No ano de 2010, o governo sancionou a lei nº 12.244, que,
em sua essência, obriga todas as instituições de ensino, sem exceção, a
disponibilizar bibliotecas até 2020. Trata-se de uma tentativa de facilitar o
acesso de livros didáticos e obras literárias a alunos do ensino brasileiro.
Mas, com a evolução da tecnologia e a disponibilidade de informações obtidas a
poucos cliques, livros fisicos seriam mesmo necessários?
A Mix Tecnologia, uma empresa pernambucana de TI,
acredita ter encontrado um meio termo para essa questão. É ela que gerencia,
nas regiões Norte e Nordeste, toda a parte de logística comercial do projeto
"Nuvem de Livros" - uma criação do Grupo GOL (que não tem nada a ver
com a empresa de aviação civil). Trata-se de um modelo de negócios que alia a
hospedagem de arquivos na nuvem com a evolução tecnológica favorável à
educação. "Todos os lados são remunerados: empresa, editora, autor dos livros
- todos saem ganhando de forma justa", afirma Murilo Marinho, diretor da
Mix Tecnologia.
A ideia de ambas as empresas é promover exatamente o que
a lei nº 12.244 rege, mas de uma forma que não obrigue as instituições de
ensino - por vezes, sem verbas suficientes para reformas físicas - a gastar
dinheiro excessivo na construção de bibliotecas físicas. Por R$ 48,00 anuais
por aluno, as empresas concedem acesso ao acervo que, hoje, está próximo da
marca de 5 mil livros: "A lei não determina se as bibliotecas devem ser
físicas ou virtuais. O nosso projeto é perfeito para isso justamente pelo fato
de ser mais barato para a escola, além de remunerar autores através de um piso
mínimo contratual que aumenta conforme sua obra se populariza. Levando em
consideração que a maior parte das escolas já conta com acesso Wi-Fi ou
laboratórios de informática, além do crescimento da internet móvel nas mãos de
adolescentes, essa pode ser uma solução a longo prazo para os alunos", diz
Marinho.
Toda a tramitação é feita pelo grupo Gol. Autores e
editoras são procurados - ou procuram - a empresa para disponibilizar sua obra
na nuvem. Assim, firma-se um contrato estipulando valor a ser pago para o autor
- em caso de escritores independentes - ou à editora. A obra então é disponibilizada
para visualização pelo PC. Todo o acervo é disponibilizado por R$ 4,00 ao mês
por aluno", explica Marinho. O interessante é que, com a questão da
portabilidade de recursos, essa nuvem também já conta com uma versão para
tablets e smartphones Android (versão 3.x ou superior), enquanto uma versão
para iOS está em fase de aprovação pela Apple.
Pirataria?
Marinho diz que esse foi um ponto muito pensado na
idealização da Nuvem de Livros. De acordo com o diretor, a forma de proteger os
autores e editoras contra a disseminação indevida de suas obras é permitir a
visualização do arquivo apenas pelo usuário: "Em nenhum momento há um
download do arquivo para o HD do usuário. Também não há como selecionar trechos
do texto e copiá-los em um editor, como WordPad e afins. Se é possível
piratear? Sim, é, mas só se a pessoa tiver a paciência de imprimir páginas em
HTML uma por uma ou copiar o texto 'na mão'".
Murilo espera que usar a nuvem para fins mais educativos
se torne uma tendência global. E você, o que pensa do assunto? Acha que isso
ajudaria, nem que fosse para aliviar o peso das mochilas escolares? Ou o método
padrão que conhecemos ainda é o mais indicado? Conte-nos nos comentários! (Rafael Arbulu)
Fonte: OlharDigital
Data: 03/02/2012