quarta-feira, 30 de março de 2011

Open Access no Brasil: o PL 1120/2007 pede socorro

Artigo de Hélio Kuramo*, do Ibict, enviado pelo autor ao JCemail.

Em meados do ano de 2007, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) articulou junto ao, à época, Deputado Rodrigo Rollemberg, hoje Senador da República, a submissão de projeto de lei (PL)  com o propósito de registrar e disseminar a produção científica brasileira, em acesso livre, publicada em revistas com revisão por pares. Este PL propõe, também, a criação de um comitê  para discutir e propor política nacional de informação científica com base nas estratégias do acesso livre. O acesso livre, também conhecido como Open Access (OA), é um movimento global em prol do acesso livre à literatura científica.

O OAfoi motivado pelas barreiras ao acesso  aos resultados de pesquisas que são publicados em revistas científicas, também denominado de informação científica. Este  insumo  é crucial para o desenvolvimento das pesquisas.Tais dificuldades são advindas do excessivo crescimento dos preços de assinaturas dessas revistas. Desde o final dos ano 80, as bibliotecas das universidades e de instituições de pesquisa vêm enfrentando dificuldades na manutenção de suas coleções de revistas científicas.

Estudo promovido pela Association of Research Library (ARL) indicou que suas bibliotecas membro tiveram um incremento nos custos de manutenção de suas coleções de revistas científicas da ordem de 321%, no período de 1986 a 2006, enquanto que o incremento no índice de preços ao consumidor, nesse mesmo período, nos EUA, ficou em 78%. Trata-se de um fenômeno mundial. No Brasil, as nossas bibliotecas encontram as mesmas dificuldades. Devemos louvar a existência e manutenção do Portal de Periódicos da Capes, que  possibilita à maioria dos pesquisadores brasileiros  o acesso a cerca de 15 mil periódicos. No entanto, existem, hoje, cerca de 25 mil periódicos científicos, os quais publicam cerca de 2 milhões e meio de artigos por ano.

Fonte: JC e-mail 4228
Data: 30/03/2011

Pesquisadores de várias partes do mundo se uniram e vem promovendo o movimento global Open Access (OA). O objetivo principal deste movimento, segundo Stevan Harnad, um dos seus principais líderes, é tornar os cerca de 2 milhões e meio de artigos acessíveis livremente. A literatura em acesso livre, segundo Peter Suber, significa: 1)acesso em linha, portanto, literatura em meio digital; 2) acesso imediato. Ou seja, a partir do momento em que o artigo é selecionado para publicação; 3) acesso livre de custos, portanto, acesso gratuito e,  livre da maioria das restrições e licença de uso.  Com esses ideais estabelecidos, duas estratégias foram propostas: 1)  a golden road; 2) a green road.

A estratégia via dourada (golden road) recomenda a conversão das revistas científicas, normalmente, comerciais, em revistas de acesso livre. Alguns modelos de negócios surgiram para manter a sua sustentabilidade. Um desses modelos se assemelha  aos modelos adotados por programas de tv e rádio. Neste caso, as instituições pagam pela sua produção e a sociedade os assiste livremente. De forma análoga, os autores pagam para que os seus artigos sejam disponibilizados em acesso livre. Usualmente, quem na verdade arca com esses custos são as agências de fomento. O artigo é submetido a todo o processo de revisão e, quando selecionado, o autor é solicitado a pagar uma taxa. Na editora Royal Society, essa taxa faz parte da sua política de acesso livre e se denomina: Excellence in Science Open Choice - EXiS Open Choice. Neste caso, a editora se compromete, inclusive, a fazer o depósito dos artigos em um repositório de acesso livre (RDAL). Esta taxa tem o valor de 1.400 libras ou cerca de 2,380 dólares americanos,visto no site daquela sociedade em 06/02/2011.

A segunda estratégia, a via verde (green road), recomenda que as universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento construam seus RDAL. No caso de universidades e instituições de pesquisa, esses repositórios recebem a denominação de repositórios institucionais (RI). No caso das agências de fomento, estes recebem a denominação de repositórios centrais (RC). Ambos os tipos de repositórios fornecem acesso livre aos seus conteúdos. Para que tais repositórios sejam alimentados as instituições normalmente estabelecem um mandato ou política, os quais estabelecem a obrigatoriedade, aos seus pesquisadores, de depositarem uma cópia  dos seus trabalhos publicados em revistas científicas nos repositórios de suas instituições.

Em alguns países, esses mandatos são estabelecidos mediante leis. É o caso dos EUA, que em meados de 2008, o seu Congresso aprovou uma lei determinado que todos os pesquisadores beneficiados por financiamentos às suas pesquisas, por intermédio do National Institute of Health (NIH), depositassem uma cópia de seus trabalhos publicados em revistas científicas no PubMed Central, seu RC. Hoje, um novo projeto de lei está em discussão nos EUA, o FRPAA - Federal Research Public Access Act, que estenderá a lei aprovada para o NIH às outras agências de fomento americanas. A diferença entre as duas leis é que a nova proposta reduz de 12 meses para 6 o prazo dado para o depósito.Este prazo refere-se  ao prazo entre a seleção do seu artigo para publicação e o seu efetivo depósito um RDAL.

A Comunidade Européia (CE) determinou aos pesquisadores que receberam auxílios ou financiamentos para as suas pesquisas, que depositem uma cópia dos seus trabalhos publicados em revistas científicas em um RDAL. Para atender e dar suporte a essa determinação, a CE lançou recentemente o seu sítio OpenAIRE - Open Access Infraestructure for Research in Europe.

Hoje, as iniciativas de Open Access são uma realidade irreversível, deixando de ser um simples sonho. Stevan Harnad e seus colaboradores têm realizado estudos sobre o impacto do Open Access na produção científica. Chegaram à conclusão que os trabalhos depositados em RDAL têm sempre, em todas as áreas do conhecimento, um  incremento positivo no seu fator de impacto, veja gráfico abaixo:

aumento citações com Acesso Livre



Além de benefícios para os autores/pesquisadores (maior visibilidade e fator de impacto), os RI poderão fornecer indicadores úteis ao planejamento dos investimentos em ciência, pois, os seus conteúdos possibilitam a geração de indicadores estatísticos sobre a produção científica da instituição (se gerados a partir apenas do seu RI), ou da produção científica nacional (se forem gerados a partir dos RI de todas as universidades e instituições de pesquisas integradas). Obviamente, isto só será possível se houver mecanismos (políticas/mandatos) que garantam os depósitos. É neste ponto que o PL 1120/2007 se faz necessário para o sucesso do acesso livre no Brasil, devido ao seu teor regulatório.

Na contramão das iniciativas internacionais, no Brasil, recentemente, devido ao seu regimento interno a Câmara dos Deputados arquivou o PL 1120/2007. Reitero, face ao exposto, a importância deste projeto de lei para o País, não apenas em termos de desenvolvimento científico, mas principalmente para a visibilidade de seus investimentos em ciência, assim como para a visibilidade de suas instituições de educação superior e de pesquisa e, enfim, para a visibilidade dos pesquisadores. As proposições constantes deste PL, se implementadas, proporcionarão maior intercâmbio das nossas instituições e pesquisadores com os seus contrapartes nacionais e internacionais. Portanto, os benefícios que este projeto de lei, se aprovado, trarão para o País são incontestes.

Por esta razão, solicito aos dirigentes do Ministério da Ciência e Tecnologia que intercedam e articulem junto aos nossos parlamentares a reativação das discussões e encaminhamento do referido PL, dando-lhe a celeridade necessária.

Para mostrar a importância de tal iniciativa, tomei a liberdade de fazer uma petição a ser encaminhada para a Câmara dos Deputados até o final do mês de fevereiro. Desta forma, peço especial atenção dos  dirigentes do MCT. Aproveito para solicitar, também, aos senhores leitores deste prestigioso jornal que assinem a referida petição, agregando-se às mais de 550 assinaturas já consignadas até o presente momento, hoje, 06/02/2011 às 18:17.

*Hélio Kuramoto é Doutor em Ciência da Informação Pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), atualmente desenvolvendo pesquisa em pós-doutorado na Arizona State University (ASU). Email: alokura2010@gmail.com.

Plataforma de conhecimento

Por Elton Alisson

www.bvce.org
O Centro Edelstein de Ciências Humanas, no Rio de Janeiro, unificou suas quatro bibliotecas virtuais em um único portal na internet.

De acordo com o diretor do Centro Edelstein, Bernardo Sorj, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o objetivo da iniciativa foi facilitar o acesso gratuito de pesquisadores ao acervo de mais de 40 mil textos que o Centro desenvolveu nos últimos anos em parceria com outras instituições com base na constatação de que as publicações científicas brasileiras e latino-americanas na área de ciências humanas não atingem o público do exterior.
“Fala-se muito no Brasil sobre globalização, sobre internacionalização da ciência e impactos intelectuais além das fronteiras, mas o fato é que no mundo científico se lê pouco português. Inclusive, fizemos uma pesquisa nos Estados Unidos que indicou que muitos latino-americanistas entendem espanhol, mas não compreendem português”, disse Sorj, à Agência FAPESP.
Para possibilitar o acesso da comunidade internacional às revistas em ciências sociais da América Latina, o Centro Edelstein desenvolveu há três anos, em parceria com a Scientific Eletronic Library Online (SciELO) – um programa da FAPESP conduzido em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) –, uma biblioteca virtual de artigos de revistas latino-americanas traduzidos para o inglês.

Denominada SciELO Social Sciences English Edition, o serviço conta com mais de 600 artigos publicados em 30 revistas científicas, sendo 15 brasileiras e as outras 15 latino-americanas. “São os próprios editores das revistas que indicam os artigos para publicação na biblioteca. A única condição para publicarmos é que os artigos sejam de autores brasileiros”, disse Sorj.
Em seguida à base de artigos, o Centro lançou, em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, a biblioteca virtual Plataforma Democrática, cujo acervo é composto por artigos e trabalhos acadêmicos sobre democracia na América Latina. “Ela já reúne quase 20 mil textos e cem vídeos e está em constante expansão”, disse.

No ano passado, o Centro Edelstein iniciou o desenvolvimento de uma terceira biblioteca virtual, composta por livros de autores brasileiros ou residentes no Brasil que estão fora de circulação. Os direitos autorais dos livros que compõem a biblioteca retornaram aos autores ou estão nas mãos de editoras, que autorizaram o Centro a publicá-los na internet.

“Reeditamos essas obras na biblioteca virtual, que soma 110 títulos de autores brasileiros em todas as áreas das ciências sociais”, disse Sorj.
A quarta biblioteca criada pelo Centro disponibiliza mais de 20 mil publicações, em diversas línguas, sobre sociedade da informação. E, de acordo com o diretor, foi criada para suprir a insuficiência de bibliografia sobre o tema.

Acesso internacional
As bibliotecas virtuais do Centro Edelstein registram de 6 mil a 10 mil acessos de pesquisadores localizados por mês, do Brasil e de diversos outros países. Em média, os acessos duram entre 6 e 10 minutos, que é muito superior ao tempo de acesso registrado pelos sites convencionais, de acordo com Sorj.

“Nossos acessos são de qualidade e realizados a partir de países como China, Japão, Rússia e Estados Unidos, entre diversos outros. Dificilmente as publicações brasileiras em meio impresso chegariam a esses países”, apontou.

Segundo Bernardo Sorj, as publicações científicas impressas ainda gozam de um prestígio no mundo acadêmico que não condiz com a realidade, em que a tendência é publicar cada vez mais eletronicamente, na internet.

“Acreditamos que o meio virtual seja o mais adequado, o mais econômico, o mais democrático e o que atinge melhor o objetivo de uma publicação científica, que é o de disseminar a produção do conhecimento entre os cientistas da forma mais ampla possivel”, afirmou.

O professor Sorj conta que, ao criar as bibliotecas virtuais, o Centro Edelstein pretende demonstrar a viabilidade e relevância do projeto e estimular outras instituições a lançar iniciativas semelhantes.
As quatro bibliotecas virtuais do Centro Edelstein podem ser acessadas em: www.bvce.org

Fonte: AGência FAPESP
Data: 30/03/2011

Potências científicas emergentes

A ciência dos países em desenvolvimento é destaque no relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century, produzido pela Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, e divulgado no dia 28.
De acordo com o documento, Brasil, China, Índia e Coreia do Sul estão “emergindo como atores principais no mundo científico para rivalizar com as superpotências tradicionais” – Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.
Na China, o investimento em pesquisa e desenvolvimento tem crescido a uma média de 20% ao ano desde 1999, chegando aos US$ 100 bilhões (ou 1,44% do PIB) em 2007. E o país pretende investir ainda mais, alcançando um investimento no setor de 2,5% do PIB até 2020.
“O crescimento da China é sem dúvida o mais impressionante, mas Brasil, Índia e Coreia do Sul estão rapidamente no mesmo caminho e (com base na simples extrapolação de tendências existentes) poderão ultrapassar a produção [científica] da França e do Japão no início da próxima década”, disse o relatório.
“O Brasil, na linha de sua aspiração de se tornar uma ‘economia do conhecimento natural’, com base em seus recursos naturais e ambientais, está trabalhando para aumentar o investimento em pesquisa de 1,4% do PIB, em 2007, para 2,5%, em 2022”, apontou o relatório – segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o país aplicou 1,1% do PIB em ciência em 2007.
O documento também identifica outros países que estão se destacando no cenário internacional, ainda que não tenham uma sólida base no setor, como Cingapura, Irã, Tunísia e Turquia.
“O mundo científico está mudando e novos atores estão surgindo rapidamente. Além da emergência da China, notamos evoluções no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e no norte da África, entre outros. O aumento da pesquisa e da colaboração científica, que pode nos ajudar a encontrar soluções para os desafios globais, é muito bem-vindo”, disse Sir Chris Llewellyn Smith, que presidiu o grupo consultor do estudo.
“Os dados do relatório da Royal Society são interessantes e registram o progresso que o Brasil vem tendo nos últimos 20 anos no aumento de sua produção científica. Alguma cautela deve ser adotada entretanto, pois, após 2008, com a crise econômica mundial, pode ter havido mudanças nas tendências extrapoladas. Além disso, o relatório parece ter se baseado muito em fontes secundárias em vez de usar as fontes primárias de dados, que seriam mais confiáveis”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.
Artigos publicados
Uma grande variedade de dados foi analisada para o levantamento, incluindo tendências no número de publicações científicas produzidas por todos os países.
Os dados de publicações e citações foram produzidos e analisados em colaboração da Royal Society com a Elsevier, utilizando a base Scopus e resumos da literatura científica global analisada por pares.
Os dados indicam mudanças na autoria dos artigos científicos entre os períodos de 1993-2003 e 2004-2008. Embora os Estados Unidos ainda continuem na liderança, sua parcela na produção científica mundial caiu de 26% para 21% entre os períodos. A China, por sua vez, passou de sexto para o segundo lugar, pulando de 4,4% para 10,2% do total. O Reino Unido continua em terceiro, mas com queda de 7,1% para 6,5%.
O relatório da Royal Society também avaliou dados referentes a citações dos artigos, indicador frequentemente usado para avaliar a qualidade das públicações e o reconhecimento dos trabalhos dos pesquisadores por seus pares.
Nos dois períodos analisados, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar no ranking, seguidos pelo Reino Unido. Mas os dois tiveram queda nos números apresentados, enquanto se percebe o crescimento dos países emergentes nas citações, especialmente da China.
Concentração da pesquisa
O relatório destaca também a concentração das atividades científicas dentro dos países, como nos Estados Unidos, onde três quartos do investimento em ciência e tecnologia estão concentrados em dez estados, com a Califórnia sozinha sendo responsável por mais de um quinto do total nacional.
“Na maioria dos países há concentração da atividade de pesquisa em determinados locais. Moscou responde por 50% dos artigos publicados na Rússia; Teerã, Praga, Budapeste e Buenos Aires chegam a 40%, e Londres, Pequim, Paris e São Paulo, a 20% da produção nacional”, apontou.
De acordo com o relatório, o notável crescimento de São Paulo, que pulou, na última década, 21 posições na lista das cidades que mais publicam artigos científicos no mundo, “reflete o rápido crescimento da atividade científica no Brasil e o papel da cidade como a capital do estado com a mais forte tradição científica”.
Nesse ponto, a publicação destaca a definição, pela Constituição do Estado de São Paulo de 1947, de um orçamento próprio para a FAPESP, baseado na transferência de 0,5% do total da receita tributária do Estado, percentual posteriormente elevado para 1%, pela Constituição de 1989.
Segundo o texto, na busca competitiva global por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, instalações e talentos científicos, são cidades e regiões, e não países, as unidades mais relevantes.
“As cidades e regiões líderes científicas são bem-sucedidas porque facilitam o intercâmbio entre instituições e organizações. Elas geralmente oferecem uma concentração elevada de talento diversificado, capaz de apoiar uma economia baseada no conhecimento”, indicou.
Colaboração internacional
A publicação também enfatiza a crescente importância da colaboração internacional na condução e no impacto da ciência global e sua capacidade para resolver desafios globais, tais como segurança energética, mudanças climáticas e perda de biodiversidade.
O relatório concluiu que a ciência está se tornando cada vez mais global, com pesquisas cada vez mais extensas e conduzidas em mais locais. A colaboração tem crescido rapidamente e atualmente 35% dos artigos publicados em periódicos internacionais resultam da cooperação entre pesquisadores e grupos de pesquisa. Há 15 anos, o total era de 25%.
“A ciência é um empreendimento global. Hoje, há mais de 7 milhões de pesquisadores no mundo, que utilizam um investimento combinado em pesquisa e desenvolvimento superior a US$ 1 trilhão (um aumento de 45% desde 2002), leem e publicam em cerca de 25 mil periódicos científicos por ano”, indicou.
“Esses pesquisadores colaboram uns com os outros, motivados pelo desejo de trabalhar com as melhores pessoas e instalações no mundo, e pela curiosidade, buscando novos conhecimentos que permitam avançar seu campo ou lidar com problemas específicos.”
Língua da pesquisa
O relatório ressalva que, embora o inglês seja a “língua franca” da pesquisa, há ainda barreiras linguísticas importantes para a ciência mundial. No Brasil e na América Latina, por exemplo, há dificuldade em avaliar o impacto da pesquisa produzida no país e na região, uma vez que a maioria dos artigos é publicada em português ou espanhol e não é capturada pelas métricas globais.
As barreiras impostas pelas diferentes línguas ajudam a fazer com que a colaboração entre os países em desenvolvimento ainda seja mínima. “Enquanto as relações entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) cresceram recentemente, elas perdem em comparação com o volume da colaboração entre esses países individualmente e seus parceiros no G7”, apontou.
O relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century está disponível em: http://royalsociety.org/policy/reports/knowledge-networks-nations

Fonte: Agência FAPESP
Data: 30/03/2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Encontro internacional sobre ciência da informação recebe resumos até quinta-feira (31)

Ética e responsabilidade na pesquisa e no ensino norteiam programação.

A nona edição do Encontro da Associação de Educação e Investigação em Ciência da Informação da Iberoamérica e Caribe (Edicic) será de 30 de maio a 1º de junho no campus da Unesp em Marília. O evento, que tem como tema geral Pesquisa e Ensino na Área de Ciência da Informação: ética e responsabilidade social, aceita resumos de trabalhos até quinta-feira (31).

Os trabalhos completos devem ser enviados até 20 de maio, após avaliação e comentários dos respectivos comitês científicos. O 9] Edicic é organizado pela Associação de Educação e Investigação em Ciência da Informação da Iberoamérica e Caribe e realizado pelo Departamento de Ciência da Informação (DCI) e pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Unesp, com apoio da Fundação para o Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão (Fundepe).

O evento tem quatro comitês científicos, com os subtemas: (1) Ética na pesquisa e no ensino na área de Ciência da Informação (CI); (2) Pesquisa acadêmico-científica como elemento propulsor para a construção de conhecimento na área de CI; (3) Responsabilidade social: relação entre a área de CI e os diferentes segmentos sociais; e (4) Profissional da informação: responsabilidade e comprometimento para o acesso à informação.

Pertinência temática - O resumo deve se encaixar em um dos quatro subtemas. Os critérios para aceitação de trabalhos são: pertinência à temática do evento, pertinência do conteúdo, clareza e articulação dos conceitos e ideias, atualização dos conceitos e que o artigo esteja em acordo com as normas de submissão de trabalhos.

Todos os trabalhos aprovados serão publicados na Revista Edicic. A palestra de abertura será ministrada por Toni Samek, da Universidade de Alberta (Canadá). O especialista destaca o tema Ética e Responsabilidade Social no Âmbito da Ciência da Informação.

A taxa de inscrição para estudantes sócios é de R$ 40, e para estudantes não sócios, de R$ 50 até quinta (31). A tabela completa está disponível em http://migre.me/46JaJ. Interessados do Campus de Marília podem também pagar a taxa na Fundepe, às segundas-feiras, das 8h às 12h e das 14h às 18h.
(Ascom Unesp)

Fonte: JC e-mail 4225
Data: 25/03/2011

Software livre de Gestão de Bibliotecas

Área educacional ganha dois novos programas de software livre

     Hoje (28) foi realizado o lançamento de duas novas aplicações para a área de educação: o Gestão Acadêmica, também chamado Sagu, e o Gestão de Bibliotecas, o Gnuteca. Ambas foram desenvolvidas pela Cooperativa de Soluções Livres (Solis), com o apoio do Centro Universitário Univates de Lageado, no Rio Grande do Sul. O evento aconteceu na sede da Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs), em Porto Alegre.

     Os dois programas, licenciados como softwares livres, serão hospedados no portal do Software Público Brasileiro (SPB), coordenado pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento (SLTI/MP).

     De acordo com o diretor do Departamento de Governo Eletrônico da SLTI, João Batista Ferri de Oliveira, além de baixar e utilizar as ferramentas gratuitamente, o interessado ou entidade tem a liberdade de alterar o código das aplicações adequando-as a sua realidade e disponibilizar a nova versão para outras pessoas da comunidade.

     “Uma das finalidades do Sagu é automatizar os processos de instituições de ensino, como o registro da vida escolar do estudante, desde a sua admissão até a expedição do certificado do curso. Já o software para gestão de bibliotecas vai atender o gerenciamento de livros e periódicos de entidades e escolas de pequeno, médio e grande porte”, esclarece Ferri.

    Outras informações: http://www.solis.org.br/


Fonte: Gestão C&T Nº 1023
Data: 28/03/2011

Biblioteca digital melhor que do Google


Robert Darnton*

Somente uma instituição pública pode cuidar do acesso à herança cultural
O juiz federal Denny Chin, de Manhattan, rejeitou na terça o acordo entre o Google, que pretende digitalizar todos os livros já publicados, e um grupo de autores e editores que processou a empresa por violações de copyright. Essa decisão representa uma vitória para o bem público, evitando que uma única corporação monopolize o acesso à nossa herança cultural comum.
Independentemente disso, não devemos abandonar o sonho do Google de tornar todos os livros do mundo acessíveis para todos. Em vez disso, devemos construir uma biblioteca pública digital, oferecendo cópias digitais gratuitas aos leitores. É verdade que há muitos problemas - legais, financeiros, tecnológicos e políticos - pelo caminho. Mas todos eles podem ser resolvidos.
Consideremos as questões legais levantadas pelo acordo rejeitado. Iniciado em 2005, o projeto do Google para a digitalização dos livros permitiu que o conteúdo de milhares de títulos fosse incluído nos resultados das buscas na rede, levando o Author"s Guild e a Associação Americana de Editores a afirmar que os trechos mostrados aos usuários representavam uma violação dos direitos autorais. O Google poderia ter se defendido, alegando que fazia uso legítimo das obras, mas a empresa preferiu negociar um acordo.
O resultado foi um documento extenso e complicado conhecido como Acordo Emendado (Amended Settlement Agreement, em inglês) que simplesmente fatiava o bolo. O Google venderia o acesso ao seu banco de dados digitalizado, e os lucros seriam partilhados com os querelantes, que então se tornariam seus sócios. A empresa ficaria com 37% do total; os autores receberiam 63%. Essa solução equivalia a uma alteração das leis do direito autoral por meio de um processo individual, conferindo ao Google uma proteção legal que seria negada aos seus concorrentes. Foi esse o principal motivo da objeção do juiz.
Em audiências no tribunal realizadas em fevereiro de 2010, várias pessoas disseram que o Author"s Guild, composto por 8 mil membros, não as representava e nem aos muitos autores de publicaram livros nas últimas décadas. Algumas afirmaram preferir que suas obras fossem oferecidas sob condições diferentes; outras queriam até que seus livros fossem oferecidos gratuitamente. Mas o acordo definia os termos para todos os autores, a não ser que eles notificassem especificamente o Google de sua intenção de não participar dele.
Em outras palavras, o acordo não fez aquilo que se espera dos documentos desse tipo, como corrigir uma suposta violação dos direitos autorais ou proporcionar indenizações pelos incidentes anteriores; em vez disso, o acordo parecia determinar como seria o futuro da evolução do mundo digital dos livros.
O juiz Chin abordou esse ponto ao se concentrar na questão dos livros órfãos - ou seja, os protegidos pelo direito autoral cujos detentores dos direitos não tinham sido identificados. O acordo confere ao Google o direito exclusivo de digitalizar e comercializar o acesso a esses livros sem ser alvo de processos por violações de copyright. De acordo com o juiz, essa provisão conferiria ao Google "um monopólio de fato sobre obras de autoria indeterminada", levando a graves preocupações com a formação de um truste.
Chin convidou o Google e os querelantes a reescrever outra vez os termos do acordo, talvez alterando os dispositivos de inclusão e exclusão dos participantes. Mas o Google pode muito bem se recusar a alterar sua estratégia comercial básica. É por isso que o que realmente precisamos é uma biblioteca pública digital.
Uma coalizão de fundações arrecadaria o dinheiro necessário (as estimativas do custo da digitalização de uma página variam muito, de US$ 0,10 a US$ 10 ou mais), e uma coalizão de bibliotecas de pesquisa poderia fornecer os livros. A biblioteca digital respeitaria os direitos autorais, é claro, e provavelmente excluiria obras atualmente disponíveis nas livrarias a não ser que seus autores desejassem torná-las disponíveis. Os livros órfãos seriam incluídos, desde que o Congresso aprovasse uma lei que os tornassem gratuitos para o uso não comercial numa biblioteca genuinamente pública.
Diminuir a importância disso e considerar o episódio como meramente quixotesco equivaleria a ignorar os projetos digitais que se mostraram valiosos e práticos ao longo dos últimos 20 anos. Todas as grandes bibliotecas de pesquisa já digitalizaram partes de seus acervos. Iniciativas de larga escala como a Knowledge Commons e o Internet Archive já digitalizaram muitos milhões de livros por iniciativa própria.
Alguns países também se mostram determinados a bater o Google no seu próprio jogo ao digitalizar todo o conteúdo de suas bibliotecas nacionais. A França está gastando 750 milhões na digitalização de seus tesouros culturais; a Biblioteca Nacional da Holanda tenta digitalizar cada livro e jornal publicados no país desde 1470; Austrália, Finlândia e Noruega estão se dedicando a esforços semelhantes.
Talvez o próprio Google pudesse ser recrutado para a causa da biblioteca pública digital. A empresa já digitalizou cerca de 15 milhões de livros; desses, 2 milhões são de domínio público, podendo ser entregues à biblioteca como ponto de partida do seu acervo. A empresa não perderia nada com esse gesto de generosidade. Por meio da magia tecnológica e da própria audácia, o Google mostrou como podemos transformar a riqueza intelectual de nossas bibliotecas, grandes conjuntos de livros que jazem inertes nas prateleiras. Mas somente uma biblioteca pública digital dará aos leitores aquilo que eles necessitam para enfrentar os desafios do século 21 - um vasto acervo de conhecimento que possa ser consultado, gratuitamente, por qualquer um e a qualquer momento.

*professor e diretor da Biblioteca da Universidade Harvard, no The New York Times; com tradução de Augusto Cali.

Artigo originalmente publicado no New York Times, de 23/03/2011.
Tradução publicada no Estado de S. Paulo, de 28/03/2011.

sexta-feira, 25 de março de 2011

RS tinha "dente-de-sabre" herbívoro e com molar no céu da boc

REINALDO JOSÉ LOPES

A criatura possuía dentes-de-sabre, como os famosos "tigres", mas não tinha nada de carnívora. O resto da dentição até lembrava a dos mamíferos atuais, com uma diferença crucial: o céu da boca servia para mastigar.

Essa anatomia bucal inusitada, nunca vista antes num vertebrado, justifica o nome científico do bicho. O Tiarajudens eccentricus era, de fato, excêntrico --talvez a mais estranha das espécies que povoavam o Rio Grande do Sul há 260 milhões de anos.
Um grupo de paleontólogos está apresentando o animal ao mundo hoje, em artigo na prestigiosa revista americana "Science".

Com 12 centímetros de comprimento e bastante afiados, os caninos parecem máquinas de matar, mas há raros casos de herbívoros com dentes desse tipo, como certos veados asiáticos.
Com base nesses exemplos, dá para traçar algumas hipóteses. Os "sabres" poderiam servir para afugentar predadores. Talvez fossem exibidos e/ou empregados durante disputas por poder e parceiros sexuais.

Science/AP
Estranha dentição talvez ajudasse a afugenta predadores do "Tiarajudens eccentricus" (em cinza na ilustração)
Estranha dentição talvez ajudasse a afugenta predadores do "Tiarajudens eccentricus" (em cinza na ilustração)   

DE FIBRA
Esquisitices à parte, o bicho é importante por mostrar um evento evolutivo crucial: como surgiram os especialistas em devorar plantas.
"A alimentação dele envolvia algum tipo de material vegetal fibroso. A gente sabe que não era capim, porque a grama ainda não havia surgido naquela época. Talvez algo como folhas e caules", diz Juan Carlos Cisneros, paleontólogo nascido em El Salvador, atualmente na Universidade Federal do Piauí.
Ele é o coordenador do estudo, do qual participaram cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da sul-africana Universidade do Witwatersrand.
Timidamente, Cisneros pede que não se use a palavra "réptil" para se referir ao T. eccentricus. De fato, o bicho não cabe nas classificações tradicionais que usamos para as espécies de hoje.

Science/AP
Crânio do dinossauro "Tiarajudens eccentricus", que viveu há 26 milhões no Rio Grande do Sul
Crânio do dinossauro "Tiarajudens eccentricus", que viveu cerca de 26 milhões de anos atrás no Rio Grande do Sul
Embora tenha algo de lagartão (o tamanho era o de uma capivara), faz parte de um grupo de animais ligados aos avós dos mamíferos, os chamados terápsidos.
A evolução dos terápsidos foi a responsável por criar os primeiros ecossistemas terrestres com cara "moderna", nos quais os herbívoros são maioria. E os estranhos dentes no céu da boca do T. eccentricus ajudam a documentar essa transição.
É que esses dentes apresentam formato diferenciado e padrão de desgaste característico, lembrando os molares dos mamíferos de hoje.
Permitiam processar cuidadosamente os vegetais fibrosos, extraindo deles mais nutrientes do que os dentes de répteis, que só permitem arrancar bocados da comida.
"Há lagartos hoje com dentes no palato [céu da boca], mas eles só servem para prender a comida, nunca para mastigar", diz Cisneros.
Mas como mastigar com o céu da boca sem morder a língua?
"Boa pergunta", ri o paleontólogo. "Achamos que os dentes de baixo, que ainda não foram achados, provavelmente estavam mais para dentro, o que evitaria isso."

SAIBA MAIS
Dentes-de-sabre parecem ser o tipo de "invenção" evolutiva que aparece com alguma frequência. Só entre mamíferos que habitaram a América do Sul, há dois exemplos famosos.
O mais conhecido é o Smilodon, o dente-de-sabre por excelência (o termo "tigre" não é adequado; o bicho não é parente próximo de nenhum felino vivo e não era tigre). Sumiu há 10 mil anos e conviveu com os primeiros habitantes humanos do Brasil.
E há também uma versão marsupial (primo, portanto, dos cangurus), o Thylacosmilus, desaparecido há 3 milhões de anos.

Fonte: Folha.com
Data: 25/03/2011

Saiba quais foram os dinossauros que habitaram o território gaúcho

Quatro dos mais antigos dinossauros do mundo foram achados no Rio Grande do Sul


Além de uma série de anônimos dicinodontes e tecodontes, répteis que proliferavam durante o Triássico, quatro dos mais antigos dinossauros do mundo foram achados no Rio Grande do Sul, reforçando a tese de que o atual território gaúcho pode ter testemunhado o alvorecer dos répteis que dominaram o planeta por 130 milhões de anos:

Staurikosaurus Pricei




- Local da descoberta: Santa Maria, em 1936
- Época: 230 milhões de anos
Guaibasaurus Candelariensis



- Local da descoberta: Candelária, em 1998
- Época: 220 milhões de anos

Saturnalia Tupiniquim


- Local da descoberta: Santa Maria, em 1998
- Época: 220 milhões de anos

Unaysaurus Tolentinoi


- Local da descoberta: São Martinho da Serra, em 1998
- Época: 225 milhões de anos
 
 
 
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O crânio é apenas parte da pesquisa. Os cientistas deverão demorar mais um ano para montar o quebra-cabeça final, já que na rocha foram achados também parte do tronco e dos membros do Tiarajudens.

Fonte: ZH online
Data:25/03/2011

Projeto leva estudantes de Nova Petrópolis a viver uma noite entre personagens e histórias

Dez estudantes dormiram na biblioteca pública Professora Elsa Hosftätter da Silva na última quarta-feira


Vanessa Franzosi | vanessa.franzosi@gruporbs.com.br

Às 19h de quarta-feira, quando normalmente a biblioteca pública Professora Elsa Hosftätter da Silva, em Nova Petrópolis, está fechada, um grupo de crianças adentrou o espaço. Com mochilas cheias de roupas de cama e pijamas, 10 estudantes do projeto Criança Feliz, que proporciona atividades no turno inverso ao da escola, foram selecionados para dormir no meio dos livros.

A iniciativa de levar a criançada para uma noite entre as obras literárias é da direção da biblioteca e ocorre uma vez ao ano. Essa foi a segunda edição. A aventura bem que poderia estar entre as travessuras de O Menino Maluquinho, de Ziraldo.

Rodeada por voluntários, que garantiram cuidados aos visitantes, a turma se tornou personagem da história. Contarão aos colegas que o Menino Maluquinho que esteve na biblioteca era travesso como o do livro, mas era ruivo, tinha sardas e não usava óculos gigantes. O voluntário mais novo, Daniel Jung, 13 anos, não esqueceu nem da panela na cabeça.

Fonte: ZH On Line
Data: 25/03/2011

Serviço possibilita verificação imediata da autenticidade de documentos


Vinicius Zepeda
Fotos: Divulgação/ISTP 
          
      O serviço permite verificar, através do uso de copiadoras de alta
            performance e scanner, a autenticidade de documentos

Segundo dados disponibilizados no segundo semestre de 2010 pela Agência Brasil, a cada ano, cerca de um milhão e meio de documentos são roubados ou extraviados no Brasil. Destes, 28%, o que equivale a 420 mil, são apólices de seguro, certidões, testamentos e outros papéis registrados em cartório falsificados ou adulterados. O fato é que o universo das fraudes representa sérios prejuízos financeiros. Numa tentativa de solução, uma empresa fluminense elaborou um serviço que permite a um leigo detectar, imediatamente e com segurança, em qualquer repartição pública do País, se um documento é falso ou se foi adulterado. "Uma única vírgula alterada é detectada e precisamente indicada", explica Luiz Alberto Wanderley, analista de sistemas, administrador e presidente da International Security & Telecommunications Provider (ISTP), empresa responsável pelo projeto, que contou com o apoio do programa Pappe Subvenção/Rio Inovação, uma parceria da FAPERJ com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Entre as fraudes, tanto há a falsificação (origem do documento diferente da legal) quanto a adulteração (alteração de texto, ou outro conteúdo de documento). Wanderley explica que há uma enorme quantidade de fraudes com contratos, garantias de crédito, certidões, procurações e outros documentos em papel. As mais frequentes são nos documentos de identificação. "Ordens de soltura de réus primários já foram, por exemplo, adulteradas para a soltura de criminosos de alta periculosidade", exemplifica. Uma das razões para que tudo isso aconteça é a grande fragilidade na verificação visual do texto de documentos e de suas origens. Rubricar todas as páginas de um contrato, por exemplo, não garante sua integridade. "Atualmente, com os scanners e copiadoras de alta qualidade, ficou mais fácil fazer montagens que permitam alterações que passem despercebidas por um leigo. Uma vírgula fora de lugar pode inverter direitos e deveres entre as partes em um contrato", complementa.
Criada em 1999 no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, a ISTP já perseguia o objetivo de garantir segurança em documentos. Ao receber o apoio da FAPERJ, o projeto passou a ser desenvolvido com o nome de ISTP Document Protector. Ele executa um serviço que, usando impressoras lasers coloridas de alta performance e scanners de alta qualidade, torna possível imprimir autenticidade a documentos, dificultando bastante que seja fraudado. Segundo Wanderley, são dois processos. O primeiro consiste em criar proteção para um novo documento, com a impressão de uma barra de segurança em cada página, que passa a ter um fundo especial, algo semelhante a uma marca d’água, com impressão visível apenas no original. "É uma identificação pública, um dispositivo anticópia. O texto do documento é codificado e também criptografado, o que não é lido a olho nu", explica. Já o segundo processo serve para verificar a integridade do documento, tanto em seus aspectos de origem quanto possíveis adulterações do texto. "Um software combinado com scanner possibilita comparar o texto visível contra o conteúdo original previamente armazenado na barra de segurança e ainda destaca cada adulteração." E uma lente especial permite verificar os dados sobre a origem do documento (instituição, usuário certificado, hora universal e outras numerações identificadoras), que desaparecem no caso de cópia – havendo divergências, ficará claro que a versão é diferente do original, ou que o documento é falso", completa.
      
Wanderley: "Uma única vírgula
alterada
 é detectada e indicada"
Normalmente, o procedimento de confirmação de autenticidade documental é demorado e oneroso, pois exige a contratação de um perito criminal no local e de um laudo conclusivo. "Com o nosso serviço, além de um custo bem menor, já que é necessária apenas uma corriqueira verificação visual, o resultado é imediato e dispensa a contratação de profissionais especializados", acrescenta Wanderley.
A cada processo de proteção e a cada verificação, o ISTP Document Protector gera um comprovante, identificando quem a promoveu, quando e onde. Na verificação, também são especificados os dados de origem da página e quando o documento foi protegido. "O certificado proporciona, assim, amplo conforto à autoridade que vai assinar o documento, pois indica antecipadamente qualquer falsificação ou adulteração, proporcionando a segurança de que a versão a ser assinada é efetivamente aquela que foi aprovada", diz.
O objetivo do serviço é diminuir custos, riscos e tempo no processo de proteção e verificação de autenticidade de documentos impressos, principalmente contratos, acordos e convênios que envolvem a assinatura de várias partes. "Tudo isso permitirá uma ação preventiva de detecção automática tanto de adulteração quanto de falsificação, diminuindo enormemente os custos e a perda de tempo em processos judiciais contra possíveis golpes", afirma. Segundo Wanderley, outro benefício será verificar a completa integridade de documentos impressos antes de digitalizá-los. "E quando eles forem convertidos para impressos, se estará criando também novas áreas de especialização para analistas de sistemas, cientistas e pesquisadores de universidades para manter a evolução constante, acompanhando o desenvolvimento tecnológico de impressoras, scanners e copiadoras", acrescenta.
São inúmeros os clientes potenciais para o serviço prestado pelo ISTP Document Protector. No que diz respeito ao plano federal, por exemplo, Wanderley chama a atenção para os ministérios e para a área internacional de contratos e diversos tipos de seguros, assim como o poder judiciário.  Ele destaca também o benefício da eficiência econômica do novo serviço. "Na compra e venda de empresas, por exemplo, o tempo médio para a realização do processo de due diligence – análise e avaliação detalhada de informações e documentos pertinentes a uma determinada sociedade de porte médio –, que é em média de sete meses, poderá cair para apenas três semanas", explica. Cabe ainda ressaltar os beneficios de seu uso em escritórios de advocacia. O serviço de verificação da autenticidade em contratos, recibos e patentes produzidos, bem como documentos de crédito e apólices de seguro passaria a ter seu resultado entregue de imediato, e não semanas depois, como ainda acontece atualmente.
Luiz Wanderley explica que o ISTP Document Protector possibilita não só a integração de tecnologias individuais de segurança de documentos, como também atende a requisitos de gerenciamento, controle, contabilidade e infraestrutura necessários às demandas de órgãos governamentais, cartórios e ofícios. "A ISTP já registrou o pedido de patente dos serviços nos Estados Unidos e na Patent Cooperation Treaty (PCT) – espécie de tratado internacional de patentes que protege os direitos e interesses de ineditismo e exclusividade da Solução ISTP em centenas de países." Ele também estima a possibilidade de o governo do estado do Rio de Janeiro concentrar todos os serviços de proteção e de verificação de contratos, acordos e convênios de suas secretarias numa central, diminuindo custos, riscos e tempo.

Fonte:  Boletim da FAPERJ
Data: 24/03/2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Jogo Ludoeducativo tem recorde de acessos e anuncia novidades

O jogo web para vestibulandos obteve mais de 380 mil acessos desde o lançamento em agosto de 2010 e anuncia novidades contemplando redes sociais, novos tabuleiros e perguntas para atender o ensino fundamental.

O Jogo Ludoeducativo foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN) e Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) pertencentes a Unesp, USP, UFSCar, Ufabc, Unifesp, Ipen, CBPF, UFPB, Ifma,  UFRN, UFPI, UFMS, UnB, UEG, Ufgo e Uepg.

O jogo tem questões de múltipla-escolha, as quais os jogadores devem responder corretamente para chegarem ao final do tabuleiro. O objetivo é estimular de maneira descontraída estudantes a enfrentarem o vestibular e ampliarem seus conhecimentos em ciências.

O Ludoeducativo, em sua versão inicial lançada em agosto de 2010, teve grande sucesso, que pode ser percebido pelo número crescente de acessos (380 mil) e vários comentários de jogadores elogiando a iniciativa e indicando a amigos.

Como sugestão dos próprios jogadores e professores, o jogo evoluiu para funcionar em redes sociais como o Facebook e contemplar questões do ensino fundamental (1º e 2º ciclos). No entanto, a partir do teste com a nova faixa de usuários contemplada, percebeu-se que o jogo para crianças e adolescentes precisava ser mais interativo.

De acordo com o professor Elson Longo, diretor dos órgãos e responsável pela coordenação do projeto, "a interatividade dos elementos, que devem ser ricos em cores e movimentos, com música e efeitos sonoros, é fundamental para o sucesso de um jogo como esse". Dessa forma, toda a equipe de desenvolvimento, dividida nas áreas de computação, educação e design gráfico, realizou o máximo de possibilidade de interação multimídia, o que enriqueceu os novos tabuleiros.

Para diferenciar as abordagens e temáticas, o jogo foi segmentado em três versões: Vestibular - para o ensino médio, Ação - para o ensino fundamental ciclo 1 (2º ao 5º ano) e Radical - para o ensino fundamental ciclo 2 (6º ao 9º ano). Outra evolução considerável é que foi mobilizada na equipe de educação uma série de professores do ensino fundamental, coordenada pela professora Maria do Carmo Isaac, para o desenvolvimento de questões separadas por ano e disciplina.

De acordo com uma pesquisa de mercado, verificou-se que essa é uma proposta inédita no contexto do ensino fundamental, por isso espera-se uma boa receptividade dos alunos, que, além do mais, gostam muito do contato com a tecnologia e principalmente com jogos, fato esse levantado a partir de entrevistas com alunos e feedback dados pelos professores.

O jogo que tem quatro mil questões do ensino médio teve sua base de questões ampliada com a inserção de três mil questões para o ensino fundamental nas disciplinas de Geografia, História, Ciências e Matemática.

Para o jogo Ludoação e Ludoradical fez-se um tabuleiro animado com diversas paisagens do mundo, como o mar e praia, deserto, pirâmides, mata, dentre outras. Um diferencial desenvolvido para aproximar do jogo de tabuleiros real foi a inserção da característica do dado cair em vários lugares do tabuleiro de forma aleatória.

Em relação à ambientação sonora, foram selecionadas músicas especialmente produzidas para o público dos jogos, o que torna a dinâmica e experiência do jogo melhor e mais atrativa.

Para que o jogo sempre tenha uma aparência diferente, foram elaborados diversos personagens animados, um para cada disciplina e ano. A animação envolve propiciar interatividade ao elemento que passa a andar no tabuleiro de maneira interessante e com características próprias de cada disciplina.

Outra característica é o fato do aluno poder reportar algum tipo de erro na questão, que será avaliado pela equipe de ensino, dando uma resposta ao aluno. Com isso, tem-se a base de questões cada vez melhor com o tempo. A ideia é difundir o jogo Ludoeducativo, em suas duas versões ação e radical, para toda a rede de ensino do País, para incentivar os alunos a jogarem cada vez mais e aprenderem os conceitos de uma forma moderna e divertida.

O acesso ao jogo é gratuito e pode ser realizado pelos endereços:
www.ludoeducativo.com.br (para vestibular)
http://www.ludoradical.com.br  (para ensino fundamental 2º ciclo)
http://www.ludoacao.com.br (para ensino fundamental 1º ciclo)

Informações complementares: Elson Longo - telefone (16) 3351 8214 (elson@iq.unesp.br)
(Agêlo Santilli)

Fonte:  JC e-mail 4224
Data: 24/03/2011

Novas formas de comunicação utilizando a internet: contornada a falta de recursos?

Manifestação de Valdir Lamim-Guedes* enviada ao JC email sobre a matéria Sem recursos para passagens aéreas, CTNBio deixa de fazer reunião mensal, publicada pelo Jornal Valor Econômico e divulgada no dia 17 de março.

Com mais de 20 anos de criação, a internet revolucionou a forma das pessoas se comunicarem. Podemos manter contato com muitas pessoas através de rede sociais videochamadas e trocamos milhares de e-mails por ano (talvez pouco menos que o número de cartas escritas por Charles Darwin durante a sua vida, cerca de 14 mil).

E esta revolução não para por ai. As ferramentas pedagógicas sofreram grandes mudanças permitindo a realização de cursos à distância que tem expandido muito no País recentemente. Dentro da estrutura de uma unidade voltada para a Educação à Distância (EaD) em uma Universidade, existem espaços para a realização de webconferências. Neste tipo de evento, as pessoas acessam determinado link, em um horário pré-estabelecido, e tendo os equipamentos adequados (computador, webcam, microfone e velocidade de banda adequada) todos podem conversar ou ver uma palestra.

Este tipo de evento é muito comum em cursos EaD, mas também tem sido utilizado por empresas para reunião de conselhos administrativos, contato entre diferentes unidades ou com clientes. Existem algumas iniciativas isoladas de juízes que fazem audiências à distância, evitando que se gaste dinheiro e grande contingente de policiais para fazer a remoção de presos até os fóruns. Inclusive, mantendo a segurança pública, no caso de presos muito perigosos, como o Fernandinho Beira-Mar e outros chefes do narcotráfico.

E no caso da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que tem reuniões mensais em Brasília com 30 ou 40 pessoas que tem suas passagens de avião pagas pelos cofres públicos. Será que não poderiam ser realizadas reuniões utilizado a web e, esporadicamente, encontros presenciais para debater os pontos mais polêmicos?

Isto poderia evitar o acumulo de processo como tem acontecido atualmente e a busca por quórum em cada reunião.

E neste caso, os argumentos vão além do financeiro. A quantidade de carbono que é emitido pelo transporte aéreo de tantas pessoas deve ser considerada. Por exemplo, a COP15 em Copenhagen, realizada em 2009, mais de 50% das emissões de carbono desta conferência foram por causa do transporte aéreo dos participantes.

Outro problema relacionado a estas viagens, o tempo que cada participante desprende para participar das reuniões. Muitos profissionais que poderiam participar da CTNBio, não fazem simplesmente por falta de tempo. Quantos pesquisadores brasileiros trabalham no exterior? Estes poderiam participar de reuniões realizadas pela web.

A utilização de reuniões à distância é uma proposta que não deve ser utilizada para justificar cortes orçamentários, como os que ocorreram neste ano. Esta proposta deve ser encarada como uma adequação as novas tecnologias disponíveis, como um compromisso de reduzir os impactos de nossas ações cotidianas e facilitar a participação dos membros da comissão.

* Valdir Lamim-Guedes (dirguedes@yahoo.com.br) é mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Ecologia de Biomas Tropicais da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

Fonte: JC e-mail 4223
Data: 23/03/2011

Gaúcho está entre cem maiores químicos

Em lista de cientistas da área com maior impacto de 2000 a 2010, pesquisador é único nome da América Latina.

Muito trabalho, força de vontade e gosto pelo desafio. Essas são as matérias-primas que o químico Jairton Dupont, 51, considera essenciais para o crescimento acadêmico e para sua figuração na lista dos cem químicos mais influentes da década.

Elaborado pela empresa Thomson Reuters, que tradicionalmente mapeia as publicações científicas mundo afora, o ranking traz Dupont como o único brasileiro presente, na 83ª colocação.

As pesquisas de Dupont, que é professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) visam ao desenvolvimento e estudo de líquidos iônicos orgânicos, principalmente para aplicação na indústria petroquímica.

"Do ponto de vista pessoal, fico bastante contente, mas, pensando de forma geral, acredito que temos um reflexo de uma política", diz o químico nascido em Farroupilha (RS), lamentando a ausência de outros brasileiros e de outros países emergentes, como China e Rússia.

Na lista, são 70 químicos dos EUA, sete da Alemanha e quatro do Reino Unido.

"As instituições em que se concentram 80% dos químicos selecionados têm tradição no ensino por meio da pesquisa e possuem muito mais estudantes de pós-graduação do que de graduação", afirma Dupont. "A graduação também é importante, mas instituições conhecidas por sua excelência em pós devem se especializar, focar essa área."

O critério para a elaboração da lista foi o número de citações de cada cientista em trabalhos acadêmicos. Todos os seus integrantes publicaram pelo menos 25 artigos e foram citados em pelo menos 50 diferentes publicações.

Críticas

Contrário à escolha de dirigentes acadêmicos por eleições e a concursos públicos para professores-pesquisadores, ele define o sistema brasileiro como "pseudodemocracia universitária". "Lá fora, as escolhas são feitas por capacitação e mérito".



Dupont também não acredita no sucesso de instituições dedicadas unicamente à pesquisa, e não ao ensino. Segundo ele, o fracasso desse tipo de entidade está historicamente comprovado. Sobram críticas aos cursos noturnos de graduação. "São um desperdício de dinheiro", diz. Ele defende que o retorno seria maior se houvesse bolsas de estudo para alunos em período integral. "É um investimento muito melhor, porque a pessoa vai ser formar no tempo normal, em quatro anos ou até menos, e vai estar muito mais bem preparada."

Mestre-Cuca

Mas a ciência não é a única vocação de Dupont. "O maior prazer que tenho é cozinhar. Tenho uma cozinha de 20 metros quadrados, outro laboratório. Certamente, quando me aposentar, vou querer abrir um restaurante." Outro motivo de felicidade é a filha, hoje com dois anos de idade. "Sou um dos homens mais sortudos na vida por ter tido uma filha já depois de, digamos, velho".

Com sua experiência, ele recomenda aos iniciantes paciência e jogo de cintura para lidar com frustrações. "As pessoas acreditam que a notoriedade faz com que eu sempre tenha pedidos aprovados, mas sou como qualquer um, eu tenho meus projetos negados, isso faz parte do processo. Quem aprende a conviver e a melhorar com isso vai ser feliz."
(Folha de São Paulo)

Fonte: JC e-mail 4223
Data:23/03/2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Mídia social no trabalho?

Em maio de 2010, uma pesquisa realizada pelo MyJobGroup.co.uk descobriu que, enquanto 40% dos trabalhadores do Reino Unido criticam seu local de trabalho em sites de rede social, 55% acham que a equipe que fez isso deveria ser punida. Contudo, somente 16% sabiam que sua empresa tinha políticas disciplinares em vigor que abragiam problemas potenciais causados pela mídia social.

Embora a mídia social sem dúvidas tenha chegado para ficar, a questão é: até que ponto o empregador pode controlar as atividades de seus empregados na mídia social? E se forem feitos comentários negativos em domínio público, como o empregador deve reagir?

Uma ferramenta altamente eficiente para a empresa
Os benefícios da mídia social são óbvios. Primeiramente, pode ser uma ferramenta altamente eficiente para a empresa, inestimável para promover empresas e marcas. Pode melhorar a reputação da empresa e trazer novos negócios; de fato, muitos funcionários estão sendo incentivados a escrever em blogs e no Twitter, até mesmo durante o horário de trabalho. Além disso, muitos trabalhadores jovens hoje literalmente cresceram com a internet e não concordariam com seu uso restrito, preferindo não trabalhar para uma empresa que proíbe a mídia social.

Porém, embora seja verdade que as empresas enxergam os benefícios do uso da mídia social para promover sua marca, e à medida que sites como o Twitter, o Facebook e o LinkedIn tornam-se inseparáveis do uso comercial moderno, os riscos decorrentes do uso descontrolado da mídia social são óbvios.

Maior concentração final
Todos nós precisamos de pequenas pausas durante o dia – e navegar na internet, escrever no blog e twittar é divertido. Porém isso faz com que a concentração diminua e que você fique menos produtivo. Será mesmo?

De acordo com um estudo de 2009, 70% dos funcionários nos escritórios utilizavam a internet no trabalho por motivos pessoais; 9% dessas pessoas eram mais produtivas do que os funcionários que não utilizavam a internet para se divertir.[1] De acordo com Brent Coker, do departamento de gerenciamento e marketing da Universidade de Melbourne, “Pausas curtas moderadas permitem que a mente descanse, conduzindo a uma concentração final total superior para o trabalho do dia, e como resultado, uma maior produtividade.”

Por isso, devemos usar mídia social durante o expediente? Afinal, atualmente não estamos amarrados aos nossos computadores: durante o horário de trabalho podemos navegar na internet em nossos smartphones e outros gadgets. O melhor conselho é ser sensato. Você é quem se conhece melhor. Se você sabe que é uma pessoa que se distrai facilmente ou que acha difícil interromper um bate-papo com amigos, então simplesmente decida deixar o uso da mídia social para as noites. Afinal, você não conversaria com outras pessoas usando o telefone de sua mesa por várias horas no horário do trabalho, conversaria?

Quando é que o comportamento do funcionário é particular?
Em outubro de 2010, a Porsche proibiu que seus funcionários tivessem acesso a qualquer tipo de mídia social no trabalho porque temia que agências de inteligência estrangeiras entrassem em contato com seus funcionários pelo Facebook para coletar informações. Um exemplo extremo – mas é o sinal dos tempos: como você pode verificar se o que está sendo postado é "apropriado" – e é possível punir os funcionários que quebram as regras? A proibição total funciona realmente? E como você pode monitorar o que seus funcionários fazem durante o tempo livre e em seus computadores pessoais?

O que você escreve em um domínio público como o Facebook é diferente do que você diz em uma sala para seus amigos: enquanto um permanece em privacidade, o outro significa que suas palavras podem ser repetidas milhões de vezes, fora de contexto – fazendo com que você corra o risco de ser demitido – não porque expressou sua opinião, mas porque você colocou em dúvida a reputação da empresa. Em um caso pioneiro no Reino Unido, em fevereiro de 2011, uma funcionária de um departamento de transporte perdeu o caso contra dois jornais nacionais que publicaram tweets de sua autoria nos quais ela atacava o governo. A Comissão de reclamações contra a imprensa decidiu que as informações postadas no Twitter são consideradas públicas, já que podem ser lidas por qualquer pessoa e portanto podem ser publicadas por jornais.

Tenha moderação
Os funcionários obviamente precisam ter bom senso, porém um bom conselho seria:
  • Lembre-se: você é um representante de sua empresa
  • Nunca divulgue informações confidenciais: isso constitui uma quebra de confidencialidade
  • Não critique o gerenciamento, seus colegas ou os produtos da empresa
  • Não espalhe fofocas ou boatos do escritório
  • Não critique os clientes de seu empregador
  • Não coloque filmes bobos do escritório no YouTube
Em outras palavras, não publique nada que poderia manchar a reputação de seu empregador. Como Fergal Dowling, um especialista em direitos trabalhistas da Irwin Mitchell Solicitors, diz: “O abuso da mídia social pode ser motivo para punição até e incluindo rescisão de contrato, dependendo do nível de abuso e das políticas em vigor na empresa.”

Traçando um limite claramente
Contudo, o fato é que até mesmo os funcionários satisfeitos podem divulgar informações confidenciais, sem ter realmente essa intenção. As empresas, portanto, devem se proteger desenvolvendo novas políticas de redes sociais que abranjam o acesso no local de trabalho e o uso adequado ou adicionando novos termos às políticas de confidencialidade atuais que abranjam o uso da mídia social por seus funcionários – tanto em lugares privados quando no local de trabalho. Até que haja uma legislação em vigor que abranja esse problemas, as empresas serão obrigadas a ter suas próprias regras e decidir se e quando comentários negativos feitos por funcionários são realmente prejudiciais o suficiente para justificar uma demissão ou ação disciplinar.

Por enquanto, aceite que a mídia social é algo bom e que está aí para ficar; reúna políticas adequadas de uso da mídia social; e certifique-se de que seus funcionários compreendem que a perda de negócios não é o interesse de ninguém na empresa.



Fonte: Tecnologia @ Negócio - HP
Data: março 2011