quinta-feira, 28 de julho de 2011

Arte via correio

MAC USP reuniu a mais importante coleção de arte conceitual internacional no Brasil ao ser um dos destinatários de uma rede postal que artistas da América Latina e do Leste Europeu estabeleceram quando seus países enfrentavam regimes ditatoriais, indica pesquisa

Por Elton Alisson
 O Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP) guarda em seu acervo a mais importante coleção de arte conceitual internacional no Brasil.
Composta por obras de artistas europeus, especialmente do leste da Europa, que são extremamente importantes hoje no cenário de arte contemporânea mundial, o acervo foi formado pelo MAC USP por meio da atuação da instituição como um dos destinatários de uma rede de arte postal que artistas latino-americanos e europeus estabeleceram pelo correio nas décadas de 1960 e 1970, quando seus países enfrentavam regimes ditatoriais.
A constatação foi feita por Maria Cristina Machado Freire, professora associada e vice-diretora do MAC USP, por meio de pesquisas que realizou nos últimos anos no acervo do museu, com apoio da FAPESP.
De 1997 a 1999, por meio do projeto intitulado “A estética do processo. Arte conceitual no acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP: levantamento e pesquisa”, Freire começou a investigar a coleção de obras de arte conceitual do MAC USP, que compreende as décadas de 1960 e 1970 e estava esquecida dentro da instituição.
No decorrer da pesquisa, ela percebeu que havia uma forte presença no acervo de trabalhos de artistas de países como Tchecoslováquia, Hungria, Polônia, Iugoslávia e Alemanha Oriental e achou que isso representava um dado bastante importante e merecia uma investigação mais aprofundada.
Com base nessa descoberta, em 2005, por meio do Projeto Temático “Lugares e modos críticos da arte contemporânea nos museus”, também financiado pela FAPESP, a pesquisadora começou a fazer um levantamento de todos os artistas do acervo do museu que eram naturais dos antigos países socialistas do Leste Europeu e a analisar as relações e as questões comuns de suas obras com as dos artistas da América Latina.
Freire identificou que os artistas das duas regiões utilizavam o correio como um meio privilegiado para furar o bloqueio da censura e da repressão impostas pelos regimes ditatoriais que enfrentavam nas décadas de 1960 e 1970 e estabelecer uma rede de arte postal e de troca de informações artísticas.
E que algumas instituições, como o MAC, operaram nesse circuito alternativo de comunicação como destinatário e ponto de encontro de trabalhos enviados de todo o mundo, que chegavam ao museu público e universitário pelo correio.

Leia a matéria completa

Fonte:  Agância Fapesp
Data: 28/07/2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O grande desafio da educação superior é quantitativo

Confira a entrevista do presidente da Capes, Jorge Guimarães, publicada no Correio Braziliense de 27/07.


Como o senhor vê a situação das universidades brasileiras, em comparação com as estrangeiras?
O sistema universitário brasileiro é muito jovem, tem menos de sessenta anos. A universidade mais antiga é a USP, que só tem 77 anos. Comparado com o sistema europeu, é uma criança. Sendo tão jovens, estamos em pleno desenvolvimento e aperfeiçoamento das nossas atividades. Ainda temos muita influência do exterior na construção do conhecimento, mas estamos criando nosso próprio modelo.

Por que não há universidades brasileiras nas listas mundiais de excelência?
Não pode haver mesmo, nossas universidades são muito jovens! Quando a USP foi criada, Harvard já tinha 300 anos, não é possível comparar as nossas com as mais antigas do mundo. Mas, o Brasil tem tido muito sucesso em certas áreas, como na agricultura, na automação bancária, que é considerada a melhor do mundo, na exploração de petróleo, na fabricação de aviões e no desenvolvimento de papel celulose.

Qual é hoje o maior desafio na educação superior?
O grande desafio, hoje, é quantitativo. Não há o número suficiente de doutores do conhecimento que precisamos ter. No Brasil, há uma média de apenas 1,4 doutores para cada mil habitantes, entre 25 e 64 anos. Na Austrália, são 8, no Canadá, são 6,5 e, em casos excepcionais, como a Suíça, são 28.

Quais são as prioridades no aperfeiçoamento da educação?
A graduação e a pós-graduação nas áreas tecnológicas são fundamentais. Menos de 6% dos formandos no Brasil são da Engenharia, um percentual muito baixo, se comparado a outros países de desenvolvimento semelhante, como China, Coréia e Cingapura. Outra prioridade é a formação de professores para o ensino médio, é preciso pagar melhores salários. Todas as outras áreas do conhecimento se beneficiam se essas duas prioridades forem atendidas.

Como vê os questionamentos da imprensa e de entidades britânicas sobre a qualidade dos alunos brasileiros que poderão ir a universidades do Reino Unido com bolsas oferecidas pelo governo brasileiro?
Não vamos mandar para lá qualquer estudante. Haverá uma seleção rigorosa para que os melhores sejam enviados. Mas, não devemos usar o parâmetro de classificação do Reino Unido, que cria rankings de melhores universidades cheios de viés. Por exemplo, as universidades alemãs, que são as melhores em Engenharia, quase não aparecem nessas listas. O Reino Unido já foi o segundo destino preferencial dos alunos da Capes e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), mas caiu para o sexto lugar. Hoje, há interesse de empresas privadas britânicas em financiar bolsas para estudantes brasileiros. A British Gas vai bancar o custo de alguns alunos brasileiros que vão para o Reino Unido, porque a empresa tem interesse no Pré-sal brasileiro. O Brasil é a bola da vez.

Fonte:  JC e-mail 4309
Data:27/07/2011

Ibict inscreve para o Programa de Capacitação Institucional

São ofertadas nove vagas para áreas de Biblioteconomia, Ciência da Computação, Comunicação Social, Processamento de dados, Artes Visuais e Ciências Sociais. O valor da bolsa varia de R$ 2.200 a R$ 4.000.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) abre o processo seletivo destinado a candidatos a bolsas no âmbito do Programa de Capacitação Institucional (PCI). Os interessados devem se inscrever até às 17h desta quarta-feira (27), no protocolo do Instituto, em Brasília.

São ofertadas nove vagas para áreas de Biblioteconomia, Ciência da Computação, Comunicação Social, Processamento de dados, Artes Visuais e Ciências Sociais, preferencialmente Sociologia. O valor da bolsa varia de R$ 2.200,00 a R$ 4.000,00

O candidato deve levar os seguintes documentos: currículo lattes com as seguintes informações: dados pessoais (nome completo, endereço completo com CEP, CPF, RG); contato (e-mail, telefone celular e/ou fixo); formação acadêmica detalhada (nome do curso, instituição de formação, período, cidade); experiência profissional detalhada (instituição/empresa, função/cargo ocupado, período em que trabalhou); cópia da carteira de identidade e CPF; uma fotografia 3X4;  cópia de diplomas e certificados.

A Bolsa é destinada a possibilitar o desenvolvimento de atividades de pesquisa, por meio de agregação temporária de profissionais sem vínculo empregatício, necessários à execução do projeto, podendo ter duração de até 36 meses, de acordo com o orçamento e a proposta do projeto.

Mais informações no telefone (61) 3217-6178/6101 ou no email cristianefelix@ibict.br. Veja o edital: http://www.ibict.br/noticia.php?id=784.
(Agência MCT)

Fonte:JC e-mail 4309
Data: 27/07/2011


 

''É preciso flexibilizar a propriedade intelectual''

Lawrence Lessig, professor de direito de Harvard (EUA), defende a flexibilização das regras de propriedade intelectual. Autor de livros como Remix disponível gratuitamente sob uma licença da "Creative Commons", Lessig diz que é preciso haver liberdade para que a cultura comercial conviva com a do compartilhamento - que ganha cada vez mais espaço na internet. Lessig, que virá ao Brasil para o fórum HSM Negociação 3.0, que acontece em 23 e 24 de agosto, concedeu entrevista à Carolina Matos da Folha de S.Paulo, 27-07-2011.

Eis sua entrevista.

Propriedade intelectual
Precisamos de mais pensamento empírico e menos religião no que diz respeito à propriedade intelectual. É verdade que, com a internet e as tecnologias disponíveis, as empresas têm hoje menos condições de "controlar" o uso de suas marcas. Mas, junto com o risco, vem uma grande oportunidade para as companhias. Quando 50 mil pessoas no Facebook voltam as atenções para um produto porque amigos usaram a marca [em um "remix"] e recomendaram [o vídeo] ao seu círculo de contatos, isso é mil vezes mais eficaz que o resultado obtido através de um anúncio.

Compartilhamento
Exceto em questões de privacidade, espero que nunca tenhamos um mundo onde seja possível controlar o uso de ideia. Leis de direitos autorais não controlam ideias; patentes regulam só invenções. E a lei das marcas registradas assegura somente a integridade na esfera comercial. As ideias devem se espalhar livremente pelo globo.

Propriedade intangível
A lei sempre compreendeu a diferença entre o que é propriedade tangível e o que é intangível, e essas diferenças devem ser protegidas. A mudança, hoje, é que estamos rodeados por muito mais propriedade intangível do que antes, e as leis que regulam o que é intangível foram criadas para o mundo antigo, e não para o novo. As pessoas e as empresas sentem a mudança, que é profunda, e se dividem em dois grupos: o que tenta fazer valer as velhas regras no novo mundo e o que tenta descobrir as regras certas para o novo mundo. Eu faço parte do segundo grupo.

Geração de criminosos
Vivemos uma era em que nossos jovens deixaram de ver televisão para fazer televisão. E temo que estejamos produzindo uma geração de criminosos por causa do sistema de regulação desatualizado. A lei do direto autoral poderia ser atualizada para servir melhor aos interesses de artistas e evitar transformar crianças em criminosos. Deveríamos estar fazendo isso. Ideias como "uso justo" têm que ser centrais e protegidas para possibilitar a existência de ambas as culturas criativas: a comercial e a do compartilhamento.
E é preciso haver liberdade, que significa permissão para qualquer um usar sua capacidade de criar. O "Creative Commons" oferece a autores a possibilidade de marcar seus conteúdos com as liberdades que pretendem que a obra carregue.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
Data: 27/07/2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Instituto de Biologia da Unicamp ganha nova biblioteca

A nova biblioteca do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi inaugurada em 22 de julho.

Em um moderno prédio de dois pavimentos e 1.068 m2, com áreas para estudo individual e em grupo, auditório, videoteca, centro de memória, estantes deslizantes e rede de internet sem fio, a nova biblioteca abrigará um acervo composto por 22 mil volumes, que é considerado um dos maiores e melhores do país na área de ciências biológicas e biomédicas.

Segundo a Unicamp, a nova Biblioteca do IB foi incluída no Planejamento Estratégico Institucional da universidade e construída com recursos do Plano de Expansão de Vagas da Graduação. O prédio ficou pronto em agosto do ano passado, mas ainda carecendo da infraestrutura interna, que foi concretizada com verbas da Reserva Técnica Institucional da FAPESP.

Os alunos estão se beneficiando da nova infraestrutura desde abril, quando os livros foram transferidos para o novo prédio a fim de viabilizar a reforma do espaço antigo, onde permaneceram apenas os periódicos.

De acordo com a diretora técnica do IB, Ana Rabetti, a nova biblioteca segue as novas tendências, dispondo de serviços eletrônicos de acesso às informações e disponibilizando documentos tanto via base de dados como pela internet.

“As teses estão todas digitalizadas e os sistemas de acesso a pesquisas e de empréstimos e devoluções de documentos também são informatizados. Em 2010, registramos 62 mil empréstimos e consultas a livros, periódicos e CDs, e 743 mil acessos às teses com 147 mil downloads”, disse Rabetti.
Mais informações: www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2011/07/22/biblioteca-do-ib-inaugura-predio-a-altura-do-seu-acervo

Fonte: Agência FAPESP
 Data: 26/07/2011

Papel das universidades é tema de debate no Rio de Janeiro

A Finep discutirá na próxima quarta-feira (27), no Rio de Janeiro (RJ), as recentes mudanças no ensino superior e as relações entre universidade, pesquisa e sociedade. A entrada é gratuita e o evento será realizado no Espaço Cultural da agência, localizado na Praia do Flamengo. A proposta é oferecer um espaço aberto e permanente de discussão para subsidiar a construção de ações de apoio à inovação de forma democrática, transparente e eficiente.

     O palestrante será o professor Jaïrton Dupont, do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutor em química pela Universidade Louis Pasteur de Strasbourg, França, com pós-doutorado pelo Dyson Perrins Laboratory, Universidade de Oxford, Inglaterra, Dupont foi membro do CA-Química do CNPq (2003-2004). Ele já publicou mais de 190 artigos em periódicos internacionais e os publicados entre 1996 e 2006 já receberam mais de 10.000 citações.

     Participará, ainda, o professor Sidney Lianza, da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduado em engenharia civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia (1975), ele é mestre e doutor em engenharia de produção pela UFRJ (1991 e 1998).

     Informações sobre o evento pode ser obtidas pelo e-mail debate@finep.gov.br.
     (Com informações da Finep)

 

Fonte: Gestão C&T Nº 1059
Data:25/07/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Bob Stein vem ao Brasil para congresso em que analisa uma mudança nas narrativas a partir da revolução digital

Formas completamente novas de narrativa surgirão a partir da revolução tecnológica. A previsão é de Bob Stein, editor de 65 anos que desde os anos 1980, bem antes do advento da internet, dedica-se à produção de conteúdo eletrônico.

Foi pioneiro ao lançar uma enciclopédia para computadores pessoais e como criador de CD-ROMs interativos e multimídias. Fundador do Institute for the Future of the Book, com pesquisadores sediados em Nova York e Londres, Stein promete abalar as convicções da plateia de editores do 2º Congresso Internacional do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, que acontece amanhã e quarta-feira em São Paulo.

O futuro do livro, prevê o especialista, é se tornar uma praça pública virtual, um mundo no qual leitores se reúnem e criam suas próprias histórias, uma forma de contar histórias bem parecida com a dos games. A leitura como uma experiência solitária e silenciosa está com os dias contados, assim como o livro impresso, cujo futuro é sobreviver apenas como objeto de arte para consumo dos mais afortunados.

Como surgiu e qual foi a função do Institute for the Future of the Book?
BOB STEIN: Há sete anos, fui convidado pela MacArthur Foundation a voltar a ser editor. Mas naquela época, com a internet, eu acreditava que já não havia mais lugar para um editor, não entendia qual seria sua função. Relutei em aceitar o convite. Tive então a ideia de propor à fundação que financiasse uma pesquisa sobre o papel do editor nesta nova era. Eles foram extremamente generosos, doaram US$ 1 milhão para a criação do instituto. O instituto foi criado em 2004. A princípio, era um projeto de cinco anos de duração cujo objetivo era entender como as narrativas, o discurso, mudam ao deixar as páginas impressas rumo às mídias eletrônicas e à internet. Acredito que conseguimos entender como o mercado editorial vai evoluir. O livro será uma praça, um ponto de encontro e reunião de leitores. Não é algo que acontecerá da noite para o dia, mas chegaremos lá. Fundei recentemente uma nova empresa, a Social Books, e estamos criando plataformas para publicações eletrônicas e sociais.

A geração digital será capaz de ler um livro impresso como fazemos, sozinhos, concentrados, em silêncio por horas a fio ou ela não terá mais as habilidades cognitivas para tanto?
Ler da maneira que você descreveu é algo recente, não é uma prática tão tradicional e arraigada assim. No século XIX, o normal era as pessoas lerem em voz alta, em grupo. Uma biblioteca pessoal com estantes cheias de livros era raríssimo, privilégio dos ricos até depois da Segunda Guerra Mundial. Os comportamentos que envolvem a leitura solitária são recentes. Temos medo de perder algo se estes hábitos mudarem. Mas a Humanidade evoluiu durante muito tempo sem isso. As novas gerações encontrarão algo novo que será tão valioso quanto este tipo de leitura foi para nós.

Como a revolução digital está transformando o mercado editorial?
O mercado editorial sabia há muito tempo da iminência dos livros digitais. Mas, em vez de investir, permitiu que Amazon e Apple pilotassem o navio. Foi um erro grave. As editoras perderam a dianteira e agora têm de correr atrás do prejuízo. O problema é que estão acostumadas e se agarram a um modelo de negócios no qual vendem objetos impressos por uma quantidade justa de dinheiro. Agora todas estão convertendo e lançando seus livros em formatos eletrônicos e acreditam que assim será possível manter a mesma margem de lucro. Isto nunca vai acontecer. A verdadeira energia de transformação vem de fora do mercado editorial, principalmente do mundo dos games. As editoras terão de seguir este exemplo para aprender como integrar diferentes formas de mídia - não apenas adicionar fotos, vídeos e áudios aos textos -, e como lidar com comunidades de leitores. A indústria dos games já sabe muito bem como fazer isso. Um exemplo é "World of warcraft", espécie de role-playing game on-line, com mais de 12 milhões de assinaturas por mês. É um conceito a ser estudado. Talvez o futuro da literatura esteja em autores que criam um mundo a ser habitado pelos leitores, que dentro deste universo escrevem suas próprias histórias. Não me surpreenderá se uma empresa de game comprar uma grande editora em algum momento dos próximos dez anos.

O mercado editorial vai passar pela mesma crise da indústria fonográfica?
Sim, é bem parecido. As editoras acreditam que o que aconteceu com as gravadoras e a indústria do cinema não acontecerá com elas. Infelizmente não é verdade. No Pirate Bay é possível encontrar milhares de livros, muito mais do que seremos capazes de ler a vida inteira.

Houve um momento em que o futuro parecia estar nos enhanced books (o primeiro foi uma adaptação interativa, com áudio e vídeo de "Alice no País das Maravilhas, lançada em 2010 como um aplicativo para iPad). Este formato já está ultrapassado?
Sim. Embora muito do meu trabalho seja aprimorar livros, filmes ou músicas adicionando conteúdo para que eles sejam mais bem compreendidos e apreciados, no fim do dia isto jamais será tão importante quanto criar uma maneira completamente nova de se consumir conteúdo. A revolução tecnológica propicia a criação de novas formas de narrativas. Algo como a invenção de um novo gênero literário, adequado aos novos tempos, a exemplo do que aconteceu quando Miguel de Cervantes inventou, com "Dom Quixote" o romance moderno.

Livros impressos vão sobreviver?
Sim. Mas irão se tornar uma espécie de objeto de arte. Só quem é muito rico será capaz de comprá-los. Algo como os livros para mesas de centro que compramos hoje em dia porque são bonitos, decorativos. No futuro, o livro como uma forma de transmitir ideias será eletrônico.
(O Globo)

Fonte: JC e-mail 4307

Data: 25/07/2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Publicidades: Desodorante na biblioteca

Interessante publicidade produzida na Indonésia:


E a versão Libanesa:

INPI abrirá consultas públicas sobre exames de patentes

Com foco na harmonização dos procedimentos para exames de patentes, em setembro deste ano, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) abrirá consultas públicas. A expectativa com a ação é buscar mais uniformidade e previsibilidade nos serviços, além de divulgá-los amplamente à sociedade.

Todos os conteúdos serão preparados e revisados pelo corpo técnico da Diretoria de Patentes. As consultas serão divididas por temas. O primeiro deles será sobre o conteúdo do pedido de patente, com a divulgação do material no site www.inpi.gov.br.
 

A revisão das diretrizes para exames de patentes é uma das prioridades do INPI para o período 2011-2015. Em uma segunda etapa, a meta é obter certificação de qualidade para os procedimentos do instituto.
 

Fonte: Gestão C&T Nº 1058
Data: 21/07/2011

Aluno de universidade pública poderá prestar serviço obrigatório

Em tramitação na Câmara, projeto coloca a prestação de serviços sociais como requisito prévio para obter o título acadêmico.


Tramita na Câmara o Projeto de Lei 326/11, do deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que obriga o recém-graduado das instituições públicas de educação superior mantidas pela União a prestar serviço social profissional pelo prazo de pelo menos seis meses, sem remuneração salarial.

Pelo projeto, o serviço social será prestado de acordo com a natureza da formação acadêmica, com o objetivo de colocar à disposição da sociedade a preparação profissional do recém-graduado. Ele será requisito prévio para obter o título ou grau acadêmico, sem substituir o estágio profissional obrigatório.

Contrapartida - Para Rubens Bueno, o projeto representa uma alternativa à ideia de cobrar mensalidades dos alunos de graduação do ensino público. "É justo que os estudantes beneficiários da privilegiada experiência de estudar gratuitamente nas melhores instituições de educação superior ofereçam à sociedade, também de forma gratuita, os seus serviços profissionais, pelo menos durante o curto período de seis meses", argumenta.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), em 2007 o custo anual de cada aluno de universidade federal foi R$ 15.118,04. A meta do ministério é reduzir o valor para R$ 9.403,39 até 2012, com os esforços do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que está ampliando o número de matrículas ofertadas.

Desigualdade - A educação, diz o deputado, é uma estratégia privilegiada de redução das diferenças sociais. "O projeto objetiva determinar que, na formação em nível superior dos cidadãos brasileiros, seja assegurada a experiência indispensável de lidar com as questões mais importantes relativas à desigualdade social e à promoção de sua erradicação, mediante ações efetivas de desenvolvimento das comunidades carentes", explica.

Além do caráter de justiça social e incentivo ao espírito de solidariedade, prossegue Rubens Bueno, não haverá qualquer prejuízo para o profissional recém-formado, que receberá ajuda financeira e terá sua atividade validada e incorporada ao tempo de serviço, para fins de aposentadoria.

O serviço social profissional obrigatório, sustenta o deputado, é uma compensação pelo privilégio do ensino gratuito, ao mesmo tempo em que abre aos brasileiros carentes o acesso efetivo aos diversos serviços de competência do poder público.

Tramitação - O projeto foi apensado ao PL 2598/07, do deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), que trata da prestação de serviço de saúde por estudantes. As propostas serão analisadas em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.
(Agência Câmara)

Fonte: JC e-mail 4305
Data: 21/07/2011 

Controle de excesso de cópias em bibliotecas digitais/bases de dados

O ativista que exagerou nos downloads

 

Fonte: Inside Higher Ed. Data: 20/07/2011.

Tradução: Murilo Cunha

Um júri federal condenou Aaron Swartz – um ativista e inovador tecnológico – pelo roubo de milhões de artigos de revistas por meio da conta assinada pelo Massachusetts Institute of Technology no banco de dados JSTOR.
O veredicto
O veredicto descreveu esforço de Swartz para utilizar uma conta de convidado do MIT para fazer o download dos artigos, mesmo que ele não tivesse o direito legal de fazê-lo. Nesse tempo ele era afiliado à Harvard University, podendo então ler os artigos. Ele pode ter uma pena na prisão por 35 anos e uma multa de até um milhão de dólares.
Swartz tem sido envolvido em inúmeros esforços para tornar a informação disponível com acesso livre à população. Mas a sentença que ele foi penalizado não faz distinção entre os seus objetivos filosóficos daqueles relacionados com roubo. “O roubo é roubo se você usa o comando do seu computador ou se você tira documentos, dados ou dólares. É igualmente prejudicial para a vitima se você vender o que tem roubado ou dá-lo”, disse a Procuradora Federal Carmen M. Ortiz.
Enquanto Swartz não pôde ser contatado para comentar, os seus inúmeros fãs mobilizados dão um suporte online, cobrando que o governo erra ao tratá-lo como um criminoso por violar os termos de prestação de serviços de bases de dados no MIT, bem como os membros da JSTOR. Mais de 15.000 pessoas já assinaram petições em seu nome em poucas horas após a divulgação das acusações enfrentadas por ele.
O blog Demand Progress - um grupo que Swartz anteriormente trabalhou como diretor executivo -- publicou uma nota dizendo que "ele está sendo acusado de supostamente executar downloads de muitos artigos de periódicos acadêmicos da Web O governo alega que o download dos referidos artigos é realmente crime informático e deve ser deve ser punido com pena de prisão.”
David Segal, atualmente diretor executivo do grupo, disse: como tentar colocar alguém na prisão por supostamente ter emprestado muitos livros da biblioteca." Segal também disse que Swartz resolveu as suas disputas com o JSTOR, tornando inapropriada essa ação legal.
O JSTOR é um serviço amplamente utilizado e por meio dele as bibliotecas obtém acesso digital a numerosos periódicos. O JSTOR divulgou um comunicado indicando que não poderia comentar o indiciamento, mas esclarecendo o que sabia sobre o caso:
"No último outono e inverno, o JSTOR experimentou um significativo mal uso de nossa base de dados. Uma parte substancial do conteúdo dos nossos parceiros foi baixada de forma não autorizada utilizando-se a rede no Massachusetts Institute of Technology, uma das nossas instituições participantes. O conteúdo foi “baixado” de forma sistemática usando uma abordagem destinada a evitar a detecção por nossos sistemas de monitoramento”, disse o comunicado. "O conteúdo “baixado” incluiu mais de quatro milhões de artigos, resenhas de livros e outros itens de revistas nossos parceiros acadêmicos e outras publicações, mas não incluem qualquer informação de identificação pessoal sobre os usuários JSTOR."
O JSTOR "parou essa atividade de download, e o indivíduo responsável, Sr. Swartz, foi identificado. Obtivemos do Sr. Swartz a confirmação de que o conteúdo que foi “baixado”, e ele recebeu a confirmação de que esse conteúdo não foi e não poderia ser usado, copiado, transferido ou distribuído".
A nota do JSTOR afirma que era "importante notar que apóia e incentiva o uso legítimo de grandes conjuntos de conteúdos do JSTOR para fins de pesquisa. Nós fornecemos regularmente aos estudiosos o acesso a conteúdos para este fim." No entanto, o comunicado acrescenta: "Mesmo quando trabalhamos para aumentar o acesso, uso e impacto da pesquisa, também devemos ser administradores responsáveis por esse conteúdo informacional. Nós monitoramos o uso para proteção contra o uso não autorizado do material hospedado no banco de dados do JSTOR, que é quando tomamos conhecimento deste incidente em particular.

Comentário:
É sabido que a maioria dos sistemas de bancos de dados e bibliotecas digitais possui instrumentos para coibir a cópia exagerada por parte dos seus consulentes.
Esse tipo de controle, também denominado de gestão de direitos autorais (Digital Rights Management, DRM, em inglês) é essencial notadamente quando o usuário-final possui acesso a esses sistemas por meio de contratos ou autorizações legais que geralmente envolvem pagamentos pelo acesso à informação. A função básica do DRM é monitorar o acesso a conteúdos digitais e, ao mesmo tempo, assegurar e administrar os direitos autorais sobre esses conteúdos pelo ângulo do detentor desses direitos.
Já sob o ponto de vista de inúmeros consumidores, especialmente da Free Software Foundation, o termo DRM deveria ser Digital Restrictions Management (Gestão de restrições digitais)! Optando por uma das acepções, é pacifico que ambas permitem definir parâmetros e controlar conteúdos informacionais digitais com níveis de restrições.
            Assim, os nossos usuários devem ser informados desse detalhes legais e as possíveis implicações decorrentes do uso inadequado (ou ilegal) desses acessos.

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Biblioteca oferece curso em braile

A Biblioteca Pública do RS está com inscrições abertas para o curso de leitura e escrita em braile. O curso tem carga horária de 40 horas semanais e vai até o dia 16 de agosto. De acordo com a diretora da instituição, Morgana Marcon, a atividade é voltada às pessoas videntes interessadas na aprendizagem do sistema. "Ele visa atender àqueles que convivem ou trabalham com deficientes visuais", observa.

As aulas são desenvolvidas duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, das 14h às 17h. Conforme a diretora, das 25 vagas oferecidas, ainda estão disponíveis dez. O valor total é R$ 30,00. Outra opção oferecida é o curso de introdução à música braile, voltada a professores e estudantes de música. As inscrições para ambas as atividades, devem ser feitas pelo telefone (51) 3225-9426, ou diretamente no local: Rua dos Andradas, 736, 3 andar, Centro da Capital.

Fonte: Correiodopovo.com.br
Data: 20/07/2011

Eleições no Sistema CFB/CRB

Em novembro de 2011 ocorrerão as eleições para os Conselhos Regionais de Biblioteconomia em todo o Brasil. A novidade será a forma de realização do pleito via internet, o que permitirá agilidade ao processo e facilitará os procedimentos previstos pela legislação.

A modalidade será empregada de forma pioneira e, nesse primeiro momento, somente nos locais onde houver a participação de chapa única a votação poderá ocorrer totalmente em modo eletrônico. Ao passo que quando houver mais de uma chapa concorrente, será mantido o processo tradicional com emprego de cédulas de papel.

Os candidatos eleitos comporão a gestão 2012/2014 nos quatorze conselhos regionais, que têm sob sua responsabilidade manter e ampliar as conquistas alcançadas ao longo da trajetória da Biblioteconomia e da profissão de Bibliotecário no país.

Essa é a oportunidade para os profissionais que desejam colaborar e dedicar seu tempo, ideias e competências em prol da classe de forma voluntária. É importante que os temas de relevância e interesse comum sejam debatidos e se transformem em ações concretas com resultados para o coletivo.

Em breve, será divulgado o calendário eleitoral.

Fonte: Boletim Eletrônico Sistema CFB/CRB
Data: 18/07/2011

O futuro do Brasil depende da educação

Artigo de Miguel Jorge publicado no O Estado de São Paulo (19/07).

Filosofia, Sociologia, Música e Espanhol. Depois de incluir, nos últimos anos, essas disciplinas no currículo do ensino médio, o Conselho Nacional de Educação estuda acrescentar uma sobre direitos humanos no ensino básico. É louvável assegurar às crianças e aos jovens brasileiros o estudo de novas áreas do saber nas escolas públicas, pois isso lhes daria maior compreensão do mundo que os cerca, levando-os a refletir e agir com civilidade, consciência e respeito.

"Daria maior compreensão...", com o verbo no condicional? Por que não dará, com o verbo no futuro? Porque é impossível atingir tal estágio sem antes atacar as questões fundamentais que comprometem a qualidade da educação. Classificado nas últimas posições do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), com problemas crônicos de ingresso tardio na escola, repetência, professores desmotivados, mal remunerados e mal preparados, infraestrutura precária e famílias distantes do processo de ensino, o Brasil está numa encruzilhada. Uma das maiores economias do mundo, com fortes índices de crescimento e de redução de desigualdade social, só manteremos e ampliaremos as conquistas dos últimos anos com grandes investimentos em educação.

Para não perder em competitividade precisa formar mão de obra qualificada. Para atender às exigências da classe média crescente, que busca um futuro melhor, precisa garantir a todos o direito ao conhecimento. Para ingressar no seleto clube dos países desenvolvidos precisa de muita vontade e de decisão para encarar seus grandes problemas educacionais.

Como reflexão, convém recordar alguns números. A última edição do Pisa, de 2009, avaliou 470 mil estudantes de 15 anos, de 65 países, ou 90% da economia mundial. Em leitura, a China foi a primeira e o Brasil, 53.º, atrás de Chile (44.º), Uruguai (47.º), Trinidad e Tobago (51.º) e Colômbia (52.º). Como consolo, chegamos à frente da Argentina (58.º) e do Peru (63.º). Em Matemática, nossos estudantes ficaram em 57.º e em Ciências, em 53.º. Há índices de sobra, que, infelizmente, não se traduzem em mudanças nas políticas públicas. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Prova Brasil (complementar ao Saeb) estão entre as pesquisas regulares do MEC para retratar a situação da educação.

E persistem o quadro de precariedades e a baixa qualidade do ensino, apesar dos avanços registrados. O Inep, em levantamento de 2009, mostra que 34 a cada 100 estudantes do ensino médio sofreram defasagem ao longo da vida escolar, enquanto no ensino fundamental 23 a cada 100 estudantes estão atrasados. Outro estudo, com dados da Pnad-IBGE, destaca que só 30% da população entre 25 e 34 anos frequentou até a 3.ª série do ensino médio - sem conhecimento para preencher vagas que exigem ensino médio completo, a taxa de desemprego é de 14%, acima dos 9% dos que têm até oito anos de escolaridade.

Relatório da Unesco é contundente: entre 1999 e 2007 o índice de repetência no ensino fundamental (18,7%) foi o mais elevado da América Latina (AL) e muito acima da média mundial, 2,8%. Segundo o relatório, 13,8% dos brasileiros abandonam os estudos no primeiro ano do ensino básico, o que nos coloca apenas à frente da Nicarágua (26,2%), na AL, e bem acima da média mundial (2,2%). A Unesco define analfabeto funcional como quem sabe escrever o próprio nome, lê e escreve frases simples e faz cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Em 2009 eram 20,3%, isto é, um em cada cinco brasileiros é analfabeto funcional: tem compreensão limitada do que observa ou produz e o desenvolvimento pessoal e profissional comprometido.

Daí, não é de estranhar que um professor da rede pública encontre alunos de 12, 13 anos, estudantes da 6.ª ou 7.ª séries, que mal sabem escrever o próprio nome e são incapazes de construir frases. Também não é de estranhar que, há coisa de dois meses, Amanda Gurgel, que leciona Português na rede pública do Rio Grande do Norte, tenha virado celebridade na internet. Ela resumiu sua situação em três dígitos (9, 3 e 0), seu salário e o de milhares de profissionais como ela: R$ 930 - o que obriga a trabalhar 30, 40 e até 60 horas semanais, numa rotina de empréstimos, bicos, muito cansaço e desestímulo.

Não há como negar que a grande maioria dos professores da educação básica é mal remunerada e trabalha sem condições. Nem que também esses professores tiveram, em geral, uma formação inicial insatisfatória nas disciplinas que lecionam e no campo didático-pedagógico. Pelos dados da Pnad-2010, o salário médio de um professor da educação básica é 40% menor que o de um trabalhador com o mesmo nível de escolaridade. No rico Estado de São Paulo, por exemplo, a remuneração média de um professor é de R$ 1.905 e a de um profissional de outra ocupação, R$ 3.306. Neste caso, a equação está feita: melhores cursos de formação dos docentes + remuneração adequada + capacitação continuada = bons professores, que ensinarão mais e melhor.

Uma das conclusões do estudo do pesquisador Ricardo Paes de Barros, do Ipea (Caminhos para melhorar o aprendizado), a partir dos resultados de 165 estudos acadêmicos brasileiros e estrangeiros sobre educação, é que um aluno que estuda com os melhores professores da rede pública aprende 68% mais que a média dos estudantes. Mais: além de nível de escolaridade, formação profissional e experiência, o sucesso do professor depende também de características como liderança, motivação e persistência.

Por tudo isso, o Brasil, que ainda tem 9,6% da população com 15 ou mais anos analfabeta, precisa avançar muito para se igualar às economias mais competitivas. São quase 14 milhões de brasileiros que não sabem ler nem escrever, e reverter esse quadro dependerá do esforço de todos os segmentos da sociedade, mas, principalmente, da implementação de políticas públicas duradouras e eficazes pelos governos federal, estaduais e municipais.

Miguel Jorge é jornalista e foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo Lula (2007-2010).

Fonte: JC e-mail 4303
Data: 19/07/2011