos estudos dos cientistas nas áreas de saúde, informática e agricultura. É o que revela uma pesquisa feita, no ano passado, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e divulgada agora.
Dos entrevistados que declararam interesse por ciência e tecnologia, 30,3% apontaram as pesquisas na área de saúde como assunto mais interessante, 22,6% na área de informática e computação e 11,2%, na de agricultura. Entre os assuntos menos citados, estão astronomia (1,6%), história (3,3%) e matemática (3,7%). Para quem não gosta de ciência e tecnologia, 36,7% justificam a falta de interesse por não entenderem do assunto.
“O Brasil tem uma política agrícola muito importante e desperta interesse. A astronomia, por exemplo, não é trabalhada nas escolas. Em outros países, ela mobiliza muita gente", disse o professor Ildeu Moreira, coordenador do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do ministério, responsável pelo levantamento.
Segundo Moreira, a agricultura é o tema mais apontado pelos entrevistados com renda mais baixa. O coordenador destaca o aumento do interesse do brasileiro pela temática do meio ambiente, em comparação ao mesmo levantamento feito quatro anos antes. Em 2006, 58% dos entrevistados disseram ter muito interesse por meio ambiente, contra 83%, em 2010 – praticamente o mesmo percentual para medicina e saúde, que subiu de 60% para 81%.
A pesquisa ouviu 2.016 homens e mulheres com idade superior a 16 anos, de 23 de junho a 6 de julho de 2010, em todas as regiões do país. O grau de escolaridade do entrevistado variou do ensino fundamental incompleto ao ensino superior completo, com renda de um salário mínimo (equivalente a R$ 510) a acima de 20 salários mínimos (mais de R$ 10,2 mil).
Autor: Carolina Pimentel
Fonte: SIS.SAÚDE NOTÍCIAS
Data: 12/01/2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Arquivando diversão para a eternidade
por Felipe Marra Mendonça
A Biblioteca Britânica quer a criação de uma lei para completar seu acervo de jogos de videogame
Desde 1662, uma lei inglesa requer que pelo menos uma cópia de cada publicação seja enviada para a Biblioteca Britânica para então ficar arquivada em uma das mais completas coleções do mundo. Agora, a biblioteca pretende aplicar o mesmo zelo colecionador à indústria dos videogames e conta com a ajuda do governo em criar uma lei semelhante. Assim, os produtores de jogos teriam de enviar cada título produzido para a instituição.
Paul Wheatley, especialista em preservação digital da biblioteca, disse em entrevista ao Independent que a instituição tem interesse em arquivar os milhares de jogos já produzidos no Reino Unido nos últimos 30 anos e expandir o trabalho feito pelo Arquivo Nacional de Videogames. “Gostaria que a Biblioteca Britânica apoiasse o arquivo com a nossa experiência na preservação de arquivos digitais”, disse Wheatley.
Criado em parceria pela Universidade de Nottingham Trent e o Museu Nacional de Mídia em 1998, o arquivo tentava diminuir um processo de perda da história da indústria nacional de jogos, principalmente no período entre 1970 e 1990. “A indústria de videogames reconhece o valor intrínseco da preservação dos jogos e muitos executivos do setor com os quais tive contato contaram histórias horríveis de materiais mais antigos simplesmente desaparecendo ou se estragando dentro de uma caixa debaixo da mesa de alguém”, disse o arquivista Wheatley.
Essa perda também é apontada pela presidente da biblioteca, Lynne Brindley, que disse que o país enfrentava um buraco negro de informações perdidas com a digitalização cada vez maior de arquivos. Michael Rawlinson, líder de uma associação de empresas do setor, disse que “um arquivo é bom tanto para a nostalgia como para nos conectar com nossa história e nos ajudar a entender nossa cultura com base em nosso passado. É absolutamente correta a criação de um arquivo amplo”.
Alguns críticos acreditam que arquivar videogames não deve ser tarefa da Biblioteca Britânica e que ainda não é possível saber quais títulos deveriam ser guardados, já que muitos seriam irrelevantes daqui a décadas.
De qualquer forma, a ideia da biblioteca é interessante, principalmente com o desaparecimento iminente dos jogos mais antigos. A preservação da memória digital de um país é tão importante quanto a manutenção dos seus registros impressos.
Outro bastião da preservação da memória digital é o Wayback Machine ( www.archive.org), excelente site que arquiva mais de 150 bilhões de páginas da internet. Ele tem cópias de páginas que datam desde 1996 e o arquivamento continua. A Electronic Frontier Foundation, entidade sem fins lucrativos que reúne advogados, analistas e especialistas em tecnologia e que tem como objetivo defender liberdades civis, avisa que um processo por quebra de direitos autorais poderia acabar com o arquivo.
O problema é que o arquivo só existe por simplesmente copiar páginas, algo teoricamente ilegal. Digamos que uma organização como a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (RIAA), notória por processar quem troca arquivos de música, processasse o Wayback Machine e vencesse a causa.
O site teria de pagar até 90 milhões de dólares e todos os outros donos de páginas poderiam fazer o mesmo. O arquivo acabaria devendo cerca de 2 mil vezes o valor da dívida interna americana.
Fonte: Revista Carta Capital
Data:12/01/2010
A Biblioteca Britânica quer a criação de uma lei para completar seu acervo de jogos de videogame
Desde 1662, uma lei inglesa requer que pelo menos uma cópia de cada publicação seja enviada para a Biblioteca Britânica para então ficar arquivada em uma das mais completas coleções do mundo. Agora, a biblioteca pretende aplicar o mesmo zelo colecionador à indústria dos videogames e conta com a ajuda do governo em criar uma lei semelhante. Assim, os produtores de jogos teriam de enviar cada título produzido para a instituição.
Paul Wheatley, especialista em preservação digital da biblioteca, disse em entrevista ao Independent que a instituição tem interesse em arquivar os milhares de jogos já produzidos no Reino Unido nos últimos 30 anos e expandir o trabalho feito pelo Arquivo Nacional de Videogames. “Gostaria que a Biblioteca Britânica apoiasse o arquivo com a nossa experiência na preservação de arquivos digitais”, disse Wheatley.
Criado em parceria pela Universidade de Nottingham Trent e o Museu Nacional de Mídia em 1998, o arquivo tentava diminuir um processo de perda da história da indústria nacional de jogos, principalmente no período entre 1970 e 1990. “A indústria de videogames reconhece o valor intrínseco da preservação dos jogos e muitos executivos do setor com os quais tive contato contaram histórias horríveis de materiais mais antigos simplesmente desaparecendo ou se estragando dentro de uma caixa debaixo da mesa de alguém”, disse o arquivista Wheatley.
Essa perda também é apontada pela presidente da biblioteca, Lynne Brindley, que disse que o país enfrentava um buraco negro de informações perdidas com a digitalização cada vez maior de arquivos. Michael Rawlinson, líder de uma associação de empresas do setor, disse que “um arquivo é bom tanto para a nostalgia como para nos conectar com nossa história e nos ajudar a entender nossa cultura com base em nosso passado. É absolutamente correta a criação de um arquivo amplo”.
Alguns críticos acreditam que arquivar videogames não deve ser tarefa da Biblioteca Britânica e que ainda não é possível saber quais títulos deveriam ser guardados, já que muitos seriam irrelevantes daqui a décadas.
De qualquer forma, a ideia da biblioteca é interessante, principalmente com o desaparecimento iminente dos jogos mais antigos. A preservação da memória digital de um país é tão importante quanto a manutenção dos seus registros impressos.
Outro bastião da preservação da memória digital é o Wayback Machine ( www.archive.org), excelente site que arquiva mais de 150 bilhões de páginas da internet. Ele tem cópias de páginas que datam desde 1996 e o arquivamento continua. A Electronic Frontier Foundation, entidade sem fins lucrativos que reúne advogados, analistas e especialistas em tecnologia e que tem como objetivo defender liberdades civis, avisa que um processo por quebra de direitos autorais poderia acabar com o arquivo.
O problema é que o arquivo só existe por simplesmente copiar páginas, algo teoricamente ilegal. Digamos que uma organização como a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (RIAA), notória por processar quem troca arquivos de música, processasse o Wayback Machine e vencesse a causa.
O site teria de pagar até 90 milhões de dólares e todos os outros donos de páginas poderiam fazer o mesmo. O arquivo acabaria devendo cerca de 2 mil vezes o valor da dívida interna americana.
Fonte: Revista Carta Capital
Data:12/01/2010
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Fantasmas e paranoias na Biblioteca Nacional
De todas as 200 obras apresentadas ao público pela Biblioteca Nacional na exposição em que comemora seu bicentenário, a Bíblia de Mogúncia é a única que não dorme no salão junto com as outras. Tão logo o último visitante vai embora, a funcionária da divisão de obras raras pergunta à chefe:
— Posso ir buscar a Bíblia?
A pergunta pode parecer retórica, mas a verdade é que existe um imenso aparato de segurança que precisa ser acionado a cada transporte desta que é a obra mais valiosa da instituição. Dois seguranças acompanhados de um funcionário da seção são responsáveis pelo traslado. Outros dois fazem a guarda nas portas do elevador parado exclusivamente para o momento.
Todos parecem respirar aliviados quando a relíquia chega ao local onde permanecerá trancafiada até nova aparição pública. Trata-se de um cofre secreto ao qual ninguém, exceto o responsável, tem acesso. Não se pode chegar perto sequer do longo corredor onde é escondido para evitar as pistas sobre seu paradeiro.
Bíblia de Mogúncia aos cuidados da “louca do cofre”
Na manhã de um dia incerto — a Bíblia só é exibida uma vez por semana em data que não é revelada antecipadamente —, no primeiro horário, a funcionária a cargo do transporte liga para saber quem irá recuperá-la logo mais. Só depois de receber a informação, abre o cofre. Esta é uma das várias personagens apaixonadas pelo trabalho na biblioteca que ficaram conhecidas entre os colegas. O cuidado inspirou o apelido carinhoso de “a louca do cofre”.
— A reação dela é justificada. É preciso entender o que está por trás da peça impressa em pergaminho. É uma obra de arte — afirma a bibliotecária-chefe da Divisão de Obras Raras, Ana Virgínia.
A paranoia da segurança está no ar. Na BN, não se pode fazer nada sozinho. Estagiários passam por cautelosa triagem e escrutínio dos chefes. As restrições e revistas em bolsas e sacolas quase incomodam, não fosse o objetivo nobre.
— Quando a gente chega aqui para trabalhar, não entende bem o aparato. Mas a preocupação vem rapidamente com o deslumbramento — afirma um dos funcionários.
Na entrada da sala do presidente, fala-se em fantasmas. Apenas mais uma lenda urbana? Coincidentemente, uma das secretárias do andar havia acabado de acender um incenso justamente por se sentir incomodada com o que poderia ser a presença de um deles.
— Trabalho aqui há 28 anos e nunca vi. Mas há pelo menos uns cinco funcionários que garantem que os fantasmas estão aí. Um deles quase quebrou duas portas, tamanho o pânico. Disse ter ouvido e sentido uma corrente passar por suas costas — conta um funcionário antigo da área de manutenção, instalada no subsolo do prédio, quatro andares abaixo da presidência.
Neste longo corredor subterrâneo, abaixo do nível da Avenida Rio Branco, também está uma das visões mais inusitadas da biblioteca, como revela a bibliotecária Mônica Carneiro. Descobriu, por acaso, que a confusão administrativa fica no único pedaço do prédio de onde se vêem as primeiras estruturas originais da BN em sua forma bruta. Por trás das belas paredes bem feitas e dos degraus polidos da escadaria elegante estão tijolos antigos aparentes e as grandes lajotas inteiras de pedra. Mônica já voltou a este lugar várias vezes e recentemente apresentou-o a uma colega.
Tantos anos passados dentro da instituição lembram os funcionários, significam também contato com muitos personagens malucos. Já houve quem entrasse nos armazéns, onde ficam dispostos os livros, pusesse uma meia dúzia deles debaixo do braço e partisse.
— Aconteceu mais de uma vez. Dizem que as obras pertenceram às suas famílias. Um deles chegou a me apontar um facão — conta um funcionário.
Entre os usuários frequentes, bibliotecários já identificaram figuras que rondam o acervo da biblioteca na esperança de fazer fortuna abastecendo colecionadores inescrupulosos. Certa vez Mônica Carneiro reconheceu, na sala de leitura, um antigo frequentador que, pouco tempo antes, fora citado nas páginas policiais dos jornais pela acusação de roubo de bibliotecas. Quando ela o viu, não teve dúvidas:
— Chamei a polícia na hora. Não podia expulsá-lo ou impedi-lo de entrar em um local público. Mas, embora ele próprio tenha me dito que não roubava mais obras de arte, foi mantido sob constante vigilância.
Os guardas também já conhecem o público. Assim como os bibliotecários, sabem quem são os habitués:
— Se quiser tentar falar com aquele ali, você ganha um prêmio. Ele não fala com ninguém — comenta um deles, ao se referir a um senhor na sala de leituras, absorto entre livros.
Obras repetidas trocadas por um valioso Dürer
Na divisão de Música e Arquivo Sonoro, guardada no belo Palácio Capanema, fora do prédio da Avenida Rio Branco, as regras também são duríssimas. Não se pode tirar fotos do cofre, onde são mantidas as partituras originais das óperas de Carlos Gomes, alvo do interesse de pesquisadores que querem conhecer melhor o primeiro músico não europeu a se apresentar no Teatro alla Scala de Milão. E mesmo quando tiradas com autorização prévia, como no edifício principal, as fotos não podem permitir a localização dos longos armários. Desconfiada, Elizete Higino, a chefe da divisão, pede para conferir o material feito pelo GLOBO para saber se está conforme o combinado.
O pessoal da BN também gosta de lembrar as histórias do passado. Marrocos, o primeiro bibliotecário da instituição, veio junto com as bagagens de D. João VI. Era conhecido como o maior fofoqueiro da sua época. Consta que, por ter se envolvido com algumas moças na Bahia, teria ajudado a formar à época um belo acervo naquele estado com as obras duplicadas da coleção da BN. Há ainda curadores considerados queridos até hoje por terem “trocado figurinhas” com nobres colecionadores como Barboza de Oliveira, que recebeu obras repetidas e forneceu à biblioteca relíquias como um valioso Albrecht Dürer. (http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/)
Fonte: A Informação
Data:10/01/2011
— Posso ir buscar a Bíblia?
A pergunta pode parecer retórica, mas a verdade é que existe um imenso aparato de segurança que precisa ser acionado a cada transporte desta que é a obra mais valiosa da instituição. Dois seguranças acompanhados de um funcionário da seção são responsáveis pelo traslado. Outros dois fazem a guarda nas portas do elevador parado exclusivamente para o momento.
Todos parecem respirar aliviados quando a relíquia chega ao local onde permanecerá trancafiada até nova aparição pública. Trata-se de um cofre secreto ao qual ninguém, exceto o responsável, tem acesso. Não se pode chegar perto sequer do longo corredor onde é escondido para evitar as pistas sobre seu paradeiro.
Bíblia de Mogúncia aos cuidados da “louca do cofre”
Na manhã de um dia incerto — a Bíblia só é exibida uma vez por semana em data que não é revelada antecipadamente —, no primeiro horário, a funcionária a cargo do transporte liga para saber quem irá recuperá-la logo mais. Só depois de receber a informação, abre o cofre. Esta é uma das várias personagens apaixonadas pelo trabalho na biblioteca que ficaram conhecidas entre os colegas. O cuidado inspirou o apelido carinhoso de “a louca do cofre”.
— A reação dela é justificada. É preciso entender o que está por trás da peça impressa em pergaminho. É uma obra de arte — afirma a bibliotecária-chefe da Divisão de Obras Raras, Ana Virgínia.
A paranoia da segurança está no ar. Na BN, não se pode fazer nada sozinho. Estagiários passam por cautelosa triagem e escrutínio dos chefes. As restrições e revistas em bolsas e sacolas quase incomodam, não fosse o objetivo nobre.
— Quando a gente chega aqui para trabalhar, não entende bem o aparato. Mas a preocupação vem rapidamente com o deslumbramento — afirma um dos funcionários.
Na entrada da sala do presidente, fala-se em fantasmas. Apenas mais uma lenda urbana? Coincidentemente, uma das secretárias do andar havia acabado de acender um incenso justamente por se sentir incomodada com o que poderia ser a presença de um deles.
— Trabalho aqui há 28 anos e nunca vi. Mas há pelo menos uns cinco funcionários que garantem que os fantasmas estão aí. Um deles quase quebrou duas portas, tamanho o pânico. Disse ter ouvido e sentido uma corrente passar por suas costas — conta um funcionário antigo da área de manutenção, instalada no subsolo do prédio, quatro andares abaixo da presidência.
Neste longo corredor subterrâneo, abaixo do nível da Avenida Rio Branco, também está uma das visões mais inusitadas da biblioteca, como revela a bibliotecária Mônica Carneiro. Descobriu, por acaso, que a confusão administrativa fica no único pedaço do prédio de onde se vêem as primeiras estruturas originais da BN em sua forma bruta. Por trás das belas paredes bem feitas e dos degraus polidos da escadaria elegante estão tijolos antigos aparentes e as grandes lajotas inteiras de pedra. Mônica já voltou a este lugar várias vezes e recentemente apresentou-o a uma colega.
Tantos anos passados dentro da instituição lembram os funcionários, significam também contato com muitos personagens malucos. Já houve quem entrasse nos armazéns, onde ficam dispostos os livros, pusesse uma meia dúzia deles debaixo do braço e partisse.
— Aconteceu mais de uma vez. Dizem que as obras pertenceram às suas famílias. Um deles chegou a me apontar um facão — conta um funcionário.
Entre os usuários frequentes, bibliotecários já identificaram figuras que rondam o acervo da biblioteca na esperança de fazer fortuna abastecendo colecionadores inescrupulosos. Certa vez Mônica Carneiro reconheceu, na sala de leitura, um antigo frequentador que, pouco tempo antes, fora citado nas páginas policiais dos jornais pela acusação de roubo de bibliotecas. Quando ela o viu, não teve dúvidas:
— Chamei a polícia na hora. Não podia expulsá-lo ou impedi-lo de entrar em um local público. Mas, embora ele próprio tenha me dito que não roubava mais obras de arte, foi mantido sob constante vigilância.
Os guardas também já conhecem o público. Assim como os bibliotecários, sabem quem são os habitués:
— Se quiser tentar falar com aquele ali, você ganha um prêmio. Ele não fala com ninguém — comenta um deles, ao se referir a um senhor na sala de leituras, absorto entre livros.
Obras repetidas trocadas por um valioso Dürer
Na divisão de Música e Arquivo Sonoro, guardada no belo Palácio Capanema, fora do prédio da Avenida Rio Branco, as regras também são duríssimas. Não se pode tirar fotos do cofre, onde são mantidas as partituras originais das óperas de Carlos Gomes, alvo do interesse de pesquisadores que querem conhecer melhor o primeiro músico não europeu a se apresentar no Teatro alla Scala de Milão. E mesmo quando tiradas com autorização prévia, como no edifício principal, as fotos não podem permitir a localização dos longos armários. Desconfiada, Elizete Higino, a chefe da divisão, pede para conferir o material feito pelo GLOBO para saber se está conforme o combinado.
O pessoal da BN também gosta de lembrar as histórias do passado. Marrocos, o primeiro bibliotecário da instituição, veio junto com as bagagens de D. João VI. Era conhecido como o maior fofoqueiro da sua época. Consta que, por ter se envolvido com algumas moças na Bahia, teria ajudado a formar à época um belo acervo naquele estado com as obras duplicadas da coleção da BN. Há ainda curadores considerados queridos até hoje por terem “trocado figurinhas” com nobres colecionadores como Barboza de Oliveira, que recebeu obras repetidas e forneceu à biblioteca relíquias como um valioso Albrecht Dürer. (http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/)
Fonte: A Informação
Data:10/01/2011
Cresce interesse brasileiro por ciência
Por Fábio de Castro
O interesse da população brasileira pela ciência aumentou consideravelmente nos últimos quatro anos. A conclusão é da pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia”, realizada no fim de 2010 com mais de 2 mil pessoas em todo o país e divulgada nesta segunda-feira (10/1) pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Em pesquisa anterior, realizada em 2006, o número de interessados ou muito interessados em ciência era de 41% dos brasileiros. O percentual subiu, em 2010, para 65%.
De acordo com o coordenador do estudo, Ildeu de Castro Moreira, os resultados – que em breve serão publicados no site do MCT – não apenas revelam um interesse crescente, mas apontam também que a população brasileira tem uma percepção cada vez mais madura a respeito da ciência.
“Os resultados mostram que a população brasileira confia no cientista, acredita que a pesquisa é fundamental, apoia o aumento de recursos para o setor e acha que a ciência traz benefícios para sua vida. Por outro lado, as opiniões não são desprovidas de crítica: há uma consciência dos perigos e limites éticos existentes. Concluímos que a população brasileira tem uma percepção social bastante madura da ciência”, disse Moreira à Agência FAPESP.
O estudo envolveu 2016 pessoas, que responderam questionários semelhantes aos utilizados na versão de 2006. As entrevistas foram estratificadas quanto a sexo, idade, escolaridade, renda e região de moradia. A margem de erro, segundo Moreira, é de 2%.
“Esse tipo de estudo é importante porque nos traz informações sobre a visão e as atitudes do brasileiro em relação ao assunto. Ele identifica também carências e lacunas. Esses dados podem nos fornecer subsídios para políticas públicas”, afirmou.
Antes da pesquisa de 2006, apenas um estudo sobre percepção pública da ciência havia sido realizado em âmbito nacional, em menor escala, em 1987, de acordo com Moreira.
“Esperamos que dentro de quatro anos tenhamos uma série histórica que nos permita fazer comparações ao longo do tempo”, afirmou. Segundo ele, os resultados serão publicados em livro pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), permitindo comparações com o estudo de 2006.
Em São Paulo, os trabalhos de percepção pública da ciência tiveram início em 2003, em uma pesquisa pioneira e internacional, conduzida pela FAPESP, pela Rede Iberoamericana de Ciência e Tecnologia (Ricyt), da Argentina e pela Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI). Os dados deram base para um capítulo contido nos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo – 2004, publicado pela FAPESP.
Meio ambiente em alta
Os resultados mostraram que, para o público brasileiro, a ciência é mais interessante que temas populares como esportes. Do total dos entrevistados, 65% se dizem interessados e muito interessados em ciência e 62% em esportes.
O meio ambiente é o tema mais “popular”, com 83% de interessados e muito interessados. Em 2006, o percentual era de 58%. Em seguida, aparece medicina e saúde, com 81%. Apenas 59% declararam-se interessados ou muito interessados em arte e cultura. “O fato do tema do meio ambiente ter ultrapassado medicina e saúde é um dos aspectos mais marcantes da pesquisa”, disse Moreira.
Segundo Moreira, no entanto, as respostas sobre o interesse pelos diversos temas oferecem certa ambiguidade, já que as pessoas têm concepções diferentes sobre o que é ciência, arte, ou cultura. Para superar essa incerteza, seria preciso utilizar métodos qualitativos em um estudo com grupos focais.
“Neste tipo de enquete conseguimos fazer uma apreciação geral e nacional. Se por um lado perdemos em profundidade, ganhamos em generalidade – e como há várias questões, a incerteza em relação aos conceitos é amenizada. Um aspecto importante foi que formulamos as questões dentro de padrões internacionais e, com isso, poderemos no futuro fazer comparações com outros países”, disse.
Os assuntos preferidos entre os 65% interessados ou muito interessados em ciência são ciências da saúde (30,3%), informática e computação (22,6%), agricultura (11,2%), engenharias (8,4%), ciências biológicas (6%). Temas como matemática, física, química, ciências da terra, ciências sociais e história ficam com percentuais entre 3% e 4%. Astronomia e espaço tem 1,6%.
Entre os que declararam não se interessar por ciência e tecnologia, a maior parte, 36,7%, alegou como razão para o desinteresse que “não entende” o assunto. Mais de 36% alegam que visitam museus e não participam de eventos científicos porque eles não existem em sua região.
“Grande parte dos brasileiros declara não ter acesso a eventos e msueus. De fato, a densidade de instituições científico-culturais é muito pequena, especialmente no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. Entretanto, a visitação e participação em eventos científicos aumentou em relação a 2006”, disse Moreira.
Ciência nacional ainda é desconhecida
Embora diversas respostas, segundo Moreira, tenham revelado uma visão madura do público em relação à ciência, algumas delas chamam a atenção para o desconhecimento sobre o tema.
Uma parcela de quase 82% dos entrevistados não soube citar nenhuma instituição de pesquisa científica no Brasil. Entre os demais, 23,5% citaram o Instituto Butantan e 12,1% citaram o Instituto Oswaldo Cruz. Mais de 87% não souberam citar nenhum cientista brasileiro importante. Entre os demais, 40% citaram Oswaldo Cruz e 29% citaram Carlos Chagas.
“Trata-se, sem dúvida, de uma deficiência associada à precariedade da escola, tanto no ensino básico como na universidade. Os livros não têm conteúdos sobre o que foi feito na ciência nacional. A mídia em geral também não dá destaque a isso e é muito mais pautada no exterior – com boas exceções”, disse Moreira.
Houve avanços, no entanto, na apreciação dos brasileiros sobre a ciência nacional desde 1987, quando mais da metade dos entrevistados a consideravam atrasada em relação ao contexto mundial.
“A apreciação que é feita hoje é bem realista e coloca a ciência nacional em um patamar intermediário – onde de fato ela está. Hoje apenas 26% acham que temos uma ciência atrasada”, disse. Quase 50% dos entrevistados consideram a ciência brasileira em um patamar intermediário e 19,7% a julgam avançada.
Em relação aos benefícios trazidos pela ciência, segundo Moreira, a população brasileira é a mais otimista do mundo. “O otimismo é uma característica cultural do brasileiro. Além disso, houve um avanço econômico e social importante no país nos últimos anos e muita gente teve acesso à televisão, celulares e internet – o que é associado com a tecnologia”, disse.
Os médicos, segundo a pesquisa, são as fontes de informação sobre ciência com mais credibilidade para 27,6% dos entrevistados. Os jornalistas, para 19,9%. Os religiosos para 13,6%. Os cientistas de institutos de pesquisa públicos para 12,3%. Já os cientistas que trabalham para empresas são a fonte com mais credibilidade para apenas 4,1%.
Outros resultados
Para mais de 42% dos entrevistados, a ciência traz mais benefícios que malefícios. Para quase 39%, traz apenas benefícios. Exatos 14% acreditam que a ciência traz tanto benefícios como malefícios. Apenas 2,5% acreditam que os malefícios predominam.
Os benefícios da ciência mais citados pelos entrevistados foram aqueles trazidos para a saúde e proteção contra doenças” (26,1%) e para melhorar a qualidade de vida (19,1%). Os principais malefícios foram “trazer problemas para o meio ambiente” (26,9%), “redução de emprego” (12,9%), “provocar o surgimento de novas doenças” (12,6%) e “produzir alimentos menos saudáveis” (12,2%).
Para metade dos brasileiros, o conhecimento dá aos cientistas poderes que os tornam potencialmente perigosos. Para 56%, a maioria das pessoas é capaz de entender o conhecimento científico se ele for bem explicado. Para 51%, a pesquisa científica é essencial para o desenvolvimento da indústria.
As descobertas científicas em si não são boas nem más – o que importa é a forma como elas são usadas – na opinião de 57% dos entrevistados. Para 66%, as autoridades devem obrigar legalmente os cientistas a seguirem padrões éticos.
Os cientistas são “pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade” para 38,5% da população. São “pessoas comuns com treinamento especial para 12,5%. Para 11,1%, são pessoas que trabalham muito sem querer ficar ricas. Para 9,9% são “pessoas que se interessam por temas distantes da realidade dos outros. Para 9,3%, são “pessoas que servem a interesses econômicos” e para 7,3% são “pessoas excêntricas de fala complicada”.
As necessidades tecnológicas definem os rumos da ciência para mais de 40% da população. Para 16,8%, os rumos são ditados pela demanda do mercado econômico e, para 9,1%, pelas grandes empresas multinacionais.
O desenvolvimento da ciência brasileira não é maior porque os recursos são insuficientes, na visão de 31% dos entrevistados. Para 16,3%, o problema são os laboratórios mal equipados. Mais de 12% acham que o número de cientistas é pequeno.
Os governos devem aumentar os recursos que destinam à pesquisa científica e tecnológica, na opinião de 68% dos entrevistados. Para 72%, as empresas privadas brasileiras deveriam investir mais na pesquisa. Na opinião de 30% da população, o desenvolvimento científico e tecnológico levará a uma diminuição das desigualdades sociais no país.
Para o público, as áreas de maior importância para o desenvolvimento no país são os setores de medicamentos (32,1%), agricultura (15%), mudanças climáticas (14,8%) e energia solar (14%). Depois aparecem biocombustíveis (6%), computadores e tecnologia da informação (4%), ciências sociais (3,6%), biotecnologia (3,3%), exploração de recursos do mar (1,9%), nanotecnologia (1,3%) e exploração espacial (1,3%).
Fonte: Agência Fapesp
Data: 11/01/2010
O interesse da população brasileira pela ciência aumentou consideravelmente nos últimos quatro anos. A conclusão é da pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia”, realizada no fim de 2010 com mais de 2 mil pessoas em todo o país e divulgada nesta segunda-feira (10/1) pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Em pesquisa anterior, realizada em 2006, o número de interessados ou muito interessados em ciência era de 41% dos brasileiros. O percentual subiu, em 2010, para 65%.
De acordo com o coordenador do estudo, Ildeu de Castro Moreira, os resultados – que em breve serão publicados no site do MCT – não apenas revelam um interesse crescente, mas apontam também que a população brasileira tem uma percepção cada vez mais madura a respeito da ciência.
“Os resultados mostram que a população brasileira confia no cientista, acredita que a pesquisa é fundamental, apoia o aumento de recursos para o setor e acha que a ciência traz benefícios para sua vida. Por outro lado, as opiniões não são desprovidas de crítica: há uma consciência dos perigos e limites éticos existentes. Concluímos que a população brasileira tem uma percepção social bastante madura da ciência”, disse Moreira à Agência FAPESP.
O estudo envolveu 2016 pessoas, que responderam questionários semelhantes aos utilizados na versão de 2006. As entrevistas foram estratificadas quanto a sexo, idade, escolaridade, renda e região de moradia. A margem de erro, segundo Moreira, é de 2%.
“Esse tipo de estudo é importante porque nos traz informações sobre a visão e as atitudes do brasileiro em relação ao assunto. Ele identifica também carências e lacunas. Esses dados podem nos fornecer subsídios para políticas públicas”, afirmou.
Antes da pesquisa de 2006, apenas um estudo sobre percepção pública da ciência havia sido realizado em âmbito nacional, em menor escala, em 1987, de acordo com Moreira.
“Esperamos que dentro de quatro anos tenhamos uma série histórica que nos permita fazer comparações ao longo do tempo”, afirmou. Segundo ele, os resultados serão publicados em livro pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), permitindo comparações com o estudo de 2006.
Em São Paulo, os trabalhos de percepção pública da ciência tiveram início em 2003, em uma pesquisa pioneira e internacional, conduzida pela FAPESP, pela Rede Iberoamericana de Ciência e Tecnologia (Ricyt), da Argentina e pela Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI). Os dados deram base para um capítulo contido nos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo – 2004, publicado pela FAPESP.
Meio ambiente em alta
Os resultados mostraram que, para o público brasileiro, a ciência é mais interessante que temas populares como esportes. Do total dos entrevistados, 65% se dizem interessados e muito interessados em ciência e 62% em esportes.
O meio ambiente é o tema mais “popular”, com 83% de interessados e muito interessados. Em 2006, o percentual era de 58%. Em seguida, aparece medicina e saúde, com 81%. Apenas 59% declararam-se interessados ou muito interessados em arte e cultura. “O fato do tema do meio ambiente ter ultrapassado medicina e saúde é um dos aspectos mais marcantes da pesquisa”, disse Moreira.
Segundo Moreira, no entanto, as respostas sobre o interesse pelos diversos temas oferecem certa ambiguidade, já que as pessoas têm concepções diferentes sobre o que é ciência, arte, ou cultura. Para superar essa incerteza, seria preciso utilizar métodos qualitativos em um estudo com grupos focais.
“Neste tipo de enquete conseguimos fazer uma apreciação geral e nacional. Se por um lado perdemos em profundidade, ganhamos em generalidade – e como há várias questões, a incerteza em relação aos conceitos é amenizada. Um aspecto importante foi que formulamos as questões dentro de padrões internacionais e, com isso, poderemos no futuro fazer comparações com outros países”, disse.
Os assuntos preferidos entre os 65% interessados ou muito interessados em ciência são ciências da saúde (30,3%), informática e computação (22,6%), agricultura (11,2%), engenharias (8,4%), ciências biológicas (6%). Temas como matemática, física, química, ciências da terra, ciências sociais e história ficam com percentuais entre 3% e 4%. Astronomia e espaço tem 1,6%.
Entre os que declararam não se interessar por ciência e tecnologia, a maior parte, 36,7%, alegou como razão para o desinteresse que “não entende” o assunto. Mais de 36% alegam que visitam museus e não participam de eventos científicos porque eles não existem em sua região.
“Grande parte dos brasileiros declara não ter acesso a eventos e msueus. De fato, a densidade de instituições científico-culturais é muito pequena, especialmente no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. Entretanto, a visitação e participação em eventos científicos aumentou em relação a 2006”, disse Moreira.
Ciência nacional ainda é desconhecida
Embora diversas respostas, segundo Moreira, tenham revelado uma visão madura do público em relação à ciência, algumas delas chamam a atenção para o desconhecimento sobre o tema.
Uma parcela de quase 82% dos entrevistados não soube citar nenhuma instituição de pesquisa científica no Brasil. Entre os demais, 23,5% citaram o Instituto Butantan e 12,1% citaram o Instituto Oswaldo Cruz. Mais de 87% não souberam citar nenhum cientista brasileiro importante. Entre os demais, 40% citaram Oswaldo Cruz e 29% citaram Carlos Chagas.
“Trata-se, sem dúvida, de uma deficiência associada à precariedade da escola, tanto no ensino básico como na universidade. Os livros não têm conteúdos sobre o que foi feito na ciência nacional. A mídia em geral também não dá destaque a isso e é muito mais pautada no exterior – com boas exceções”, disse Moreira.
Houve avanços, no entanto, na apreciação dos brasileiros sobre a ciência nacional desde 1987, quando mais da metade dos entrevistados a consideravam atrasada em relação ao contexto mundial.
“A apreciação que é feita hoje é bem realista e coloca a ciência nacional em um patamar intermediário – onde de fato ela está. Hoje apenas 26% acham que temos uma ciência atrasada”, disse. Quase 50% dos entrevistados consideram a ciência brasileira em um patamar intermediário e 19,7% a julgam avançada.
Em relação aos benefícios trazidos pela ciência, segundo Moreira, a população brasileira é a mais otimista do mundo. “O otimismo é uma característica cultural do brasileiro. Além disso, houve um avanço econômico e social importante no país nos últimos anos e muita gente teve acesso à televisão, celulares e internet – o que é associado com a tecnologia”, disse.
Os médicos, segundo a pesquisa, são as fontes de informação sobre ciência com mais credibilidade para 27,6% dos entrevistados. Os jornalistas, para 19,9%. Os religiosos para 13,6%. Os cientistas de institutos de pesquisa públicos para 12,3%. Já os cientistas que trabalham para empresas são a fonte com mais credibilidade para apenas 4,1%.
Outros resultados
Para mais de 42% dos entrevistados, a ciência traz mais benefícios que malefícios. Para quase 39%, traz apenas benefícios. Exatos 14% acreditam que a ciência traz tanto benefícios como malefícios. Apenas 2,5% acreditam que os malefícios predominam.
Os benefícios da ciência mais citados pelos entrevistados foram aqueles trazidos para a saúde e proteção contra doenças” (26,1%) e para melhorar a qualidade de vida (19,1%). Os principais malefícios foram “trazer problemas para o meio ambiente” (26,9%), “redução de emprego” (12,9%), “provocar o surgimento de novas doenças” (12,6%) e “produzir alimentos menos saudáveis” (12,2%).
Para metade dos brasileiros, o conhecimento dá aos cientistas poderes que os tornam potencialmente perigosos. Para 56%, a maioria das pessoas é capaz de entender o conhecimento científico se ele for bem explicado. Para 51%, a pesquisa científica é essencial para o desenvolvimento da indústria.
As descobertas científicas em si não são boas nem más – o que importa é a forma como elas são usadas – na opinião de 57% dos entrevistados. Para 66%, as autoridades devem obrigar legalmente os cientistas a seguirem padrões éticos.
Os cientistas são “pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade” para 38,5% da população. São “pessoas comuns com treinamento especial para 12,5%. Para 11,1%, são pessoas que trabalham muito sem querer ficar ricas. Para 9,9% são “pessoas que se interessam por temas distantes da realidade dos outros. Para 9,3%, são “pessoas que servem a interesses econômicos” e para 7,3% são “pessoas excêntricas de fala complicada”.
As necessidades tecnológicas definem os rumos da ciência para mais de 40% da população. Para 16,8%, os rumos são ditados pela demanda do mercado econômico e, para 9,1%, pelas grandes empresas multinacionais.
O desenvolvimento da ciência brasileira não é maior porque os recursos são insuficientes, na visão de 31% dos entrevistados. Para 16,3%, o problema são os laboratórios mal equipados. Mais de 12% acham que o número de cientistas é pequeno.
Os governos devem aumentar os recursos que destinam à pesquisa científica e tecnológica, na opinião de 68% dos entrevistados. Para 72%, as empresas privadas brasileiras deveriam investir mais na pesquisa. Na opinião de 30% da população, o desenvolvimento científico e tecnológico levará a uma diminuição das desigualdades sociais no país.
Para o público, as áreas de maior importância para o desenvolvimento no país são os setores de medicamentos (32,1%), agricultura (15%), mudanças climáticas (14,8%) e energia solar (14%). Depois aparecem biocombustíveis (6%), computadores e tecnologia da informação (4%), ciências sociais (3,6%), biotecnologia (3,3%), exploração de recursos do mar (1,9%), nanotecnologia (1,3%) e exploração espacial (1,3%).
Fonte: Agência Fapesp
Data: 11/01/2010
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Capes orienta instituições no combate ao plágio em trabalhos acadêmicos
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) encaminhou, esta semana, às instituições de ensino superior públicas e privadas, documento em que recomenda que promovam “políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, adotando procedimentos específicos que visem coibir a prática do plágio quando da redação de teses, monografias, artigos e outros textos por parte de alunos e outros membros de suas comunidades”. A medida tem como base orientações do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por meio de proposição nº. 2010.19.07379-01 da Comissão Nacional de Relações Institucionais e da Seccional da OAB/Ceará.
A proposição, aprovada em sessão plenária no dia 19 de outubro de 2010, “ressalta que as ferramentas tecnológicas da informática e o advento da internet proporcionam acesso irrestrito a muitos bancos de dados oficiais e particulares e que algumas distorções advindas desta facilidade de acesso eletrônico têm gerado preocupações no sentido da prática nociva de copiar e colar textos”, explicita o documento da Capes. “Além da prática ilegal de apropriar-se da obra de terceiros sem autorização e sem a referência devida, o procedimento nefasto infecciona a pesquisa, produzindo danos irreparáveis.”
De acordo com a orientação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do MEC, “a OAB recomenda o uso de softwares que fazem a leitura eletrônica do texto (artigo, monografia, dissertação ou tese). Em seguida, realizam rastreamento comparativo em vários sites de busca na internet e em base de dados, verificando se o autor copiou frase ou parágrafo, por exemplo, identificando a base de dados e o texto copiado. A OAB orienta ainda que, por não se tratar de programa absoluto, procedimentos internos nas instituições acadêmicas devem ser adotados para aferir se houve ou não plágio. Um deles, citado como necessário, é que as instituições criem comissão que avalie os resultados obtidos pelo software de forma objetiva, aferindo o grau de gravidade no caso dos textos copiados”.
Na circular, a Capes declara que “concorda com as orientações da Ordem dos Advogados do Brasil e reforça a necessidade de combate ao plágio onde quer que este se manifeste”.
Leia a íntegra do documento do Conselho Federal da OAB. http://www.oab.org.br/combateplagio/CombatePlagio.pdf
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 09/01/2011
A proposição, aprovada em sessão plenária no dia 19 de outubro de 2010, “ressalta que as ferramentas tecnológicas da informática e o advento da internet proporcionam acesso irrestrito a muitos bancos de dados oficiais e particulares e que algumas distorções advindas desta facilidade de acesso eletrônico têm gerado preocupações no sentido da prática nociva de copiar e colar textos”, explicita o documento da Capes. “Além da prática ilegal de apropriar-se da obra de terceiros sem autorização e sem a referência devida, o procedimento nefasto infecciona a pesquisa, produzindo danos irreparáveis.”
De acordo com a orientação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do MEC, “a OAB recomenda o uso de softwares que fazem a leitura eletrônica do texto (artigo, monografia, dissertação ou tese). Em seguida, realizam rastreamento comparativo em vários sites de busca na internet e em base de dados, verificando se o autor copiou frase ou parágrafo, por exemplo, identificando a base de dados e o texto copiado. A OAB orienta ainda que, por não se tratar de programa absoluto, procedimentos internos nas instituições acadêmicas devem ser adotados para aferir se houve ou não plágio. Um deles, citado como necessário, é que as instituições criem comissão que avalie os resultados obtidos pelo software de forma objetiva, aferindo o grau de gravidade no caso dos textos copiados”.
Na circular, a Capes declara que “concorda com as orientações da Ordem dos Advogados do Brasil e reforça a necessidade de combate ao plágio onde quer que este se manifeste”.
Leia a íntegra do documento do Conselho Federal da OAB. http://www.oab.org.br/combateplagio/CombatePlagio.pdf
Fonte: Pesquisa Mundi
Data: 09/01/2011
Para "The Economist", Ciência no Brasil vai bem, mas português é entrave
SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO
O Brasil não é apenas sol, praia e samba, e as condições para os cientistas estrangeiros pesquisarem no país, sobretudo em São Paulo, são boas. Essa é a análise da revista "The Economist" sobre a ciência brasileira, publicada na quinta-feira.
Brasil é destino cada vez mais atraente para jovens cientistas, diz "The Economist"
A revista afirma que há muitos cientistas brasileiros fazendo pesquisa e estudando fora do Brasil. Mas, agora, o motivo é a internacionalização da ciência brasileira e não a falta de programas de pós-graduação por aqui.
É essa mesma internacionalização que também tem atraído cientistas estrangeiros ao Brasil. De acordo com a "The Economist", especialmente em São Paulo, "o estado rico do país", as condições para pesquisadores de fora são atrativas.
São Paulo reúne as melhores universidades do país --que estão entre as 300 melhores do mundo-- e o investimento em ciência é garantido pela quantidade de recursos equivalente à taxa de 1% do PIB estadual. Isso resultou em cerca de R$ 760 milhões no orçamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 2010.
Apesar de ter dinheiro para pesquisa e instituições de qualidade, a "The Economist" ressalta que o português continua sendo uma limitação à internacionalização da ciência brasileira.
No Brasil, as aulas de graduação e de pós-graduação são em língua portuguesa e postos como de pesquisador e professor só podem ser assumidos mediante concurso público -- também feitos em português. "O chefe de departamento não pode simplesmente escolher um candidato e começar uma negociação", afirma a revista.
Fonte: Folha de São Paulo
Data: 06/01/2011
DE SÃO PAULO
O Brasil não é apenas sol, praia e samba, e as condições para os cientistas estrangeiros pesquisarem no país, sobretudo em São Paulo, são boas. Essa é a análise da revista "The Economist" sobre a ciência brasileira, publicada na quinta-feira.
Brasil é destino cada vez mais atraente para jovens cientistas, diz "The Economist"
A revista afirma que há muitos cientistas brasileiros fazendo pesquisa e estudando fora do Brasil. Mas, agora, o motivo é a internacionalização da ciência brasileira e não a falta de programas de pós-graduação por aqui.
É essa mesma internacionalização que também tem atraído cientistas estrangeiros ao Brasil. De acordo com a "The Economist", especialmente em São Paulo, "o estado rico do país", as condições para pesquisadores de fora são atrativas.
São Paulo reúne as melhores universidades do país --que estão entre as 300 melhores do mundo-- e o investimento em ciência é garantido pela quantidade de recursos equivalente à taxa de 1% do PIB estadual. Isso resultou em cerca de R$ 760 milhões no orçamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 2010.
Apesar de ter dinheiro para pesquisa e instituições de qualidade, a "The Economist" ressalta que o português continua sendo uma limitação à internacionalização da ciência brasileira.
No Brasil, as aulas de graduação e de pós-graduação são em língua portuguesa e postos como de pesquisador e professor só podem ser assumidos mediante concurso público -- também feitos em português. "O chefe de departamento não pode simplesmente escolher um candidato e começar uma negociação", afirma a revista.
Fonte: Folha de São Paulo
Data: 06/01/2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
No Brasil, internet móvel atinge 21 milhões
Os últimos doze meses revelaram números positivos quando o assunto é internet móvel. Segundo os números divulgados pela 4G Americas, o Brasil chegou a 21 milhões de aparelhos que possuem acesso a tecnologia 3G, que permite acesso à internet por meio do telefone. Os dados apontam ainda que 11% dos celulares no país usam a internet móvel.
"Isso se deve à introdução dos smartphones no mercado e ao uso crescente de ferramentas que necessitam da conexão de internet", diz o diretor da entidade para a América Latina e Caribe, Erasmo Rojas.
Segundo ele, a expectativa é que esse número salte dos 21 para 32 milhões neste ano, isso porque o mercado recebe a Nextel como concorrente. No último dezembro, a empresa de telefonia arrematou 11 dos 13 lotes do leilão das últimas faixas de frequência da banda H, destinadas à tecnologia 3G.
Com informações da Folha de S. Paulo
Fonte: Redação Adnews
Data: 07/01/2011
"Isso se deve à introdução dos smartphones no mercado e ao uso crescente de ferramentas que necessitam da conexão de internet", diz o diretor da entidade para a América Latina e Caribe, Erasmo Rojas.
Segundo ele, a expectativa é que esse número salte dos 21 para 32 milhões neste ano, isso porque o mercado recebe a Nextel como concorrente. No último dezembro, a empresa de telefonia arrematou 11 dos 13 lotes do leilão das últimas faixas de frequência da banda H, destinadas à tecnologia 3G.
Com informações da Folha de S. Paulo
Fonte: Redação Adnews
Data: 07/01/2011
Em 2010, a internet mostrou sua face bélica
Tecnologias de comunicação e informática cada vez mais avançadas impulsionam continuamente a revolução da informação. Mas ela também tem uma face militar, que ficou bem visível para o mundo neste ano de 2010.
Se há um nome que define o atual processo de militarização do espaço cibernético, esse nome é Stuxnet. Em meados de 2010, este malware apareceu de repente, provavelmente depois que já tinha feito o seu trabalho, que era sabotar o programa nuclear do Irã e, mais especificamente, o complicado processo de enriquecimento de urânio.
O que deixou os especialistas de informática boquiabertos foi o fato de o Stuxnet ter sido projetado especialmente para a manipulação de sistemas de controle industrial. Seus criadores, que continuam desconhecidos, também conseguiram equipar o verme cibernético com poderosas ferramentas para infecção de redes com alto poder de proteção.
Stuxnet – o "míssil de cruzeiro digital"
Agora, todos os prognósticos sobre possíveis ameaças devem ser reconsiderados, já que os sistemas de controle industrial atacados pelo Stuxnet são utilizados em todo o mundo, em instalações como usinas, indústrias químicas e refinarias.
O especialista em segurança de dados Stefan Ritter, do Departamento Federal de Segurança em Tecnologia de Informação da Alemanha, localizado em Bonn, se diz preocupado, porque o Stuxnet comprova a viabilidade de ataques a infraestruturas críticas. "Não se trata mais de uma ameaça fictícia. É uma ameaça real de grande porte e extremamente sofisticada", avalia.
O perigo vindo do ciberespaço também chegou até a Otan. Na sua cúpula em Lisboa, em novembro, a aliança adotou uma nova estratégia. A organização considera os ataques cibernéticos como uma das três maiores ameaças da atualidade, além do terrorismo e das armas de destruição em massa.
EUA criam "Cyber Command"
As autoridades militares dos EUA criaram o "Cyber Command", cuja missão é a conquista do ciberespaço. Os "guerreiros cibernéticos" são comandados pelo general Keith Alexander, que também é chefe da poderosa agência NSA (sigla em inglês para Agência Nacional de Segurança), parte do Departamento de Defesa dos EUA. Em junho último, Alexander descreveu as funções do "Cyber Command".
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alemães exigiram pixelização de casasAlém da integração e sincronização de todas as atividades cibernéticas do Departamento da Defesa, Alexander afirmou que a nova unidade é responsável pela execução de "todo o espectro de operações militares cibernéticas".
O significado concreto disso foi explicado no início de novembro pelo Washington Post, três dias depois de o "Cyber Command" entrar em operação. De acordo com o diário norte-americano, o "cibergeneral" Keith Alexander deseja para si o direito de atacar redes de computadores em qualquer lugar do mundo, em defesa dos interesses americanos.
WikiLeaks, o serviço secreto do povo
Caso o "Cyber Command" pudesse, faria de tudo para tirar do ar o portal WikiLeaks. A organização, especializada na revelação de dados sigilosos pela internet, se tornou conhecida do mundo ao publicar no final de julho quase 80 mil documentos secretos dos EUA a respeito da guerra no Afeganistão. Os relatos de soldados, oficiais de inteligência e oficiais de embaixadas pintavam um quadro sombrio da situação no país e provocaram uma maior discussão sobre o significado da guerra e sobre uma retirada rápida das tropas.
As autoridades militares dos EUA espumaram de raiva. O secretário de Defesa, Robert Gates, acusou o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de ter causado sérios danos. O militar afirmou que "a publicação dos documentos pode trazer consequências potencialmente graves e perigosas no campo de batalha para as tropas dos EUA e de seus parceiros, além de prejudicar a reputação e as relações dos EUA nesta importante região".
Sem desanimar com os violentos ataques sofridos, o WikiLeaks apresentou em 22 de outubro mais uma série de quase 400 mil documentos secretos que lançavam nova luz sobre a guerra no Iraque. Nunca antes foram revelados tantos documentos militares secretos dos EUA. O Departamento da Justiça norte-americano analisa agora se Assange não violou as leis de espionagem do país. Aparentemente, o Departamento de Defesa não conseguiu dar conta de proteger seus dados segredos.
Maior golpe veio em novembro
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: WikiLeaks começou revelando segredos de guerraMas o maior golpe dado pelo WikiLeaks veio em 29 de novembro. Cerca de 250 mil mensagens confidenciais e secretas de representações diplomáticas norte-americanas ao redor do mundo foram disponibilizadas ao público. Os telegramas diplomáticos com, entre outras informações, avaliações sinceras feitas pelos diplomatas norte-americanos sobre diversas autoridades estrangeiras afetaram um dos pontos mais delicados da diplomacia norte-americana, que é a confiança que ela gozava entre seus parceiros.
Os diplomatas norte-americanos ficaram ocupados por semanas com a amenização dos danos causados. Enquanto a Suécia tenta conseguir a extradição de Julian Assange, por conta de acusações de estupro, uma guerra estourou por causa do WikiLeaks. Provavelmente sob a pressão do governo dos EUA, prestadores de serviços de internet tiraram o WikiLeaks de seu servidor, prestadores de serviços financeiros não encaminharam mais as doações destinadas à plataforma.
Enquanto isso, simpatizantes do portal atacaram os sites de empresas e departamentos públicos que consideravam inimigos do WikiLeaks. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA tentou tirar as lições do vazamento de dados e, para melhor proteger os seus segredos, separou as redes de dados que eram compartilhadas pelas Forças Armadas e pelo Departamento de Estado. De qualquer forma, segundo estimativa da mídia norte-americana, cerca de 2,5 milhões de pessoas possuem acesso aos dados confidenciais.
Alemães também discutem sobre dados privados
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: General Keith Alexander. Na Alemanha, a defesa de dados privados ocupou a opinião pública de outra forma. Desde janeiro de 2008, companhias de telecomunicações alemãs eram obrigadas a guardar, por motivo de segurança, dados das chamadas telefônicas e do tráfego de internet dos seus usuários durante seis meses. No dia 2 de março, o Tribunal Constitucional Federal definiu, no entanto, que esse armazenamento de dados é incompatível com a Lei Fundamental do país.
A briga em torno do novo serviço do gigante da internet Google, Street View, mostrou o quanto a proteção de dados privados é algo sagrado para os alemães. Desde meados de novembro, qualquer pessoa pode explorar pela internet as primeiras 20 cidades alemãs escaneadas pelo Google. Antes do lançamento do serviço, porém, houve uma discussão acalorada em torno do tema proteção da privacidade. No final, cerca de 250 mil cidadãos obrigaram a companhia a pixelizar as fachadas de suas casas no Street View.
Entretanto, eles não sabem o que estão perdendo. A interpenetração entre mundo físico e mundo virtual já produziu os seus primeiros heróis reais. Um deles é Bob Mewse. O inglês de 56 anos, residente na cidade de Bristol, se tornou famoso em novembro. Ele ficou tão decepcionado com sua aparência após se ver no Street View que passou a se alimentar de forma mais saudável e a praticar exercícios. Como consequência, perdeu um terço de seu peso.
Autor: Matthias von Hein (md)
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: dw-world.de
Data do acesso: 0/01/2011
Se há um nome que define o atual processo de militarização do espaço cibernético, esse nome é Stuxnet. Em meados de 2010, este malware apareceu de repente, provavelmente depois que já tinha feito o seu trabalho, que era sabotar o programa nuclear do Irã e, mais especificamente, o complicado processo de enriquecimento de urânio.
O que deixou os especialistas de informática boquiabertos foi o fato de o Stuxnet ter sido projetado especialmente para a manipulação de sistemas de controle industrial. Seus criadores, que continuam desconhecidos, também conseguiram equipar o verme cibernético com poderosas ferramentas para infecção de redes com alto poder de proteção.
Stuxnet – o "míssil de cruzeiro digital"
Agora, todos os prognósticos sobre possíveis ameaças devem ser reconsiderados, já que os sistemas de controle industrial atacados pelo Stuxnet são utilizados em todo o mundo, em instalações como usinas, indústrias químicas e refinarias.
O especialista em segurança de dados Stefan Ritter, do Departamento Federal de Segurança em Tecnologia de Informação da Alemanha, localizado em Bonn, se diz preocupado, porque o Stuxnet comprova a viabilidade de ataques a infraestruturas críticas. "Não se trata mais de uma ameaça fictícia. É uma ameaça real de grande porte e extremamente sofisticada", avalia.
O perigo vindo do ciberespaço também chegou até a Otan. Na sua cúpula em Lisboa, em novembro, a aliança adotou uma nova estratégia. A organização considera os ataques cibernéticos como uma das três maiores ameaças da atualidade, além do terrorismo e das armas de destruição em massa.
EUA criam "Cyber Command"
As autoridades militares dos EUA criaram o "Cyber Command", cuja missão é a conquista do ciberespaço. Os "guerreiros cibernéticos" são comandados pelo general Keith Alexander, que também é chefe da poderosa agência NSA (sigla em inglês para Agência Nacional de Segurança), parte do Departamento de Defesa dos EUA. Em junho último, Alexander descreveu as funções do "Cyber Command".
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alemães exigiram pixelização de casasAlém da integração e sincronização de todas as atividades cibernéticas do Departamento da Defesa, Alexander afirmou que a nova unidade é responsável pela execução de "todo o espectro de operações militares cibernéticas".
O significado concreto disso foi explicado no início de novembro pelo Washington Post, três dias depois de o "Cyber Command" entrar em operação. De acordo com o diário norte-americano, o "cibergeneral" Keith Alexander deseja para si o direito de atacar redes de computadores em qualquer lugar do mundo, em defesa dos interesses americanos.
WikiLeaks, o serviço secreto do povo
Caso o "Cyber Command" pudesse, faria de tudo para tirar do ar o portal WikiLeaks. A organização, especializada na revelação de dados sigilosos pela internet, se tornou conhecida do mundo ao publicar no final de julho quase 80 mil documentos secretos dos EUA a respeito da guerra no Afeganistão. Os relatos de soldados, oficiais de inteligência e oficiais de embaixadas pintavam um quadro sombrio da situação no país e provocaram uma maior discussão sobre o significado da guerra e sobre uma retirada rápida das tropas.
As autoridades militares dos EUA espumaram de raiva. O secretário de Defesa, Robert Gates, acusou o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de ter causado sérios danos. O militar afirmou que "a publicação dos documentos pode trazer consequências potencialmente graves e perigosas no campo de batalha para as tropas dos EUA e de seus parceiros, além de prejudicar a reputação e as relações dos EUA nesta importante região".
Sem desanimar com os violentos ataques sofridos, o WikiLeaks apresentou em 22 de outubro mais uma série de quase 400 mil documentos secretos que lançavam nova luz sobre a guerra no Iraque. Nunca antes foram revelados tantos documentos militares secretos dos EUA. O Departamento da Justiça norte-americano analisa agora se Assange não violou as leis de espionagem do país. Aparentemente, o Departamento de Defesa não conseguiu dar conta de proteger seus dados segredos.
Maior golpe veio em novembro
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: WikiLeaks começou revelando segredos de guerraMas o maior golpe dado pelo WikiLeaks veio em 29 de novembro. Cerca de 250 mil mensagens confidenciais e secretas de representações diplomáticas norte-americanas ao redor do mundo foram disponibilizadas ao público. Os telegramas diplomáticos com, entre outras informações, avaliações sinceras feitas pelos diplomatas norte-americanos sobre diversas autoridades estrangeiras afetaram um dos pontos mais delicados da diplomacia norte-americana, que é a confiança que ela gozava entre seus parceiros.
Os diplomatas norte-americanos ficaram ocupados por semanas com a amenização dos danos causados. Enquanto a Suécia tenta conseguir a extradição de Julian Assange, por conta de acusações de estupro, uma guerra estourou por causa do WikiLeaks. Provavelmente sob a pressão do governo dos EUA, prestadores de serviços de internet tiraram o WikiLeaks de seu servidor, prestadores de serviços financeiros não encaminharam mais as doações destinadas à plataforma.
Enquanto isso, simpatizantes do portal atacaram os sites de empresas e departamentos públicos que consideravam inimigos do WikiLeaks. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA tentou tirar as lições do vazamento de dados e, para melhor proteger os seus segredos, separou as redes de dados que eram compartilhadas pelas Forças Armadas e pelo Departamento de Estado. De qualquer forma, segundo estimativa da mídia norte-americana, cerca de 2,5 milhões de pessoas possuem acesso aos dados confidenciais.
Alemães também discutem sobre dados privados
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: General Keith Alexander. Na Alemanha, a defesa de dados privados ocupou a opinião pública de outra forma. Desde janeiro de 2008, companhias de telecomunicações alemãs eram obrigadas a guardar, por motivo de segurança, dados das chamadas telefônicas e do tráfego de internet dos seus usuários durante seis meses. No dia 2 de março, o Tribunal Constitucional Federal definiu, no entanto, que esse armazenamento de dados é incompatível com a Lei Fundamental do país.
A briga em torno do novo serviço do gigante da internet Google, Street View, mostrou o quanto a proteção de dados privados é algo sagrado para os alemães. Desde meados de novembro, qualquer pessoa pode explorar pela internet as primeiras 20 cidades alemãs escaneadas pelo Google. Antes do lançamento do serviço, porém, houve uma discussão acalorada em torno do tema proteção da privacidade. No final, cerca de 250 mil cidadãos obrigaram a companhia a pixelizar as fachadas de suas casas no Street View.
Entretanto, eles não sabem o que estão perdendo. A interpenetração entre mundo físico e mundo virtual já produziu os seus primeiros heróis reais. Um deles é Bob Mewse. O inglês de 56 anos, residente na cidade de Bristol, se tornou famoso em novembro. Ele ficou tão decepcionado com sua aparência após se ver no Street View que passou a se alimentar de forma mais saudável e a praticar exercícios. Como consequência, perdeu um terço de seu peso.
Autor: Matthias von Hein (md)
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: dw-world.de
Data do acesso: 0/01/2011
Mais conhecimento disponível na web
Mais um serviço disponível de forma gratuita e de fácil manuseio está disponível na internet à população em geral. A Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho é uma importante e moderna ferramenta de acesso ao conhecimento, pesquisa e inclusão digital.
A Biblioteca participa do consórcio internacional OAI - Open Archives Initiative, dentro do qual cerca de 1.200 bibliotecas digitais de universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais de 59 países concordaram em abrir e compartilhar seus acervos de texto completo para a difusão e integração de sua produção científica.
Com esta parceria, estão disponíveis neste momento na Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho, os artigos de cerca de 30 mil periódicos científicos, as teses e dissertações de mestrado e doutorado de importantes universidades do exterior como, por exemplo, Harvard, Yale, Berkeley, Oxford, Cambridge, Universidade de Paris e Universidade do Porto, além de instituições de ensino superior brasileiras como a USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UNB e FGV.
Também estão integrados acervos digitalizados de várias Bibliotecas Nacionais, como a do Congresso Americano, Biblioteca Nacional da França e de Portugal.
A integração ibero-americana é enfatizada através da integração com a REDALYC, a maior rede científica de publicações da América Latina.
No âmbito do direito nacional, a Biblioteca Digital da Central de Cursos é integrada com o CNJ - Conselho Nacional de Justiça, STJ - Supremo Tribunal de Justiça, além de vários Tribunais Regionais do Trabalho, que disponibilizam milhares de pareceres, teses, discursos e sessões jurídicas.
O consórcio OAI significa um novo passo na difusão do conhecimento pela Internet, ao permitir concentrar em um só acervo e tornar encontrável um montante nunca antes alcançado de produção científica.
Com esta iniciativa, a Central de Cursos da Universidade Gama Filho - através da inserção nesta comunidade internacional - torna-se pioneira no país ao oferecer à comunidade acadêmica um recurso que objetiva oferecer subsídios de pesquisa e conhecimento inexplorados, fomentando a qualidade e inovação de seu ensino, extensão e produção científica.
Todo este universo do conhecimento é disponibilizado gratuitamente aos professores e alunos da Universidade Gama Filho e se estende a toda a população através do site: http://posugf.com.br/biblioteca/
Fonte: A Informação
Data: 07/01/2011
A Biblioteca participa do consórcio internacional OAI - Open Archives Initiative, dentro do qual cerca de 1.200 bibliotecas digitais de universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais de 59 países concordaram em abrir e compartilhar seus acervos de texto completo para a difusão e integração de sua produção científica.
Com esta parceria, estão disponíveis neste momento na Biblioteca Digital da Central de Cursos da Universidade Gama Filho, os artigos de cerca de 30 mil periódicos científicos, as teses e dissertações de mestrado e doutorado de importantes universidades do exterior como, por exemplo, Harvard, Yale, Berkeley, Oxford, Cambridge, Universidade de Paris e Universidade do Porto, além de instituições de ensino superior brasileiras como a USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UNB e FGV.
Também estão integrados acervos digitalizados de várias Bibliotecas Nacionais, como a do Congresso Americano, Biblioteca Nacional da França e de Portugal.
A integração ibero-americana é enfatizada através da integração com a REDALYC, a maior rede científica de publicações da América Latina.
No âmbito do direito nacional, a Biblioteca Digital da Central de Cursos é integrada com o CNJ - Conselho Nacional de Justiça, STJ - Supremo Tribunal de Justiça, além de vários Tribunais Regionais do Trabalho, que disponibilizam milhares de pareceres, teses, discursos e sessões jurídicas.
O consórcio OAI significa um novo passo na difusão do conhecimento pela Internet, ao permitir concentrar em um só acervo e tornar encontrável um montante nunca antes alcançado de produção científica.
Com esta iniciativa, a Central de Cursos da Universidade Gama Filho - através da inserção nesta comunidade internacional - torna-se pioneira no país ao oferecer à comunidade acadêmica um recurso que objetiva oferecer subsídios de pesquisa e conhecimento inexplorados, fomentando a qualidade e inovação de seu ensino, extensão e produção científica.
Todo este universo do conhecimento é disponibilizado gratuitamente aos professores e alunos da Universidade Gama Filho e se estende a toda a população através do site: http://posugf.com.br/biblioteca/
Fonte: A Informação
Data: 07/01/2011
Brasil é destino cada vez mais atraente para jovens cientistas, diz Economist
Revista afirma que maior trunfo do país é a liberdade que os pesquisadores têm nas universidades, onde podem ser pioneiros.
Em sua edição desta semana, a revista britânica The Economist afirma que o Brasil vem se tornando um destino cada vez mais atraente para a realização de pesquisas científicas e acadêmicas.
A revista traz dados que mostram o crescimento dessa área no país e cita iniciativas do governo que impulsionaram a pesquisa, que é um dos líderes mundiais em pesquisa, especialmente nas áreas de medicina tropical, bioenergia e biologia botânica.
No entanto, afirma que o maior trunfo do Brasil são as possibilidades oferecidas pelas universidades brasileiras para que os pesquisadores possam avançar.
"Você pode ter seu próprio laboratório aqui e pode até começar uma linha de pesquisa totalmente nova. Aqui, você é um pioneiro", afirma a geneticista botânica da Unicamp, na publicação.
Além disso, a revista destaca o fato de que as bolsas para pesquisadores iniciantes têm um valor equiparável aos padrões mundiais, mas faz uma ressalva: o mesmo não acontece para acadêmicos mais experientes.
Incentivo
"No entanto, a Fapesp está tentando (mudar esse cenário). A instituição publicou um anúncio na revista científica Nature sobre um programa de dois anos para se estudar em universidades de São Paulo", afirma a publicação.
"E apesar de a maioria das respostas ter vindo de cientistas de início de carreira, são os mais experientes que estão sendo chamados para conversar. E a Fapesp a espera que durante esses dois anos, eles aprendam o português e - alguns deles - decidam ficar no país."
Segundo a revista, o Brasil formou 500 mil alunos no ensino superior e 10 mil PhDs em um ano - dez vezes mais do que há 20 anos. O país também aumento sua participação no volume total de estudos científicos publicados no mundo: de 1,7% em 2002 para 2,7% em 2008.
A Economist afirma ainda que fazer parte da iniciativa científica global está ligado também ao orgulho nacional. "Ao investir em ciência em seu próprio território, países tropicais garantem que não são apenas os problemas das nações ricas e temperadas que são resolvidos".
A matéria pode ser lida em:
http://www.economist.com/node/17851421?story_id=17851421&fsrc=rss
(Com informações da BBC Brasil)
Fonte: JC e-mail 4173
Data: 07/01/2011
Em sua edição desta semana, a revista britânica The Economist afirma que o Brasil vem se tornando um destino cada vez mais atraente para a realização de pesquisas científicas e acadêmicas.
A revista traz dados que mostram o crescimento dessa área no país e cita iniciativas do governo que impulsionaram a pesquisa, que é um dos líderes mundiais em pesquisa, especialmente nas áreas de medicina tropical, bioenergia e biologia botânica.
No entanto, afirma que o maior trunfo do Brasil são as possibilidades oferecidas pelas universidades brasileiras para que os pesquisadores possam avançar.
"Você pode ter seu próprio laboratório aqui e pode até começar uma linha de pesquisa totalmente nova. Aqui, você é um pioneiro", afirma a geneticista botânica da Unicamp, na publicação.
Além disso, a revista destaca o fato de que as bolsas para pesquisadores iniciantes têm um valor equiparável aos padrões mundiais, mas faz uma ressalva: o mesmo não acontece para acadêmicos mais experientes.
Incentivo
"No entanto, a Fapesp está tentando (mudar esse cenário). A instituição publicou um anúncio na revista científica Nature sobre um programa de dois anos para se estudar em universidades de São Paulo", afirma a publicação.
"E apesar de a maioria das respostas ter vindo de cientistas de início de carreira, são os mais experientes que estão sendo chamados para conversar. E a Fapesp a espera que durante esses dois anos, eles aprendam o português e - alguns deles - decidam ficar no país."
Segundo a revista, o Brasil formou 500 mil alunos no ensino superior e 10 mil PhDs em um ano - dez vezes mais do que há 20 anos. O país também aumento sua participação no volume total de estudos científicos publicados no mundo: de 1,7% em 2002 para 2,7% em 2008.
A Economist afirma ainda que fazer parte da iniciativa científica global está ligado também ao orgulho nacional. "Ao investir em ciência em seu próprio território, países tropicais garantem que não são apenas os problemas das nações ricas e temperadas que são resolvidos".
A matéria pode ser lida em:
http://www.economist.com/node/17851421?story_id=17851421&fsrc=rss
(Com informações da BBC Brasil)
Fonte: JC e-mail 4173
Data: 07/01/2011
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