Quinze volumes do
século 19 e começo do 20 foram levados de instituto em São Paulo.
Três ladrões roubaram ontem (2) 15 volumes de livros da biblioteca do
Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, na Avenida Miguel Stéfano, na Água
Funda, zona sul da capital paulista. O assalto foi por volta das 16h. Dois
homens armados com revólveres renderam dois seguranças, três funcionários e dois
estagiários antes de roubar os livros.
No ano passado, diretores do Instituto de Botânica já haviam recebido um
ofício da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro informando que
detentos de um presídio fluminense tinham uma lista de obras raras de botânica
que deveriam ser roubadas. As conversas foram interceptadas pelos federais e
comunicada aos diretores da biblioteca.
Desde então, os livros foram trancados em uma sala especial, com grades e
câmeras de vigilância. "Só não imaginamos que o roubo ocorreria em pleno dia",
diz a diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi.
Antes de praticar o assalto, os ladrões almoçaram no restaurante do Instituto
de Botânica. Entraram calmamente na biblioteca e fizeram consultas no
computador, como se quisessem localizar o livro. Romperam o silêncio do local
anunciando o assalto. Um revólver foi apontado para a cabeça da bibliotecária,
que os levou para as obras desejadas. "Eles já sabiam o que queriam", disse
Vera.
Investigação - Segundo o delegado Enjolras Relo de Araújo,
titular do 83.º DP (Parque Bristol), que investiga o caso, disse que os ladrões
ainda disseram: "É encomenda internacional". "Onormal desse tipo de ação é o
furto e não o roubo. Esse caso mostra certa organização dos bandidos. O material
tem valor histórico", disse o delegado Adalberto Barbosa, titular da 2.ª
Delegacia Seccional.
As obras roubadas são raras e antigas. Onze volumes eram da Flora
Fluminensis, publicada originalmenteem1827, escrita pelo frei José Mariano
Velloso. Os livros contêm gravuras de 1640 de espécies vegetais do Rio e
arredores. Parte desses desenhos está acessível para download na internet.
Outros dois volumes são das obras Sertumpalmarum brasiliensium, de 1903, de João
Barbosa Rodrigues, e Bambusees, de 1913, escrita por F.G. Camus.
Fonte: Estadao.com.br
Data: Acesso em 13/02/2012